Mostrar mensagens com a etiqueta Entrevistas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Entrevistas. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Entrevista a António Rodrigues

António Augusto Baptista Rodrigues, 57 anos, natural de Pousade; Professor.

1- Enquanto professor, como interpreta o sistema educativo? Defeitos e virtualidades.
O sistema educativo enferma dos mesmos males que grassam na sociedade do ano 2018: impõem-se, muitas vezes, a mediocridade e a mentira, em vez da dignidade e da competência, pois é assustadora a falta de nível dos que comandam a nação/mundo. Como virtualidades, aponto a convivência entre os colegas e a mensagem de valores que fará algum eco nos alunos. Assim o espero, a esperança é a última a morrer...e a escola deve ser o local da denúncia dos males e ser capaz de imunizar os alunos para os perigos que terão de enfrentar.

2- Frequentou o Seminário, foi lá professor. Como analisa a falta de vocações sacerdotais, nomeadamente na nossa diocese?
Será por falta de capacidade de os atuais padres convencerem? Será que também eles vão na outra onda e não na do Evangelho? Ou será uma evolução geral, em quem as pessoas preferem ser menos Homens do que seguir a mensagem do verdadeiro Humanismo, o Cristianismo?

3- O que mais o marcou(a) na sua carreira docente? 
O contacto com os alunos, quando verifico que ultrapassam as dificuldades e têm sucesso. Nada é superior a um riso de satisfação por conseguirem, o que parecia difícil.

4- Haverá futuro, tal como o conhecemos hoje, para o Interior? 
Não.

5- Que projectos considera essenciais para o desenvolvimento da Guarda?
 Projetos que permitam às pessoas ganharem cá a vida, pois muito amor ao interior que não passe das palavras ou de festas sasonais...

6-É alguém ligado à terra. Como explica, a quem não tem as vivências do mundo rural, o seu amor por ela (Pousade)?
 É que a mensagem de encantamento e de grandes vivências ainda é de gente próxima- pais e avós, mas será de pouca dura...

7- Que lhe diz Vila Mendo? 
Terra de gente unida, franca, com capacidade para em conjunto abraçarem projetos de promoção bairrista que está a dar frutos.







quinta-feira, 26 de julho de 2018

Entrevista

Amanhã, entrevista ao professor António Augusto Baptista Rodrigues.

sábado, 30 de junho de 2018

Entrevista a Telmo Conde

Telmo Henrique Antunes Conde, 36 anos, natural da Guarda.
Filho Joaquim Gonçalves Conde e Maria Arlete Gonçalves Antunes Conde.
Sou casado e pai de uma menina com 9 meses. 
Sou médico dentista há 13 anos.
Desempenho o papel de dirigente associativo na ACR de Vila Mendo e no Moto Clube da Guarda. 

1- Estudaste no Porto. O que te levou a regressar à Guarda?
Após o percurso académico na invicta permaneci por lá mais um ano para trabalhar e aprofundar alguns conhecimentos em diversas áreas. Apesar de ter estado 7 anos fora da Guarda mantive sempre contacto com as minhas origens. 
A certa altura recebo uma chamada com uma proposta de emprego aqui na Guarda. Ponderei e aceitei o desafio. Filho e neto único com fortes ligações aos meus avós não tinha como não aceitar a hipótese imediata de me aproximar dos meus. 
A família, os amigos e os laços de amizade trouxeram -me de volta ao berço.

2- Sentes falta da agitação das grandes cidades?
Não, nenhuma ! Adoro visitar a cidade que tão bem me acolheu, mas a tranquilidade do interior é impagável.
Demoro cerca de 10 minutos da minha vida por dia para ir e regressar do meu local habitual de trabalho, sem semáforos, sem trânsito, tudo com muita serenidade. 

3- Enquanto médico, que lacunas observas no sistema de saúde?
Muitas lacunas infelizmente. Na parte da saúde oral  posso dizer que estamos a anos luz do que seria expectável num país civilizado. 
A medicina dentária está em em segundo ou terceiro plano no SNS. Há poucas unidades hospitalares no nosso país que tenham o serviço de estomatologia a funcionar. A titulo de exemplo, em 2005 estagiei durante três meses no hospital de Guimarães integrado num protocolo da minha faculdade e estava nessa altura a atender as marcações de 2002!! Algo surreal.

4- Saúde oral. Que conselhos darias às pessoas para a sua promoção?
Como em quase tudo na vida a prevenção é e será sempre uma grande aliada para evitar dissabores, como tal, tenho por hábito dizer que, a cada refeição devíamos escovar os dentes. Claro que esta conduta é uma utopia.
O governo implementou o programa de cheque dentista para crianças, grávidas, idosos e doentes de risco. Com esta ajuda tem sido possível incutir hábitos de higiene nos mais novos e despistar doenças graves em situações de risco elevado.
Escovar os dentes pelo menos duas vezes ao dia ( manhã e ao deitar) é o mínimo que peço a quem me aborda nesse sentido.

5- Que consideras importante na perspectiva de diminuir as assimetrias entre o Interior e o litoral?
O interior tem sido muito penalizado nesse sentido. Oferta de emprego reduzida, salários inferiores, introdução de taxas nas scuts e auto estradas, o valor da fatura da luz igual ao do litoral, quando o nosso inverno se perpetua por nove meses são alguns dos motivos que nos isolam a cada dia.
Urge que os senhores do governo intercedam neste sentido, para que as assimetrias diminuam.

6-Como vês a guarda, hoje?
Vejo-a como a cidade eleita para ver crescer os meus filhos, na qual lhes poderei proporcionar um dia a dia tranquilo.
O tempo que não se perde nas intermináveis filas de trânsito permitem-nos usufruir mais da família, amigos e atividades coletivas.

7- Que te diz Vila Mendo, que te diz o futuro de Vila Mendo (e a Associação)?
Vila Mendo é sinónimo de família, alegria e momentos bem passados. Faz-me recordar as primeiras voltas no trator que o meu avô me permitia, as voltas de bicicleta, momentos de uma infância feliz.
O futuro de Vila Mendo, como o de outras aldeias do interior, está condenado à desertificação. Felizmente a Associação tem tido um papel fundamental para contrariar este ciclo com a realização de atividades nesse sentido.
Estou nesta associação desde o primeiro dia, quase há 20 anos, e estão bem visíveis os diversos melhoramentos que de forma direta e indireta dela resultam.
Do que depender de mim esta casa manter-se-á no ativo por muitos e bons anos. 




sexta-feira, 22 de junho de 2018

Entrevista a Joaquim Pina Monteiro

Joaquim Neves Pina Monteiro, natural da Freguesia de Vila Fernando, 55 Anos, Sargento de Engenharia do Exército Português, residente em Vila Fernando, casado dois filhos. Presidente da direcção da associação Clube dos Amigos da Freguesia de Vila Fernando. 

Que motivo(s) o impeliram a criar o Clube dos Amigos da Freguesia de Vila Fernando (CAFVF)? 
Como a desertificação é um dos sinais bem presentes no interior do País, a Freguesia de Vila Fernando não foge à regra. O motivo principal é contribuir, com o renascer desta associação, para que a desertificação seja minimizada, incentivando as pessoas a participar, fomentando o bom relacionamento entre todos os habitantes e estabelecendo parcerias com outras Associações. 
No fundo fazer com que a união seja a força do querer das gentes da Freguesia de Vila Fernando. 


Deduzo, pelo nome que houve uma tentativa de inclusão para agregar as sete aldeias da freguesia, correcto? 

Foi preocupação dos elementos da Associação incluir e não excluir, envolvendo pessoas das várias anexas que, desde logo, manifestaram disponibilidade para abraçar este projeto. Posso afirmar, uma tentativa bem sucedida. 

Que passos já foram dados nesse sentido? 
Muitos passos foram dados e muitos mais estarão para ser dados, numa permanente ligação à terra e à união de todas as anexas. Todos somos poucos para levar a bom porto este projeto, já que nele cabem todos os contributos que todos possam dar. Houve a preocupação de incluir nos órgãos da Associação gente de todas as anexas da Freguesia de Vila Fernando. 

Qual será o foco da vossa actividade associativa? 
O foco essencial centrar-se-á na dinamização recreativa, cultural e social com a participação e envolvimento de todos os que querem ver a freguesia unida e viva onde a valorização das nossas tradições não será esquecida. Há um longo caminho a percorrer, estou certo, mas esse caminho faz-se caminhando e acredito que, com humildade, empenho, dedicação e união o caminho será percorrido por todos e não haverá grandes obstáculos que nos impeçam de o percorrer com sucesso. 


Que projectos já estão a ser implementados? 

A criação do grupo de cantares Sete Vozes é já uma referência desta associação, que terá a sua apresentação oficial em Agosto. A atividade física para todas as idades, que decorre no Salão Paroquial, é também uma das iniciativas desta associação, que já está a ser implementada oferecendo a possibilidade a todas as pessoas de praticarem exercício físico combatendo assim a imobilidade, tão prejudicial à saúde. 

Que projectos para o futuro? 
Temos alguns projetos na forja, que por necessitarem de consolidação, a seu tempo serão publicamente divulgados. 

Como tem sido a reacção das pessoas nas diferentes aldeias? Acha que a existência de uma certa “rivalidade” entre terras da freguesia pode comprometer a afirmação do Clube? 
A apresentação da associação, dia um de Junho, na presença de algumas individualidades, de fora e da terra, bem como, quase todos os presidentes ou responsáveis das instituições/ associações da freguesia de Vila Fernando, notámos uma reação muito positiva e gratificante por parte de todas as pessoas. A existir “ rivalidade” não foi notada, mas compete a todos nós erradicar essa rivalidade e mostrar que temos mais a ganhar unidos do que a puxar cada um para seu lado. O saber e a experiência de cada um em particular será uma mais valia para a freguesia se utilizada em prol do seu desenvolvimento e dinamização. 

Nos órgãos Sociais estão representadas todas as aldeias? Quem são os elementos da Direcção? Quantos são os sócios neste momento? 
Uma das preocupações, foi sem dúvida, incluir pessoas de todas as anexas para fazer parte deste grupo, sendo a Direção constituída pelos seguintes elementos: 
Presidente-Joaquim Neves Pina Monteiro 
Vice-presidente-Tiago Vasco 
Secretária Geral-Sónia Marta 
Tesoureiro-Eugénia Vaz 
Vogal- Tiago Robalo 
Foi decidido que a angariação de sócios, só se iniciaria depois da apresentação oficial da Associação, Cube dos Amigos da Freguesia de Vila Fernando, processo que se encontra já a decorrer. Sendo ainda pouco o tempo, para além dos elementos dos Órgãos Sociais, já contamos com um número considerável de associados. 

Quais são ou quais vão ser as formas de financiamento?
Todas as legalmente possíveis. Estamos abertos a todos os contributos e bateremos a todas as portas para que se abram e nos ajudem a por de pé este projecto e a elevar bem alto a freguesia de Vila Fernando. Contamos com todos. 

Consegue imaginar o CAFVF daqui a meia dúzia de anos? 
O futuro a Deus pertence, mas com o apoio de todos e todas, a remarem para o mesmo lado o CAFVF procurará ser o motor da dinamização da terra, chamando a si os que aqui vivem, os que nos visitam e os que, não vivendo, sentem a terra como sua. 


Que lhe diz Vila Mendo?

Vila Mendo é uma das anexas da freguesia que tem tido à frente da Associação gente dinâmica e amante da terra, que se tem unido na promoção de vários eventos dignificando e divulgando a terra e suas gentes. Contamos com o vosso apoio e experiência de vários anos de associativismo, para termos mais força e dinamizarmos a freguesia. 

Enquanto Presidente da ACR Vila Mendo, tenho um desafio para lhe lançar: que diz de as 3 associações da freguesia (as referidas mais a da Quinta de Cima) organizarem uma actividade (anual, por exemplo) em moldes a definir e a balizar? 
Como presidente do CAFVF, quero afirmar total abertura de todos os elementos dos Órgãos Sociais, para trabalharmos em conjunto e desenvolver essa e outras atividades ao longo do ano. Considero o desafio muito interessante, sendo já um valioso contributo para o sucesso do renascer do Clube de Amigos da Freguesia de Vila Fernando. Estarei disponível para reunir, dialogar e recolher todas as sugestões que enriqueçam a Associação e unam a freguesia. Só unidos teremos o sucesso desejado.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Entrevista a Tiago Gonçalves

Tiago Gonçalves. 34 anos, vivi em Vila Mendo dos 2 aos 28 com uma pausa para ir estudar na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e desde então a residir e trabalhar na Guarda. 
Sou casado e pai de uma filha com 2 anos de idade. Filho de Manuel Corte Gonçalves e Maria do Carmo Mendes Monteiro Gonçalves, residentes em Vila Mendo.
Profissionalmente sou advogado desde os 23 anos e sócio da "Gonçalves, Micaelo Pinheiro & Associados - Sociedade de Advogados, R.L." com escritórios nas cidades da Guarda e do Sabugal.
Sou sócio e dirigente da A.C.R. Vila Mendo desde a sua fundação e além disso desempenhei diversos cargos em estruturas associativas, académicas e políticas. Atualmente sou o Coordenador dos Deputados eleitos pelo PSD à Assembleia Municipal da Guarda e Presidente da Comissão Política de Secção do PSD Guarda.

1- Porquê a advocacia?

A advocacia é uma das profissões mais exigentes e desafiantes que existem. Advogar é também tomar partido, escolher uma causa para defender e combater. Na maior parte dos casos é verdade que em vez de escolhermos a causa somos escolhidos por ela mas nem por isso se torna menos aliciante. Lidamos todos os dias com problemas importantes para as pessoas. Cabe ao advogado ser a voz da razão e pugnar por que ela prevaleça sobre a paixão que o cliente coloca nos assuntos que lhe dizem diretamente respeito.

2- O regresso à Guarda sempre esteve nos teus horizontes?
Nem sempre. Houve momentos em que pensei em exercer a minha carreira noutros locais e em que ponderei isso mesmo. Tive oportunidades nesse sentido que decidi recusar em função daquilo que a determinado momento quis e que foi construir uma carreira na advocacia. Voltei para a Guarda por razão e por coração. Não me arrependo pois as coisas têm corrido bastante bem do ponto de vista profissional e, sobretudo, do ponto de vista pessoal. Sinto que a Guarda é uma boa cidade para viver.

3- Como vês o estado da justiça?
A Justiça é muitas vezes vista com maus olhos mas do meu ponto de vista tem tido melhorias significativas desde que exerço a profissão. Mas, obviamente, é diferente olhar a justiça de dentro ou vê-la de fora. Compreendo muitos comentários negativos em relação à justiça mas não posso reconhecer razão a todos.

4- Tens um gosto especial pela política. Qual foi o “combate” mais desafiador até hoje?
Tenho, de facto. O combate mais desafiador e em que mais me empenhei na vida foi uma eleição para a Direção Geral da Associação Académica de Coimbra no ano de 2004 que redundou numa grande vitória e permitiu à lista que integrava exercer o mandato no ano de 2005. Para um jovem na altura com 21 anos foi um momento de grande aprendizagem e que marcou definitivamente a minha vida. A minha recente eleição para a Comissão Política de Secção do PSD ou o exercício das funções de Diretor da Campanha do Dr. Álvaro Amaro para a Câmara Municipal da Guarda foram outros momentos desafiantes e enriquecedores. Ao nível político tenho-me empenhado fortemente na discussão sobre políticas de coesão territorial e tenho pessoalmente procurado colocar na agenda política a questão da representatividade política do território. Entendo que, à semelhança do que acontece noutros países o território deve ser um fator relevante na distribuição da representatividade política dos eleitos sob pena de o fenómeno de despovoamento e crescente concentração da população nos grandes centros urbanos levar à total irrelevância política da maior parte do território português.

5- Tens algum propósito a alcançar em termos políticos?
Chegar ao fim dos meus dias e ter a consciência tranquila de ter lutado e feito algo para melhorar a vida dos que vivem à minha volta e dos que fiquem para me suceder. Sinto a política como um apelo cívico de fazer mais pela comunidade em que estamos inseridos, de renunciar a ficar em casa e permitir que outros o façam por mim.

6- Que medidas têm de ser tomadas para evitar o definhar do Interior?
Na minha opinião a pedra de toque está em conferir mais representatividade política ao Interior. A representatividade política levará por natureza a um outro olhar nacional dos partidos sobre o território e a sua importância. No momento atual as que se afiguram mais urgentes têm que ver com a mobilidade (eliminação ou diminuição acentuada do valor das portagens), saúde (necessidade de investimento em serviços de saúde e mobilização de recursos humanos especializados) e medidas de discriminação positiva ao nível fiscal, nos custos com bens de primeira necessidade (água, energia). Depois faltam políticas integradas de ordenamento do território. Infelizmente temos muito território abandonado e que não cria valor. É absolutamente necessário fazer um cadastro predial sério para se tomarem medidas com impacto direto no que pode ser a rentabilidade do território, nomeadamente através da política florestal e da agricultura. Há muito por fazer.

7- Que te diz Vila Mendo, que te diz o futuro de Vila Mendo (e a Associação)?
Vila Mendo é a minha terra, o local onde me sinto bem e onde gosto de levar todos os meus amigos. Julgo ser um bom embaixador de Vila Mendo, onde estou fala-se em Vila Mendo e isso é para mim motivo de orgulho. Sinto que Vila Mendo vai continuar a perder população, à semelhança do que acontece com quase todas as zonas rurais à nossa volta. Hoje há mais e melhores condições para as pessoas se fixarem mas infelizmente não vejo seriamente que tal venha a acontecer. Espero que as pessoas continuem pelo menos a ter brio na sua aldeia e a tentar recuperar o património familiar mantendo vivas a tradição e a história que nos foram legando até chegarmos ao dia de hoje. À Associação cabe-lhe ser o motor de tudo isto; ser o pólo aglutinador das vontades e o pretexto para regressar mais vezes. A Associação é a nossa casa comum. Não há uma pessoa de Vila Mendo que não tenha uma casa pois tem pelo menos a Associação que é a casa de todos nós.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Ciclo de entrevistas

Na próxima sexta-feira, dia 15, Tiago Gonçalves (advogado) será o entrevistado. Depois será a vez de Telmo Conde (dentista), Margarida Nunes (veterinária), Joaquim Pina (militar), André Viana da Cruz (advogado e professor no Brasil) e Mayra Pereira Chagas (Jornalista e professora no Brasil).

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Entrevista a Marisa Barbeira

Marisa da Silva Barbeira, 28 anos, Licenciada e Mestre pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Juíza estagiária no Tribunal de Setúbal. 
Sou apaixonada por livros e viagens. Adoro estar sozinha, talvez por isso tenha escolhido uma profissão que por muitos é vista como solitária. Os meus amigos e a minha irmã dizem que sou um pouco “ bicho do mato”, porque odeio falar ao telefone, raramente respondo a mensagens e também não sou adepta das redes sociais. 


1. Tiraste direito e agora estás a seguir magistratura. O que te levou a seguir Direito e mais especificamente a Magistratura? 

Não posso dizer que sou daquelas pessoas que desde sempre quis seguir Direito, razão pela qual no secundário optei pela área de ciências e tecnologias. No entanto, quando cerca de uma semana antes do final da data das candidaturas ao ensino superior, decidi seguir Direito (devo dizer, muito influenciada pelo meu pai), sempre soube que o meu objectivo passaria pela magistratura, em particular pela magistratura judicial. 
É uma profissão fascinante com tudo o que acarreta. É verdade que existe o peso da tomada de decisões que afectam de forma muitas vezes irreversível a vida das pessoas, sentenças que são proferidas de forma responsável e de acordo com aquela que é a verdade processual, que nem sempre corresponde à verdade real (o que muitas vezes não é compreendido pelos cidadãos), por outro lado, é inexplicável a sensação de - sempre de acordo com as determinações legais- fazer justiça no caso concreto. 


2. Num tempo de tantos desafios na justiça, o que consideras essencial para que as pessoas tenham uma percepção diferente (mais positiva) dela? 

Considero que o principal desafio dos Tribunais é hoje, como sempre foi, a realização da justiça no caso concreto. Ora, para quem julga existe uma consciência clara de que com as suas decisões haverá sempre alguém que ficará descontente. Também é notório que os meios de comunicação social manifestaram sempre uma particular apetência para noticiar os casos que correm menos bem, tentando de alguma forma descredibilizar o sistema judiciário. 
O que no meu ponto de vista deve tentar ser melhorado é a comunicação, isto é, devem ser os Tribunais a passar a mensagem em primeira mão para os cidadãos, não deixando isso para terceiros que a possam deturpar de acordo com critérios muitas vezes de duvidosa eticidade. 


3. Quando terminares a formação, imaginas o amanhã na Guarda? 

Ser juiz em Portugal implica que, pelo menos nos primeiros anos de exercício de funções, se percorra quase todo o país, pelo que nos próximos anos dificilmente conseguirei assentar numa cidade, nesse contexto a Guarda estará sempre no meu leque de opções. 


4. Como vês o (futuro) Interior e a Guarda por inerência? 

Antes de vir viver para Lisboa, achava e de certa forma continuo a achar que as diferenças são abissais. Não podemos comparar a dinâmicas destas duas cidades, mas também é verdade que se me perguntarem se gostava que a Guarda fosse igual a Lisboa, responderia que não. O interior, e a Guarda em particular, distinguem-se pelas suas particularidades, que não encontramos em nenhuma outra região do país. Na verdade, não gostaria de ir à Guarda e sentir que o ar que ali respiro é igual ao ar poluído que encontro todos os dias ao sair de casa, sentir os empurrões nos transportes públicos tamanha é afluência de pessoas- o que se tem acentuado com o acréscimo do turismo. 
No interior as pessoas são mais livres, de certa forma são “mais donas do seu tempo”. Mas também é verdade que as pessoas que vivem no interior não se sustentam com a qualidade do ar que respiram, é preciso mais. 
Também acredito que num futuro a médio-longo prazo as pessoas se começarão a afastar dos grandes centros urbanos- basta atentar ao que se passa com o mercado de arrendamento em Lisboa, onde os preços são impraticáveis. Talvez aí as pessoas percebam as potencialidades do interior e venhamos a ter um país menos assimétrico. 


5. Nascida e criada em Vila Mendo, que memórias reténs da infância?

Falar de Vila Mendo é falar de infância, adolescência e família. Foi aí que frequentei a escola primária e posteriormente o 5º e 6º ano na já extinta Telescola de Vila Fernando, vêm daí as minhas bases, foi aí que comecei a ganhar os valores que hoje me caracterizam. 
É aí que volto sempre e recordo os tempos em que era criança e descia a correr a rua que liga a casa dos meus avós à casa dos meus pais. E os meus pais nunca me deixam esquecer de onde vim, para ter sempre a certeza de que nunca me desviarei daquele que é o meu caminho. 


6. Como vês, que te diz Vila Mendo, hoje? 

Vila Mendo para mim hoje significa família, é aí que vivem os meus pais e os meus tios (Rosária e Manuel) são as pessoas que desde sempre (juntamente com os meus avós) fizeram e fazem parte da minha vida e que quando estou longe me fazem sentir uma dor no peito à medida que o tempo passa e os vejo envelhecer- principalmente os meus tios atendendo à idade que já têm, sem poder estar junto deles como desejaria.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Entrevistas

Amanhã, entrevista a uma Vilamendense: Marisa Barbeira, juíza estagiária no tribunal de Setúbal.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Entrevista a Carlos Canhoto- Candidato pela CDU

Carlos Canhoto- Candidato pela CDU à Câmara da Guarda

Que motivos o levaram a candidatar-se à Câmara da Guarda?
A CDU tem uma forte ligação às populações e aos seus anseios e uma forte tradição no trabalho autárquico (quer na oposição, quer no poder executivo), procurando estar presente em todo o território nacional. O concelho da Guarda tem necessidade de uma outra política e precisa da CDU. Foi, por isso, com toda a naturalidade que aceitei o desafio que me foi proposto pelo meu partido, o PCP.

Que expectativas tem a nível dos resultados eleitorais?
Um reforço expressivo da votação na CDU que nos permita ter mais força para defender os interesses da população, nomeadamente pelo aumento do número de mandatos nos vários órgãos autárquicos. Estamos, naturalmente, em condições de assumir qualquer cargo para o qual a população nos mandate, e cremos que há condições para aumentar o número de eleitos na Assembleia Municipal e eleger um vereador.

Que projectos âncora tem para a Guarda?
Antes de mais, assumir que o concelho da Guarda não é só a cidade. Se todo o concelho tem sofrido com o abandono e a desertificação, as freguesias rurais têm sofrido o esquecimento por parte do poder autárquico. Defendemos, por isso, uma rede de transportes públicos que sirva condignamente todo o concelho, o apoio à instalação de micro, pequenas e médias empresas com especial enfoque nas que se instalem nas freguesias rurais e nas que tenham uma ligação aos produtos endógenos, apoios aos produtores agrícolas locais, reduções de IMI para a instalação nos centros históricos da cidade e das aldeias (visando a sua recuperação), a extensão da programação cultural às freguesias rurais e a dotação de equipamentos (nomeadamente parques infantis). Lutaremos também pelas escolas de proximidade e por serviços públicos de proximidade, nomeadamente na área da saúde. E porque entendemos que os órgãos autárquicos devem estar tão próximos das pessoas quanto possível, lutaremos pela reversão da extinção de freguesias. Mas promoveremos uma política que vise muito claramente uma melhor qualidade de vida no concelho. Em termos de urbanismo e ambiente, com a criação de corredores verdes para a circulação pedestre na cidade, com a criação de uma rede de ciclovias no concelho, com a reestruturação do Canil Municipal, com a criação de novos espaços verdes e arborizados, com a despoluição do Rio Noéme e outras linhas de água, com a defesa e promoção das hortas urbanas, com a defesa e promoção da floresta e do património natural do concelho. Na área da cultura, património e turismo, o reforço do orçamento municipal para a cultura, a criação de uma escola de artes no antigo Hotel de Turismo, a criação de um centro de arte contemporânea, a recuperação e promoção do património histórico e a criação do Bilhete Único de Turista. Na área da educação, a elaboração de uma rede pública de creches e ATL, a melhoria de espaços educativos sob a responsabilidade do município e a criação de novos parques infantis e requalificação dos existentes (onde necessário). Na área da economia e produção local, o apoio ao comércio local, o apoio aos produtores locais, a ligação ao IPG e a valorização turística do património natural e histórico do concelho. E temos também propostas na área do abastecimento de água e saneamento (melhores serviços, menos custos para o utente) e na área da saúde (exigência de mais e melhores recursos materiais e humanos, além dos serviços de proximidade, que já referi). A CDU defende também uma intervenção combativa junto do poder central para reclamar o fim das portagens, a reabertura da Linha da Beira Baixa, melhores serviços na Linha da Beira Alta e a ligação ferroviária ao Polo Industrial (ex-PLIE), bem como uma maior exigência junto do poder central para que cumpra aquilo que são as suas competências e para que haja uma maior transferência de verbas para as autarquias.

Na sua óptica, quais os principais problemas, os principais desafios que a Guarda enfrenta actualmente e no futuro?
Naturalmente, ultrapassar o grave problema da desertificação, no qual as políticas autárquicas têm tido alguma responsabilidade, mas cujos responsáveis são, sobretudo, os governos que ao longo dos anos praticaram uma política de direita, destruindo e concentrando serviços, aumentando o custo de vida e destruindo o aparelho produtivo. Há que exigir dos governos uma outra política. Mas fazer com que as pessoas se sintam felizes no concelho da Guarda é o outro grande desafio. E isso passa por uma política que promova uma maior qualidade de vida, com mais e melhores serviços públicos e um cuidado planeamento urbanístico e ambiental.

Como vê a cultura na Guarda?
Não se pode dizer que haja uma verdadeira política cultural. Apesar de termos um equipamento tão importante como o TMG, a programação cultural da cidade é muito mais uma política de entretenimento, que cataloga públicos de acordo com o que está pré-estabelecido pela indústria do entretenimento, do que uma política que vise a fruição e criação de produtos artísticos e culturais, que crie uma relação da população com a arte e a cultura que que respeite a inteligência das pessoas. 

Rio Noéme. O que pensa fazer concretamente para resolver o problema da sua poluição?
Um dos principais pontos do nosso programa é a despoluição do Rio Noéme e de outros rios e linhas de água do concelho, bem como a devolução do rio Noéme e de outras linhas de água à população, valorizando as suas margens e meio envolvente, e promovendo projectos de lazer e de aproveitamento económico sustentável do ponto de vista ambiental. Para tal, há que, em primeiro lugar, identificar os focos de poluição e, em conjunto com as entidades competentes a nível do poder central, punir os responsáveis e impedir que a poluição continue. Tem havido um muro de silêncio, um certo medo de apurar responsabilidades por parte do poder autárquico.

Vila Mendo, que lhe diz?
A Vila Mendo é uma das localidades que eu descobri ao longo de muitos passeios de fim-de-semana pelo concelho e pela região da Guarda. Muitas localidades da região planáltica entre a Guarda e o Sabugal respiram um certo ar de nostalgia relativamente a um passado em que tinham mais habitantes, mais juventude e mais dinamismo económico. Muitas vezes com uma identidade muito própria que lhes é dada pela história e à qual os habitantes gostam de se sentir ligados. Vila Mendo não é excepção. Infelizmente, muitos anos de políticas erradas deixaram definhar povoações que tinham todas as condições para uma boa qualidade de vida. Mas há esperança. Em primeiro lugar porque as pessoas resistem e fazem tudo o que podem para dar vida às suas terras. Em segundo lugar porque uma outra política é possível. Por isso é importante reforçar a CDU, que é, de facto, uma força necessária.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Entrevista a Jorge Mendes- Candidato pelo Bloco de Esquerda

Jorge Mendes- Candidato pelo Bloco de Esquerda à Câmara da Guarda

Que motivos o levaram a candidatar-se à Câmara da Guarda?
Candidatei-me à Câmara da Guarda porque acredito que Bloco de Esquerda pode ser uma força decisiva para a abertura de um novo ciclo autárquico neste concelho. O critério do êxito de uma governação autárquica não pode ser o da quantidade de betão que contrata; não pode ser o da quantidade de festas e eventos que realiza, mas a satisfação dos direitos das pessoas, dos indicadores de igualdade e de coesão social, da sustentabilidade ambiental, da participação cidadã nas decisões e na vida da comunidade.
A política só faz sentido se for feita para as pessoas e com as pessoas, sendo necessária uma nova sensibilidade para garantir condições de estabilidade, o que pressupõe relações de diálogo permanente e sereno.

Que expectativas tem a nível dos resultados eleitorais?

Acreditamos que será possível eleger um vereador para a Câmara Municipal da Guarda. Também pensamos que o Bloco de Esquerda irá eleger mais deputados municipais e que irá eleger, pela primeira vez, um elemento para a Assembleia de freguesia da Guarda.

Que projectos âncora tem para a Guarda?

 No nosso Programa Eleitoral temos propostas em oito eixos prioritários: Transparência, participação e democracia; Educação; Turismo, Lazer e Património; Políticas Sociais; Cultura; Reabilitação urbana; Ambiente e sustentabilidade; Emprego e economia.
Das propostas que constam no nosso Programa eleitoral destacamos os seguintes projetos âncora:
a) O Bloco de Esquerda compromete-se a criar a figura do Provedor do Munícipe, que constituirá um passo significativo na aproximação e no incentivo à participação ativa dos cidadãos na vida pública, onde se inclui o direito à reclamação por um serviço de qualidade.
b) Requalificação do Parque escolar com a criação de um novo Centro Escolar que sirva a zona da Póvoa do Mileu, Bairro do Pinheiro e Bairro da Luz, um centro com qualidade com cantina (única), biblioteca e outros equipamentos de apoio. As atuais escolas básicas não têm já as condições necessárias para ser desenvolvido um ensino de qualidade.
c) Criar o Museu da Emigração
d) Colaborar com os privados interessados na criação de um MUSEU VIVO que mostre a vida no concelho da Guarda desde o século XIX.O museu, para além de construções alusivas poderia apostar na reprodução fidedigna de algumas atividades da região.
e) Criar um Observatório Social do Concelho e implementar o Programa “Guarda Feliz”, programa de combate à exclusão social com particular atenção às seguintes temáticas:
Pobreza e exclusão social; Imigrantes e inclusão social; População idosa, nomeadamente a que reside nas zonas rurais; Alcoolismo; Toxicodependências; Problemas ligados às deficiências; Violência doméstica.
f) Recuperar as instalações onde atualmente está a GNR, adaptando-as para um equipamento público que sirva para a realização de eventos um verdadeiro espaço multiusos com uma grande polivalência.
g) Implementar o Programa “Guarda Verde” que terá como objetivo a melhoria do desempenho ecológico no Concelho da Guarda. Neste Programa, devem constar projetos específicos de corredores ecológicos que estabeleçam a continuidade do Sistema Natural através do tecido edificado da cidade. Será um Plano “verde” que incluirá espaços de recreio e de produção bem como áreas de proteção e valorização da Natureza.
h) Estudar, conceber e implementar em conjunto com o Instituto Politécnico da Guarda e com outras entidades, nomeadamente ligadas à Saúde e ao Ambiente, o Projeto Guarda Cidade Bioclimática.

Na sua óptica, quais os principais problemas, os principais desafios que a Guarda enfrenta actualmente e no futuro?

O grande problema que a Guarda enfrenta atualmente é, infelizmente, um problema transversal a todo o interior do país: o despovoamento. Não é possível reverter esta situação, apenas com políticas de âmbito municipal. A questão de fundo prende-se com a quase ausência de Políticas de População que tenham uma visão integrada das três grandes variáveis em “jogo”: fecundidade, envelhecimento da população e migrações. A questão da atração de imigrantes é determinante para o futuro do aumento da população portuguesa e, para nós, é algo em que se tem que apostar para a região onde nos inserimos. Penso, ainda, que é preciso ter projetos diferenciadores como, por exemplo, apostar a sério num projeto como o que propomos da “Guarda cidade Bioclimática”, aproveitando as excelentes condições da nossa cidade. 

Como vê a cultura na Guarda?

A criação e a fruição cultural são parte marcante da cidade e do concelho. A candidatura do Bloco de Esquerda não se limita a estimar as atividades culturais, tanto as amadoras como as profissionais, tanto os seus agentes como os que têm o direito de fruir a cultura. Encara-as e apoia-as como parte de uma cidade com pessoas capazes, com um espaço público rico e fonte de soluções para a renovação urbana, para a qualificação das pessoas e para o emprego.
A candidatura do Bloco de Esquerda compromete-se a chamar os atores culturais a uma participação ativa com a qual se defina um projeto cultural integrado para o concelho. Pensamos que é urgente mudar a estratégia que tem sido usada na Política Cultural do nosso concelho – grandes eventos- em detrimento do apoio sustentado e formação dos atores culturais locais.

Rio Noéme. O que pensa fazer concretamente para resolver o problema da sua poluição?

O Bloco de Esquerda compromete-se a obrigar a Câmara Municipal da Guarda a identificar e fazer o mapeamento dos vários focos de poluição existentes no rio Noéme de forma a poder apresentar um plano devidamente estruturado que resolva de uma vez por todas este problema ambiental, devolvendo o rio às populações. É preciso fazer cumprir os valores máximos de descarga admitidos, agir de uma forma muito dura para com a(s) empresa(s) poluidora(s).

Vila Mendo que lhe diz?

A primeira vez que fui a Vila Mendo foi num dos meus passeios de bicicleta. Aliás, posso dizer que já passei por todas as freguesias do concelho da Guarda de bicicleta! Voltei a Vila Mendo em 2015 aquando do debate entre os candidatos à Assembleia da República. Apesar de ser uma pequena aldeia, tem pessoas muito interessadas e interessantes (as pessoas contam!) como se pode constatar no blog que publicam e na sua forma de participação cívica, nomeadamente através da Associação Cultural Recreativa de Vila Mendo.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Entrevista a Eduardo Brito- Candidato pelo PS

Eduardo Brito- Candidato pelo PS à Câmara da Guarda

Que motivos o levaram a candidatar-se à Câmara da Guarda?
Sempre entendi a política como serviço público. Afastado da vida política ativa desde 2009, o sentido de dever falou mais alto na altura de aceitar o desafio de ser candidato à Presidência da Câmara Municipal na atual conjuntura negativa que a capital de distrito vive. A Guarda definha a olhos vistos, perdendo população a um ritmo alucinante e vendo o seu tecido empresarial a enfraquecer de dia para dia. Na minha experiência autárquica, enfrentei um cenário semelhante e foi bem-sucedido. Também serei bem-sucedido na Guarda! 
Com uma localização excelente, principal porta de entrada da Europa por via terrestre, servida por dois bons eixos rodoviários e, em breve, também por dois eixos ferroviários, a verdade é que as estatísticas oficias dizem que a Guarda continua a perder importância económica e social quando comparada com as cidades vizinhas da sua dimensão. 
Tem sido um erro grave pensar que a projeção e a liderança de uma cidade com as ambições da Guarda se concretizam apenas pela realização de festas/eventos. Estas atividades têm o seu lado positivo mas quando são em excesso servem apenas para esconder os verdadeiros problemas. 
Sejamos claros: sem novas empresas, sem investimento em tecnologia e conhecimento, sem apoio forte ao empreendedorismo que atraia e fixe novos investidores, sem serviços públicos com dimensão em qualidade e em quantidade, por mais que se embeleze a cidade continuaremos a ver partir os nossos jovens e o futuro da Guarda estará seriamente comprometido. 

Que expectativas tem a nível dos resultados eleitorais?
O nosso objetivo é vencer as eleições de 1 de outubro, mas sabemos que essa decisão pertence aos Guardenses. 

Que projectos âncora tem para a Guarda?
No domínio do emprego, uma incubadora para apoiar novas iniciativas empresariais. 
Um fundo municipal de um milhão de euros para apoio à criação de novas empresas.
Construção no centro da cidade de um equipamento cientifico ligado ao estudo e alterações climáticas.
Uma parceria com o politécnico para captar novos alunos a nível nacional e internacional que torne a escola uma referência.
Centro nacional de investigação de investigação e promoção da agricultura biológica.
Plataforma ferroviária.
Transformar a Guarda numa cidade inteligente que atraia investimento nas áreas das novas tecnologias.

Na sua óptica, quais os principais problemas, os principais desafios que a Guarda enfrenta actualmente e no futuro?
Apesar da Guarda ter vários problemas, o principal é a sua capacidade para atraiar novos investimentos, quer seja na industria, nos serviços e no turismo. Esta é a nossa primeira prioridade.
Mas também precisamos reduzir significativamente os impostos municipais, a começar pelo IMI e preço da água.


Como vê a cultura na Guarda?
A Guarda tem feito um percurso interessante no domínio da afirmação cultural que é preciso diversificar ainda mais. E principalmente fomentar a capacidade criativa das instituições culturais da Guarda.

Rio Noéme. O que pensa fazer concretamente para resolver o problema da sua poluição?
O Rio Noéme e o Rio Diz que são o espelho da capacidade do executivo municipal do PSD são assuntos aos quais daremos total prioridade e são para resolver definitivamente nos primeiros dois anos de mandato. Uma cidade como a Guarda não pode conviver com situações de poluição desta natureza.

Vila Mendo que lhe diz? 
Exemplo de associativismo cultural e recreativo no seio de uma estrutura humana em aglomerado rural, factos de união e desenvolvimento local através de várias iniciativas culturais e recreativas, contribuindo para a divulgação das tradições locais e perpetuando a sua memória. Exemplo a seguir.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Entrevista a Álvaro Amaro- Presidente da Câmara e candidato pelo PSD

Nota: Esta será a primeira das cinco espécies de entrevistas realizadas aos candidatos à Câmara da Guarda; assim eles respondam.
Esta é a primeira publicada porque foi o primeiro a responder.

Álvaro Amaro- actual presidente e candidato pelo PSD

Com que objectivos se recandidata a um segundo mandato?
Avançar no rumo que traçamos há 4 anos e cujos resultados são visíveis e sentidos por todos os Guardenses.
Agora é possível reforçarmos alguns programas de apoio ao investimento e criarmos novos de promoção do emprego.
Estão muito claros no nosso programa eleitoral e estou convicto dos bons resultados no futuro.

Como caracterizaria a equipa que o acompanha?
A equipe que me acompanha é composta de Homens e Mulheres com sólida preparação técnica e com conhecimento real dos problemas que temos pela frente.
Não olhámos a “cores políticas”, mas sim à capacidade técnica e humana.

Um pequeno balanço destes 4 anos?
Fazer o balanço destes 4 anos é o exercício que peço aos Guardenses desde a mais pequena das Freguesias até à Cidade. Peço a todos que façam uma reflexão séria sobre o que era o Concelho no seu todo há 4 anos e o que é hoje.
Se isso for feito, independentemente das questões politico – partidárias, todos concluirão que a Guarda hoje atrai mais gente, mais investimento, mais turismo e por isso se estimula a economia.
A Guarda respira confiança.

Quais os principais problemas e desafios que a Guarda enfrenta?
Todos juntos ajudarmos a convencer o Poder Central que tem de adotar políticas publicas muito ativas, muito fortes para que ajude à fixação de empresas, logo de pessoas no nosso Interior.
Este é um desafio nacional.
Nós continuaremos essa luta.

Rio Noéme. A sua despoluição vai ser efectiva?
Tem de ser efetiva a despoluição do Rio Noéme e do Rio Diz tal como a Construção dos Passadiços no Mondego.
É estruturante para uma cidade aproveitar melhor o seu meio ambiente e os recursos hídricos.
Temos os estudos em fase adiantada e por isso já não são apenas intenções e muito menos promessas.

Vila Mendo, que lhe diz?
Vila Mendo hoje em dia diz-me muito, além do mais pelo trabalho magnifico da vossa Associação.
Pode parecer elogio por simpatia mas não é.
O movimento que gera e o impulso que transmite, são incentivos fortes para todos nós e constituem um bom exemplo de como é possível ganhar o combate mais geral de mais vida no interior.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Entrevista a Álvaro Amaro- Presidente da Câmara

Amanhã, uma pequena entrevista a Álvaro Amaro, Presidente da Câmara da Guarda e candidato pelo PSD às próximas eleições.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Entrevista a António Oliveira

António Oliveira, nasceu em Vila Nova de Tazem, Concelho de Gouveia, em 1947.
Estudou na Escola Industrial de Gouveia, na Escola Industrial Infante D. Henrique no Porto e no Instituto Industrial do Porto.
Fez a Guerra Colonial em Moçambique.
Entrou para a Renault da Guarda em Fevereiro de 1974, transitando depois para a Reicab/Delphi até atingir a idade da reforma.
É administrador do blogue "Sol da Guarda", um blogue bastante seguido e visitado pela sua acutilância e intervenção cívica.

Como analisa a situação da Guarda no presente (e em comparação com os últimos 30 anos) nos aspectos económico, social e político?
A Guarda, cidade, era até aos anos 60/70 uma cidade no alto do monte, muito concentrada no seu centro histórico.
Era uma cidade de muitos serviços e alguma indústria, sobretudo nos têxteis. A instalação da Renault e da Femsa na Guarda trazendo investimento importante e novos quadros técnicos, fez com qua a Guarda desse o seu primeiro grande salto.
No pós 25 de Abril a Guarda começa a modernizar-se, nem sempre bem, pois cresce de forma desordenada, sem um plano director claro, que só mais tarde veio a ser feito e por imposição do governo central.
A indústria automóvel cresce de forma exponencial e as fábricas da Guarda acompanham o crescimento, que infelizmente não é acompanhado pelos investidores locais, pois não apareceram indústrias complementares de apoio à indústria automóvel, e era preciso comprar fora sobretudo a metalurgia.
Nos anos 80 uma parte importante do tecido industrial da Guarda, que eram os têxteis, entra em declínio e não sabendo modernizar-se, nem ser competitivo, vai encerrando aos poucos.
A indústria automóvel, e outras nomeadamente a Gelgurt, vão assegurando e aumentando o número de empregos.
Acompanhando este ritmo, o sector de serviços instala-se. Funcionários públicos e privados. Os bancos, o hospital, a câmara, a segurança social entre outros dão vida à cidade.
Até às crises que se foram sucedendo durante este século XXI
E como vão as aldeias e a sua população? Nos anos 70,Sem estradas alcatroadas, sem água, sem esgotos e muitas sem electricidade, vão conhecer uma grande melhoria nas suas condições de vida. É a grande revolução rural. Mas com a oferta de emprego na cidade as populações deixam as aldeias e instalam-se na cidade e aí começa o despovoamento.
Actualmente a cidade continua a viver as consequências das indústrias de mão-de-obra barata e intensiva, que se deslocalizaram para países mais baratos. O que restou está com pujança suficiente para se manter e quase se pode afirmar que estamos ao nível dos anos 80.
A envelhecer e sem a criação de novos empregos, a PLIE continua estagnada, a Guarda perde habitantes por duas vias. Pela via da morte dos mais velhos e pela saída dos mais novos, quer para o litoral quer, para o estrangeiro.
Politicamente a Guarda pode ter sofrido com o facto de ter um partido dominante e uma oposição quase sempre distante e fraca.
Há quatro anos, com a falta de liderança, o Partido Socialista perdeu o poder para o Partido Social Democrata e pensava-se que a Guarda poderia ter um novo folgo de progresso.
No entanto, o novo Presidente, sem uma estratégia clara de desenvolvimento, vai-se gastando em pequenas obras de arranjos pontuais e em festas para as multidões.
E é sobretudo no Centro Histórico que se verifica a falta de estratégia, pois o abandono é cada vez maior e a degradação aumenta.
As aldeias, mesmo com a melhoria substancial das condições de vida, continua a despovoar-se e neste momento a Guarda, cidade, só está a ganhar população à custa das aldeias do concelho, quando antes ganhava o concelho à custa dos concelhos vizinhos.

Que projecto(s) são indispensáveis para que a Guarda seja uma cidade atractiva, pujante, liderante?
Esta é uma pergunta difícil e não há respostas óbvias.
Alindar a cidade é importante mas é insuficiente. As festas são importantes, no entanto são festas que basicamente atraem as populações do concelho e muito poucos de fora.
O emprego na indústria ainda é insuficiente, mas a Guarda não tem mão-de-obra qualificada para responder às necessidades.
O turismo é de passagem e não temos programas que possam atrair o turista por mais de um dia.
A PLIE está adiada, como foi dito, e a futura plataforma ferroviária será mais um mito. Os comboios de mercadorias passarão pela Guarda porque aqui não se fabrica nada que possa ser carregado e descarregado dos contentores ou vagões.
A dita produção endógena não sustenta o concelho e é visível na Feira Farta a boa vontade das Juntas de Freguesia para apresentarem os seus produtos e que a maior parte deles apenas são feitos para a ocasião.
Na minha opinião o motor deveria centrar-se no Instituto Politécnico, com a investigação, com cursos diferenciadores, com ligações à indústria portuguesa e não só à Guarda.
Para complementar o investimento nas indústrias culturais e criativas poderia ser outra saída, agora muito apoiadas pela Europa.
A Comunidade Intermunicipal ainda não encontrou o seu lugar e é uma mera plataforma para concorrerem aos recursos da Comunidade Europeia com disputas político-partidárias apenas pelo poder.
Se tudo continuas assim, o interior deixa de ter futuro e não chega pedir de joelhos ao poder central que atribua umas migalhas ao interior.

Estamos a entrar (ou já entrámos) em campanha eleitoral. Como vê toda esta azáfama que começa a marcar o dia-a-dia da nossa cidade?
A azáfama eleitoral começa sempre muitos meses antes da pré-campanha para quem está no poder. Os meios colocados no terreno são imensos. Desde a TV corporate em todos os locais camarários, até às redes sociais, a campanha começa muito antes.
Quem está na oposição normalmente acorda tarde e anda atrás dos acontecimentos e é por isso que quase nada se vê, tirando os placards espalhados pelas rotundas.
Não há debates, não há apresentação de programas.
Só a feitura das listas animou a cidade, mais pela curiosidade de saber quem vai e quem não foi do que por resultado de discussão pública.
A Comunicação Social local está a passar ao lado disto pelos muitos condicionalismos e que podem pôr em causa a sua sobrevivência.

É administrador do blogue “Sol da Guarda” (blogue bastante visitado e seguido) onde está atento à actualidade da nossa terra. Como vê a influência da blogosfera (e das redes sociais) comparativamente com o jornalismo “tradicional” (jornais e rádios, no caso da Guarda)?
A Comunicação Social da Guarda tem alguns constrangimentos, ligações familiares, falta de anúncios, pressões de retirar apoios, há um pouco de tudo.
As redes sociais estão muitos activas e muitas vezes pelos piores motivos.
Criam-se blogues e páginas com perfis falsos e criam-se também exclusivamente para estas alturas, para criticar, para elogiar e para insultar. Há um pouco de tudo. É preciso criar muitos filtros para compreender o que nos querem dizer e quem o diz.
Dar a cara continua a ser muito difícil.
É o futuro das campanhas, casa a casa, computador a computador. É por isso também que as bases de dados de utilizadores são pagas a preço do ouro.

É natural de uma comunidade rural (Vila Nova de Tazem). Como vislumbra o futuro das comunidades rurais e do próprio interior como tal?
A comunidade rural onde me criei tem muitas particularidades.
Já foi a Freguesia, agora Vila, rural mais importante do Distrito da Guarda. Agora está a morrer, até a escola básica vai desaparecer. Já teve mais de 3 mil residentes agora não terá mil.
Sempre viveu do vinho, das batatas e da imigração. Para os chamados Congo Belga e Francês, Para a Angola, Para a Venezuela e mais tarde para a França e Alemanha. Mais recentes Estados Unidos e Suíça. E assim viveu à sombra dos imigrantes que regressavam sempre. Agora é uma desolação de tantas casas abandonadas.
As batatas só para consumo doméstico. O vinho está bem, quer na adega cooperativa, quer nas quintas particulares, que produzem vinho de grande qualidade. Ultimamente até Joe Berardo lá comprou uma vinha.
Será o futuro?

Que lhe diz Vila Mendo?
Vila Mendo não me diz muito. Sei que pertence à Freguesia de Vila Fernando. É uma terra onde se vai, não se passa. Fui lá algumas vezes, há uns anos, pois havia aí uma modista de senhoras que trabalhava muito bem.
Creio que durante o meu percurso profissional lidei com pessoas de Vila Mendo.
Sei pelo blogue, que acompanho, que a Associação Cultural Recreativa de Vila Mendo, é muito dinâmica e tenta valorizar as suas gentes e a terra.
E ainda, que tem uma fonte com água muito boa, a melhor, disseram, no blogue.

(Muito tempo de vida para o Blogue e para a Associação. Para Vila Mendo que continue a sobreviver com a festa do Chichorro, apesar de fazer muito mal.)

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Entrevista a Bruno Pina- candidato à junta de Vila Fernando pelo PSD

Bruno Pina- natural de Vila Fernando, nasceu em 1981/03/05. Frequentou a Escola Primária de Vila Fernando, o Seminário do Fundão e o Liceu da Guarda. Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediatria na ULS Guarda no serviço de Pediatria e Neonatologia. Pai da Benedita Pina. Fundador do Clube dos Amigos da Freguesia de Vila Fernando. Cofundador do Grupo de Teatro o Noéme da Freguesia de Vila Fernando. Fundador o Jornal da Freguesia de Vila Fernando “ SeteVozes”.

Concorres a um terceiro mandato. O que te leva a tal?

Escolhemos recandidatarmo-nos à nossa Freguesia, não porque considerarmos que somos imprescindíveis, mas porque queremos continuar a participar nas decisões que moldam o nosso futuro. Queremos continuar a participar porque temos vontade e porque conhecemos os caminhos a percorrer para conseguir o que a nossa terra necessita nesta época onde os recursos financeiros são escassos. Será com o maior empenho, dedicação e trabalho que continuaremos a levar a cabo a nossa missão. Continuaremos a defender os interesses da nossa Freguesia e fortalecer a relação de interajuda entre o Município da Guarda e a nossa Freguesia que se verificou nestes quatro anos que passaram!

Algo que gostasses de ter feito e não pudeste?
Fica sempre a sensação de que não se fez tudo pois estamos a falar de uma Freguesia dispersa geograficamente e ainda com necessidades importantes para satisfazer.
A ampliação do cemitério da nossa Freguesia bem como a requalificação da estrada de Vila Mendo – Vila Fernando são duas obras que já gostaríamos de ter concluído. No entanto estou em condições de vos informar que relativamente ao cemitério as obras de ampliação irão iniciar nas próximas duas semanas. 
Já no que toca à pavimentação da estrada de ligação Vila Mendo – Vila Fernando irá ser uma realidade aquando do termino dos trabalhos de instalação do saneamento em Vila Mendo. Está decorrer o concurso publico pelo que em meados de setembro irá decorrer essa intervenção e respetiva pavimentação da estrada bem como as ruas intervencionadas.

Como definirias o mandato que está a findar? 

Foi um mandato que superou as nossas expectativas! Fruto da Excelente relação entre a Junta de Freguesia de Vila Fernando e o Município da Guarda.
Assim e em parceria com o Município da Guarda colocamos água bem como saneamento em diversas anexas que esperavam há cerca de 30 anos por estes dois serviços básicos.
No decorrer dessas intervenções pavimentamos ruas e estradas que se encontravam degradadas.

Que expectativas tens para a freguesia nos próximos 4 anos?

A responsabilidade deste cargo implica identificar necessidades e planear a respetiva concretização. São diversas e todas têm a sua importância. Temos de estabelecer prioridades, temos e continuaremos a ter a ajuda preciosa do Município da Guarda na pessoa do Drº Álvaro Amaro e restante equipa. Encontramo-nos atualmente a trabalhar no projeto dos próximos 4 anos que certamente serão tão desafiadores como os que estão prestes a findar.
Dirigirmos os destinos da nossa freguesia hà cerca de 8 anos, sabemos o caminho a percorrer para satisfazer as necessidades da nossa Freguesia e isso implica sermos responsáveis nos compromissos a realizar. 

Qual a constituição da tua equipa da tua equipa ( 7 primeiros lugares )? Como definirias essa equipa?
Será com maior empenho, dedicação e trabalho que continuaremos a levar a defender os interesses da nossa Freguesia. 
Bruno Pina - Vila Fernando;  Maria do Carmo – Vila Mendo ; Albertino – Quinta de Baixo; Luís Nunes – Quinta de Cima; Carlos Moreira - Aldeia de Santa Madalena; Casimiro – Quinta de Baixo; Carlos Simões – Quinta de Cima; Pedro Carvalho – Vila Fernando; José Corte Gonçalves – Vila Mendo; Carlos Nunes – Vila Fernando; Hélder Pires – Vila Fernando; Rodrigo Costa – Vila Mendo; Raquel Crespo – Monte Carreto; António Santos – Quinta de Baixo; Mário Carvalho - Vila Fernando; Manuel Joaquim – Quinta de Baixo; Tiago Robalo – Vila Fernando/Monte Carreto; Pedro Vaz – Vila Fernando; Lucinda Reis – Vila Fernando 

Um(s) projecto(s) para os próximos 4 anos?

- Requalificação do recinto das festas em Vila Fernando (repavimentação do recinto, construção de casas de banho públicas e bar de apoio); - Continuação da ampliação do cemitério da sede de Freguesia; - Arborização da zona do mercado e implementação de um parque de merendas; - Limpeza de caminhos agrícolas (ligação entre anexas e sede de freguesia) - Apoio às Associações locais
Quinta de Baixo: - Conclusão da pavimentação da Rua de Vila Fernando; - Conclusão da pavimentação das ruas em falta
Quinta do Meio: - Pavimentação das ruas; - Implementação de WIFI 
Quinta de Cima: - Conclusão da rede de saneamento; - Pavimentação das ruas da Quinta de Cima após conclusão da rede de saneamento
Monte Carreto: - Colocação da rede de abastecimento de água; - Pavimentação das Ruas
Vila Mendo: - Conclusão da rede de saneamento; - Conclusão da pavimentação das ruas de Vila Mendo após conclusão da rede de saneamento: - Pavimentação da estrada: Vila Mendo–Vila Fernando
Aldeia de Santa Madalena: - Conclusão da pavimentação de ruas 

Rio Noéme. O que tencionas fazer para que a sua despoluição seja uma realidade rápida?

É publico que está em fase de projeto e será anunciado em breve pelo Município da Guarda a estratégia para se proceder a essa despoluição. 
Esse projeto não dará resposta apenas e só à despoluição do rio Nóeme e Rio Diz mas dará respostas em termos de regeneração de todas as freguesias que usufruem do rio Noéme.
Para a nossa freguesia o referido prevê dois projetos estruturantes. 

Que te diz Vila Mendo?

Vila Mendo é a terra natal da minha bisavô materna. É uma terra de gente que sente Vila Mendo como só os próprios conseguem transmitir quando vos visitamos. Sempre desafiadora para mim enquanto Presidente, pois querem sempre mais e mais!
Vila Mendo é a melhor definição de associativismo. É o paradigma da união popular pela preservação da memória cultural, no que toca às tradições e costumes de Vila Mendo. 







quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Entrevista a Patrícia Seixo- Candidata à Junta de Vila Fernando pelo PS

Patrícia Seixo, 30 Anos, natural da freguesia de Vila Fernando. Licenciada em Animação Cultural pela Escola Superior de Educação de Castelo Branco. Casada, trabalha actualmente como animadora cultural no Centro Social e Paroquial Nossa Senhora da Conceição – Castanheira.

Que motivo(s) te levaram a concorrer à Junta de Freguesia?
Quem me conhece sabe que desde tenra idade falo em candidatar-me à Junta de Freguesia de Vila Fernando, pois sempre tive este sonho e esta ambição, acompanhados de uma enorme vontade em querer fazer progressos em Vila Fernando. Sou uma apaixonada pela minha terra. Desde sempre, afirmo afincadamente, não quis viver em outro lugar que não seja em Vila Fernando. Tive mesmo a experiência de viver dois anos em Lisboa e confesso que nunca fui tão infeliz, pois a saudade das minhas raízes falou mais alto. O facto de gostar muito da minha terra e a vontade de querer servir a comunidade de forma proativa, são os principais motivos que me levam a concorrer à Junta de Freguesia, uma vez que ficar sentados a criticar os nossos governantes e políticos nunca será suficiente para alcançarmos o desenvolvimento. Não sou apenas candidata à presidência, mas, principalmente, integro uma equipa que quer trabalhar como um todo para melhorar a Freguesia de Vila Fernando.

Quem são as pessoas que lideras (sete primeiros lugares)? Como definirias a tua equipa?
A minha equipa é formada por pessoas jovens e dinâmicas capazes de fazer mais e melhor na freguesia de Vila Fernando. A Sónia Fernandes (Vila Fernando) faz parte da equipa em segundo lugar. Apesar de sempre envolvida nas atividades da terra, é alguém que eu conhecia, mas com quem não mantinha contacto frequente. Acerca de dois anos que trabalhamos no mesmo local e neste entretanto voluntariámo-nos para a mordomia de Nossa Senhora das Dores e surgiu uma bela e coesa amizade, descobrindo que temos várias coisas em comum: gostamos de trabalhar em função da freguesia; persistência para alcançarmos os nossos objetivos; a organização, honestidade e transparência, são alguns dos fatores pelos quais quisemos constituir esta equipa e assumir este desafio. Logo de seguida, o Henrique Simões (Quinta de Cima) é o homem que faltava ao trio. É um jovem trabalhador, dinâmico que também sente a mesma paixão e determinação no progresso e desenvolvimento da freguesia. Segue-se o Élio Alves (Vila Mendo) um jovem licenciado em Engenharia Civil, o Emanuel Carreira (Quinta de Baixo) licenciado em Agronomia e Mestre em Engenharia Zootécnica pela Universidade de Évora, o Tiago Preizal (Vila Fernando-Estação) futuro farmacêutico e o Abílio Moutinho (Aldeia de Santa Madalena) que embora não sendo natural da freguesia, adotou-a para residência da sua família. Desde o primeiro momento que estes elementos da equipa, e os restantes, aceitaram o desafio, pois o objetivo que nos move é zelar pelo melhor para a Freguesia de Vila Fernando. Acredito que com esta equipa poderão ser dadas respostas às necessidades da nossa terra.

Por certo já começaste a ter os primeiros contactos com as pessoas. Como vêem a tua candidatura?
Sim, antes mesmo de me candidatar já fui perguntando a opinião de algumas pessoas mais próximas relativamente à minha candidatura à Junta de Freguesia de Vila Fernando que, de imediato, me incentivaram a fazê-lo. As pessoas que me conhecem sabem bem a vontade que sempre me moveu em fazer mais e melhor pela nossa terra e, ao mesmo tempo, desenvolver projetos de proximidade na nossa freguesia, pois é uma realidade inerente à minha profissão.

O facto de seres mulher, achas que te ajuda a ter outra sensibilidade sobre as coisas e que isso te trará algum benefício eleitoral?
A nossa candidatura já foi apelidada de “A lista das mulheres”. Na verdade, somos apenas quatro mulheres numa lista de catorze pessoas. Não é o facto de ser mulher que me irá trazer algum benefício eleitoral, mas sim o facto de ser filha da terra e residente em Vila Fernando, o que me torna mais sensível às reais necessidades dos habitantes. Mais do que homens ou mulheres, o fundamental é sermos competentes, ativos e respeitarmo-nos mutuamente.

O que pensas que poderás fazer de diferente na freguesia? Que projectos tens em mente?
Primar pela diferença não será difícil. Como vivo aqui, sinto e vejo todos os dias o que faz falta. Por vezes, não são as grandes obras que fazem a diferença no dia-a-dia, em nós habitantes da freguesia. Coisas simples como por exemplo: a limpeza permanente das valetas, jardins, fontanários e ruas livres de lixo e acessíveis; o aumento do número de ecopontos; a proximidade com as pessoas e suas necessidades, são pontos que podem fazer a diferença no nosso quotidiano. Vou procurar ser interventiva e irei atrás do melhor para a nossa terra. Existem projetos de financiamento, aos quais nos podemos candidatar e, dessa forma, alcançar benefícios. É nossa prioridade que a população veja no edifício e no executivo da Junta de Freguesia de Vila Fernando um lugar e uma equipa onde podem encontrar resolução para os seus problemas e ansiedades. Procurarei incrementar projetos que envolvam a população mais idosa com o intuito de melhorar a sua qualidade de vida. Contudo, existem outros projetos, tais como: a requalificação de espaços esquecidos na freguesia (zona do mercado e recinto das festas); a criação de um espaço de lazer para crianças e pessoas idosas promotor da sua atividade física; a batalha pela despoluição do Rio Noéme; o saneamento em todos os lugares; entre outros projetos que iremos apresentar posteriormente. 

Rio Noéme. Enquanto presidente, o que tencionas fazer para que a despoluição seja uma realidade rápida?
Primeiro tenciono saber o ponto de situação em que se encontra o Rio Noéme, uma vez que essa informação não é do conhecimento público. A despoluição do Rio Noéme é um dos pontos-chave para nós. Na realidade não sou uma super heroína capaz de conseguir esse objetivo de um momento para o outro, visto que vários executivos já trabalham com vista à resolução desse problema e ainda não se alcançou nenhuma resolução. Contudo, é fundamental referir que irei trabalhar arduamente e com persistência para que, quem sabe, um dia possa voltar a tomar banho no nosso Rio Noéme, tal como os meus pais o fizeram e relembram com agrado.

A freguesia é constituída por sete aldeias. A tua lista reflecte um pouco dessa diversidade? De que forma poderá contribuir para uma maior união da freguesia?
“Pela união da freguesia!” é o nosso slogan de campanha e referência para trabalharmos. A população da Freguesia de Vila Fernando nunca foi muito unida, pelo facto de as aldeias anexas estarem afastadas geograficamente. Nós ambicionamos mudar esta realidade, daí a nossa lista ser constituída por elementos de todas as anexas e, dessa forma, estarmos mais próximos das reais necessidades. 

Como vês o associativismo em geral e na freguesia em particular?
Para mim o associativismo é “um instrumento de exercício da sociabilidade, e (…) é com ele que atuas como agente transformador da sociedade”(Tom Coelho). Será objetivo deste possível futuro executivo formalizar parcerias com apoio efetivo ao associativismo, pois é através das associações já existentes que são feitas as atividades lúdicas, recreativas e culturais. São elas, que promovem o convívio da comunidade local e municipal.

Queres deixar uma mensagem aos eleitores e aos que se interessam pela freguesia?
A todos os cidadãos, não se esqueçam de votar no dia 1 de outubro de 2017, independentemente da pessoa ou partido. É um dever de todos os cidadãos exercer o direito ao voto, pois vivemos num país democrático e temos livre arbítrio para escolher a pessoa em quem acreditamos ser capaz de promover/desenvolver a nossa terra. É fundamental que todos nós estejamos envolvidos no processo eleitoral.

Que te diz Vila Mendo?
Vila Mendo é detentor da associação mais proativa da freguesia que dinamiza diversas atividades que são fundamentais preservar. Dela, fazem parte pessoas jovens capazes de fazer mudança. É também com elas que contamos para o desenvolvimento dos nossos projetos e ambições, pois sabemos que todos juntos somos melhores e conseguimos fazer mais. Tal como preconizava o poeta “ o sonho comanda a vida, sempre que o homem sonha o mundo pula e avança” (António Gedeão in Pedra Filosofal).

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Entrevista a António Pereira Gomes

António Pereira Gomes, 59 anos, natural de Vila Mendo. Foi marinheiro, mas ingressou na Guarda Fiscal entretanto integrada na GNR. Foi Presidente da Junta de Vila Fernando de 2005 a 2009. Teve a honra e o privilégio de ser o primeiro Presidente da ACR Vila Mendo tendo um papel primordial nas dinâmicas que a nossa Associação criou e estabeleceu. Reformado. Agora que tinha tempo, decidiu viver em França, apesar de nos visitar regularmente ao longo do ano. Continuamos a ouvir os seus conselhos. Defini-lo-íamos como um amante e um acérrimo defensor de Vila Mendo e das suas gentes…

Como os franceses olham para Portugal e para os portugueses?
Os franceses, do pouco que conheço, olham para Portugal como um país pequenino, de boas praias, de boa gastronomia, um país seguro, pobre e pobre porque a emigração é de certo modo elevada, principalmente para França. Também vêem Portugal como um sítio onde devem investir, principalmente na compra de habitação, tanto para férias como para nele residirem a maior parte do tempo, ao longo do ano.
Quantos aos portugueses, continuam a vê-los de bons olhos, como gente trabalhadora principalmente na construção civil, serviço de limpezas, ou seja trabalhos para os quais eles não estão para aí virados, porque quando toca a trabalhos qualificados, aí já são os estrangeiros que lhe tiram os empregos!

Como vês a situação das polícias em Portugal?
É o sempre na mesma. Desde que a conheço as condições de trabalho e os meios para que possam desempenhar com eficiência o mesmo são escassos. Não se lhes dá o valor que merecem, estão sempre de serviço (feriados, férias etc), podem ser chamados a qualquer hora, não são devidamente remunerados para o serviço de alto risco que muitas vezes efectuam (trabalhar de noite ou de dia, em fins de semana ou em feriados, a remuneração é igual). 
Continua a faltar-lhe apoio jurídico em todas as situações quando algo lhes corre menos bem, isto em serviço, são os próprios a ter que pagar do seu bolso, muitas vezes têm necessidade de apoio psicológico e raramente lhes é facultado.

Que motivos te levaram a seguir a carreira militar?
Os motivos que me levaram a seguir a carreira militar, surgiu aquando e só no final do serviço militar obrigatório ( 25 meses na Marinha de Guerra Portuguesa). Adorei e tenho orgulho ainda hoje ter feito parte dessa grande instituição, aprendi lá muito o que me serviu e bem para a minha vida futura. Após esse tempo de serviço militar, tirei a especialidade que quis e que gostava: a de marinheiro L (escriturário), pois já tinha digamos que umas luzes sobre isso, como por exemplo escrever à máquina que aprendi na Escola Secundaria da Sé ( Curso Geral de Comércio). Os últimos 18 meses de marinha passei-os numa secretaria do Comando Naval do Continente (Alfeite- Lisboa). Convidado a continuar, recusei porque tinha de ficar sempre em Lisboa. Entretanto surgiu a oportunidade de concorrer à Guarda Fiscal e não hesitei porque aí já tinha a oportunidade de me aproximar das origens, o que veio a acontecer: depois de ter prestado serviço em Lisboa, Madeira (Serviço de passaportes no aeroporto) Aveiro, Vilar Formoso e finalmente Guarda ( na GNR! serviço sempre em secretaria) até à reforma.

Por certo terás algumas histórias interessantes do teu tempo de polícia. Queres partilhar alguma?
Histórias interessantes tenho muitas para contar, a maioria boas, outras nem tanto. Começo pelas menos boas:
Um certo dia ao sair de casa para ir para o serviço, comandava eu um posto fiscal na zona da raia, deparei- me com os 4 pneus do meu carro furados… dias antes tinha colaborado numa apreensão de tabaco de contrabando, só podia!..
Outra situação, esta já engraçada, aqui também na zona da raia, mas já prestava serviço em Vilar Formoso: fazíamos na altura muitos serviços à civil e foi num desses serviços que aconteceu estarmos numa estrada térrea ( às 3 horas da manhã) que ligava Espanha a Portugal (local não habilitado para a travessia de viatura) e ao apercebermo-nos de que uma viatura se aproximava de nós com os faróis desligados, rapidamente vestimos o chamado fato de macaco (aprovado na Guarda Fiscal) para podermos fazer sinal de paragem ao condutor da viatura ( não era permitido fazer sinal de paragem trajando à civil). Foi então que ao aproximar- me da viatura e sem que tivesse tempo para mais, o condutor foi o primeiro a dar as “buenas noches”, falando em espanhol e logo de seguida o mesmo diz," sou el alcaide de Almeida!” pensava ele que estava perante a Guarda Civil espanhola (porque os ditos fatos de macaco não eram de todo conhecidos, pois serviam apenas para essas situações de emergência) e o dito alcaide (presidente ) só teve que voltar atrás, e dirigir- se à fronteira para poder seguir ao seu destino!

Como membro fundador e impulsionador primeiro da ACR Vila Mendo, que te diz a Associação?
É óbvio que me diz muito, porque sendo eu natural de Vila Mendo sede da Associação, sinto orgulho enorme de ter sido um dos fundadores e ter contribuído com isso para que hoje a nossa terra e ao mesmo tempo a Associação, seja falada e vista como uma associação activa aos longos destes anos desde a sua existência, beneficiando assim a aldeia. Não fosse a Associação, Vila Mendo não era conhecida e o seu nome não era falado por ninguém ou quase ninguém, e hoje é. Por isso mais orgulhoso me sinto por ter feito parte da direcção como presidente e ter feito alguma coisa para que a população se unisse, colaborasse e participasse sempre em força na realização dos eventos efectuados pela Associação, o que contribuiu e muito para que Vila Mendo hoje seja uma aldeia apelidada de unida, acolhedora e que sabe receber bem quem a visita. Em Vila Mendo “tá-se bem”!!! 

Um projecto(s) que gostasses que a Associação implementasse?
Sei por experiência própria que não é fácil abraçar um projecto para o qual não há disponibilidade de meios, principalmente monetários, mas gostaria de ver a actual direcção empenhada num projecto que passaria pela construção de infra estruturas ( pavilhão) que pudesse fazer face às necessidades já há muito existentes, aquando da realização de certos eventos (alguns anuais) como o Encontro Motard, Matança do Porco, festa da aldeia (esta organizada por uma mordomia que também iriam beneficiar disso), e mais. Havendo essas condições estou certo que mais eventos haveria em Vila Mendo organizados pela Associação... (onde é que se abrigam as pessoas em dias de eventos na aldeia nos dias mau tempo?). Aqui fica o desafio à actual direcção! Comecem já hoje a trabalhar; sei que se o fizerem vão conseguir levar avante esse projecto. Conheço- vos a todos e sei bem do que sois capazes, e todos juntos vamos conseguir. Força, mãos à obra.

Como vês o futuro do Interior em geral e de Vila Mendo em particular?
O futuro do interior no meu ponto de vista esta condenado cada vez mais ao abandono. Não vejo ninguém, principalmente políticos, a fazerem alguma coisa para que isso não aconteça. Continuamos a ver as pessoas a sair para as grandes cidades e mais para o litoral. Não se criam empregos no interior e muito menos condições para que as pessoas se fixem cá. Temos um exemplo em Vila Mendo, no séc. XXI, ainda sem saneamento básico! Como é que as pessoas podem permanecer num sitio onde tudo falta, principalmente isso. Por isso é difícil haver alguém, mesmo que muito goste de viver no paraíso (sossego), que deixe as cidades, e aqui até podemos dar como exemplo, a Guarda: quem escolhe uma aldeia para viver, mesmo que a aquisição de casa própria nesses locais seja muito mais barata? Assim Vila Mendo está condenado (como tantas outras aldeias) a ser terra de ninguém. Gostaria de estar enganado, mas infelizmente o meu ponto de vista é este! Mas vamos tentar que Vila Mendo não morra assim, pelo menos enquanto nós andarmos por cá!!!