sexta-feira, 21 de junho de 2013

Figuras da Terra- Michel

Michel, mon Ami!           
- Michel Capelo de seu nome;
- Natural das Quintas de São Bartolomeu, afirma a “pés juntos” que é de… Vila Mendo!;
- Nasceu a 19 de Agosto. O ano?! Não interessa. O Michel é… INTEMPORAL e IMORTAL!!!;
- Residências: Rue Paul Bert, nº 21 – 94500-Champigny Sur Marne (França) e Rua do Cantinho – Vila Mendo;
- 1983 foi o ano em que, pela primeira vez, pisou o Solo Sagrado de Vila Mendo;
- Casado com Isabel de quem tem três filhas (Sevrine, Melanie e Laura);
- Companheiro;
- Simpático;
- Brincalhão;
- É um “Gandilho”;
- Só sabe fazer “o” Malandro;
- Durante o mês de Agosto, em Vila Mendo, apenas faz “o Chefe”. E “Qui c`est que commande?!”. Obviamente, o Michel…
- É de tal maneira sobredotado que apenas trabalha com a… Cabeça!;
- Todos os anos surpreende com os seus novos Truques de pura Magia (utilizando cartas, moedas, etc.);
- Conseguiu elevar a Arbitragem futebolística ao estatuto de Arte;
- Sempre que apita o jogo Casados/Solteiros, da nossa Festa, é o melhor “jogador” dos Casados. Exemplo disso é o célebre jogo que teve 30 minutos de desconto!!! Obviamente só concluiu, já iniciada a noite, quando os Casados marcaram o golo da vitória…;
- Nesses jogos, em caso de dúvida, assinala o que o Tó Pereira lhe disser;
- Já se deu ao luxo, depois de Apitar um desses “clássicos”, de ir receber a Taça, de vencedores, com os Casados;
- Um determinado ano, os Mordomos, queriam que o referido jogo fosse dividido em duas partes de Meia-Hora. O Sr. Árbitro Michel não concordou e decidiu que o encontro seria disputado em duas partes de… 30 minutos cada!!!
- É muito “letero” a jogar à Sueca;
- Quando lhe perguntam de que equipa é adepto apenas responde: Brasil!;
- A equipa de Futebol que mais detesta é a… Seleção da França!!;
- Considera os franceses muito simplórios!!!;
- O Jantar de Curso, realizado na sexta-feira da Festa de Santo André, pela Malta de Vila Mendo, é-lhe sempre dedicado;
- Ano após ano existe sempre um Grupo Musical que, na Festa de Vila Mendo, toca um “slow” em sua homenagem para que ele dance com a Isabel;
- Já, por diversas vezes, recebeu a “coupe” de 1º classificado no “Rally Paper” de Vila Mendo;
- Entre outras, já citadas, é o criador de míticas expressões e frases que já são parte integrante do nosso léxico, tais como: “hê bá oui!”, “leva lume!”, “és muito malandro, tás mal las costas não podes travaiar!” ou “somos os we`ares the champions!;
- Existem plantadas, em Vila Mendo, 5 Árvores por si ofertadas; 
- Gosta de apalpar os Queixos aos amigos. Mas também gosta que apalpem os seus…!;
- Telefona-me, regularmente, durante o ano e passamos às “meias horas”, e mais, ao telefone;
- Mas acima de tudo isto, o Michel, é um… GRANDE, GRANDE AMIGO!


Júlio Manuel Antunes Pissarra

terça-feira, 18 de junho de 2013

Filhos da Terra- César Gonçalves

O César é, mais uma vez, fisioterapeuta de um programa de televisão, no caso do "Splash celebridades" da SIC. De vez em quando lá aparece ele a cuidar das mazelas dos concorrentes. Mais um filho de Vila Mendo a dar provas de competência.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Filhos da Terra- Henrique Nascimento

Henrique Nascimento é protagonista de uma reportagem na revista "O Mundo da Fotografia Digital" na secção Zoom Out com fotografias subaquáticas de grande beleza: "Henrique Nascimento mergulha a sua alma no fundo do mar, procurando os tesouros preciosos que se escondem da superfície... Sustenham a respiração e deixem-se maravilhar com as espécies subaquáticas captadas pela objetiva deste autor". O Henrique é   um descendente de Vila Mendo, portanto seu filho, a quem muito prezamos. Podem ver mais fotografias dele em henrykate.blogspot.pt

domingo, 9 de junho de 2013

Filhos da Terra- João Gonçalves

Podem ler AQUI uma critica musical que o João Gonçalves escreveu no jornal O Interior. O João é da direcção da Associação e estuda Gestão na Universidade de Coimbra.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Gentes de Cá

Aqui está a mais nova (tanto quanto sei) Vilamendense. Chama-se Jéssica e é bisneta da Sra. Aurora da Luz (falecida há pouco tempo) e que foi para o Brasil em pequena. É neta da Maria Albertina (sobrinha da Sra. Laurentina) que de vez em quando já nos visita. Portanto, a Jéssica é uma Vilamendense de 3ª geração no Brasil. Aos pais e em especial aos avós, Maria Albertina e Durval Henke, os nossos sinceros parabéns.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Exposição/concurso fotográfico- "Vila Mendo num Olhar"


Condições de participação:
-As fotografias podem retratar: pessoas, momentos, paisagens, lugares… que tenham que ver obrigatoriamente com Vila Mendo.
-Cada participante poderá concorrer com um número máximo de 6 fotografias.
-As fotografias devem ser entregues, em formato digital, até 31 de Julho.
-As fotografias serão expostas na Associação a partir de 15 de Agosto.
-As fotografias serão “avaliadas” por um júri a constituir.
-As três melhores fotografias serão premiadas e expostas permanentemente na Associação.
Actividade apoiada pelo IPDJ

domingo, 19 de maio de 2013

IX Encontro Motard

One Man Riff
 Este ano o frio e a chuva não deixaram que o Encontro Motard tivesse a adesão esperada, contudo, mais uma vez, o ambiente criado foi... espectacular. 

 Contraband
No One


terça-feira, 14 de maio de 2013

IX Encontro Motard- Vila Mendo 2013

Dias 17 e 18 de Maio vai realizar-se, em Vila Mendo, o IX Encontro Motard. Sexta–feira actuarão os “One Man Riff” e “Dj Ramone”; Sábado os “No One” e os “Contraband” com actuações que prometem grande espectáculo. A boa gastronomia regional também não irá faltar. Este encontro serve também para resgatar e recriar tradições caídas em desuso como o cozer do pão no forno comunitário com o auxílio precioso das gentes mais velhas. Enfim, animação e bom ambiente não vão faltar. Este encontro insere-se numa linha de actuação que esta associação tem vindo a implementar e que pretende valorizar as gentes das nossas aldeias, os seus costumes e tradições, por forma a combater o ostracismo a que as nossas terras foram votadas desde há muito.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Trabalhos

No próximo Domingo, pelas 10h, vamos preparar toda a logística do IX Encontro Motard. Quem quiser ajudar... é bem-vindo.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Momentos

Paulo, Sr. Raúl, Paula, Sr. Zé "Valentim"

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Passeio Turístico- ActiveWay

A ActiveWay organizou o Moto Active Ride 1st Edition pelo concelho da Guarda, no dia 5 de Maio. Passaram por Vila Mendo onde retemperaram forças.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

estórias da Terra- Júlio Antunes Pissarra

Três horas... sentados à mesa
 Durante aqueles maravilhosos anos 80 o Fim-de-semana de Agosto era preenchido a percorrer todas as Festas da região e com Matinés e Soirés na Discoteca de Pêga. Um determinado Domingo o Vitinho, o Zé e o Víctor, depois de passarem a tarde na “Night&Day”, palmearam as Festas que por ali existiam. A última a ser visitada foi a de Pêga. Chegaram a esta Aldeia por volta das 22:30 horas. O dia tinha sido “cansativo”. Alegre convívio, muita brincadeira, alguma cerveja, mas comer, nada! A última refeição tinha sido o almoço. Como o dinheiro já escasseava os três amigos viviam na esperança de que alguém os convidasse para comer/beber algo que é comum, nos dias de Festa, em algumas Aldeias da nossa região. Mas esse convite não aparecia, o que os estava a deixar preocupados. Então o Vitinho, “envergonhado” como é, descobriu alguém que lhes podia resolver o problema. É assim que se dirige a um rapaz emigrante em França, que por acaso tem família na nossa freguesia, e lhe pergunta:
- Então pá?! Tens Festa na terra e não ofereces um “copo” em casa?!
A referida pessoa, querendo ser simpática, acedeu à proposta.
- “Há oui!” Sim…, ainda é cedo…, “s`etu queres”…, o baile ainda não começou…! … podemos “lá`ir” beber umas “bières”!
Mas a “malta” de Vila Mendo estava “cheia” de cerveja! O que ela queria, mesmo, era comer!!! Então, novamente, o Vitinho assumiu as rédeas da situação.
- Não há por aí nada que se coma? – perguntou.
- Sim! “Bá`oui”! Claro! – respondeu o anfitrião.
O Vitinho não esteve com “meias-medidas”, levantou-se e dirigiu-se ao frigorífico onde encontrou carnes frias, bolos, sobremesas, enfim, de tudo um pouco o que é normal existir nos dias de Festa na Aldeia. Desde esse momento os três amigos de Vila Mendo não quiseram mais conversa! O tempo passava, passava, o dono da casa estava cada vez mais desesperado (mais à frente veremos porquê), olhava impacientemente para o relógio, mas os “mosqueteiros” da nossa Terra não arredavam pé.
- Já “s`ouve” o “Cunjunto”! O Baile “já`stá à`ndar” e deve “d`haver” “beaucoup” de pessoas! – afirmava.
- Já vamos! Temos tempo! Senta-te e come connosco! – respondeu um dos “nossos”.
Uma da manhã, uma e meia, mas nada! Ninguém se levantava. O anfitrião, sem saber o que fazer, tentava, subtilmente, que os “ilustres” convidados terminassem a refeição mas, estes, não estavam pelos ajustes. Só passadas as 2:00 horas, e já convenientemente saciados, o grupo de Vila Mendo terminou o Banquete!!!
Quando os quatro chegaram ao recinto do Baile já este estava praticamente concluído. Aí, quem ofertou o Jantar, mais incomodado ficou, já que a pessoa que o esperava já não se encontrava no lugar combinado e já partira para a Discoteca! Enquanto isso, os três amigos, lá foram concluir a noite numa outra Festa!
Nesses tempos eu, meu Pai e minha Mãe, no Domingo e/ou Segunda-feira da Festa de Pêga, almoçava-mos sempre na casa que, meus tios [David e Clara], possuíam na referida aldeia. Nessa Segunda-feira quando lá cheguei, minha prima Paula, logo me informou do sucedido na noite anterior com os nossos amigos de Vila Mendo. A pessoa, que no Baile esperava o anfitrião, era minha prima Paula!!! Foi ela quem em primeira mão me descreveu o que tinha acontecido! Quando ela, já na Discoteca, ouviu, do amigo, o relato do porquê de tanto atraso, exclamou:
- Tinham que ser os de Vila Mendo! Tu não os conheces?! Não sabes como eles são?!
- “Oui!” mas…, …nunca pensei que estivessem TRÊS HORAS a comer!!! De Vila Mendo NUNCA mais convido ninguém para lá ir a casa!!!
P.S. – Os pormenores desta estória foram-me relatados pela minha prima Paula e pelos Três protagonistas principais.
                                                                       Júlio Antunes Pissarra


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Momentos

Vila Mendo On Tour- Santiago de Compostela- Outubro 2012

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Momentos

Vila Mendo On Tour- Melgaço- Outubro 2012
Santiago/ José "Albino"/ Afonso

Neve na Guarda

Hoje

sexta-feira, 26 de abril de 2013

terça-feira, 23 de abril de 2013

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Entrevista- Padre Ângelo


                         
Quem é o Padre Ângelo?
Uma pessoa de 31 anos que se colocou e, todos os dias, coloca ao dispor de Deus para servir aqueles e aquelas que estão ao seu redor. Uma pessoa que tem como ideal deixar-se seduzir todos os dias pela Palavra de Deus e vive-la todos de coração e braços abertos. Uma pessoa que acredita que a vida sem palavras sentidas e pensadas não é vida verdadeira. Uma pessoa que acredita que as obras valem mais muito e que o amor vence tudo. Uma pessoa que, apesar de por vezes abrandar no sorriso, quer aprender todos os dias a sorrir e a ser e dar esperança aos que precisam e a procuram. Uma pessoa que tem como Mestre o Senhor Jesus.
Como foi o despertar da tua vocação?
Não foi um “clik”. Foi um conjunto de circunstâncias que fez descobrir e aumentar a fé, solidificar as decisões e continuar a descobrir os caminhos. A família teve e continua a ter um papel fundamental, mas também todos os que são desafiadores da vocação como tsunamis devastadores e como águas tranquilas.
Sendo um Padre novo, de que maneira pensas que as pessoas te olham? O que achas que elas esperam de ti?
Respondo de coração aberto. Houve tempos em que tinha uma preocupação extrema com o que os outros pensariam de mim, mas neste momento não tenho esse pensamento e muito menos essa preocupação. Sei que se espera muito do padre. Que o padre seja isto ou aquilo e que seja desta maneira ou daquela. Que seja à imagem e semelhança de cada um. E esta é a maneira que eu não me quero tornar: a imagem e semelhança de cada um e da vontade de cada um. Por opção eu quero ser a imagem e semelhança de Deus e seguir a Sua vontade. E é isto que todos devem esperar de mim. Que eu siga a vontade de Deus. Se alguma vez eu não o esteja a conseguir fazer quero que, no espírito da correção fraterna dos cristãos, alguém tenha a humildade de se aproximar de mim e dizer-me.
O que é ser padre hoje, tendo em conta que a sociedade apresenta sinais evidentes de uma laicização galopante a todos os níveis? Aliás, faz sentido ser padre hoje? Faz sentido “carregar essa cruz” que é levar a Boa Nova, a mensagem de Jesus a um mundo que às vezes, parece, não estar receptivo, pelo contrário?
Ser padre faz sentido sempre. Ser padre é estar disponível para servir e para amar a todos.  Um amor que se faz doação e que se faz orientação na vida. “Dar-se por amor” compreende-se. Aceitar orientação segundo o amor de Deus, já não se aceita tanto. Talvez, digo eu, esteja aqui uma das causas da laicização: não aceitar o amor de Deus. Fruto provável de uma ignorância religiosa a que as comunidades foram votadas durante décadas. Sabe bem iniciar caminhos novos de anúncio, em que se redescobre a essência do ser cristão e de Deus que se revela em Jesus e se torna presente no Espírito Santo. Esta é a cruz que vale a pena “carregar”, mas que ainda poucos cristãos não estão entusiasmados a pegar e levantar bem alto.
Qual a tua perspectiva em relação a alguns temas polémicos como o celibato dos padres, a ordenação de mulheres ou o uso do preservativo?
Porque são polémicos deixo-os para serem tratados noutros ambientes e para que as minhas palavras escritas não sejam mal interpretadas. Digo simplesmente: são orientações e todos somos livres de as aceitar ou não. No assunto que me diz respeito eu aceitei-o e tenho-o aceitado. Foi a minha opção.
Quais as  tuas expectativas em relação ao Papa Francisco?
Um homem que usa palavras simples e diretas para que todos compreendam a essência da beleza de Deus e do que é a religião. Não tem medo de tratar as coisas pelo nome. Pelo que parece, é de uma “frescura” e “acutilância” de palavras que agrada muitos e não agrada alguns. Neste ainda curto espaço de tempo do pontificado os seus gestos têm mostrado que a aproximação e a simplicidade são os melhores meios de comunicar o amor de Deus e não há que ter medo disso.
Muitos pensarão que o papel do padre é “dizer missa” e pouco mais. Achas que isso não resultará (à parte da falta de vocações) de uma falta de estratégia diocesana no que concerne à pastoral como tal, e isto não será consequência da não realização de um sínodo diocesano, há tanto desejado, que pense, oriente, balize e concretize toda a acção pastoral e não só?
Uma questão muito pertinente, tendo em conta o serviço que ocupo na diocese enquanto coordenador pastoral da zona centro. Muitos e muitas reduzem a atividade do padre a celebrar a missa e senão há missa é sinal que “o padre não faz nada” ou então “já não temos na terra”. Isto é fruto de uma falta de abertura dos padres a fazerem outras atividades e falta de coragem (ou vontade) de consciencializar as comunidades para uma Igreja que se reúne para a Eucaristia, mas também para muitas outras coisas: catequese, caridade, convívio, e mais recentemente para os grupos bíblicos.
Desde 2007 que foi lançado o desafio que cada Arciprestado tivesse um Conselho Pastoral Arciprestal. Este Conselho é constituído por um representante leigo de cada paróquia que, em diálogo com os representantes das outras paróquias e os padres do arciprestado, programam e orientam a pastoral do Arciprestado. O primeiro CPA criado foi o do nosso Arciprestado do Rochoso cuja representante da nossa paróquia é a D. Maria da Graça Amarelo. Já se reuniu por 9 vezes. Neste momento a Diocese já tem mais alguns criados e o programa pastoral a ser debatido brevemente para os próximo anos pastorais de 2013 a 2017 vai contemplar esta estrutura, bem como o Conselho Pastoral Diocesano (no qual o nosso Arciprestado tem um representante eleito de entre os representantes de todas as paróquias). No ano de 2017 vai haver Assembleia de representantes onde serão refletidos e apresentadas orientações pastorais concretas para a Diocese. Estas Assembleias de representantes terão a preparação anterior de 3 etapas concretas em que todos os intervenientes vão revisitar documentos do Concílio Vaticano II. Não para lembrar, mas para insuflar o espírito do Concílio nos tempos de hoje.
Se me perguntam se esta estratégia chega?  Não sei. Mas já é alguma coisa para que se tomem algumas decisões pastorais que comprometam a Igreja enquanto Igreja Diocesana.
Focalizando a tua acção e o exercício do teu ministério na Paróquia de Vila Fernando, o que aspiras, com o teu apostolado, conseguir com estas nossas gentes?
Na nossa paróquia,… nas nossas gentes,… a minha única aspiração é conseguir mostrar quem é Deus e o que faz o amor de Deus no coração da humanidade. Penso que na vida de alguns e algumas isso tem sido conseguido. Mas não há fórmulas mágicas. Se todos nos deixarmos mais inebriar pela Palavra, depois conseguiremos conviver melhor uns com os outros. Este é o caminho!
Como vês a Paróquia de Vila Fernando, logo a freguesia em termos políticos, económicos, culturais, sociais e associativos? Qual o teu relacionamento com a sociedade civil da freguesia?
Nunca entrei por caminhos políticos nem vou entrar agora. Mas a nossa freguesia padece de ter muitos lugares (anexas) o que faz com que haja uma desfragmentação e uma certa “desunião”. Não em tom de crítica destrutiva, mas construtiva, seria melhor haver um espírito de unidade entre alguns e entre todos. Vivemos na mesma terra e só na unidade é que crescemos em sabedoria, cultura e sociedade.
Que projectos seriam, na tua óptica, importantes para o desenvolvimento da freguesia? De que maneira a Igreja, que tu representas, pode ajudar?
Vila Fernando está a três passos da cidade. Isso há uns tempos atrás significava mais do que agora, mas ainda significa alguma coisa hoje. Diria duas coisas que poderiam ser pensadas a curto prazo e que acho já estarem a ser dialogadas: habitação e qualidade de vida.
A comunidade cristã está de portas abertas, como sempre esteve, para acolher, dialogar e viver em prol da dignidade da vida humana.
Que te diz Vila Mendo?
Uma das localidades da freguesia que demonstra ter uma grande vitalidade através de um conjunto de pessoas que mantém a sua ligação afetiva à terra que os viu nascer e crescer. Vila Mendo é sinónimo de movimentação, paixão pela terra e de tantas outras coisas que andam sobre “rodas”… Mas também é sinónimo de fé. Não posso esquecer que um dos testemunhos de fé mais impressionantes que já conheci até hoje, foi em Vila Mendo.
Como te imaginas daqui a 30 anos? 
Não imagino
Queres deixar uma mensagem aos teus paroquianos?
Nunca percam a esperança. Deus sorri sempre para vós. Quando as forças estão em alta é Ele que voz mantém em cima, quando as forças estão em baixo é Ele que vos tenta levantar do fundo do poço. Confiem  n’Ele. Sejam verdadeiros uns com os outros. Em tudo e sempre coloquem o vosso coração e a felicidade brotará espontaneamente. 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Filhos da Terra- Acácio Pereira

Hoje, o Acácio dá uma entrevista ao Jornal i. Pode ser lida Aqui. Não perca. Na edição em papel, o Acácio não esquece as suas origens e na pequena "biografia" com que é apresentado lá vem : "natural de Vila Mendo, aldeia do concelho da Guarda". Muito, muito bem.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

estórias da Terra- Júlio Antunes Pissarra


As Calças.
Era um, quente, final de tarde de Agosto dos saudosos anos 80. Terminado mais um árduo dia de trabalho a “malta” de Vila Mendo juntou-se aos “tanques” para uma alegre cavaqueira, saciar a sede e aliviar o calor, com a refrescante água do nosso Chafariz. Nesses tempos quer fosse fim-de-semana ou meio da semana, praticamente todas as noites concluíam na Discoteca da moda [“Night and Day”- Alto de Pêga].
Quem vai, quem não vai…! Eu, o meu Amigo e Primo Zé Gonçalves e o meu Amigo (agora também Primo) Víctor Soares decidimos ir! Depois de jantar, e chegada “a” hora, aí vamos nós para a “noite”! A viagem realizou-se numa carrinha de transporte de gado que pertencia ao meu Tio José Marques (pai do Zé). Chegados à Porta, da Discoteca, deparámo-nos com um problema:
- Zé, o teu primo vem de Calções, não pode entrar! – disse o Porteiro.
- Então porquê? – questionou o Zé.
- São regras da Casa! - respondeu o funcionário.
- Mas já vi aí dentro várias Mulheres de Calções! – disse eu.
- Mas com as mulheres é diferente!!! – exclamou o Porteiro.
- Esta é boa! Vimos de Vila Mendo, chegamos aqui, e não entramos?! – respondeu o Víctor.
Depois de duras negociações nem com a grande influencia que o Zé detinha, nesta Discoteca, conseguimos entrar. Então para não prejudicar os meus amigos sentenciei:
- Entrai vós, eu vou para a Carrinha dormir!
Aí o Zé foi perentório:
- Não, ou entramos todos ou nenhum!
- Vamos embora! Não estamos aqui a fazer nada! – disse o Víctor.
Aquilo que se ia tornar numa alegre noite estava-se a transformar num pesadelo. Na curta viagem para a Carrinha os três amigos mostravam a sua indignação e surpresa pelo sucedido. Mas será que tudo estava perdido…?
Quando entrávamos para o nosso meio de transporte, o Víctor disse:
- Zé, por vezes os teus irmãos trazem umas Calças, suplentes, para carregar e descarregar o gado. Vê lá se há por aí algumas!
Depois de breve busca, o Zé, carregado de felicidade, exclamou:
- Olha aqui uma Calças!!! Há! Há!
…e bonitas que elas eram!!! Cor bege, feitas de Fazenda da primeira qualidade, vincadas e com umas elegantes pregas! Mas o desejado objeto de roupa não tinha, nesse dia, as condições mínimas para entrar no referido espaço noturno. Estava completamente amarrotado, cheio de grandes nódoas e abarrotava de sujidade seca (vulgo *M…) inerente ao trabalho que ajudava a desenvolver. Mas era o que havia…!
- Experimenta lá as Calças! – disse o Zé.
Quando as experimentei reparámos que me ficavam demasiado curtas, mas rapidamente solucionámos o problema. Fiz uma espécie de dobra, que dava o efeito de bainha, e assunto resolvido.
- Assim não me deixam entrar! – exclamei.
O Zé respondeu:
- Então não queriam umas Calças? Já as tens vestidas! Vamos embora!
Depois de muitas gargalhadas tocámos à campainha da Discoteca. A porta abre-se e o Zé dirige-se, apontando para mim, ao Porteiro e diz:
- Agora já pode entrar?!
O Porteiro, com um sorriso de espanto perante o cenário que tinha à sua frente, não sobe o que responder. Então o Víctor sentenciou:
- Não querias que o rapaz vestisse umas calças?! Aí as tens!!!
Resignado e espantado, o porteiro, não teve outra alternativa.
– Sim… agora pode entrar… mas…, senta-se lá a um canto. Pode parecer mal!
- Para me sentar a um canto prefiro não entrar! – respondi.
Entrado na Discoteca assumi a postura normal que sempre tinha quando frequentava esse espaço. O Zé logo fez questão de publicitar a situação e, com o seu sorriso matreiro, dirigiu-se às minhas primas Guida e Paula que, também, diariamente frequentavam esta Discoteca:
- Já vistes o vosso primo? – Não – responderam. – Mas porquê?!
- Ide procurá-lo e depois dizei alguma coisa!
As minhas primas quando me encontraram ficaram estupefactas.
- Hhááá!!! – disse a Guida. – A minha alma está parva!!! – exclamou a Paula.
Explicada a situação terminámos todos em enormes gargalhadas. Ao mesmo tempo questionávamos o porquê de não poder aceder, à Discoteca, com uns adequados calções e poder faze-lo com aquelas originais Calças!
Com muita dança e saudável convívio assim decorreu uma das noites mais divertidas da minha juventude! Importa realçar que nunca mais, até hoje, me senti tão observado como nessas “porreiras” horas!

                                                                   Júlio Manuel Antunes Pissarra

segunda-feira, 8 de abril de 2013

sexta-feira, 5 de abril de 2013

terça-feira, 2 de abril de 2013

sexta-feira, 29 de março de 2013

Figuras da Terra- T`Zé Pôpo

Apesar de não ser natural de Vila Mendo (o T´Zé Pôpo era natural da aldeia de Santo Amaro - freguesia da Cerdeira-do-Côa), este senhor, com o passar dos anos, sempre foi visto pelas pessoas da nossa Terra como mais um dos nossos.
De nome próprio José Alves, este senhor, nasceu no dia 27 de Março do Ano da Graça de 1924. As suas quatro primeiras décadas de vida passaram-se a trabalhar na agricultura, a ganhar “o dia” e a servir como Pastor. Muitas vezes vagueava pelos Mercados da zona onde procurava trabalho. A esta sua busca Vila Fernando também não era alheia, já que regularmente frequentava a Tasca da Mariazinha. Certo dia, meu Pai, estava no referido local e por la apareceu o T´Zé Pôpo. Depois de alguns “copos” bebidos meu pai perguntou-lhe se queria ir para Vila Mendo trabalhar como Pastor. Logo aceitou. Chegados a Vila Mendo, meu Pai explicou a meu Avô [António Pissarra] o sucedido. Desde esse dia o T´Zé passou a ser mais um funcionário da casa. Mas foi sol de pouca dura visto que passados alguns dias, sem nada dizer, desapareceu. O tempo passou e volvido, sensivelmente, um mês meu Pai reencontrou-o numa Taberna do Adão. Já com o vinho a produzir efeito, quando viu meu Pai, começou a chorar e a suplicar-lhe que lhe desculpasse e o deixa-se regressar a Vila Mendo, pois “nunca tinha sido tão bem tratado”. Mas meu Pai disse-lhe que não podia prometer nada devido à forma como tinha ido embora. No entanto lá foram para a nossa Aldeia. Mas meu Avô já não o queria para Pastor devido à maneira como se tinha comportado. Apesar de tudo, com os pedidos de meu Pai, meu Avô lá acedeu, mas logo o avisou que não tinha outra oportunidade. Desde esse mês de Setembro de 1969 até à sua morte em 1994 esse Senhor foi, em casa do meu Avô, tratado como mais um da família.
Sempre foi uma pessoa simples, humilde, respeitadora, educado e, acima de tudo, muito divertida. Estava sempre disposto para a chalaça, brincadeira ou uma, muito característica, “mugafa” (carantonha). A minha Avó São e minha Madrinha Marques eram, quase diariamente, alvo das suas brincadeiras. As duas irmãs, regularmente, diziam: ”Rela-nos” a cabeça!”
Sempre gostei muito dele e sei que também era meu amigo. Aliás ele dizia que as pessoas de que mais gostava eram meu Avô, meu Pai e eu. Sempre o recordarei com amizade e carinho, até porque, de entre outras estórias com ele, quando lhe perguntavam há quantos anos estava em Vila Mendo, ele respondia: “São os mesmos que o Jú tem de vida. Vim para cá um mês antes de ele nascer!”.
No Rebanho que ele pastoreava existiam algumas ovelhas que lhe pertenciam. Então no dia em que, pela primeira vez, fui nomeado Mordomo da Festa de Vila Mendo ele disse: “Para o ano vamos matar, no dia da Festa, o melhor Borrego que eu lá tiver!”. E assim foi!
Mas o dia de que, ele, mais gostava era o de Consoada! Logo que eu, pela manhã, chegava a Vila Mendo, a “piscar” o olho, perguntava: “À noite vamos lá?”. Depois de Consoarmos começava, tentando disfarçar, a dizer: ”Tou” com uma soneira. Já vou para a cama!”. Eu, então, fazia-lhe sinal e, ele, lá dizia “boa-noite” e descia as escadas. Depois de me esperar, lá iamos os dois para a Fogueira de Natal, mas antes disso entregava-me, sempre, dinheiro para “pagar a minha parte e a sua” - dizia. Por ser simpático e divertido toda a gente gostava da sua presença, por isso essa noite terminava sempre com a tentativa de lhe comprarem um Borrego e uma grande… borracheira! Várias vezes, com a ajuda de alguns amigos, tive de o levar em ombros para a cama!
Uma característica sua era gostar bastante de fumar e comer/beber coisas doces. Diariamente fumava “Kentucky”, no entanto meu Tio Victor Moura e meu Pai (mais regularmente) sempre que iam a Vila Mendo ofereciam-lhe “SG Gigante”, então cheio de felicidade fazia uma “mugafa” das suas e exclamava: “Gosto! Gosto! Gosto! Quando Gosto, Gosto!”. Mas os Doces eram a sua grande perdição! Desde o café, ao refresco de café preto com água, das sobremesas, às Sopas de “Cavalo Cansado” tudo tinha que estar carregado de açúcar. Muitas vezes, principalmente no Verão, quando carregávamos feno ou palha ele dizia: “Se cá apanhasse um litro de água, um de vinho e um quilo de açúcar…! Ia tudo de uma vez!!!”.
Mas com o passar dos anos aliou todo este espírito divertido a uma preocupação: o T´Zé Pôpo tinha medo que meu avô falece-se primeiro do que ele (o que não se verificou). E só perdeu, em parte, essa preocupação quando meu Pai lhe prometeu que se isso acontecesse ele iria trabalhar e viver para “a nossa Quinta de Vale de Estrela”
Com o aparecimento de problemas de saúde, que foram fulminantes, foi internado no Hospital Distrital da Guarda. O Médico que o acompanhava logo informou de que era situação irreversível e que o tempo de vida seria curto. Então minha Mãe questionou o Médico sobre a possibilidade de lhe dar, diariamente, algo que o satisfizesse e lhe aliviasse o sofrimento. O Médico concordou. Desde então, diariamente, minha Mãe alimentava-o com um dos seus manjares prediletos: “Café Preto” bem doce! Para ele era reconfortante e uma enorme felicidade!
Certo dia enquanto eu e minha Mãe faziamos a visita, o T´Zé, com as lágrimas a correrem pela cara, afirmou: “ Jú, obrigado por me vir ver. Já nunca mais volto a Vila Mendo!”. Passados poucos dias, faleceu…
                                                                                 Júlio Antunes Pissarra

quarta-feira, 27 de março de 2013

A mesa

Mesa de Ping Pong. Tem sido um sucesso.
Fábio e Telmo Nascimento numa animada partida.
(Cedida pelo Telmo Conde) 

terça-feira, 26 de março de 2013

segunda-feira, 25 de março de 2013

Visita da Federação Distrital das Associações Juvenis

Nestes tempos conturbados, urge encontrar sinergias e estratégias comuns que possam contribuir melhor para a afirmação das associações e, consequentemente, das populações em que se inserem. 

sexta-feira, 22 de março de 2013

estórias da Terra- Júlio Antunes Pissarra


As Malaguetas
Entre, sensivelmente, meados das décadas de 50 e 60 o meu avô António Pissarra e minha avó Purificação detinham, em Vila Mendo, um pequeno estabelecimento comercial que se repartia por Mercearia e Taberna. A diversidade de produtos não era muita mas, sempre se encontravam Massa, Açúcar, Arroz, Conservas, Farinhas, Azeite, Pão, entre outras Miudezas. Na Taberna algumas Laranjadas e o Vinho eram reis.
O “gestor” deste espaço era o meu pai (José Pissarra) que repartia a sua atividade profissional entre o referido espaço e a colaboração, com meu avô, nas tarefas agrícolas e do negócio de gado.
O dia de maior clientela era o Domingo. Mas esse facto colidia com a vontade de meu pai acompanhar os seus amigos para um passeio dominical, que regularmente concluía com a visita a algum baile da região, e com a presença do fornecedor de pão. Este Senhor, que semanalmente se deslocava, de Burro, da Malhada Sorda até à nossa Terra, depois de descarregar os alforges fazia questão de beber vários “meios quartilhos” de vinho e antes do anoitecer não iniciava a viagem de regresso para a sua aldeia. Com o sucessivo repetir desta situação, meu pai e alguns amigos (Sr. José Vinhas, Sr. Clementino e Sr. António Vinhas) tiveram que encontrar uma forma deste honesto Moleiro deixar de perturbar as tardes de Domingo.
Depois de muita reflexão a solução foi encontrada!
O Domingo chegou e com ele regressou o Moleiro vindo da Malhada. Desta vez nem foi necessário, o senhor, pedir bebida já que o grupo de amigos fez questão de o obsequiar com uns “copos”. Com o líquido a subir à cabeça o Moleiro começou a dormitar, então meu pai e o Sr. José Vinhas iniciaram a “Operação Malaguetas”!
Enquanto, o Sr. José Vinhas, levantava a cauda do jumento, meu pai utilizando um pau, introduzia-lhe, no ânus, algumas malaguetas!!!
Com certeza a temperatura corporal do animal iniciou uma vertiginosa subida…! Subida essa que provocou uma tremenda reação que se manifestou no pular, urrar, dar coices ou rebolar pelo chão. Com este “chim-frim”, o seu proprietário, acordou. Desesperado com o comportamento do seu companheiro de tantas viagens, o Moleiro, tentava, em vão, consolar o animal. A chorar, “falava” com o animal e pedia-lhe para se acalmar, rezava a todos os Santos existentes e fazia promessas, a Deus, para que o animal não morresse! Volvida hora /hora e meia o sofrimento começou a decrescer e foi então que, já pela caída da noite, os dois companheiros seguiram viagem com destino à Malhada Sorda.
O Moleiro continuou a fornecer de pão, a Taberna, mas depois de contas feitas e de dois ou três “copos” bebidos lá regressava ao seu destino e desde então nunca mais o referido grupo de amigos viu prejudicadas as suas tardes e noites de Domingo.

P.S. Esta Estória foi-me relatada por meu pai (José Marques Pissarra).
                                                                       Júlio Manuel Antunes Pissarra

quinta-feira, 21 de março de 2013

Almoço

Sábado, dia 23, vamos realizar mais um almoço. O motivo? Quem disse que é preciso motivo?!. Mas vem na decorrência da Matança do porco. Será feijoada, elaborada pelos cozinheiros oficiais (Luís Costa, Júlio Pissarra e Mário Maria). Esperemos que se esmerem pois vão ser objecto de avaliação; e os critérios são altos... é que para se ser cozinheiro de e em Vila Mendo torna-se necessário atingir níveis de excelência! Aconselho os cozinheiros a entrarem em período de estágio para elevarem os níveis de concentração, de modo a corresponder às expectativas criadas e que não queremos goradas. Os avaliadores andarão por lá!..  
Além do aspecto da confraternização per si, tão essencial na vida de cada cada um e na vida de uma associação, este tempo serve também para ajudar a definir melhor estratégias de acção por parte da nossa colectividade.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Gentes de Cá

Michel (este ano cá te esperamos)

domingo, 17 de março de 2013

Feiras em Vila Mendo? Eis, ainda, a questão!..

Sendo estritamente pragmáticos, não podemos afirmar taxativamente a inexistência das feiras mas… não podemos afirmar, taxativamente, que as houve. Resumindo: a dúvida permanecerá; haverá os que continuarão a dizer que sim e haverá os que dirão que a hipótese será um tanto remota, e encontrar-se-ão argumentos para cada uma dessas visões, sendo até que a “fé” desempenha aqui um papel, muitas vezes, importante: o querer acreditar a todo o custo inviabiliza, não raras vezes, uma análise despretensiosa e descomprometida.
Posto isto, uma pequena nota: estar mais de acordo com uma visão do que com outra, não significa gostar mais ou menos da nossa terra, aliás, será até um pretensiosismo pois “essa coisa de gostar” não será propriamente mensurável e comparável, julgo. Tentar esclarecer uma questão, na busca da verdade, parece-me um acto de coragem e honestidade intelectual que deve ser fomentado e apoiado em todas as situações e circunstâncias da nossa vida pública e privada. Até porque no caso concreto da existência ou não das feiras, esta procura da verdade não traz qualquer prejuízo pois… nunca houve qualquer benefício por se falar, e falar, e tornar a falar delas em Vila Mendo, nem isso diminui as suas gentes, pelo contrário: o querer saber a verdade só enobrece a nossa aldeia enquanto comunidade de pessoas sérias, honestas e verdadeiras, penso.
Agora que balizei, perceptivelmente espero, os pressupostos da minha análise e da análise que deve ser feita por todos aqueles que querem debater, de forma séria e desapaixonada, este tema, vou, sucintamente, ajudar a pensar alguns dos argumentos a favor e contra da realização das feiras em Vila Mendo.
Na minha, modesta, opinião o argumento mais forte a favor é, paradoxalmente, o único que não pode ser verificável: a tradição oral. De facto, os mais velhos referem que “já os antigos falavam dela” e lembro O Sr. Zé “Casona” que faleceu há dois/três anos e que teria hoje 100 anos, o qual referia isso mesmo. E aqui podemos perguntar: Se não houve feira porque é que esse registo oral chegou como chegou até aos nossos dias? De qualquer modo, a ter havido feira esta não chegou ao séc. XX, nem ao XIX, nem à segunda metade do séc. XVIII, pois nos inquéritos mandados fazer pelo Marquês de Pombal a todas as paróquias do país a seguir ao terramoto de 1755, e mais precisamente em 1758 a 22 de Maio, o padre de Vila Fernando, Policarpo da Cruz em relação a Vila Mendo só menciona o número de fogos (casas) e a existência de “uma capela do Apóstolo de Santo André aonde se diz missa para administração de sacramentos”. Ora se por essa altura houvesse algum tipo de feira na nossa aldeia, por certo isso seria mencionado dada a importância de tal.
Quanto ao facto de a feira aparecer em vários livros de história, isso, penso, deve-se ao facto de os diversos autores terem por base a mesma fonte: Alexandre Herculano que se enganou ( e aqui não há dúvidas) no foral de Castelo Mendo ao dizer que era de Vila Mendo; foral esse onde vinha a autorização da criação das feiras realizadas três vezes por ano e com os benefícios e privilégios conhecidos.
Quanto aos vestígios, considero que para haver aquele tipo de feiras tinha de haver necessariamente infraestruturas permanentes e duradouras, que não chegaram até nós ou... não existiram. Quanto a isto cito outra vez o Sr. Zé “Casona” que afirmava que os antigos diziam que na construção da Sé tinham vindo buscar muita pedra a Vila Mendo.. Seria, não seria?.. Não temos como verificar objectivamente. Ainda relativamente aos vestígios, penso ter lido uma teoria no jornal A Guarda, há uns anos, de um colaborador do referido jornal que escrevia sobre assuntos históricos, em que afirmava que Vila Mendo teria sido destruída nas invasões francesas, daí a não existências de vestígios. Seria, não seria?.. Contudo esta teoria será, porventura, mais fácil de investigar.
Quanto à confluência de caminhos, à existência dos baldios, ou a existência de uma tradição de negociantes/comerciantes, são argumentos válidos, com certeza, mas que podem ser transferidos e aplicados a centenas de outras povoações onde, por certo, se conjugam estes requisitos e não há registo de qualquer feira…
Termino como comecei: não podemos afirmar taxativamente a inexistência das feiras mas… também não podemos afirmar, taxativamente, que as houve! E perante isto, o que se pretende é que, vendo os indícios, cada qual retire as suas próprias conclusões, sem qualquer tipo de dramatismo ou paternalismo exacerbado em relação à nossa Vila Mendo que é de todos os seus filhos.
Espero ter contribuído para ajudar a pensar melhor esta questão, pese embora não dar uma resposta cabal e objectiva a esta problemática. No campo dos desejos tenho uma certeza: TODOS gostaríamos que a resposta fosse: SIM, mas…
Feiras em Vila Mendo? Eis, ainda, a questão!..

sexta-feira, 15 de março de 2013

Filhos da Terra- Acácio Pereira

Podem ler Aqui mais um artigo de opinião do Acácio Pereira, presidente do sindicato do SEF, no Diário de Notícias intitulado "Mais um modelo policial". Não perca.

terça-feira, 12 de março de 2013

sexta-feira, 8 de março de 2013

Vozes da Terra- Júlio Pissarra


Feiras/Mercados Medievais em Vila Mendo. 
(Clicar nos mapas para melhor visualização)
Quando se pretende analisar um facto histórico é perfeitamente natural que surjam opiniões antagónicas, principalmente com a não existência de verdades absolutas, se é que as há em relação a muitos momentos da História de Portugal e Universal. Todos nós conhecemos situações da História onde o consenso não existe!
No que respeita ao Artigo do Zé Domingos, relacionado com a existência ou não de Feiras Medievais em Vila Mendo, as opiniões também divergem.
Antes de apresentar os meus argumentos que defendem o “Sim” à existência de Feiras Medievais na nossa Terra, vou realizar uma breve reflexão sobre o texto apresentado pelo nosso, atrás referido, amigo de Vila Mendo.
Respeitando a sua opinião penso que, apenas, está sustentada em suposições:
1ª – Quem somos nós para supor que o grande Alexandre Herculano confundiu Vila Mendo com outra localidade?
2ª – “…a sua [Alexandre Herculano] afirmação baseia-se em leitura de Documentos Manuscritos”, afirma o Zé Domingos. Tudo certo, mas então, esses documentos não têm valor? Ou será que se, baseado nos referidos, Alexandre Herculano referisse que provavam existência de confusão, aí já deveríamos acreditar na sua veracidade e autenticidade?
3ª – Referir que não existiram Feiras Medievais porque as casas, agora existentes, têm menos de 120 anos, parece-me, além de uma suposição, algo contraditório, porque de seguida é afirmado que Vila Mendo, antiga Vila Romana, tem cerca de 1800 anos.
4ª – Afirmar que a ausência de vestígios arqueológicos é uma prova também não me parece correto. Todos nós sabemos que, quase diariamente, são descobertas, por esse mundo fora, novas provas arqueológicas. Será que se fosse realizada, em Vila Mendo, uma investigação desse género não seriam encontrados sinais e evidências, dos nossos antepassados, que nos deixariam orgulhosos?
 Relacionada com esta temática a minha argumentação, a favor da existência das Feiras, lança também, algumas suposições, mas acrescenta dados documentais que podem ser importantes para a resolução deste enigma.
Alguns indícios que sustentam a minha Tese:
1º - Francisco Falcon, um dos grandes historiadores brasileiros, diz que Alexandre Herculano era um historiador criterioso, com método científico, que apenas se apoiava em documentação rigorosa e não se deixava influenciar por Lendas ou Mitos. Então pergunto: será que tão ilustre escritor e historiador terá cometido um erro tão crasso ao ponto de confundir as Feiras realizadas na nossa Aldeia?
2º - Na Primeira Imagem vemos a capa do meu Livro de História do 10º ano onde as nossas Feiras são referidas.

3º - Na Segunda Imagem, pertencente à referida Coletânea, podemos ler referências às Feiras de Vila Mendo e observar um Mapa, que cita um prestigiado historiador português, onde, facilmente, se pode identificar a localização exata de Vila Mendo e Castelo Mendo. Se houvesse engano, e agora sou eu a especular, então quase de certeza que Vila Mendo apenas seria citada no mapa ou somente no texto, ou em nenhum deles!
4º - Na Terceira Imagem, parte integrante de um estudo realizado pela historiadora Virgínia Rau e onde é analisada a questão das Feiras Medievais, podemos igualmente, identificar a localização de Vila Mendo e Castelo Mendo.
(“A Evolução Económica de Portugal nos Séculos XII a XIV”. Volume 10º - pág. 123) – Fonte: Castro, Armando – História Económica de Portugal – II Volume, Lisboa, Editorial Caminho.)
5º – Nas duas imagens seguintes vemos outro exemplo de um Compêndio (pág. 508, 509 e 510) da História de Portugal que faz referência às Feiras Medievais em Portugal. Entre outras são citadas as Feiras de Marialva, Trancoso, Castelo Mendo, Sabugal e também as de Vila Mendo!

6º – Para concluir a apresentação de exemplares que falam nas Feiras Medievais de Vila Mendo, vou apresentar a capa e um excerto de mapa, dessa obra (pág. 794), onde a nossa Aldeia volta a estar referenciada.
 
Importa referir que a esta “História de Portugal” foi-lhe atribuída, em 2009, por unanimidade do respetivo Júri, o Prémio Literário D. Dinis instituído pela prestigiada Fundação Casa de Mateus
7º - Além das Obras Literárias, que foram produzidas por diversos historiadores de referência, existem outros aspetos, aliás também referidos e bem pelo Zé Domingos, que me levam a acreditar na existência dessas Feiras. De todos eles dou especial ênfase à Tradição Oral.
Os documentos escritos podem desaparecer ou estarem perdidos em algum arquivo, por isso uma das melhores formas de adquirir conhecimento é através do saber que é passado de pais para filhos, de geração em geração. Esse não se evapora.
Desde tenra idade que ouço meu Tio António Vicente, natural da Miuzela-do-Côa, senhor com perto de 80 anos, referir-se, baseado em Livros de História dos seus tempos de estudante no Liceu, às Feiras Medievais de Vila Mendo.
Devo, aqui também, recordar o testemunho dos meus quatro avós pois todos eles afirmavam que já os seus antepassados se referiam à Feira que, antigamente, se terá realizado em Vila Mendo.
8º - Para concluir deixo aqui um reparo que pode merecer reflexão. Porque será que Vila Mendo desde sempre foi referenciada, e os mais velhos assim o podem confirmar, como uma aldeia de muitos negociantes/comerciantes de gado? Será que esse não foi o grande legado que essas, Feiras da Idade Média, nos deixaram?
Quando tiveram o seu início? Durante quanto tempo duraram? Quando terminaram? Não é fácil responder, mas baseado em alguns sinais e fortes indícios, estou convicto de que a minha amada Vila Mendo teve a sua Feira Medieval.
Abraço a todos especialmente ao Zé Domingos que, através do seu Artigo, proporcionou a existência deste dinâmico, acalorado e, acima de tudo, enriquecedor debate.   

                                                                     Júlio Manuel Antunes Pissarra