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domingo, 9 de julho de 2017

Entrevista a António Alves Fernandes

António Alves Fernandes nasceu na Bismula (Sabugal) nos finais da 2ª Guerra Mundial (Novembro de 1945). Ainda criança, trabalhava já nos afazeres agrícolas e, não raras vezes, foi a Espanha procurar o contrabando da subsistência dele e de tantos como ele. Frequentou o Seminário missionário em Gouveia. Não se sentindo vocacionado para a vida sacerdotal optou por seguir um percurso de vida que passou por Setúbal, Lisboa e Castelo Branco. Depois do 25 de Abril, ingressou nos serviços prisionais (26 anos como director). Como tantos portugueses combateu na Guerra Colonial na Guiné. No presente, reside em Aldeia de Joanes. A título de curiosidade, é pai do Presidente da Câmara do Fundão. 
Actualmente escreve crónicas no blogue Capeia Arraiana e acaba de lançar o livro "O Nosso Homem": um livro de crónicas, um livro de memórias, passadas e presentes, um livro de gente concreta, como concretas as suas vivências e que será (apesar de já o ser) um documento (de descoberta) para o futuro...
De Vila Mendo pouco conhece. Faremos os possíveis para que a fique a conhecer até porque brevemente lhe lançaremos um pequeno desafio...

De que forma o seu trabalho nos Serviços Prisionais influenciou a sua vida e como avalia o quadro actual dos guardas prisionais?
Há mais de dezassete anos que estou aposentado dos Serviços Prisionais, onde trabalhei seis como Técnico de Educação e vinte e seis como Director do Estabelecimento Prisional de Castelo Branco, com apoio à Cadeia da Covilhã. 
A formação de oito anos na Escola Apostólica do Cristo Rei em Gouveia foi uma preciosa ajuda para desempenhar essa missão o melhor possível. O meu trabalho prisional passava muito pela compreensão das nossas fraquezas humanas. Na essência, nenhum de nós é santo, caminhamos diariamente, caímos aqui, levantamo-nos acolá, cometemos erros e continuamos. O trabalho com Homens e Mulheres iguais a nós, mas que por um motivo ou outro se viram em situações limite, foi decisivo na minha relação com o próximo. 
O Corpo da Guarda Prisional tem uma das mais difíceis tarefas da função pública. Há dias um Guarda Prisional disse-me com toda a sinceridade: “como motorista de carro celular já fiz dois milhões e quinhentos mil quilómetros, e mais umas centenas nos Serviços de Inspecção”.
Tem de lidar todos os dias, a todas as horas, com pessoas cujo comportamento nem sempre é o mais conveniente. No Infantário Prisional de Castelo Branco, onde estavam 25 crianças, filhos de reclusas, era distribuído à noite um suplemento alimentar, iogurte, bolachas… para os meninos e meninas. Por mais chocante que pareça, havia mães que comiam os iogurtes dos seus filhos, sujeitando-se às respectivas sanções disciplinares. Este é apenas um pequeno exemplo do comportamento da população prisional, existem casos muito mais graves.
Hoje temos um Corpo de Guardas Prisionais bem preparado, é de justiça salientar a atenção do Dr. António Costa, aquando Ministro da Justiça, e do actual Diretor Geral Dr. Celso Manata.
Temos na Guarda Prisional muitos elementos licenciados e com uma extraordinária formação nas áreas do Direito, das Relações Humanas e Sociais, da Gestão de Conflitos e tantas outras.
A caminhada de um Guarda Prisional também é longa e difícil, cansativa, longe da família, às vezes também cai e necessita de ajuda para se levantar. É uma classe profissional que tem a minha total solidariedade, pois vivi de perto as suas dificuldades e preocupações.

Como avalia os políticos no momento actual?
Há de tudo como em todas as actividades humanas. Há aqueles que trabalham e se esforçam por melhorar a vida das populações e há aqueles que quando chegam ao gabinete estão mais preocupados em saber se chegou um convite para o almoço ou para dar um passeio.
Conheço pessoalmente políticos que são uns autênticos heróis, direi mesmo “escravos” da causa pública, chegam a trabalhar 12 ou mais horas por dia, muitas vezes sem fins-de-semana, sem tempo para dedicar à família, com grande sacrifício da sua vida pessoal em prol do bem-estar dos outros. São genuinamente empenhados em lutar contra problemas graves, muitos deles que se arrastam há décadas. Vivem intensamente a missão de servir os outros. Sei que muitas vezes isso não é reconhecido, a ingratidão também faz parte da natureza humana, mas parece-me uma imensa injustiça meter tudo no mesmo saco. Quase toda a gente afirma que um político não faz nenhum. Às vezes gostaria de convidar uma dessas pessoas a passar apenas uma semana com a rotina atrás referida. Acho que mudariam logo de opinião, não há nada como a experiência… 

É natural da Bismula e vive em Aldeia de Joanes, duas comunidades rurais. Como vê o futuro do interior em geral e destas comunidades em particular?
Nasci numa terra arraiana, a Bismula, para muitos desconhecida. É uma pequena povoação, junto à fronteira Espanhola, que viveu muitos anos do contrabando. Aos sete anos já andava com os meus irmãos a tentar fintar a Guarda Civil e a Guarda Fiscal para ajudar a pôr algum pão na mesa. Era uma aldeia pobre, fria, isolada… Aí passei uma infância de sobrevivência com os meus pais e irmãos, o que me marcou para sempre. Quando emigrámos para Setúbal diziam que cheirávamos a pobreza e tivemos muitas dificuldades em nos adaptar. 
Hoje vivo em Aldeia e Joanes, que não tem comparação com a Bismula. Aldeia de Joanes está a dois passinhos da sede do concelho, o Fundão, e a minha Bismula a 25 km do Sabugal. Aldeia de Joanes, além de ser uma aldeia lindíssima, tem muitos pomares, uma agricultura produtiva, uma pequena indústria e rápido acesso aos cuidados médicos. Os bismulenses, pelo contrário, foram, durante décadas, banidos dos cuidados de saúde e morreu muita gente por falta de assistência médica. Tenho orgulho em afirmar que a minha Mãe, apesar da pobreza, ajudou a salvar muitas vidas na minha freguesia. 
Em termos de progresso económico e social, não há comparação possível entre Aldeia de Joanes e a Bismula. Podemos dizer que Aldeia de Joanes é hoje um bairro do Fundão e a Bismula é quase um deserto, apenas no mês de Agosto tem algum movimento com o regresso dos emigrantes, uma ou duas semanas porque a praia é mais apelativa.
Embora haja gente a batalhar pelo interior, vejo extremamente sombrio o seu futuro. Há freguesias onde os “habitantes” estão quase todos no cemitério… A floresta, fonte de sobrevivência dessas populações, sofre atentados e fogos todos os anos, as escolas fecham, os correios, as caixas de multibanco, os cuidados de saúde… Ficam os lares, casas de turismo rural para dois ou três dias e pouco mais… 

Como ex-seminarista, como vê a acção da Igreja nas comunidades?

Durante estes anos da minha vivência, sempre estive próximo da Igreja, de determinados valores aos quais podemos chamar de “humanismo cristão”. Tenho colaborado na Catequese, na Cáritas, na Irmandade, nas Festas Religiosas. Nem sempre fiz as coisas bem, tenho muitos defeitos como qualquer ser humano, mas sempre me esforcei para a Igreja não se desligar da sociedade em que vivemos. 
Hoje temos um Papa Francisco muito virado para a prática da caridade, da solidariedade, para aqueles que nada têm. Gosto desse Homem simples de origem popular, ao lado dos pobres e excluídos. É essa a prática da Igreja que também defendo. Ser cristão é uma aventura, muitas vezes interrogo-me sobre a doutrina da Fé e tenho as minhas dúvidas. 
Há tempos tive um grave problema de saúde, estive internado 19 dias, e posso afirmar que as visitas de um Assistente Religioso e de uma Freira me ajudaram muito no campo espiritual e humano. Essas duas figuras cristãs não vou esquecê-las tão depressa, transmitiram-me Fé, ânimo, coragem e fizeram-me olhar para as camas ao lado, onde também estavam outros doentes. Ao fim de pouco tempo, comecei a falar com eles e a registar num bloco as suas histórias. 
A Igreja sempre foi um importante elo e factor de união e identidade numa comunidade. Se a comunidade está em crise, acho que a Igreja também tem que assumir a sua responsabilidade. Outra situação é o mundo em que vivemos, cada vez mais egoísta, competitivo, cada um por si… Estamos a perder a dimensão espiritual e de proximidade uns com os outros a favor do lucro mais imediato e dos bens materiais. 
Na Igreja, como na Política, há gente a trabalhar arduamente em prol do bem comum, mas também há gente que se acomodou e parou no tempo. 

Como combatente na Guerra Colonial, o que mais o marcou?
Desde logo a violência na instrução militar, quase não nos deixavam respirar. Uma coisa é disciplina, outra é sufoco. 
Lembro-me que deixei de ter nome para passar a ter um número. O meu vocabulário também se alargou, pois vinha dos “Padres” e estava habituado a outro tipo de liturgia… 
Nunca mais esqueci o guindaste a carregar os caixões quando cheguei à Guiné.Impossível não lembrar o meu amigo e companheiro de carteira, o António Novo de Vila do Touro, que foi vítima de uma granada. Ainda hoje rezo e choro por ele, os bons tempos que passámos juntos… 
Marcou-me muito o terror, mas também a amizade, a solidariedade e a camaradagem, éramos uma grande família, a dor de um tocava em todos. 
Não esqueço as Festas do Natal e da Páscoa sem poder vir a Portugal. 
Acho que há muito a dizer sobre a Guerra Colonial, é ainda hoje um assunto tabu. Falta sobretudo ouvir a experiência pessoal de quem por lá passou. Muitas vezes só vejo sociólogos, antropólogos, psicólogos ou politólogos a falar de pé alto sobre uma realidade que não conhecem. Falta o Homem concreto contar a sua história concreta, e ser ouvido sem preconceitos. Para quem está no mato, sujeito a perder a vida a qualquer momento, é muito pouco relevante a situação política do país, os estudos sociológicos, etc.. É matar para não ser morto. 

Acaba de lançar um livro de crónicas – “O Nosso Homem”. O que o levou a decidir-se por tal? Como definiria o seu livro? 

Sempre gostei de escrever sobre matérias e pessoas que fui conhecendo. Só depois de me ver reformado, consegui fazê-lo com maior regularidade, com uma exigência quase diária a par da Agricultura. Umas vezes saía bem, outras assim-assim e por vezes mal, são ossos do ofício. O livro começa com a história verdadeira de um Homem que era odiado por todos, todos fugiam dele, parecia ter lepra. Era meu vizinho, nunca o desprezei, várias vezes falei com ele. Um dia desapareceu e todos me diziam que tinha ido para um Lar, só que ninguém sabia onde era esse Lar. Passaram-se meses e não havia notícias do Homem. Resolvi então entrar na casa do Homem e descobri que o Lar era um monte de ossos… Este acontecimento marcou-me terrivelmente e responsabilizou-me como pessoa. Como foi possível um acontecimento destes tão perto de mim? Depois comecei a pensar nas pessoas, no “Nosso Homem” que somos todos nós, e daí estas histórias de pessoas concretas com uma dimensão colectiva. O Nosso Homem pode ser alguém que caiu no esquecimento da sociedade, pode ser um carteiro, um contrabandista, um autarca, um militar, um barbeiro, etc.. Alguém que é nosso no sentido de responsabilidade colectiva para com o outro. Este livro faz-nos reflectir porque um Homem morre sozinho na noite de Natal. 
Não deixa também de ser um livro diversificado com muitas pessoas, terras, viagens, temas, memórias, etc.. Não tenho muito jeito para ficcionar, prefiro anotar os factos e sujeitá-los à leitura de cada um. 
Não era minha intenção publicar estes textos. Mas a família, amigos e muitos leitores insistiram tanto comigo que acabei por aceitar o repto. Em boa hora o fiz, vendo agora a procura, principalmente nas beiras e na Zona arraiana de onde sou natural. Soube há tempos que a Sra. Emília de Jesus, a quem dediquei um texto, se encontra num Lar e que pede à enfermeira para lhe ler o texto sobre ela, “A VIÚVA DE UM MINEIRO”. Esse é o maior prémio que alguém pode receber, sentir que foi importante para a Vida de outra Pessoa.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Entrevistas e sugestões

Vamos agora fazer uma pausa nas entrevistas e sugestões de leitura. Lá para Maio/Junho voltamos "à carga".

sexta-feira, 24 de março de 2017

Entrevista a Alexandre Calçada

Alexandre Manuel Matias Calçada, nasceu a 6 de Fevereiro do ano de 1995, no Hospital de Sousa Martins, na Guarda. Filho de Manuel Gomes Calçada e Isabel Vaz Matias Calçada e, há quase doze anos, irmão de Catarina Matias Calçada. Reside no Penedo da Sé, freguesia do Marmeleiro.
Cresceu na melhor aldeia das redondezas, na casa da avó Alice e da avó Gracinda e a jogar à bola na Casa da Sagrada Família. Fez o Ensino Básico nas escolas Augusto Gil e de Santa Clara, tendo terminado o 12º ano na Escola Secundária de Afonso de Albuquerque. Atualmente estuda na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. 
Adepto do desporto e fã da cidade mais alta, não dispensa um fim-de-semana na Guarda com a companhia dos familiares e amigos.

Que motivos levaram à escolha do curso que frequentas?
No término do ensino secundário, as razões pelas quais iria escolher ou não determinado curso não eram as mais claras. Penso que alguns factores me possam ter mobilizado de forma menos consciente para esta escolha. Por outro lado, após algum contacto, não só, com o exercício desta profissão, bem como com as necessidades da população neste aspeto, fazem com que agora talvez perceba melhor a razão daquela escolha. A possibilidade de poder conhecer melhor a história de cada um, que expõe todas as suas vulnerabilidades, tentar descobrir a causa do seu sofrimento e ao mesmo tempo minorá-lo, são as razões que me motivam a continuar a estudar e a escolher este curso todos os dias.

Como é o ambiente, como são as dinâmicas da cidade onde estudas (Lisboa) comparativamente com a Guarda?
A cada uma destas cidades associo momentos da vida distintos, o que as torna difíceis de comparar em alguns aspetos. Por outro lado são cidades muito diferentes em todos os níveis: quer sociais, académicos ou culturais. Lisboa é por eleição a cidade da pluralidade cultural, da diversidade, a porta de entrada para a Europa, a cidade do turismo, do mar, do trânsito desenfreado. A Guarda são as origens, a terra, a tranquilidade, o frio, a identidade, o porto seguro.

Que expectativas tens no términus do curso?
Após o Mestrado gostava de ter a oportunidade de poder ingressar numa especialidade médica, onde pudesse adquirir as capacidades e o conhecimento necessários para cumprir os objetivos que referi. Por outro lado, num eventual futuro, conciliar tudo isto com a vida familiar sempre foi o principal objetivo.

Voltar à Guarda está nos teus horizontes? Porquê? 
Nunca encarei a mudança de cidade, para o ingresso no Ensino Superior, como um ponto de partida para me fixar definitivamente noutro local. Sempre considerei a saída da Guarda como temporária. É aqui que estão as minhas origens, onde criei os maiores laços emocionais e familiares. É aqui que estão os costumes, as tradições e a tranquilidade que sempre me mantiveram apaixonado por esta terra. É a esta cidade que devo aquilo que sou e tudo o que aprendi. Reconheço que enquanto estudante me seja mais fácil manter este ponto de vista, mas espero que todas as futuras decisões me possam levar, mais cedo ou mais tarde, de volta.

És natural do Penedo-Marmeleiro. Como vês o futuro das comunidades rurais em geral e do Penedo em particular?
Apesar de não conseguir ter uma perspetiva semelhante à dos meus avós ou mesmo dos meus pais, que puderam presenciar uma outra face da vida nesta aldeia, as suas lembranças e relatos permitem-me ter uma ideia que como tudo já foi diferente. No entanto, não é preciso recuar muito mais de 15 anos para encontrar aqui uma escola primária ou ver outras caras conhecidas nestas ruas. Muito se perdeu para além disto. O envelhecimento da aldeia e das pessoas é mais que visível, mas é com muito agrado que posso presenciar não só as visitas cada vez mais frequentes, como também o regresso de pessoas à sua terra, nomeadamente após a idade da reforma. De facto, não é isto que permitirá um rejuvenescimento significativo da população, no entanto é a prova de que o bem-estar que estas terras do interior proporcionam não é esquecido. Não é de esperar que a curto prazo se estabeleçam grandes iniciativas que sustentem o desenvolvimento económico das pequenas aldeias, por outro lado, enquanto estas localidades forem motivo de saudade, alegria do regresso, convívio nos eventos festivos e tradições, estas continuarão na memória de todos. Que no futuro deixem de ser apenas um local de passagem.

Na tua opinião, quais seriam as medidas a tomar para travar a morte lenta do Interior como tal?
Existe a necessidade de, por um lado, reter as pessoas no interior e, por outro, atrair a população para o interior. Acordar a cidade que parece congelada no tempo. A dinamização da vida cultural e a animação das cidades é uma das formas de promover a permanência da população e aumentar o fluxo turístico na região. Medidas que facilitem a criação e manutenção de um negócio e que tragam benefícios ao investimento na nossa cidade comparativamente a outros locais. Medidas que favoreçam a procura das instituições de Ensino Superior no interior do país pelos jovens, diversificando e aumentando a oferta para a formação. Que seja vantajoso estudar, investir, viver aqui. Medidas estas muito vagas para a urgência da situação, mas que podem ser o início de algo melhor.

Vila Mendo, diz-te algo?
Durante muitos anos, todas as manhãs, a caminho da cidade da Guarda, me cruzei com as placas de trânsito que indicam o caminho até Vila Mendo. Até ao momento não sou o seu visitante mais assíduo, no entanto, para o povo e visitantes do mês de Agosto do Penedo da Sé, uma passagem pela Festa de Santo André sempre valeu a pena. Ainda neste sentido, a Associação Cultural e Recreativa de Vila Mendo impõe-se como um exemplo a seguir para a dinamização das localidades vizinhas.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Entrevista a Berta Carreira

Berta Alexandra Neta Carreira nasceu na primavera de 1984, na Guarda.
Passou a infância na sua aldeia, o Adão, onde teve acesso ao Jardim de Infância e à Escola Primária. Seguidamente frequentou o Colégio Dr. José Dinis da Fonseca, na Cerdeira, e a Escola Secundária Afonso de Albuquerque, na Guarda. No ingresso ao Ensino Superior optou, apesar de tudo, por um curso que lhe permitisse ser professora. Licenciou-se na Universidade do Minho e fez o mestrado em Ensino do Português e do Espanhol na Universidade da Beira Interior. Iniciou a atividade profissional em 2008, na cidade natal, onde trabalhou durante quatro anos, mas atualmente leciona numa escola do Porto.

Apaixonada pela literatura, cinema, teatro, música (clássica)... Aprecia os silêncios... a tranquilidade da serra e os assomos de paz que o mar lhe transmite. Adora as boas conversas com a família e amigos, não enjeitando uma boa viagem e o contacto com pessoas de diferentes culturas.
Colaborou no último Caderno de Memórias da nossa Associação e já lhe estamos a preparar novos desafios aproveitando o facto de estar e ficar "mais entusiasta desta aldeia"...

Enquanto professora, como vês a Educação em Portugal? 
Ai, a Educação, a Educação… dá sempre uma certa nostalgia pensar que a Educação de hoje não é a mesma da nossa infância, em que éramos tão certinhos, tão obedientes e respeitadores… Mas pensar como o Velho do Restelo não faz parte de mim, até porque seria culpar a geração que está a educar (que é a influência/modelo) e não as crianças e os adolescentes. 
A sociedade de hoje é marcada pela tecnologia e, consequentemente, por um ritmo diferente do nosso tempo – muito se tem perdido, outros interesses ganham protagonismo; cabe-nos ter a necessária sensibilidade e flexibilidade para entender as novas gerações e pugnar pelos valores basilares. 
O respeito por nós próprios, o respeito pelos outros, pelas diferenças, a responsabilidade e o compromisso social devem ajustar-se às novas vicissitudes, mas têm de ser o foco da Educação, independentemente de tudo. 
Aos professores, em particular, os novos tempos exigem as mais diversificadas estratégias e uma renovação constante das suas práticas. Os meus alunos são muito diferentes dos tempos em que fui estudante, logo, não posso seguir o modelo tradicional de ensino. 
Os diversos agentes educativos têm reunido esforços para se adaptarem à nova geração, numa tentativa constante de despertar a criatividade, a imaginação e a esperança numa sociedade melhor. As crianças e os jovens de hoje têm um enorme potencial, mas nada se consegue sem esforço e exigência. 

Quais os principais problemas que detectas no sistema de ensino? 
O sistema de ensino protege, em demasia, os alunos, ou seja, com o tempo tenho sentido um acréscimo de trabalho para o professor em detrimento daquilo que é exigido ao estudante. 
O sistema de ensino vive em função de resultados, negligenciando as aprendizagens. A “cultura dos números e da nota” leva a um excesso de carga burocrática, que se agrava quando os resultados não vão ao encontro das metas estabelecidas. Cabe ao professor encontrar novas estratégias para fazer face aos resultados, os alunos nunca são chamados a refletir sobre o trabalho que (não) desenvolvem. 
Outro problema do sistema de ensino, ao que a sociedade em geral é solidária, é a instabilidade da carreira docente, condicionando a vida dos professores (como a minha, por exemplo) e a dinâmica das escolas. 
Mas vou inverter o registo da entrevista… 
No meu dia a dia centro-me mais nos pontos fortes da escola – no esforço e na curiosidade audaciosa de muitos alunos, na dedicação dos meus colegas, no carinho com que muitos assistentes operacionais tratam os alunos, sabendo o seu nome, e no esforço diário das direções escolares para fazer cumprir as sucessivas políticas educativas a que o sistema educativo tem sido sujeito. 

Leccionas numa zona populosa do litoral. Notas diferenças entre essa zona e o interior, o nosso interior, a nossa Guarda? 
Ao nível da escola, não sinto muita diferença – tenho alunos dedicados, curiosos, com bons resultados, tal como tive na Guarda, e tenho outros grupos que exigem um jogo de cintura constante, aos que tenho que incentivar em cada aula, porque a escola pouco lhes diz. Leciono há três anos no Agrupamento de Escolas do Cerco, uma escola inserida num bairro peculiar da cidade, em que há uma grande maioria de alunos com interesses muito divergentes dos escolares. Na Escola Básica de Santa Clara também contactei com estas problemáticas, mas numa escala menor. 

Faz parte dos teus planos, a curto prazo, aproximares-te da Guarda, no exercício da tua profissão, ou não? Porquê? 
Por agora o Porto preenche-me pessoal, profissional e culturalmente. A minha ligação ao norte começou desde cedo, quando fui estudar para Braga; há cinco anos tive necessidade de alargar as opções no Concurso Nacional para garantir horário anual e completo. No Grande Porto terei muito mais possibilidades de colocação do que no distrito da Guarda, por exemplo. 
Parafraseando Agustina Bessa Luís, “Vivo aqui, mas o Porto não é para mim um lugar; é um sentimento”; sinto-me em casa na Invicta, mas o meu sentimento pela cidade que me viu nascer não saiu menorizado, antes pelo contrário. À distância agudizam-se as saudades da família, dos amigos, da hospitalidade, dos sabores e até do frio e damos mais valor… São cidades muitos distintas, aproveito o melhor de cada uma… 

Como vês o futuro das comunidades rurais em geral e do Adão em particular? 
Os meus pais pensam mais no futuro da aldeia do que eu; quando morre alguém, por exemplo, comentam com tristeza a perda, denotando, também, uma certa preocupação pelo número de habitantes que tende a diminuir. 
Sou sensível à preocupação dos meus pais, que reflete a da maioria que vive nos meios rurais. De facto, é difícil inverter o êxodo rural e, inevitavelmente, o desinvestimento a que as aldeias estão sujeitas. 
No meu caso, como estou fora, não projeto o dia a dia no Adão ou noutra comunidade rural…Associo o Adão a fins de semana, a férias, a festas e a convívios, e sei que a este nível as comunidades rurais vão continuar a ser as melhores. 

Viver permanentemente na Guarda- no Adão- está nos teus horizontes? 
Para além do que já fui dizendo nas perguntas anteriores (4 e 5), sou, também, muito nova para projetar a minha vida num determinado lugar permanentemente. 

Que te diz Vila Mendo? 
Vila Mendo é a terra natal da minha avó, e dizem que sou parecida com ela, logo sou parte de Vila Mendo. 
Recordo, ainda, as festas de agosto, onde ia com os meus pais e avós quando era criança. Éramos recebidos, com entusiasmo, na casa dos primos Pissarra e Corte Gonçalves; a convivência alegre e saudável entre a família era à volta de uma mesa farta em que cada iguaria era preparada em casa na azáfama do dia anterior. 
O Presidente da Associação Cultural e Recreativa, Filipe Soares, com o Caderno de Memórias, reaproximou-me da sua capital, despertando as minhas memórias…Sou, agora, mais entusiasta desta aldeia…

sexta-feira, 3 de março de 2017

Entrevista a Joaquim Igreja

Joaquim Martins Igreja nasceu a 5 de janeiro de 1958 na Castanheira, concelho da Guarda. Fez a escola primária nesta aldeia com a severa professora Amélia Simões. Depois foi para o Seminário do Fundão onde esteve até aos 15 anos, tendo passado ao Seminário da Guarda. Neste só esteve um ano e picos porque se deu na altura o 25 de abril de 1974 e em dezembro deste ano o rapaz sentiu vontade de gozar a sua liberdade. Acabou o ano escolar (atual 11º) como externo no Colégio de S. José e depois candidatou-se a exames na Escola Sec. Afonso de Albuquerque. O ano seguinte não estava nos planos: foi o ano do Serviço Cívico Estudantil, um hiato nos estudos, a fazer inquéritos de terra em terra e a prestar alguns erviços na Cruz Vermelha. Em 1976/77 começou a frequentar a Faculdade de Letras e em 1981 concluiu o curso de Filologia Românica. Vivia-se uma altura de crescimento do sistema de ensino e começou logo a trabalhar após o 3º ano do curso (1979). Passou pelas escolas Afonso Domingues e Pedro Nunes (Lisboa) e Frei Heitor Pinto (Covilhã), onde fez estágio. Logo a seguir (setembro de 1984) voltou à Guarda e já não voltou a sair de cá.
Para além da atividade de professor do ensino secundário, teve ainda passagens breves por outras instituições de ensino, como o ISACE (Instituto Sup. Administração, Comunicação e Empresa) na Guarda e o IEFP-Guarda. Durante 15 anos (1997-2012) desempenhou o cargo de coordenador cultural da Delegação da Guarda do INATEL (depois Agência da Fund. INATEL).
Desde 1992 mantém na Escola Secundária Afonso de Albuquerque o jornal EXPRESSÃO primeiro, depois a partir de 2013 o Blogue EXPRESSÃO, destinados a difundir a imagem da escola onde trabalha e dar formação de escrita jornalística aos jovens alunos. Tem também mantido uma colaboração regular na imprensa regional, primeiro na Rádio F, depois no jornal Terras da Beira, atualmente no jornal O INTERIOR. Durante a sua permanência na Fund. INATEL, lançou e manteve durante cerca de 12 anos o Boletim Cultural do INATEL. 
Atualmente na Escola Sec. Afonso de Albuquerque, para além da atividade letiva, coordena o Blogue EXPRESSÃO e é professor bibliotecário. 
É casado e pai de dois filhos e nos tempos livres, para além da leitura e da corrida ou da caminhada, gosta de se ligar às atividades culturais (música, teatro, cinema, exposições), apreciando de maneira geral a programação das instituições da Guarda. Gosta imenso de viajar e, para além de gostar de ir a banhos uma semana por ano, vai dando umas fugidas ao estrangeiro quando é possível.


Infelizmente, o Professor Joaquim Igreja não conhece muito bem Vila Mendo (uma falha imperdoável, diga-se de passagem!), mas ainda vai a tempo de se redimir desta lacuna na sua caminhada existencial! Dar-lhe-emos motivos para lá ir mais amiúde!


Como professor, como avalia a Educação numa perspectiva de futuro?
A educação é um processo em que todos estamos simultaneamente a mudar. Dentro do sistema educativo já todos pensámos de maneira diferente da posição que hoje adotamos. A velocidade a que a sociedade caminha, com transformações que não imaginaríamos há poucos anos, faz que o sistema educativo se adapte, corrija o caminho, volte às vezes atrás, sem nunca sentir que se atingiu o ponto ideal. Parados, estamos a andar. 
Quanto aos atores da educação, devemos estar sempre abertos à mudança: os conhecimentos evoluem, as tecnologias de comunicação também, sendo evidente o condicionamento dos jovens atuais pela tecnologia. No entanto o essencial mantém-se, com a necessidade de uma presença mediadora entre o saber e o aprendiz. A máquina não ensina sozinha. 
A Educação não perdeu razão de ser apesar da disponibilização de tanta informação na Internet. Ensinar os jovens não é apenas coadjuvá-los, é também conseguir que eles parem e nos ouçam. A Escola, para além de ter de se modernizar ao nível tecnológico e dos edifícios, de ter que encontrar fórmulas que liguem a autonomia pelas máquinas e o rigor no uso da linguagem, terá que canalizar a imensa energia juvenil tantas vezes desperdiçada pelo laxismo das estruturas. Sendo a gestão do tempo uma das variantes essenciais, haverá sempre este ou aquele grupo que ouviremos carpir mágoas por esta ou aquela mudança. Mas se a sociedade muda, como pode a Escola parar? É a altura de a escola atual se lançar a novos desafios. 

Que diferenças (boas e menos boas) encontra no funcionamento da Escola ao longo da sua carreira? 
Os alunos eram há uns anos atrás mais dóceis, disponíveis e construtores das suas capacidades. Hoje parece que as tecnologias, o conforto e o consumo anestesiaram os jovens e lhes tiraram a vontade de aprender e de se formar. Não me parece que a escola, a família e a sociedade atual estejam a “fabricar” cidadãos responsáveis e capazes. Parece tudo envolvido numa névoa de cultura light, de “tudo já feito” e de “não me tornem as coisas difíceis”. Pedir tempo aos jovens hoje para qualquer projeto enriquecedor das suas capacidades é “roubar-lhes tempo” para os seus gadgets, a sua loucura de jogar e de comunicar a níveis estratosféricos. Os jovens, mesmo crescidos, não param de brincar e de exigir estímulos agradáveis. 
Para além da desculpabilização que o próprio sistema fomenta, também os adultos se deixaram apanhar. Os pais desculpam os filhos e não sentem autoridade para os encaminhar; os professores hesitam, punem a medo, perdoam a seguir, sabendo que o comportamento se vai repetir. A Escola não terá que ser necessariamente mais castigadora mas impõe-se levar o sistema a sério e impor regras mesmo que à própria escola lhe custe aplicá-las. Creio que sem disciplina e concentração não se aprende. E esta sociedade é a sociedade do barulho. 

Ensinar, é hoje mais difícil? 
Pela resposta anterior, pode depreender-se que hoje educar e promover comportamentos corretos é muito mais difícil, perante uma sociedade que faz tábua rasa dos valores em nome do sucesso pessoal e uma família que não se sente capaz de pedir o outro lado do conforto que dá. 
Na escola, o que sinto mais difícil é que os jovens levem a sério uma instituição que começa a ficar distante do nível da perfeição a que chegaram as fontes de lazer dos jovens. A tecnologia ultrapassou a escola e esta, por mais que tente, não chega lá, com meios reduzidos e massa humana envelhecida. A escola aparece sempre como uma força conservadora, em que o avanço tecnológico emperra, em que o ensino continua tradicional, em que aprender não consegue ser sempre agradável como um jogo de computador ou um “reality show”, em que é difícil convencer de que “aquilo” é importante. Nem que fizéssemos o pino. 
Mas não vale a pena ser muito catastrofista. O sistema, como referimos acima, há de sobreviver e regenerar-se. 

Coordena o jornal e blogue “Expressão” na Escola Afonso de Albuquerque; como avalia a importância desses e doutros meios de expressão/comunicação no agrupamento e respectiva comunidade educativa? 

O Blogue EXPRESSÃO, que existe desde 2013, é sucessor do jornal EXPRESSÃO em papel, editado de 1992 até 2012. Sempre pretendeu mostrar a escola como uma realidade viva e atuante, como um lugar em que acontecem coisas importantes todos os dias e portanto noticiáveis. Quis também ser sempre uma escola de boa escrita para os alunos que se envolveram no projeto. Hoje é mais difícil conseguir jovens que se ofereçam para recolher informação, fazer um vídeo de um evento ou manter uma coluna fixa. É muito difícil fazer cumprir prazos quando a atualidade se vive no dia a dia e é preciso fazer a notícia nas horas seguintes ou anteriores ao evento. 
O Blogue EXPRESSÃO tem um número de visualizações muito significativo, uma média de 180 por cada notícia, muito graças ao auxílio da rede Facebook que espalha as notícias e promove o Blogue. Sentimos que chegamos aos professores, a uma fração dos alunos, à comunidade em geral. Mas, dentro dos atores educativos, temos a convicção de que os pais são a fatia que mais falta conquistar. 
O Blogue EXPRESSÃO, no entanto, tem a ambição de ser influente, de fazer chegar em linguagem simples aquilo que na educação muito vezes é difícil de digerir, de ser uma plataforma formativa. Queremos ser um órgão que mostre aos professores, aos pais, aos alunos, o lado escondido da escola em relação ao qual andam frequentemente “distraídos”. Queremos pô-los a pensar. Queremos fazê-los participar. 

Foi coordenador cultural da Agência da Fundação INATEL da Guarda. O que mais o marcou no exercício desse cargo? Que condicionalismos o afetaram mais? 
Fui coordenador cultural da Fund. INATEL na Agência da Guarda, um cargo que desempenhei com gosto entre 1 de setembro de 1997 e 31 de dezembro de 2012, durante 15 anos, portanto. O cargo tinha as suas limitações tanto em termos orçamentais (verbas reduzidas) como também operacionais (o coordenador trabalhava nesta área sozinho na Agência e a tempo parcial). A própria organização da Fundação INATEL, reportando nós à direção da Agência da Guarda mas também prestando contas e recebendo orientações dos departamentos da Fundação, tornava difícil a atividade. 
No entanto confesso que foi muito agradável o trabalho de apoio às associações filiadas, nomeadamente na proximidade com os grupos de folclore, bandas filarmónicas, grupos corais e grupos de teatro amador; no esforço de criar laços interassociativos e de promover a digressão de grupos pelo distrito; na atitude formativa constante com iniciativas diversas; na construção, sobretudo para os seniores, de itinerários culturais regulares em forma de passeios culturais; na promoção da comunicação, da informação e da formação através do Boletim Cultural do INATEL-Guarda. É num cargo como este que se fica a conhecer bem o tecido associativo distrital, as suas fraquezas e as suas potencialidades. 

Mantém algum contacto com o mundo rural, nomeadamente com a Castanheira, terra natal. Como vê o futuro das comunidades rurais em particular e do interior em geral? 

Com a Castanheira mantenho um contacto regular, embora desde a morte dos meus pais as visitas sejam mais espaçadas, já que não tenho casa instalada na aldeia. Mas interesso-me por aquilo que sinto ainda ser meu, a presença dos meus pais, a alma daquela aldeia, o espírito que ali vive. Custa-me evidentemente ver a rua dos meus pais quase deserta. Custa-me ver os campos ao abandono, inclusive os que me calharam. Custa-me ver que os velhos não têm jovens e gente adulta com quem ficar e estão condenados ao Lar da 3ª Idade. 
Tenho pena de o dizer mas não vejo grande futuro para a maior parte das comunidades rurais. Não se veem iniciativas que sejam suporte de desenvolvimento económico e sem este as aldeias não vão crescer, antes minguar. Por outro lado, os investimentos, escassos que são, tenderão a ir para as cidades médias e grandes, não para as pequenas localidades, que continuarão a ser pouco atrativas. A tentação será sempre emigrar, para perto ou para longe. Há nichos de potencial desenvolvimento, mas curiosamente poucos lhes pegam com convicção, por exemplo a criação de gado, os têxteis manufacturados e os enchidos. 

Vila Mendo, diz-lhe algo? 
Confesso que só lá estive por ocasiões de funerais. Passa-se em Vila Fernando e só se houver uma razão forte é que se vira para Vila Mendo. Espero ter proximamente boas razões para ir a Vila Mendo. 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Entrevista a Fernando Alvim

Fernando Alvim nasceu em 1974, em Vila Nova de Gaia. É radialista, humorista e apresentador. Estreou-se aos 13 anos a fazer rádio: da Rádio Nova Era à Rádio Press, da Rádio Energia à TSF, da Rádio Comercial à Antena 3, onde hoje se encontra. Pelo meio, apresentou os programas Top Rock (TVI), Curto-Circuito (SIC Radical), Perfeito Anormal, Cine XL e Boa Noite Alvim. Seguiu-se o 5 para a Meia-Noite (RTP 2) e É a Vida Alvim (TVI e actualmente no Canal Q). Apresentou também, na RTP, o concurso O Avô fugiu de Casa. Apresenta há mais de dez anos o programa Prova Oral, na Antena 3. Dirige a Speaky.TV, a revista 365, o Festival Termómetro e o Festival Alternativo do Ano. Criou os Monstros do Ano, a Regata de Barquinhos a Remos e os Prémios Novos. Organizou ainda o encontro Portugal É Agora, em dezembro em 2013, no Pavilhão do Conhecimento. Mantém o blogue Esperobemquenão. É também DJ, percorrendo o país de norte a sul.
Publicou, em 2008, o livro Alvim: 50 Anos de Carreira, após ter publicado a obra No Dia em Que Fugimos Tu não Estavas em Casa ( 2003) e Quatro homens para tantas mulheres (2005). É também o criador da editora Cego Surdo e Mudo, na qual editou Mente-me Só se For Verdade (2013); Não És tu, Sou eu (2012) e Não Atires Pedras a Estranhos Porque Pode Ser o Teu Pai (2010). 

Um percurso tão frenético que o levou a comemorar 50 anos de carreira em 2008! O Manuel Tróia (com oitenta e poucos anos) afirma mesmo que, possivelmente, será mais velho que ele próprio; algo confirmado pelo Pereira- mais velho que os dois!!  ( Manuel Tróia: essa figura incontornável da comunidade Vilamendense, exímio condutor de motorizada e "atropelador" de mulheres em série, na estreitíssima (!) estrada que liga à Santa Ana...)
Prometeu que quando casar voltará a Vila Mendo ( depois de ter cá estado em 2013) para festejar!!! Aguardamos ansiosamente tal acontecimento, tal como Ti Alfredo, o maior galã de Vila Mendo, que o Fernando Alvim não teve o privilégio e honra de conhecer- para sua sorte- ( saberia então o que é concorrência a sério na arte do galanteio)!!!!

Como se definiria enquanto pessoa? 
Sou uma pessoa que quase sempre não sabe onde estão as suas chaves de casa. É isso que eu sou. Alguém que permanentemente se esquece de alguma coisa, mas que tenta furiosamente fazer tudo, responder a tudo.

De entre as várias facetas enquanto artista, qual a que lhe enche mais as medidas?
 A de ser um génio. Isto de ser um génio, tem que se lhe diga. Temos que criar expressões de génio, acções de génio e o mais difícil.. ser um génio.

O dia ideal seria… 
passar uma tarde inteira a dizer poemas do Herberto Hélder à Monica Belucci. E a comer gelados do Santini.

Um projecto de sonho na sua carreira? 
Ter uma casa com vista para o mar na Zambujeira. E já agora, com vista para a Mónica Belucci .

Uma impressão sobre Vila Mendo. 
Gostei imenso e um dia que me case - já imaginaram decerto com quem - voltarei para comemorar tamanho acontecimento mundial.

Imaginar-se-ia a viver numa comunidade do Interior?
Confesso que não, excepto nas férias. sou muito urbano, muito citadino, preciso de uma agitação cultural e social que o interior por enquanto não me pode oferecer. Mas adoro o interior do país e vejo-o como o pulmão das cidades.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Entrevista a Jacinto Lucas Pires

©Paulo Goulart
Jacinto Lucas Pires é licenciado em Direito, mas é sobretudo escritor… de romances, contos, peças de teatro, filmes, música. O seu último livro chama-se "Grosso modo", um livro de contos onde não se pode dissociar uma forte componente política e social numa perspectiva de construção do presente. Antes lançou "O Verdadeiro Ator", romance que ganhou o Grande Prémio de Literatura DST 2013 sendo publicado nos EUA pela Dzanc ("The true actor", tradução de Jaime Braz e Dean Thomas Ellis). A sua marca está patente também no teatro, trabalhando com diferentes grupos e encenadores, mas faz parte da companhia “Ninguém”. Da sua incursão pela música destaca-se a sua pertença à banda “Os Quais”. Até há pouco, tinha uma rubrica na Antena 3 denominada Voz Guia. Actualmente tem um debate com o Henrique Raposo, todas as segundas e quartas-feiras pelas 09h20, na Rádio Renascença sobre assuntos da actualidade e é cronista no jornal desportivo O Jogo, demonstrando a sua ampla capacidade criativa em áreas díspares. É editor do Blogue “ O que eu gosto de bombas de gasolina”. Fez também uma incursão pela política na campanha às presidenciais de 2011, sendo mandatário da juventude de Manuel Alegre.
Está ligado, não  propriamente a Vila Mendo, mas a Vila Fernando, através da sua avó Patrocínia Lucas, mãe do seu pai Francisco Lucas Pires que mantinha uma forte ligação a Vila Fernando. Foram várias as férias, foram várias as vezes que Jacinto passou e esteve em Vila Fernando, pelo que o poderemos considerar como um dos filhos da freguesia… e os filhos à casa retornam! Esperamos que este pequeno desafio possa contribuir para outros de maior monta e visibilidade. A Associação de Vila Mendo está preparada para o desafiar


Como se define enquanto criador?
Sou escritor. Trabalho em diferentes territórios (teatro, música, cinema), tudo é escrita.

A cultura como factor de mudança das sociedades. Realidade ou utopia?
A utopia é real. O que é o humano sem sonho, sem desejo, sem querer tornar-se o que é? Nascemos homens e mulheres iguais e livres, temos de nos tornar cada vez mais isso.


Como vê o futuro das comunidades rurais do Interior à luz dos desafios que se colocam a Portugal enquanto povo, e nos desafios que se colocam a Portugal no contexto europeu?
O futuro dessas comunidades faz-se de um equilíbrio difícil, parece-me: como é que podem manter-se vivas sem se falsificarem? É uma questão para o país todo, no fundo — embora com diferentes variantes nuns sítios e noutros. A questão europeia e a dos nossos desafios na Europa é de outro nível: como conseguir mais democracia e mais transparência na União Europeia — o que implicará um salto político, de tipo federalista — num momento de grave crise, uma crise de crises, em que os Estados parecem crescentemente desunidos, as pessoas não se sentem representadas pelos políticos e velhos e novos ódios começam a subir à tona.

Se pudesse alterar alguma coisa na sociedade portuguesa, o que seria?
O cabisbaixismo.

O dia ideal seria…
Hoje.

Uma memória de Vila Fernando…
Pôr moedas nos carris do comboio, jogar basquetebol no terreiro e futebol no campo da bola, encontrar um lacrau nas madeiras.

Um projecto de sonho na sua vida?
O romance que ando a escrever há uns anos.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Jacinto Lucas Pires- Entrevista

Na próxima Sexta-feira, dia 10, uma pequena espécie de entrevista ao escritor Jacinto Lucas Pires.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Ciclo de Entrevistas- Élio Pereira Alves

Élio Pereira Alves, 27 anos, Engenheiro Civil
Habilitações: até 4º ano escola primária de Vila Mendo, 5º e 6º ano Telescola de Vila Fernando, do 7º ao 9º Escola C+S de S.Miguel, do 10º ao 12º Escola Secundária da Sé, posteriormente licenciatura em Engenharia Civil no Instituto Politécnico da Guarda, por fim Mestrado em Construções Civis também no Instituto Politécnico da Guarda.
Gosto do barulho das motas. Sempre quis ser piloto da força aérea, mas no ano de entrada no secundário acabei por desistir de ir para a academia militar, pois a exigências físicas não me permitiam (a nível maxilar e costela e etc.)
Tive oportunidade ir longe no futebol e não aproveitei, uma das coisas que mais me arrependi na vida. Fiz duas pré-épocas nas camadas jovens da académica de Coimbra, não acreditei que fosse possível, não dei o meu melhor. Como era o ano de transição para sénior… caiu tudo por terra.

Quando e onde tiraste o teu curso?
Depois de todo o percurso descrito anteriormente, posso dizer que terminei a minha licenciatura no ano 2013 no Instituto Politécnico da Guarda. Contudo achei que poderia ir um pouco mais além e ingressei no Mestrado em Construções civis que acabei por terminar em 2015. É sempre uma mais valia subir mais um patamar na nossa carreira, mas infelizmente neste momento na minha área, a nível nacional, ser licenciado ou ter mestrado não tem de todo muita importância.

No momento, qual a tua actividade profissional?
Neste momento exerço a minha profissão, como Engenheiro Civil claro, na Empresa Manuel J.A. Gomes Lda, uma empresa bastante conceituada no distrito da Guarda a nível de Estruturas Metálicas.

Que expectativas tens a nível profissional?
Estando na fase inicial da carreira, as minhas expectativas passam por permanecer na empresa onde estou actualmente. Estruturas metálicas é cada vez mais um ramo da Engenharia Civil que tem vindo a crescer. Estruturas metálicas estão presentes em todas as grandes obras pelo mundo fora. 
O meu objetivo, quer a nível profissional quer a nível pessoal, passa por ajudar a melhorar o mundo que nos rodeia. Desta forma, penso estar em condições para o fazer; a M.J.A.G. tem vindo a apostar numa equipa jovem e dinâmica para dar resposta aos muitos trabalhos que tem vindo a realizar, quer a nível nacional quer a nível internacional. 

Continuar na Guarda está nos teus horizontes?
Para já sim. Dando um pouco de continuidade aquilo que falei anteriormente, neste momento estou concentrado no meu trabalho. Tive esta oportunidade tenho de a aproveitar. 
Contudo, metendo-me eu no lugar de muitos amigos/familiares que tenho, penso que uma pessoa que consiga construir/equilibrar a sua vida fora da nossa cidade jamais pensará em regressar, pelo menos num futuro próximo. Não posso descartar a ideia de sair da nossa cidade, no futuro e no tempo ninguém manda! A cidade da Guarda está num ciclo monótono, sem grandes soluções. Isso reflecte-se na área de Engenharia civil, uma das áreas mais afectadas no nosso país. Portugal parou na construção, a cidade da Guarda não tem nenhum ponto de atracção para incentivar as empresas a investir. É triste mas é a realidade.

Como vês a actual situação política no que concerne ao emprego e futuro dos jovens?
Como jovem e como Engenheiro que sou, aquilo que eu vejo é uma "degradação" continua na permanência dos jovens no nosso país. Penso que toda a gente tem noção do actual estado do nosso país no que toca à empregabilidade dos jovens. É extremamente urgente reformular a estratégia de formação/emprego para os nossos jovens. Portugal tem qualidades e tem demonstrado que consegue formar pessoas com grande potencial e é pena que não haja condições para os segurar por cá.
Mas também é importante referir que muitos dos jovens não fazem um bocadinho de esforço para permanecerem. Não se preocupam em arranjar soluções, é sair à primeira oportunidade que lhes apareça. E com isto também queria fazer um apelo aqueles que o tencionam fazer: não pensem em deixar a nossa cidade e o nosso país só porque todos o fazem, façam-no só em último recurso.

Como vês o futuro da Guarda e do interior como tal?
Muito resumidamente e indo de encontro aquilo que já foi dito, penso que a Guarda será cada vez mais no seu futuro, uma cidade mais pobre se não conseguirem/conseguirmos inverter a situação. 
Grande parte dos jovens depois de concluírem os seus estudos não querem permanecer e isto, caso se mantenha por alguns anos, terá um grande impacto no que toca à densidade populacional da cidade da Guarda e toda a sua região.
Como grande parte de nós sabemos, a Guarda (interior) antigamente vivia da agricultura. Na minha opinião, deveria haver a curto prazo uma forte aposta neste sector para que se pudesse usufruir daquilo que é o "nosso" forte. É triste olhar em redor e ver como tudo se vai perdendo, desde destruição de florestas, terrenos ao abandono, aldeias desertificadas etc.. 
Vejo a Guarda com grande potencial para se puder investir na agricultura. Sei que não é fácil, mas há que arriscar, e quem sabe daqui a uns anos não fosse a Guarda uma cidade mais "rica" e com uma porta aberta para o estrangeiro.

Um projecto, uma ideia, um sonho, enfim… uma utopia para Vila Mendo?
Gostaria de um dia olhar para Vila Mendo e ver mais crianças a jogar à bola, andar de bicicleta, correr, saltar etc.. É uma coisa que me deixa bastante angustiado, ano após ano sentir Vila Mendo mais pobre. Vila Mendo será cada vez mais um ponto de encontro para as famílias que residem aqui na região da Guarda e um local de paragem para aqueles emigrantes que vêm passar férias a Portugal.
Era muito importante que a nossa gente não deixasse de vir com regularidade a Vila Mendo, só assim conseguiremos manter de pé a nossa terra.
Tem sido fundamental a criação de várias atividades pela ACR de Vila Mendo, já pensaram o que seria Vila Mendo sem a associação?.. É neste sentido também que tenho vindo a tentar implementar mais uma atividade anual, a realização de um convívio ou uma prova motocross. Penso que é sempre importante impor a Vila Mendo algum movimento, ou seja, sempre é mais um fim-de-semana em que teremos mais alguns jovens a dar alguma dinâmica à terra. 
Gostava de ver Vila Mendo com mais casas reconstruídas. Os proprietários deveriam repensar melhor nesse aspecto: ou fazer uma reconstrução básica para não deixar cair ou simplesmente pensarem em vender barato. Desta forma talvez despertasse um pouco mais de interesse a alguns jovens, como já aconteceu aliás, embora depois alguns tenham acabado por desistir por isso mesmo. E digo isto porquê? De que vale ter uma casa que nunca vai ser habitada e que mais tarde acabará por cair? De que vale ter uma casa numa aldeia sem habitantes?.. 
A este ritmo, vejo e tenho a certeza que Vila Mendo daqui por duas ou três décadas será uma aldeia completamente desertificada. Será esta uma situação irreversível? Precisaremos de ajuda de todos para inverter esta situação.



sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Ciclo de Entrevistas- Rodrigo Costa

Era uma noite quente de verão, quando de madrugada os meus pais me receberam ao mundo. Era dia 6 de julho de 1991. Sou o 5º de uma longa lista de netos da família Corte Gonçalves. Filho de Luís Manuel Rodrigues Costa e de Mariana da Conceição Corte Gonçalves Costa. Aos meus dois anos e meio recebi a notícia de que ia ser o irmão mais velho da Inês Costa. Neto de José Gonçalves e Lídia Engrácia Corte, Joaquim Costa e Maria de Lurdes Costa, a minha infância sempre se dividiu entre as aldeias vizinhas, Vila Fernando e Vila Mendo. Natural de Vila Fernando, onde residi até aos meus seis anos de idade. Com o início do meu 1º Ciclo à vista, vim viver para a cidade da Guarda, local onde resido actualmente. Foi aqui que completei o Ensino Secundário na Escola da Sé, tendo antes passado pelas Escolas de Santa Zita e de Santa Clara, onde concluí o 1º e 2º ciclo respectivamente. Praticar desporto é o meu hobby preferido e uma das minhas paixões. Pratiquei natação desde o ano de 1998 até ao ano de 2011, onde em 2007 fui atleta fundador do Clube de Natação da Guarda. Passei ainda pelo futebol de 11, decorria o ano de 2014. Gosto de ver filmes e séries, ouvir música, e não dispenso um bom encontro com as pessoas que para mim são importantes.

Quando e onde tiraste o teu curso?
Fui estudar para a cidade vizinha, a Covilhã, onde ingressei na licenciatura de Ciências do Desporto na Universidade da Beira Interior – decorria no ano de 2009. Após a conclusão da licenciatura segui para o mestrado em Ensino de Educação Física na Universidade de Coimbra, tendo terminado esta etapa na UBI em Novembro de 2015.

No momento, qual a tua actividade profissional?

Apesar de ser professor de Educação Física, encontro-me a desempenhar funções de nadador salvador nas Piscinas Municipais da Guarda. Dou ainda aulas de Atividade Física e Desportiva no Agrupamento de Escolas da Sé, na Guarda e no Rochoso. Complemento a minha atividade profissional como treinador de futebol do escalão de Traquinas, no Núcleo Desportivo e Social (NDS) da Guarda.

Que expectativas tens a nível profissional?
As minhas expectativas a nível profissional passam por exercer o cargo de professor. A paixão em acompanhar e ensinar crianças e jovens, vendo-as progredir, dando-lhes motivação para desenvolverem as suas capacidades cognitivas e motoras de maneira a que estas tenham na prática desportiva, um aliado para o seu bem-estar quer a nível físico quer a nível psicológico. Um professor é alguém capaz de incutir valores, transmitir conhecimentos e passar ideias que se devem preservar ao longo dos tempos.
Embora ser-se professor em Portugal não seja fácil, idealizo num futuro próximo, atingir este meu grande objectivo.

Continuar na Guarda está nos teus horizontes?

O futuro o ditará. Permanecer da Guarda é algo que quero muito, mas sei que, com a profissão que tenho, que posso ser colocado tanto no Algarve como em Trás-os-Montes. Como se costuma dizer, a vida de professor é feita sempre com a casa às costas e terei que estar disponível e com mente aberta para todas as situações que me possam aparecer. 
É uma cidade que tem perdido muita gente, que se desloca quer para as grandes cidades em Portugal, quer para o estrangeiro. Eu espero poder ficar por cá, pois é cá que tenho as pessoas que amo, os locais que amo e esta é a cidade que me viu crescer.

Como vês a actual situação política no que concerne ao emprego e futuro dos jovens?

Portugal é um país, que na minha opinião não aposta no emprego jovem. O que mais podemos verificar no nosso país, tendo em conta o pessoal jovem a iniciar a sua vida de trabalho, o pouco que se oferece são os chamados estágios profissionais, ou então os jovens chegam a “pagar para trabalhar”, pois aquilo que muitas vezes se sujeitam a receber não dá nem sequer para os gastos. O país está envelhecido, há demasiada mão-de-obra para poucos lugares e muitos dos jovens que agora têm uma licenciatura ou até mesmo um mestrado, exercem outro tipo de actividade sem ser aquela para a qual andaram anos a estudar ou então optam pela emigração. Na minha opinião, penso que deviam existir mais oportunidades para os jovens demonstrarem o seu valor, pois os jovens são o futuro do país. Se não derem um futuro aos jovens, o país não terá futuro também, certamente. 

Como vês o futuro da Guarda e do interior como tal? 
Urge a necessidade de se reformarem ideias a fundo. A Guarda, das cidades do interior é das que tem perdido mais população. O facto de haver pouco desenvolvimento, pouca aposta em inovação, a falta de emprego, tudo isso contribui para este fenómeno. Devendo-se também a isso por ex: a perda da UBI para a cidade da Covilhã – que até há uns anos atrás era bem mais “atrasada” que a Guarda. Todas estas situações fazem com que a Guarda, infelizmente perca muita da gente que cá nasceu. Espero que no futuro as políticas mudem. A Guarda tem uma colocação geográfica que se pode vir a tornar muito importante para muitas empresas que façam transportes nacionais e internacionais. A cidade está pertíssimo da fronteira com a vizinha Espanha. 
É da minha opinião que, se dá mais importância à zona litoral ao invés do nosso interior. Julgo que deveriam existir as mesmas oportunidades para quem mora no interior, tal como existem no litoral, mesmo que para isso fosse necessário gastar-se um pouco mais nestas cidades, recorrendo-se a incentivos fiscais, aumentos de ordenados para quem morasse no interior, prémios de natalidade, etc. Enfim uma panóplia de ideias que me ocorrem de momento, mas que infelizmente, esperando contudo estar enganado, que estas não vão avante. Para além disso a nossa cidade, precisa dos jovens estudantes que vêm todos os anos para cá. Precisa da vivacidade que as instituições públicas de ensino dão à cidade. Apostar numa melhoria do ensino, numa melhoria das condições de vida da cidade, numa aposta no desporto, nas mais variadas modalidades, tendo uma equipa capaz de singrar a nível nacional, tal como as cidades vizinhas mais próximas têm. A câmara da Guarda é imprescindível a todos os níveis para que isto seja possível, fornecendo apoio às instituições que ainda lutam pelo bem e pelo reconhecimento da cidade.

Um projecto, uma ideia, um sonho, enfim… uma utopia para Vila Mendo? 

Para Vila Mendo, há muitas ideias que me passam pela cabeça. A nível pessoal, o desporto está sempre presente. A criação de uma equipa de futsal com o apoio da Associação de Vila Mendo, da Junta de Freguesia de Vila Fernando, das empresas que se situam na nossa freguesia e não só. Penso que esse poderia vir a ser uma realidade, de modo a poder participar-se numa fase inicial no campeonato distrital da Guarda.
A criação de um festival de verão é outra das "loucuras" que me passam pela cabeça. Vila Mendo teria capacidade, com os devidos apoios de criar um festival na aldeia, tal como acontece em várias regiões do nosso país. 
Um desejo mais real passaria pela instalação de esgotos, água canalizada nas casas e pela melhoria da pavimentação quer na aldeia, quer nas estradas que ligam a aldeia com as restantes terras vizinhas ( Vila Mendo - Vila Fernando, Vila Mendo - Santana d' Azinha).
Muitas outras ideias e projetos tenho na minha mente, mas essas por agora manter-se-ão no segredo dos deuses.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Entrevistas

Amanhã mais uma espécie de entrevista. Rodrigo Costa, de seu nome.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Ciclo de Entrevistas- Cláudia Gonçalves

Nasci no “Dia do Trabalhador” do ano de 1989, e sou a primeira (menina) neta e sobrinha que uma família numerosa viu nascer e crescer, à qual sempre chamaram de “Claudinha”. Devo-lhes muito quanto à educação, aos valores e princípios que sempre me incutiram e que me ajudaram a ser a pessoa que hoje sou.
Estudei sempre na Guarda, onde frequentei diversas escolas; nomeadamente a Escola Primária da Estação, seguindo-se a Escola de Santa Clara e terminei o secundário na Escola da Sé. Posteriormente ingressei no Ensino Superior no Instituto Politécnico da Guarda – Escola Superior de Saúde.
Gosto de ler, ver televisão, ir ao cinema e ir às compras. Não dispenso um cafezinho com os amigos, para pôr a conversa em dia. Adoro viajar e conhecer novas culturas, sabores e tradições.

1 - Quando e onde tiraste o teu curso?
Concluí em 2012 a Licenciatura em Enfermagem na Escola Superior de Saúde da Guarda. 

2 - No momento, qual a tua actividade profissional?
Sou Enfermeira no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), no serviço de Neurocirurgia.

3 - Que expectativas tens a nível profissional?
Pretendo continuar a exercer a minha atividade profissional num hospital central, como é o caso do CHUC, que constitui uma referência nacional e internacional em áreas consideradas como de excelência. É para mim um privilégio fazer parte desta “casa”, uma vez que me permite adquirir um vasto conjunto de competências técnicas, científicas e humanas para prestar cuidados de saúde de qualidade. Por outro lado é um hospital que aposta na formação, ensino, investigação e inovação e como tal é vantajoso para todos os profissionais de saúde.
Gostaria de num futuro próximo, continuar a minha formação para obter o grau de Mestrado e assim especializar-me numa determinada área.

4 - Voltar à Guarda está nos teus horizontes?
Infelizmente, não. A Guarda será sempre a minha cidade, o local onde vivi grande parte da minha vida, onde tenho a minha família e alguns amigos, mas não é o local onde me imagino nos próximos anos! Recordo todos os momentos nela, vivenciados com saudade, pois para além de ser a ser a minha cidade natal é uma cidade bonita, com costumes e tradições… Enfim, tem o seu encanto!
E, sempre que o tempo me permitir regressar, pretendo disfrutar da tranquilidade que ela me oferece junto da minha família.

5 - Como vês a actual situação política no que concerne ao emprego e futuro dos jovens?
Como jovem e como enfermeira, vejo esta situação com especial preocupação. A taxa de desemprego jovem merece uma reflexão acerca das vagas no Ensino Superior e a capacidade de empregar os finalistas de cursos como o caso de Enfermagem. É necessário reajustar a oferta formativa face ao panorama do país, sabendo que em paralelo têm de ser
implementadas medidas que permitam aumentar o número de postos de trabalho das áreas onde há mais desemprego, como é a área da Enfermagem. É estranho pensar que Portugal está a formar excelentes profissionais cobiçados pelo estrangeiros e destinados a "exportar", e continuamos ano após ano sem tomar uma ação neste ponto embora se invistam milhões num sistema de Ensino Público de excelente qualidade. Mas sim, esta é a pergunta de um milhão de euros, não havendo receitas mágicas para resolver este flagelo.

6 - Como vês o futuro da Guarda e do interior como tal?
A Guarda, como a maioria das cidades do interior, sofre do fenómeno generalizado de despovoamento do interior. Não é caso único, segue aliás a tendência das restantes regiões do interior. No entanto, e considerando as cidades vizinhas, este fenómeno está bastante acentuado na cidade da Guarda. Muito pouco emprego, pouco movimento, um centro da cidade assente em serviços públicos (CMG, tribunal, segurança social, finanças), bancas, e o pouco comércio que vai subsistindo. Infelizmente o cenário atual não permite vislumbrar alterações de fundo, pelo que cada vez mais a cidade vai ser ponto de passagem para aqueles filhos da terra que foram para fora e, de vez em quando, regressam para os fins-de-semana, aniversários, natais e afins. Tenho, porém esperança que pequenas mudanças venham a surgir no futuro, por exemplo com projetos empreendedores que vejam na Guarda uma saída para este marasmo em que nos encontramos. Seja com empresas de área tecnológica (assim o IPG consiga formar mais gente e fixar jovens no interior), seja com produtos endógenos, a Guarda tem de ir mais além. Basta ver o exemplo de cientistas e empresários com raízes da Guarda, que conseguiram singrar por esse mundo fora. Sonhar ainda não custa, temos de ser ambiciosos.

7 - Um projecto, uma ideia, um sonho, enfim… uma utopia para Vila Mendo? 
A vida de Vila Mendo passa por aqueles que têm raízes com a terra, os filhos/netos/bisnetos da terra que teimam em voltar e conviver nesta aldeia, revivendo tempos idos com saudade. Para mim em particular é um lugar muito especial, local de reuniões de família, onde nos juntamos e convivemos sempre que podemos também em memória aos que já partiram.
Sabendo que os tempos mudaram radicalmente, e que esta evolução da sociedade e do estilo de vida mata à partida estas pequenas aldeias. O futuro passa por trazer gente de fora para conhecer Vila Mendo, as suas gentes e os seus sabores, os seus tesouros.
Só recorrendo a iniciativa privada poderemos ver algo de novo e de diferente em Vila Mendo no futuro. Apostar em converter antigas quintas em modernos locais de realização de eventos e em simultâneo criar habitações destinadas a turismo rural. Esta é aliás uma das paixões que gostaria de um dia poder realizar. Será por aqui o futuro de Vila Mendo, para além da obrigação que nós jovens temos de manter as tradições que nos ligam desde o berço a esta terra.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Entrevistas

Amanhã, mais uma espécie de entrevista. Desta vez será a Cláudia Gonçalves, jovem enfermeira.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Ciclo de entrevistas- João Gonçalves

Nascido no longínquo ano em que o Estrela Vermelha de Belgrado ganhou a Liga dos Campeões, o João cresceu a sonhar ser arquitecto, astronauta, bombeiro e cientista, não necessariamente por esta ordem. Acabou por estudar gestão e marketing. Hoje trabalha "nos computadores", visto que já há quase 20 anos se cantava que era um emprego com saída. Adora música e cerveja e tudo o que inclua amigos sentados à mesa.

Quando e onde tiraste o teu curso?
O meu percurso académico passa por uma Licenciatura em Gestão e a um Mestrado em Marketing, ambos na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, de Outubro de 2009 a 2 de Setembro de 2015, dia em que apresentei a minha tese de mestrado.

No momento, qual a tua actividade profissional?
Estou empregado desde Janeiro de 2014 numa empresa tecnológica chamada RedLight Software, também em Coimbra. 
Actualmente a minha profissão é aquilo a que hoje se chama, no meu ramo, Project Marketing Manager. Na realidade é só um nome engraçado para um gestor de projecto que assume, paralelamente, funções de marketing. Para além de exercer funções de marketing nalguns projectos que nos são adjudicados, também sou responsável pela comunicação empresarial da RedLight Software.

Que expectativas tens a nível profissional?
Trabalhando na área de software e lidando com tecnologias novas todas os dias, as expectativas que temos e os sonhos que podemos alimentar podem ter escalas impressionantes. Neste momento estou concentrado em fazer com que a RedLight Software seja uma empresa reconhecida a nível nacional para que com isso se sigam mais e melhores clientes. A longo-prazo, sempre tive imensa vontade de criar um produto que possa ser usado por milhões de pessoas diariamente, especialmente ligado a uma área que possa trazer acessibilidade e facilidade na gestão de pequenos negócios. Mas por agora, o foco mantém-se nos clientes da RedLight. Temos desenvolvido um trabalho fantástico no que toca à satisfação dos nossos clientes, e é isso que vamos continuar a trabalhar assim como a nossa imagem. Um passo de cada vez. 

Voltar à Guarda está nos teus horizontes?
Infelizmente não está. Apesar de na minha empresa ser possível trabalhar à distância, o meu cargo implica alguma proximidade com os engenheiros de software que é algo que, estando a 150Km de distância, não se tem. A RedLight já tem escritório em Lisboa e vamos abrir um segundo escritório em Coimbra nos próximos meses. O caminho a seguir aponta para cidades que nos permitam 1) agrupar um conjunto de pessoas empregadas por área geográfica (80% dos empregados da RedLight são de Coimbra) e 2) ser um ponto estratégico para o contacto com mais e melhores clientes. Da perspectiva de uma empresa de software, a Guarda não é uma cidade aliciante. A nível de carreira, tenciono continuar a trabalhar em software pelo que é bem provável que nunca venha a exercer funções na cidade em que cresci, o que me deixa bastante triste. 

Como vês a actual situação política no que concerne ao emprego e futuro dos jovens?
Acho que é importante abordar este tema através de duas ópticas.
A óptica do excesso de formação dos jovens e a óptica da falta de oportunidades de qualidade.
Quanto à primeira óptica, a minha opinião é de que as universidades têm alguma culpa no que toca ao desemprego jovem, especialmente por manterem abertos cursos que já antes da dita "crise financeira" tinham perspectivas muito baixas de empregabilidade. As vagas não são ajustadas nem os cursos são fechados porque as universidades têm um claro interesse económico em fazer com que haja um máximo de alunos inscritos por ano. É portanto, lógico, que passados 3, 4, 5 ou 6 anos depois, estes alunos de cursos menos procurados fiquem sem emprego ou não arranjem nada na sua área porque, lá está, a área nem quando estava de boa saúde procurava pessoas novas.
No que toca à segunda óptica, esta afecta essencialmente as pessoas que, depois de terminarem o curso, encontram oportunidades para si mas não exactamente aquelas que procuravam. Falo de, por exemplo, empresas que pretendem ter um jovem com mestrado nos seus quadros mas com um vencimento de apenas €500; empresas antiquadas; empresas com aversão à inovação ou empresas que não tenham perspectivas de crescimento.
É devido a esta segunda óptica que tenho imensos amigos que emigraram. Londres e Amsterdão são as cidades pelas quais eles optam. Lá existe uma escala diferente no que toca a oportunidades e mais importante que isso, lá valorizam as pessoas. Enquanto as empresas portuguesas não começarem a dar valor aos jovens é difícil manter pessoas cá. O site ganhemvergonha.pt, conhecido por denunciar casos de estágios mal pagos ou sem remuneração de todo, continua a crescer todos os dias. 
No geral, o emprego jovem não está com boa cara em Portugal. E o problema está no distanciamento das instituições de ensino relativamente às necessidades de mercado e o próprio mercado que, generalizadamente, procura soluções ad-hoc só para poupar uns trocos.

Como vês o futuro da Guarda e do interior como tal?
A Guarda é uma cidade belíssima que têm uma posição geográfica muito interessante. A nível económico, gostava que a Guarda tivesse um papel mais importante no que toca à distribuição internacional sendo uma porta do nosso país e um ponto centralizado de acesso. No que toca ao resto do contexto do interior, vale sempre a pena reforçar a ideia de que temos todo um conjunto de características especificas para a agricultura que nem todas as zonas têm. E por isso, vejo o interior a ser uma zona dedicada a fazer crescer produtos com qualidade em vez de fazer crescer produtos em quantidade. Além do mais, a dedicação à agricultura em áreas que correm perigo de desertificação é chave para que a economia tenha espaço para crescer e para que todos os terrenos tenham um propósito e não fiquem ao abandono. 

Um projecto, uma ideia, um sonho, enfim… uma utopia para Vila Mendo? 
Uma das razões pelas quais mais gosto de vir a Vila Mendo agora que estou a trabalhar em Coimbra é para descansar e sentir o ambiente mais calmo do campo. E por isto mesmo, para Vila Mendo prevejo um futuro dedicado ao turismo rural. Infelizmente, é natural que haja cada vez mais casas a ficar vazias e é normal que a pouco e pouco, as pessoas se vão deslocando para a Guarda e até para cidades mais distantes. Mas não podemos deixar que tudo se perca, e uma maneira de reabilitar as edificações de Vila Mendo é dando-lhes um novo propósito e um novo futuro. 
Vila Mendo tem um alma que revitaliza qualquer pessoa. Podemos partilhá-la com quem a quiser conhecer.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Entrevista

Sexta-feira,o próximo entrevistado é o João Gonçalves, natural de Vila Mendo, que entrou no mundo do trabalho há relativamente pouco tempo.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Ciclo de entrevistas- Inês Costa

O meu nome é Inês Gonçalves Costa, filha de Mariana Costa e Luís Costa e neta de José Gonçalves, Lídia Engrácia Corte, Joaquim Costa e Lurdes Costa. Não menos importante, sou irmã de Rodrigo Costa e prima e sobrinha de todo um conjunto de outras personalidades, bem conhecidas em Vila Mendo.
Tenho 22 anos, nasci a 30 de Março de 1994, no Hospital Sousa Martins, na Guarda e sou natural de Vila Fernando.
Fiz o ensino primário na EB1 de Santa Zita e terminei o 12º ano na Escola Secundária da Sé, passando entretanto pela Escola de Santa Clara, onde fiz o 5º e 6º anos. Actualmente frequento a Universidade de Coimbra, onde estudo Direito.
De entre as coisas que mais gosto de fazer encontra-se a leitura. De momento estou a ler “A Luz em Agosto” de William Faulkner. Outros livros que fazem parte da minha, pequena mas estimada, colecção são “O Grande Gatsby” de F. Scott Fitzgerald e, um dos meu preferidos, “Cem Anos de Solidão” de Gabriel García Márquez.
Aliado a este gosto pela leitura, surge o gosto pela música e pelo cinema.
De entre os artistas musicais que mais ouço, de momento, estão The Kills, Joy Division, The Cure, King Krule… Em português ouço António Variações, Salto e Capitão Fausto (e muitos outros).
No que toca ao cinema, nutro um grande fascínio por este mundo. Alguns dos filmes que me são mais queridos são: “A Viagem de Chihiro”, “Amélie” e “Frank”.
O convívio com familiares e amigos também é essencial na minha vida. Não há nada como um bom almoço de família (daqueles mesmo barulhentos!) ou uma ida ao café, com os amigos, para me deixar feliz.
Para me manter em forma, ou, pelo menos tentar, gosto de nadar, modalidade que, além dos benefícios para a minha saúde, também me ajuda a descontrair.

Que motivos levaram à escolha do curso que frequentas?

A escolha do meu curso foi, sem dúvida, um percurso peculiar. Apesar de, durante a maior parte da minha curta vida querer seguir Medicina Veterinária, a ideia do Direito surgiu-me por volta do 10º ano e foi florescendo, acabando por ser o caminho que decidi seguir.
Penso que o motivo principal que me levou a escolher este curso foi o meu sentido de justiça social, a ideia de poder ajudar o mundo, pelo menos naquilo que me fosse possível. Nesse sentido, acho que a área de Direito é uma óptima ferramenta para o tentar.
Além disso, a ideia de que o Direito está ligado a muitas das áreas do nosso dia-a-dia, sem sequer nos apercebermos é muito curiosa e interessante. E é esse um dos outros motivos, tentar compreender os mecanismos que fazem com que a sociedade em que vivemos seja funcional.
Gosto também da amplitude de saídas profissionais que este curso proporciona.
Por fim, penso que a minha personalidade analítica e racional são boas ferramentas para este campo.

Como é o ambiente,  como são as dinâmicas da cidade onde estudas comparativamente com a Guarda?

Coimbra é uma cidade que vive muito ligada à Universidade e aos seus estudantes. Essa relação entre cidade e academia faz com que a primeira seja muito jovem e dinâmica. Há sempre diversas actividades em que se pode participar, podendo estas estar, ou não, relacionadas com a vida académica. É ainda uma cidade muito ligada à sua História e consegue usar isso em seu proveito.
A nossa Guarda é, em comparação, mais “madura” e tranquila. 

Que expectativas tens no términus do curso?

No fim da minha Licenciatura tenciono continuar os meus estudos em Coimbra, ingressando num Mestrado ligado ao Direito. 

Voltar à Guarda está nos teus horizontes? Porquê?
Num mundo perfeito, voltar à Guarda faria parte do meu futuro. É uma cidade muito agradável para se viver, sem o stress das grandes metrópoles. E claro, o facto de a maioria da minha família viver lá é também um factor muito importante. Além disso, é a minha cidade! Os laços emocionais e familiares são sempre fundamentais.
Mas o Futuro é imprevisível e terei que me adaptar àquilo que ele me reserva.

O que gostarias de ver concretizado em Vila Mendo?

Eu penso que Vila Mendo, apesar de ser, à primeira vista, uma aldeia muito envelhecida, tem uma alma muito jovem! 
Julgo que o maior problema da nossa bela aldeia é a falta de água potável nas habitações, o que nos leva a grandes constrangimentos, principalmente no inverno, quando as idas ao chafariz são muito desagradáveis, devido ao clima rigoroso da nossa região.

Uma mensagem aos jovens de Vila Mendo e aos Vilamendenses em geral.

Aos Vilamendenses deixo palavras que, apesar de poderem soar a clichê, não deixam de ser verdadeiras: que continuemos a ser a população unida que somos e a fazer tudo o que possamos para não deixar morrer a aldeia! E, em especial aos mais jovens, que com as competências e habilidades de cada um de nós, tentemos dar a Vila Mendo um futuro radioso, seguindo as pisadas dos que vieram antes de nós. Continuemos a amar Vila Mendo!

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Entrevista

A primeira espécie de entrevista, amanhã. Inês Costa será a primeira jovem a conhecermos melhor. Bem-haja por ter aceite este pequeno desiderato.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Ciclo de Entrevistas

Brevemente, vamos começar a publicar uma série de "entrevistas" a pessoas de diferentes áreas, de diferentes actividades, de diferentes idades, de diferentes origens... Começaremos pela juventude de Vila Mendo, mais especificamente aqueles que estão no ensino superior. 
Será o denominado "Ciclo de Entrevistas"; por norma curtas.