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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

"Ode"... ao Chichorro


Aqueles que sentem o teu odor

e vislumbram os teus traços,

únicos,

inconfundíveis

e tocam a tua carne,

suave e macia,

são deveras afortunados.


Tantos te querem,

poucos te têm.


Sentidos inebriados

só de em ti pensarmos,

agudizas os instintos primordiais

numa luta interior quase que exangue.

Queremos-te… agora.


Condói ouvir o crepitar da tua voz melodiosa.

Condói perceber o deleite do teu sabor.

Condói olhar-te, perceber o teu calor

e não te possuir.


Anunciar o teu nome

é quase pecado, Deus meu,

mas balbuciá-lo-emos

baixinho,

devagarinho

na esperança de nos unirmos

visceralmente

na eternidade do tempo sem tempo. 


Benqueremos-te, Chichorro.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

"Guarda"- poema

por Berta Carreira
Saudade
Forte
das minhas gentes
que são minhas
e de outros entes

Distante
mas não ausente
da minha terra
Farta
que é de toda a gente

Gente da beira Fria
resiliência na eira:
do ar puro da lameira
da comida caseira
do granito duro e resistente

Guarda do viver
com agrado
em harmonia
com o vizinho
Fiel amigo
Guarda do nascer
e do crescer,
levemente,
como a neve
Formosa.

Guarda do queijo
que se esquece na mesa
numa abundância de sabores
e saberes
partilhados com quem chegar.

Oh, gente tão gente,
que cuida
incansavelmente.
Guarda que resguarda
a essência
e que drauga
a correria do viver
e do ter e
do não Ser.

A Guarda do tempo
que dura
a Guarda dos gestos e manifestos
dos amigos e da família
cristal.

A Guarda da lareira no inverno
na aldeia
esculpida está
no meu coração:
sou Guarda da Ribeira até à Foz,
Guardada serei onde quer que vá.