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sexta-feira, 17 de março de 2017

Capeia Arraiana- José Carlos Lages

José Carlos Lages- Natural do Sabugal é Professor universitário e Jornalista. É administrador do blogue "Capeia Arraiana". Tem desenvolvido a sua actividade na área dos conteúdos online: Gestor de portal online, criação de páginas para internet, acessor de comunicação e imagem, fotocompositor e paginador, entre outras coisas. É director do jornal mensuário "Sabugal", chefe de redacção da revista "Media XXI" e faz serviço voluntário na Força Aérea. Confrade-fundador e vice-chanceler da Confraria do Bucho Raiano, sócio fundador na Associação dos Amigos de Ruivós e sócio da Casa do Concelho do Sabugal em Lisboa.

É um defensor e apaixonado das tradições, dos costumes e das gentes da zona Arraiana, valorizando-as e promovendo-as. Teremos todo o gosto, de um dia, o receber em Vila Mendo.

Capeia Arraiana – a importância da tradição como valorização, promoção e desenvolvimento das comunidades raianas de Riba-Côa

 O concelho do Sabugal, no distrito da Guarda, tem uma área de 822,70 km2 (muito aproximada à ilha da da Madeira) e regista «apenas» 12 mil habitantes residentes. No mês de Agosto as persianas das «maisons» dos emigrantes abrem-se para ver passar a procissão do santo padroeiro da aldeia e a população triplica com um palavreado onde se misturam - e muito - as expressões francesas com o sotaque beirão raiano. O cartão de visita do Sabugal apresenta valiosos patrimónios históricos, gastronómicos e culturais unidos por tradições como a Capeia Arraiana que personifica a alma da identidade raiana dos sabugalenses.

O rio Côa nasce na Serra das Mesas, freguesia raiana dos Fóios e saltita cristalino e gelado transpondo seixos e barrocos através da Serra da Malcata fazendo uma breve pernoita na barragem do Sabugal antes de seguir viagem para Norte em direcção ao Douro e, por influência do homem, para terras da Cova da Beira.
No seu curso natural de 135 quilómetros alimenta a criação de trutas no viveiro de Quadrazais, dá um «estejas com Deus» ao castelo dionisino das cinco quinas do Sabugal que lhe responde – Vai com Deus! - e segue determinado em direcção a Vila Nova de Foz Côa. Para trás deixa belas praias fluviais naturais nos Fóios, Quadrazais, Sabugal, Rapoula do Côa, Vale das Éguas e Badamalos que têm vindo a cativar cada vez mais utentes nos quentes e secos meses do Verão.
O Côa tem um irmão gémeo – o rio Águeda – que também nasce na serra das Mesas do lado espanhol mas entendeu passear-se por terras de Castilla em direcção a Ciudad Rodrigo. A elevação rochosa por onde passa a linha de fronteira é protagonista estratégica única à escala da religião mundial. Em determinado local, perfeitamente identificado, sentavam-se à mesa quatro bispos – Lamego, Ciudad Rodrigo, Cória e Guarda – sem que nenhum saísse da sua diocese. Uma particularidade que mereceu em tempos um estudo e projecto de capela pelo autarca José Manuel Campos dos Fóios.
O território onde correm estes dois rios designa-se Riba-Côa e integra os concelhos do Sabugal, Almeida, Figueira de Castelo Rodrigo, Pinhel e Vila Nova de Foz Côa com um riquíssimo património histórico edificado onde se destacam os cinco castelos sabugalenses – das cinco quinas na vila sede de concelho, em Alfaiates, em Vilar Maior, em Vila do Touro e a aldeia histórica de Sortelha – os de Castelo Bom, Castelo Melhor, Castelo Mendo, Castelo Rodrigo, Monforte, Pinhel, a fortaleza amuralhada de Almeida e muitos pelourinhos que ficaram para nos lembrar a importância de algumas povoações agora praticamente desumanizadas.
Os sabugalenses, povo contrabandista e emigrante - sempre estiveram mais virados para Espanha do que para Lisboa. Como escreveu um dia o filósofo e pensador quadrazenho Pinharanda Gomes: «Não temos pruridos separatistas mas somos e sabemos que somos uma região, mesmo ignorada pela pertinaz ignorância das administrações centrais de Portugal. Somos uma região.»
O rei D. Dinis foi fundamental para Portugal e, em especial, para a região raiana de Riba-Côa. Após o Tratado de Alcanices, assinado a 12 de Setembro de 1279, entre os soberanos de Portugal, D. Dinis e de Leão e Castela, Fernando IV, o rio Côa deixou de fazer a fronteira entre os dois reinados e os marcos avançaram para Leste para as delimitações onde ainda hoje se encontram. Também por isso os sabugalenses das terras frias (entre o rio e a actual fronteira) dizem que o seu primeiro rei português foi... D. Dinis.
O Côa une e divide o concelho sabugalense em dois territórios com características climáticas muito diversas. Do lado de Sortelha as temperaturas das «Terras Quentes» são mais amenas e permitem culturas como, por exemplo, o azeite de muita qualidade. Do lado da Raia as principais culturas são resistentes à neve e às geadas que chegam cedo e «abalam» tarde.
Mas, o principal elemento diferenciador é, de facto, a Capeia Arraiana, que traduz de forma absorvente a identidade da alma do sabugalense raiano.
Desde a primeira Capeia do ano, em Aldeia Velha, com o pessoal a aquecer-se à volta das fogueiras que sobraram da passagem de ano tudo é motivo para a fiesta. O Entrudo, o domingo gordo, a Páscoa, o Santo António, o São João ou o São Pedro dão o mote para justificar o cartaz ou o alerta no final da missa domingueira.
O mês de Agosto carrega sempre o secreto apelo do regresso às origens para os que estão longe. No concelho do Sabugal faz povoar as aldeias, abrir as persianas, lotar os bancos das igrejas e encher os lugares públicos com um estranho mas familiar linguajar mesclado aqui e ali de expressões e palavras de origem francesa. Mas, para muitos dos sabugalenses é o tempo da mãe de todas as touradas – a Capeia Arraiana – espectáculo único que andou escondido esotericamente nas praças das nossas aldeias e que, agora, de há uns anos para cá parece ter perdido a vergonha e tudo faz para se dar a conhecer ao mundo. A tradição manda que as touradas com forcão, precedidas de encerro, se iniciem na Lageosa no dia 6 de Agosto e terminem em Aldeia Velha no dia 25. E que se oiça bem alto o grito: «Agarráááio»
Pelo meio dezenas de capeias, diurnas e nocturnas, encerros, desencerros, animam as férias dos que voltam todos os anos de propósito de Lisboa, de França, da Suíça ou do Luxemburgo. E, também por isso, se diz pela Raia que «onde há cornos há gente».
É a fiesta da Raia, é a fiesta dos raianos, da alma raiana. O climáx tem lugar na mãe de todas as Capeias no Festival «Ó Forcão Rapazes» realizado anualmente e de forma alternada nas praças de Aldeia da Ponte e do Soito. Nesse dia reúnem-se as equipas de Alfaiates, Aldeia do Bispo, Aldeia da Ponte, Aldeia Velha, Fóios, Forcalhos, Lageosa da Raia, Ozendo e Soito lidando com bravura pessoal e colectiva e à vez um touro sorteado ao som do apoio das respectivas claques de apoio.
Um dos mais lidos escritores raianos, Joaquim Manuel Correia, no seu livro «Memórias do Concelho do Sabugal» publicado no início do século passado diz que a coragem dos rapazes das aldeias media-se pela sua participação e valentia a agarrar ao Forcão. «Os rapazes não arranjavam namorada se não se metessem nos touros e aí daquele que se recusasse, que era homem desprezado pelas moças».
Mas... Forcão? O que é isso do forcão?
Sem forcão não há Capeia Arraiana. É esse arranjo de madeira com galhas atadas em forma de triângulo que faz toda a diferença. É uma estrutura triangular com três grossas galhas colocadas e atadas em forma de forquilha. A galha do meio divido o forcão em duas partes iguais e prolonga-se na traseira para permitir o leme ou rabiche, zona de comando onde agarram os rabejadores ou rabicheiros. O Forcão pode pesar 20 arrobas e é manejado em praça por cerca de 30 rapazes.
O historiador Adérito Tavares no seu livro «Capeia Arraiana» diz-nos que o termo pode derivar do francês «fourchette» e que «as capeias foram surgindo primeiro com uma ou duas vacas bravas que eram roubadas do lado de lá da Raia e depois com vacas emprestadas para pagar o prejuízo aos agricultores que viam as suas culturas dizimadas pelos animais espanhóis».
A Casa do Concelho do Sabugal, em Lisboa, organiza anualmente a festa dos sabugalenses na Capital. A primeira teve lugar no Campo Pequeno a 4 de Junho de 1978 e foi nesse tempo explicada assim pelos organizadores: «O nome Capeia Arraiana que demos à tourada no Campo Pequeno resultou de assim serem chamadas as touradas características das aldeias fronteiriças do nosso concelho. O termo caracteriza uma tourada em praça improvisada. Não foi concretamente o caso, mas o facto de termos trazido o Forcão conjuntamente com a realização do chamado Passeio dos Rapazes foi o bastante para que o termo se afigurasse ajustado.»
António Cabanas (texto) e Joaquim Tomé Tutatux (fotografia) publicaram recentemente um livro que tem um título sugestivo: «Forcão – Capeia Arraiana» Na página 201 pode ler-se: «Ó Forcão Rapazes! Dia de Capeia! Que excitação, que alegria no rosto e nos olhos! É como uma febre benigna que até os doentes revigora. A terra está cheia de gente, parentes e amigos que chegam de todo o país, e da França, da Alemanha, da Suíça, do Canadá e da América... Onde haja emigrante raiano, sempre se arranja as vacanças para Agosto e ele aí vem! É o apelo da Capeia, maleita para a qual não há vacina. Faz um gostinho à alma e mata saudades da família. Dois coelhos duma só cajadada...» ou ainda «A Capeia Arraiana não é uma tauromaquia qualquer. Como uma espécie de religião em que se acredita, não basta assistir, é preciso participar, ir ao encerro, comer a bucha, beber uns goles da borratcha e voltar com os touros, subir para as calampeiras, ser mordomo, ser crítico tauromáquico, discutir a qualidade dos bitchos da lide ou, simplesmente, ser fotógrafo da corrida que não deixa ninguém indiferente, corre na massa do sangue, provoca um nervoso miudinho, levanta os pêlos do peito, atarracha a garganta e perturba o sono. É um desassossego colectivo que comove.»
Bastas vezes ouvi autarcas dos municípios em redor comentar que as Capeias são uma «desculpa» para que os emigrantes voltem ano após ano e que «só era pena nas suas terras não terem um fenómeno com esta grandeza». Assim é de facto. A Raia sabugalense tem uma tradição que mexe e remexe com a vida das populações locais. Que se mantenha viva pela eternidade.

Confraria do Bucho Raiano
Outro dos factores que tem contribuído para a importância das tradições como valorização, promoção e desenvolvimento dos sabugalenses é a Confraria do Bucho Raiano que realiza anualmente um almoço no Entrudo para recordar as antigas reuniões familiares onde o bucho vinha à mesa acompanhado de batatas cozidas e grelos para festejar o Domingo Gordo antes do período de abstinência da Quaresma. O recordar desta tradição gastronómica tem aumento de ano para ano o número de participantes, bem como o número de confrarias gastronómicas de todo o País.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Festa do Chichorro- por Tiago Gonçalves

Ainda na ressaca do Festa do Chichorro, publicamos o artigo que o Tiago Gonçalves escreveu, na pretérita semana,  no jornal Terras da Beira, na coluna "A Frio e a Quente", sobre isso mesmo.

Festa do Chichorro
Este espaço é dado a estados de alma. Uns saem para a escrita a frio e após longa ponderação e outros a quente, uma escrita mais próxima do coração. O de hoje sai com a assumida emoção de quem escreve sobre as suas raízes profundas e com o profundo orgulho de quem procura contribuir, ano após ano, para que as mais ancestrais tradições gastronómicas das nossas aldeias não sejam votadas ao esquecimento.
O Chichorro, conhecido em muitas outras paragens como torresmo, não é um alimento da moda nem tem como se encaixar em nenhuma nouvelle cuisine nem como aspirar a conseguir a denominação de gourmet. Não é light, nem fit, nem diet. E essa é a suprema preocupação do chichorro pois não pertence à categoria dos alimentos procurados nesta era moderna!
Mas o chichorro é nosso, é genuíno, é puro e rural. Como o são os enchidos com a Morcela da Guarda à cabeça. E correm todos risco de desaparecimento se seguirmos à risca os ditames do politicamente correto por não estarem em concordância com os cânones modernos que olham para estes produtos como nocivos. 
Desde tempos imemoriais que o porco assumiu um papel primordial nas comunidades rurais, sobretudo pelo relevo que tinha na alimentação e sobrevivência das famílias. Devido às parcas condições económicas o aproveitamento do porco tinha que ser feito com parcimónia e preocupação de que nada fosse deixado ao acaso. E assim surgiram produtos e petiscos de fazer crescer água na boca e que muitos dos que lêem este texto certamente se recordam.
No que ao chichorro diz respeito havia duas qualidades: o do coiro, que era constituído, basicamente, pela carne entremeada cortada em pequenos pedaços e o do “redanho” apenas constituído pela gordura existente nas massas gordas do animal.
A sua confeção era simples. A carne era introduzida em panelas de ferro diferentes e aí frita na própria gordura que libertava. Apenas era acrescentado sal grosso a fim de realçar o seu sabor. Depois de confecionados, eram então espremidos para que o excesso de gordura fosse libertado. Depois de arrefecerem os chichorros eram finalmente comidos com uma fatia de bom pão centeio acompanhada de um melhor copo de vinho tinto.
É esta forma simples, genuína e assumidamente rural que de há alguns anos a esta parte temos procurado recuperar na aldeia de Vila Mendo. E por isso, uma vez mais, no próximo sábado a tradição estará viva com o reviver de toda a gastronomia associada à matança. Desde a prova dos miúdos antes de almoço, à fritura do chichorro durante a tarde, passando pela “miga” (composta de pão, sangue, azeite e alho) os sabores ancestrais que cresceram com muitos de nós estarão à mesa sendo por alguns momentos enaltecidos como merecem. 
É também uma oportunidade de recordarmos os nossos antepassados, a festa que faziam nestes dias, a abastança que por um dia festejavam e que fazia esquecer as agruras e dificuldades dos outros dias. É tempo de recordar e sobretudo de impedir que caia no esquecimento o que nos trouxe até aqui.
                                                                                           Tiago Gonçalves

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Escola

Começou mais um ano lectivo na Guarda e nota-se um frenesim inusitado na cidade. Os pais mais ansiosos que os filhos; os alunos menos preocupados que os professores; e os professores... não se sabe bem...
Infelizmente em Vila Mendo, a escola fechou há 11 anos e, provavelmente ( a esperança é mesmo uma virtude!), nunca mais abrirá como tal... e "uma infinita tristeza, uma funda turbação" assola todo o nosso ser...

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Fonte do Regato

A Junta de Freguesia fez umas obras de beneficiação da Fonte do Regato. Uma coisa simples, mas que confere, sem dúvida, uma outra dignidade àquele espaço. 
Algo simples também, era retirar aquele tubo que liga o chafariz aos tanques. Tão mal que lá fica... Pequenas coisas, mas que ajudam a tornar as coisas e os espaços mais aprazíveis.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

A Festa de Vila Mendo- por Telmo Conde

A festa de Vila Mendo...
Ano após ano a desertificação do interior, dos meios rurais, é cada vez mais acentuada, com o envelhecimento da população e a não "procriação".
Em Vila Mendo, como em milhares de aldeias portuguesas, acontece no mês de Agosto a famosa festa religiosa.
 Sob "alçada" do Santo André, o nosso padroeiro, uma vez por ano os andores desfilam pelas ruas e ruelas de Vila Mendo com saída e chegada à capela após a celebração da missa. Normalmente a assiduidade eucarística é elevada nas bancadas exteriores , onde se revivem memórias de outros tempos, de outras festas, ou até da última noite, onde se fazem apostas acerca de quem serão os próximos mordomos. Há uma selecção natural das famílias que normalmente se encarregam de preparar e carregar o andor na hora da procissão, contudo, por motivos alheios há sempre convocados de última hora!
Há décadas também que se disputa o "derby da balsa" cujo resultado é coincidentemente sempre a favor da equipa que o árbitro apoia.
Noutros tempos o estádio que recebia esta disputa, lameiro do regato, era preparado pelos mais novos ( eu, Tiago, Filipe, César...) com o fabrico "in-loco" das balizas com as devidas dimensões, uma bancada natural em pedra com a enorme sombra da única  árvore presente. Hoje os tempos são outros ( os atletas continuam os mesmos) mas, por mérito e insistência da nossa ACR temos um campo de futebol, que anualmente recebe as estrelas.
Atualmente, e porque em Vila Mendo gostamos de inovar, foi introduzida uma atividade lúdica denominada de jantar de Curso que se realiza na sexta-feira. A este jantar afluem apenas homens, uma vez que as senhoras estão a esta hora, atarefadas com os últimos preparativos. Começámos por jantar em restaurantes num raio de distância  não muito extenso, atualmente, e porque a lotação esgota, o mesmo é feito no largo da festa ( largo da escola) havendo dois elementos da ACR responsáveis pela organização de toda a logística. Recordo um desses jantares em particular... fomos ao Tamar ( restaurante no barracão) e à chegada a Vila Mendo, na zona dos tanques subimos para o reboque do trator do Zé e entramos no largo de trator com direito a um forte aplauso para regozijo de todos... e em especial para o nosso querido Michel* que nesse dia celebrava mais um aniversário.
Muitos momentos únicos, insólitos, peculiares, irrepetíveis já vivemos em Vila Mendo com uma intensidade que não consigo descrever-vos... uma irmandade e união ímpares.
Tal como nas outras aldeias/freguesias do Mundo, também aqui na nossa, há quezílias, intrigas, invejas doentias que em nada abonam a favor do associativismo. Tudo faremos para continuar a alimentar estas relações e que no futuro, as gerações vindouras tenham capacidade de extinguir estas pequenas arestas, que em nós são motivo de maior empenho.
Viva Vila Mendo.
                                                                                                               Telmo Conde

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Pequenas notas soltas- Espírito Olímpico

Os Jogos Olímpicos têm qualquer coisa de mágico, por tudo o que encerram em si mesmos, pelos valores e simbolismo que transmitem e que exaltam as (melhores) capacidades e virtudes do ser humano como tal, que nos levam a acompanhar a par e passo as suas incidências. Quase sem darmos por isso, damos por nós a vermos um combate de Judo, uma prova de Tiro ou de Canoagem, uma competição de Ginástica ou de Natação, uma partida de Ténis de Mesa... mesmo que não haja portugueses envolvidos. A maioria, provavelmente,  e fora deste contexto, jamais vê alguma prova deste  tipo (até porque o espaço mediático está "intoxicado" com o futebol e suas estórias paralelas), o que não deixa de ser surpreendente; só aqui damos atenção a estas e outras modalidades e conferimos valor aos atletas e treinadores que passam quatro anos na penumbra para aqui demonstrarem os feitos que o Homem é capaz.
Depois do Tour de França, da Volta a Portugal (e até do próprio europeu de futebol) com certeza estaremos mais bem preparados para suportarmos as demandas e os dislates que os senhores de futebol nos teimam em brindar ( personificados nas guerras constantes fomentadas pelo Sporting e seu presidente). 
Jogos Olímpicos de dois em dois anos? Assinava já.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Encontro(s) Motard- por Telmo Conde

Para muitos este evento começou por ser uma utopia! Condenado ao fracasso....para mim, para a Associação, e para muitos dos que estão a ler, não!
Agradeço desde já aos elementos da ACR (que me permitem) que daqui a 20 dias comece já a planear o XIII Encontro. Obrigado!
A responsabilidade aumenta, falo, ou melhor escrevo, em nome de 50 ou 60 pessoas.... os naturais e residentes nesta humilde aldeia! Sim, são estes que têm o dom e a sabedoria de receber, acolher e dar! Não é porque Vila Mendo é o centro do mundo, ou porque tem muitas motos, ou porque é bem pavimentada que, ano após ano, melhora e cresce, mas sim porque é especial, e em Maio, pelo menos, a romaria acontece... A arte de bem receber, tratar e cuidar é, a meu ver, o fator primordial para que o XIII Encontro Motard tenha lugar em Vila Mendo! Comparo sempre com o ano anterior, e apercebo-me que há sempre mudanças... E surge nesta fase uma questão pertinente... até quando ??!! Sim, esta questão merece toda a atenção e teima em pairar no ar... Há, por aqui, alguns elementos das camadas jovens que juram a pés juntos que gostam de motos... Não duvido...mas gostar só, não chega! Sacrifício, associativismo, camaradagem, partilha são coordenadas que nos trazem de pé e assim traçam o destino desta atividade promovida pela Associação Vila Mendo! Criticar é fácil, fazer nem por isso; errar é para alguns, os que fazem! O texto vai longo, mas muito curto para vos poder transmitir o que de facto é sentir e acima de tudo respeitar Vila Mendo e todos aqueles que, ano após ano, voltam... insistem e fazem história!
Em prol da Amizade prometemos voltar em 2017.
Boas curvas e nunca se esqueçam.
Máxima Liberdade. Máxima Responsabilidade.
                                                                                    Telmo Conde

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Opiniões- por Tiago Gonçalves

(Artigo publicado no jornal Terras da Beira da pretérita semana)

Notas sobre os resultados das Eleições

Realizadas as eleições e (quase) terminado o apuramento dos resultados finais existem um conjunto de notas e ilações a retirar dos atos eleitorais. Ilações que dizem respeito aos resultados, à mensagem que os eleitores deram e ao futuro que nos espera. É sobre a interpretação destas 3 questões que me tenciono pronunciar.
1 – Entre os vitoriosos da noite de 4 de Outubro destaque para a coligação Portugal à Frente que venceu as eleições de forma clara apesar de todas as dificuldades que o país viveu ao longo dos últimos anos. Foi o primeiro caso de vitória de uma coligação que apoiou o Governo em funções no período de assistência financeira o que não deixa de merecer elevada nota de destaque. O Bloco de Esquerda teve uma subida incrível. Outro partido dado como morto teve o seu momento de glória pela mão de um conjunto de mulheres que parecem querer e poder atingir um estatuto próximo do anterior líder Francisco Louça. Refiro-me especialmente a Catarina Martins (enorme prestação durante a campanha) e a Mariana Mortágua (excelente prestação na Comissão de Inquérito ao BES). O PAN é o novo partido representado no Parlamento. Conseguiu o salto que é tão difícil de dar para os pequenos partidos e terá agora uma grande responsabilidade. Veremos se está à altura.
O grande derrotado da eleição é o Partido Socialista e, muito pessoalmente, o seu Secretário Geral António Costa. Chegou ao poder imbuído da missão de conseguir para o PS uma enorme vitória por oposição à “vitória de pirro” do seu antecessor nas Europeias. Fruto de uma conjunto de erros inenarráveis consegue uma verdadeira proeza que é perder as eleições contra uma coligação que suportou um dos Governos mais desgastados da história democrática. Não lhe resta outra saída que não o abandono da liderança (até pela forma como a atingiu) só faltando saber quando se efetivará. A CDU julgava ter conseguido mobilizar o descontentamento para si contando com um PS errático e um BE quase morto. A desvalorização do papel do BE revelou-se um tiro pela culatra e a CDU ficou num resultado abaixo do esperado. Por fim, o Livre e o PDR são outros dos grandes derrotados pois, apesar de terem tido bastante espaço mediático e terem conseguido comunicar com os eleitores as suas propostas, ficaram fora do Parlamento.
2 – A mensagem dos eleitores é simples: não querem Governos de maioria absoluta, querem um travão à governação sempre que necessário, desejam consensos e diálogo, rejeitam a crispação do ambiente político.
São marcas da nossa tradição política. Habituámo-nos a governos de maioria absoluta quase parecendo que a inexistência de maioria absoluta é, por si só, um convite à instabilidade governativa. É claro que os governos ficam mais vulneráveis mas tal não tem, necessariamente, que originar problemas ao país. Haverá que encontrar soluções no quadro parlamentar que garantam essa estabilidade. O PS terá que perceber que foi escolhido não para governar mas para limitar a ação da governação. É por isso importante que, como já se disse, trace as suas linhas vermelhas; mas tem também que se convencer que não foram as suas propostas aquelas que mereceram o voto maioritário dos portugueses.
3 – O futuro próximo irá exigir de todos os atores políticos elevado sentido de responsabilidade e grande capacidade de negociação. Como já uma vez escrevi nesta coluna “A política é a arte do possível” e talvez hoje seja um bom dia para recuperar essa afirmação. 
A constituição do futuro Governo (onde se espera que imperem figuras mais políticas que técnicas e abertura a independentes em algumas pastas) e a votação para Presidente da Assembleia da República serão os primeiros momentos aos quais deveremos estar atentos para saber com que poderemos contar. 
Já em breve inicia-se outra campanha, desta vez para a Presidência da República, que neste contexto de fragmentação da Assembleia da República ganha maior importância. O Presidente da República que saia dessas eleições pode e deve ter um papel fundamental na promoção de consensos em relação a matérias essenciais da vida do país. Se o conseguir será certamente um dos mais bem sucedidos no cargo da nossa história.
                                                                                             Tiago Gonçalves

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Opiniões

Recebi um comentário do Odarley Pereira que passo a transcrever em baixo. Gostaria contudo que ele me enviasse o seu email para o poder contactar. Odarley, quando visitar o blogue, dê-me o seu contacto. Abraço.

"Sou Odarley Pereira, estive nessa aldeia, numa actividade recreativa. Hoje estou na minha terra (Cabo Verde) e acordei hoje lembrando daquele dia. Vim a net vasculhar um pouco sobre a região quando deparei com essas fotos. É um lugar muito bonito, acolhedor... De todo coração desejo muita saúde e alegria a todas pessoas da vila"

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Pequenas notas... soltas- A Grécia

A Grécia está num dilema quase que existencial: ou aceita (como parece) as condições dos países (amigos!) e vai sofrer muito, ou não aceita e vai sofrer… muito. Portanto a alternativa ao sofrimento é… o sofrimento.
Questões técnicas à parte, o que está em causa é o modelo civilizacional de uma Europa com princípios e valores comuns. Lenta e paulatinamente, apercebemo-nos que a União Europeia é uma construção artificial ancorada em alguns princípios económicos e pouco mais. A Política e a visão estratégica de uma Europa forte, unida, solidária, portadora de transmissora de valores para o mundo estão completamente subalternizadas à simples (mas complexa) Economia, de uma forma pura e dura. É o primado da economia que, paradoxalmente, se vai anular e definhar com o tipo de ajuda que se vai “dar” à Grécia. Pela terceira vez, se vai impor a mesma receita para o mesmo mal e, pela terceira vez, já sabemos como vai acabar esta situação.
Esta ajuda, pelo que se vai sabendo, vai servir para pagar os juros da dívida anterior aumentando a própria dívida. Ora se não há investimento e consequente criação de riqueza como é que os gregos vão pagar essa mesma dívida? Não vão! Não podem! Não conseguem! Ora se os líderes europeus sabem, melhor do que ninguém isto, porquê continuar a batalhar e a insistir nas mesmas medidas? Provavelmente, porque não querem a Grécia no euro, para não dizer na União. E isto é grave; isto será o esfrangalhar do Projecto Europeu e a volta aos nacionalismos exacerbados que, ao longo da história, têm dilacerado e levado a Europa a um sem número de conflitos. Se a Grécia sai empurrada, preparemo-nos, Portugal será o próximo da lista…
Apesar de tudo isto, a Grécia tem grandíssimas responsabilidades na realidade a que se chegou e tem a sua parte por fazer: tem um sistema fiscal obsoleto, precisa de fazer uma reforma da segurança social e do sistema de pensões, a corrupção e o clientelismo é prática corrente. Há estado a mais na sociedade e um estado que gere mal, pelo que seriam úteis algumas privatizações (ainda que não em sectores estratégicos e nunca a preço de saldo). Enfim… será necessário uma reforma a fundo do estado para ser mais eficiente e menos burocrático. Era aqui que a União Europeia, se fosse uma verdadeira União, fraterna, solidária, deveria empregar os seus esforços, acompanhando e aconselhando os gregos sobre como fazer as reformas estruturais que necessariamente seriam duras e difíceis, mas nunca humilhantes e inatingíveis. A par disso, os juros dos empréstimos deviam ser substancialmente reduzidos e o tempo para pagar aumentado (parece que nesta matéria houve algumas melhorias). Resumindo: com esta ajuda, a Grécia vai empobrecer cada vez mais e nunca conseguirá pagar a dívida e o desenlace, a médio prazo, será a saída do euro e quiçá da União… empurrada.
Mas o Syriza (aquela mescla de partidos de esquerda que só terão em comum o nacionalismo como tal) e Tsipras ainda vão surpreender ao estilo do que fizeram com o referendo: vão receber ajuda imediata para restabelecer a liquidez dos bancos, receber algum dinheiro da ajuda propriamente dita e irão anunciar que já não querem pertencer mais ao euro (e à União?!.) É só uma suposição e um exercício de pensamento, mas não estranhemos se tal acontecer: e o Projecto de Integração, de Construção Europeia estará acabado ou, pelo menos, completamente alterado e radicalizado… O “Grexit” dará lugar ao “Portugalexit”, ao “Reino Unidoexit” e a outros “exit´s”… e a Europa e o mundo será um lugar mais perigoso para viver…


quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Em jeito de balanço

Em jeito de balanço, sintético como convém, podemos descortinar várias actividades e vários momentos que concorrem para uma afirmação cada vez mais positiva e profícua da Associação. Poderíamos fazer mais e melhor? Sem dúvida; todos os que temos um papel efectivo na sua condução devemos dar mais de nós para que Vila Mendo tenha… sentido… Os tempos que se avizinham continuarão a ser difíceis, por certo. Cabe-nos a nós encontrar nas fraquezas, forças; nos obstáculos, pontes que congreguem todos aqueles que querem fazer da nossa Terra um lugar… especial… de sonhos… a cumprir…
De qualquer modo o nosso plano de intenções para 2014 é o abaixo indicado numa atitude de confiança no futuro, apesar de tudo… 
A todos os que nos ajudam, apoiam e motivam o nosso bem-haja. Bom ano.

-Matança do Porco/Festa do Chichorro - 31 de Janeiro
- I Passeio BTT- data a definir
-XI Encontro Motard– 22/23 de Maio
-Caminhada-15 de Agosto
-Torneio de Futebol7– Julho/Agosto
-Exposição Fotográfica-15 de Agosto
-Vila Mendo On Tour– 3/4 de Outubro
- I Encontro Micológico- 31 de Outubro
-Tradição e Memória: Cozer do Pão no Forno Comunitário-28 de Novembro
-(Teatro: produção original– actividade em fase de enquadramento
-Lançamento de Revista Cultural– (lançamento previsto para o pretérito dia 20 de Dezembro e adiado para este ano em data a definir)
-Lançamento do Caderno de Memórias nº2– "Figuras da Terra"- 19 de Dezembro
-Jantar de Natal– 19 de Dezembro
(Festa de Santo André– 21/22/23/24 de Agosto)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O IMI da altitude (boas festas amargas)- por Acácio Pereira

Há dias, um conhecido restaurante da cidade da Guarda serviu-me de sobremesa um pretenso doce, de seu nome “marroquina”. Diga-se que declaradamente não vejo a relação do nome com o paladar, uma mistura de limão e açúcar, com uma fortíssima preponderância de amargo, onde o contraste é de tal modo intenso que acaba por anular a pouca doçura do mesmo.
A descrição por si só não passaria de uma experiência gustativa irrelevante não fora esta a mesma sensação de quem assistiu a uma deliberação da Assembleia Municipal da Guarda que aumentou de 0,400 para 0,450 a taxa do imposto municipal sobre imóveis – IMI a cobrar em 2015. Numa clara comparação à preponderância de paladares, não há luzes, festas ou propagandas, por mais elaboradas que elas sejam, que adocem o gosto amargo de quem vai pagar IMI no próximo ano no município da Guarda. Disse vincadamente “quem vai pagar” porque nesta equação entram quatro tipos de munícipes: aqueles para quem a medida não faz diferença – os pobres, que estão isentos, e os ricos, que têm posses; os não-residentes – por razões óbvias; e aqueles para quem a medida é duríssima – os pagantes, nos quais me incluo.
Esta é uma daquelas medidas que apetece apelidar de pornográfica, isto para se ser comedido no epíteto, porque, de facto, o apelido merecido iria muito além daquele que aqui usamos.
Desconhecendo o montante de receita a arrecadar com a medida, não há dúvida de que ela está em claro contraciclo com a realidade regional e com a condição económica dos cidadãos da Guarda, os quais já são de si penalizados com um conjunto de outras dificuldades e acréscimos de custos. Se alguém tem dificuldades de visão ou dúvidas de compreensão, aqui deixo uma entre muitas evidências: esta região inóspita e de temperaturas baixas numa grande parte do ano obriga a que as casas estejam dotadas de sistemas de aquecimento, os quais, pasme-se!, são tributados pelas finanças como acréscimo de qualidade e conforto! Como se isso fosse um luxo, o qual representasse um elevado encargo para funcionamento, gasto de gás, gasóleo, eletricidade, lenha ou outro combustível, que outras regiões não necessitassem também de consumir.
Em termos comparativos com municípios próximos, conforme quadro anexo, a Guarda é a cidade onde a taxa de IMI no próximo ano será mais alta e onde a mesma tem a maior subida. Ironicamente falando, haverá aqui alguma correlação com a altitude do local ou com a propagandeada cidade em alta! Só pode! Porque mais nada que o justifique se vislumbra.
A execução desta decisão demonstra, do ponto de vista político, duas coisas: uma oposição que não reage devidamente; e um executivo sem preocupações em promover mecanismos de apoio às famílias e à atividade económica em geral, insensível às dificuldades pelas quais os cidadãos passam e à crise que o país atravessa.
Decisões destas são boas festas amargas que os munícipes dispensariam. E que os eleitos, já agora, deveriam ter vergonha em aplicar.

Variações de IMI - Município / Ano 2013 2014
Castelo Branco 0,300 0,300- Coimbra 0,380 0,350- Covilhã 0,340 0,350- Guarda 0,400 0,450- Viseu 0,300 0,300
Consulta de dados de 18-12-2014 em: www.portaldasfinancas.gov.pt
                                                                                                 Acácio Pereira
Artigo publicado no jornal O Interior

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Vila Mendo... simplesmente.

 Vila Mendo, ao longe, coberta pela neblina, pronta a despontar... mais bela... mais venusta... mais... nossa...

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

pequenas notas... soltas

Memórias
Memórias! Quem as não tem...
Experiências (muitas), vivências (enriquecedoras, ou não), recordações (tantas), interrogações (várias), dúvidas/incertezas (tantas), desentendimentos (inevitáveis, mas desejavelmente ultrapassáveis), desânimos (por vezes), euforias (fantásticas)... De tudo isto se compõem e são consubstanciadas as memórias de todos nós... memórias essas condicionadas, sempre, pelas nossas convicções, percepções e subjectividade própria e intrínseca do ser humano.
Falar de memórias (ou de algumas memórias) não é de todo fácil. É preciso revisitar os baús das lembranças, por vezes esquecidas; é preciso trazermos à tona emoções e sentimentos recalcados pela acção lenta, mas eficaz do tempo que, indelevelmente, não pára; é preciso tanta coisa que, de tanto, pouco realmente importa...
Contudo, as memórias são o alicerce da nossa personalidade, o garante da nossa identidade. Sem elas não nos definíamos enquanto pessoas, únicas, irrepetíveis; não nos definíamos enquanto seres pensantes e actuantes no nosso próprio destino.
As memórias imprimem uma marca primordial no nosso ser que condicionam, não raras vezes, a nossa postura e a nossa acção em sociedade.
As memórias são o elo entre o passado e o futuro: a forma como lidamos com elas, no presente, determina, muitas vezes, as relações; connosco próprios, com os outros... com a Vida... nessa busca incessante, e talvez nunca plenamente alcançável, que é a felicidade.
As memórias têm o cheiro, têm o sabor, têm a cor, têm o o som, o toque de momentos... de pequenos momentos... singulares... irreproduzíveis.
É por isso que não as podemos negar, não as podemos recalcar completamente. Elas surgirão inexoravelmente num olhar vago, num aroma suave, numa conversa supérflua, num ruído insistente, num pensamento delirante, num sentimento profundo...
É caso para afirmar sem mais: nós somos as nossas Memórias.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

As universidades e o despovoamento do interior- Por Acácio Pereira

O início do novo ano letivo ficou marcado pelo anúncio até a exaustão do “Programa + Superior”, o qual atribui bolsas de estudo a alunos que venham estudar para o interior. Dito assim parece uma medida de vulto, no entanto, não passa de uma falácia – e de uma medíocre solução – para o objetivo a que se propõe.
Senão vejamos: a medida abrangerá um máximo de 1.000 alunos e, de acordo com os valores anunciados, cifrar-se-á num somatório total máximo de 1,5 milhões de euros. Para se ter uma ideia comparativa, este valor é menos do que o valor gasto na aquisição da vacina contra o papiloma humano e o mesmo valor que foi gasto na vacina para a gripe sazonal (vide: http://www.base.gov.pt).
A medida assenta numa lógica evidentemente errada, dando a ideia de ser uma benesse, um favor governativo para o interior através dos alunos. Como se as políticas de coesão se comprassem com uns trocos...
O problema é, realmente, outro: o esvaziamento populacional sucessivo de parte do território resulta, em primeiro lugar, de gerações de governantes que têm optado por sucessivas políticas de atração para as grandes cidades. É esse efeito bola de neve, em que mais gente atrai cada vez mais gente, que tem criado uma atração imparável para as duas áreas metropolitanas portuguesas, Lisboa e Porto.
Como num sistema de vasos comunicantes desnivelados, o efeito atração de uns cria o efeito de esvaziamento de outros. O problema, sendo sobretudo do interior, não é só do interior: a acumulação de estudantes em dois grandes polos é má para Portugal no seu conjunto, uma vez que obriga a investir desmesuradamente em infraestruturas ao redor do Porto e de Lisboa, com custos altíssimos, e condena a um baixo uso as infraestruturas que se fizeram no interior, o que também é caríssimo.
Atente-se o quadro anexo, no qual se toma por base a evolução da densidade populacional nos últimos 50 anos, analisada em três grandes grupos: o todo nacional; grandes áreas metropolitanas; e as regiões pobres onde as instituições irão dar as tais bolsas de estudo. O quadro dispensa explicação pois é bem explícito.
Particularizando o caso do ensino, à medida que o número de habitantes aumenta vão aumentando as instituições de ensino superior e, consequentemente, o número de vagas disponíveis. E, numa dança inversa, à medida que as cidades mais pequenas vão perdendo população as vagas e os cursos vão ficando cada vez menos preenchidos e as instituições de ensino mais fracas. Isto gera tudo menos coesão territorial, gera rotura da coesão existente.
Se D. Sancho I, de seu cognome povoador, utilizou estratégias adequadas ao seu tempo para povoar o território, de igual modo o seu método deveria ser hoje aplicado à educação. Se o “Programa + Superior” fosse sério, assentaria numa premissa única: diminuição das vagas nos grandes centros! Aí, a saída de alguns milhares de alunos pouco impacto teria, enquanto abrir essas vagas em cidades de regiões menos povoadas faria toda a diferença.
É claro que esta medida obrigaria a muitas outras coisas. A aplicação do princípio da dotação global de vagas por curso, desde logo, acabando com a concorrência desleal entre estabelecimentos na fixação das mesmas. Ou transferência de certos cursos com mais prestígio para as universidades do interior.
Já que D. Sancho I veio à colação, lembremos as isenções das feiras francas. Dado que a situação do interior é de emergência, porque não isentar de propinas os que lá estudam? Haveria logo dois ganhos: uns que quereriam para cá vir; e outros que não quereriam de cá sair.


       Acácio Pereira- Artigo publicado no jornal O Interior

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Hora de Inverno, Hora de verão- por Tiago Gonçalves

Chegámos à altura do ano em que todos alteramos os ponteiros do relógio provocando uma mudança brusca na nossa rotina diária. Dias ainda relativamente longos transformam-se rapidamente em sombrias tardes que nos toldam o espírito e nos adensam a depressão rumo ao Inverno.
A hora muda duas vezes ao ano por causa de uma alegada poupança energética embora cada vez menos sustentada em factos. Foi de Benjamin Franklin, um dos maiores sábios do seu tempo, a ideia de que se poderiam poupar velas com a mudança da hora colocando pela primeira vez em alerta os fabricantes dos antigos e respeitados relógios de sol. Mais tarde ela veio a ser aplicada por todo o mundo, em nome dessa poupança, durante a Primeira Guerra Mundial quando o carvão escasseava. Pode ter, em tempo, justificado essa poupança energética mas será que isso ainda acontece?
Compreendo facilmente os argumentos de que muitos trabalhos que se realizam mais cedo estariam confinados à noite e que é mais fácil mudar a hora que os hábitos de uma infinidade de pessoas mas estará tão evidenciado o reflexo positivo desta mudança de hora?
Será fácil, se se quiser, analisar hoje de forma rigorosa a poupança energética conseguida com a mudança da hora. Basta analisar os dados de um ano e no ano seguinte fazer de forma diferente não mudando a hora. Mas, se por um lado há poupança energética pergunto se por outro não haverá uma quebra de produtividade associada a esta mudança de hora. Quantos trabalhadores ao verem chegar a noite não começam de imediato a olhar para o vagar com que os ponteiros do relógio atingem a hora da almejada saída do emprego?
 Pela minha parte sinto que uma grande maioria abomina esta mudança de hora. Em muitos países esta situação é cada vez mais discutida medindo-se vantagens e desvantagens da mudança da hora. Num país com tão forte vocação turística como o nosso deixar que o dia útil perca horas de sol parece-me, em tese, uma ideia errada. Repito, todavia: estude-se, compare-se e esclareça-se de modo a que a decisão seja tomada com base numa lógica racional.
Já agora, e a título de curiosidade, fiquem a saber que as mudanças de hora no nosso país são coordenadas pela Comissão Permanente da Hora que funciona sob a alçada do Observatório Astronómico de Lisboa sobre a qual podem obter mais informação em http://oal.ul.pt/hora-legal/comissao-permanente-da-hora/. Esta tem como função fixar o regime da hora legal no país, a coordenação dos processos de difusão da hora na comunicação social, a fiscalização de relógios públicos, etc. Não, isto não tinha por detrás uma intenção de chamar a vossa atenção para os cortes que são necessários na despesa pública mas já agora que falámos no assunto pensem lá nesta como noutras comissões da mesma natureza se não dá para se cortar qualquer coisinha!
                       Tiago Gonçalves- Crónica publicada no jornal Terras da Beira

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Filhos da Terra- Acácio Pereira

Mais um artigo de opinião, no jornal O Interior, do Acácio sobre o despovoamento do interior. Pode ser lido AQUI

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Filhos da Terra- Acácio Pereira/ Tiago Gonçalves

Mais dois artigos de opinião, pertinentes, do Acácio e do Tiago na comunicação social da Guarda. O do Acácio pode ser lido AQUI no jornal O Interior. O artigo do Tiago "Emigrantes" está publicado no jornal Terras da Beira.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Filhos da Terra- Tiago Gonçalves

Mais uma crónica do Tiago no jornal Terras da Beira, intitulada "Entre a espada e a parede". Análise à acção do Tribunal Constitucional. Concordando-se ou não com a sua opinião, vale a pena ler.