sexta-feira, 8 de março de 2013

Vozes da Terra- Júlio Pissarra


Feiras/Mercados Medievais em Vila Mendo. 
(Clicar nos mapas para melhor visualização)
Quando se pretende analisar um facto histórico é perfeitamente natural que surjam opiniões antagónicas, principalmente com a não existência de verdades absolutas, se é que as há em relação a muitos momentos da História de Portugal e Universal. Todos nós conhecemos situações da História onde o consenso não existe!
No que respeita ao Artigo do Zé Domingos, relacionado com a existência ou não de Feiras Medievais em Vila Mendo, as opiniões também divergem.
Antes de apresentar os meus argumentos que defendem o “Sim” à existência de Feiras Medievais na nossa Terra, vou realizar uma breve reflexão sobre o texto apresentado pelo nosso, atrás referido, amigo de Vila Mendo.
Respeitando a sua opinião penso que, apenas, está sustentada em suposições:
1ª – Quem somos nós para supor que o grande Alexandre Herculano confundiu Vila Mendo com outra localidade?
2ª – “…a sua [Alexandre Herculano] afirmação baseia-se em leitura de Documentos Manuscritos”, afirma o Zé Domingos. Tudo certo, mas então, esses documentos não têm valor? Ou será que se, baseado nos referidos, Alexandre Herculano referisse que provavam existência de confusão, aí já deveríamos acreditar na sua veracidade e autenticidade?
3ª – Referir que não existiram Feiras Medievais porque as casas, agora existentes, têm menos de 120 anos, parece-me, além de uma suposição, algo contraditório, porque de seguida é afirmado que Vila Mendo, antiga Vila Romana, tem cerca de 1800 anos.
4ª – Afirmar que a ausência de vestígios arqueológicos é uma prova também não me parece correto. Todos nós sabemos que, quase diariamente, são descobertas, por esse mundo fora, novas provas arqueológicas. Será que se fosse realizada, em Vila Mendo, uma investigação desse género não seriam encontrados sinais e evidências, dos nossos antepassados, que nos deixariam orgulhosos?
 Relacionada com esta temática a minha argumentação, a favor da existência das Feiras, lança também, algumas suposições, mas acrescenta dados documentais que podem ser importantes para a resolução deste enigma.
Alguns indícios que sustentam a minha Tese:
1º - Francisco Falcon, um dos grandes historiadores brasileiros, diz que Alexandre Herculano era um historiador criterioso, com método científico, que apenas se apoiava em documentação rigorosa e não se deixava influenciar por Lendas ou Mitos. Então pergunto: será que tão ilustre escritor e historiador terá cometido um erro tão crasso ao ponto de confundir as Feiras realizadas na nossa Aldeia?
2º - Na Primeira Imagem vemos a capa do meu Livro de História do 10º ano onde as nossas Feiras são referidas.

3º - Na Segunda Imagem, pertencente à referida Coletânea, podemos ler referências às Feiras de Vila Mendo e observar um Mapa, que cita um prestigiado historiador português, onde, facilmente, se pode identificar a localização exata de Vila Mendo e Castelo Mendo. Se houvesse engano, e agora sou eu a especular, então quase de certeza que Vila Mendo apenas seria citada no mapa ou somente no texto, ou em nenhum deles!
4º - Na Terceira Imagem, parte integrante de um estudo realizado pela historiadora Virgínia Rau e onde é analisada a questão das Feiras Medievais, podemos igualmente, identificar a localização de Vila Mendo e Castelo Mendo.
(“A Evolução Económica de Portugal nos Séculos XII a XIV”. Volume 10º - pág. 123) – Fonte: Castro, Armando – História Económica de Portugal – II Volume, Lisboa, Editorial Caminho.)
5º – Nas duas imagens seguintes vemos outro exemplo de um Compêndio (pág. 508, 509 e 510) da História de Portugal que faz referência às Feiras Medievais em Portugal. Entre outras são citadas as Feiras de Marialva, Trancoso, Castelo Mendo, Sabugal e também as de Vila Mendo!

6º – Para concluir a apresentação de exemplares que falam nas Feiras Medievais de Vila Mendo, vou apresentar a capa e um excerto de mapa, dessa obra (pág. 794), onde a nossa Aldeia volta a estar referenciada.
 
Importa referir que a esta “História de Portugal” foi-lhe atribuída, em 2009, por unanimidade do respetivo Júri, o Prémio Literário D. Dinis instituído pela prestigiada Fundação Casa de Mateus
7º - Além das Obras Literárias, que foram produzidas por diversos historiadores de referência, existem outros aspetos, aliás também referidos e bem pelo Zé Domingos, que me levam a acreditar na existência dessas Feiras. De todos eles dou especial ênfase à Tradição Oral.
Os documentos escritos podem desaparecer ou estarem perdidos em algum arquivo, por isso uma das melhores formas de adquirir conhecimento é através do saber que é passado de pais para filhos, de geração em geração. Esse não se evapora.
Desde tenra idade que ouço meu Tio António Vicente, natural da Miuzela-do-Côa, senhor com perto de 80 anos, referir-se, baseado em Livros de História dos seus tempos de estudante no Liceu, às Feiras Medievais de Vila Mendo.
Devo, aqui também, recordar o testemunho dos meus quatro avós pois todos eles afirmavam que já os seus antepassados se referiam à Feira que, antigamente, se terá realizado em Vila Mendo.
8º - Para concluir deixo aqui um reparo que pode merecer reflexão. Porque será que Vila Mendo desde sempre foi referenciada, e os mais velhos assim o podem confirmar, como uma aldeia de muitos negociantes/comerciantes de gado? Será que esse não foi o grande legado que essas, Feiras da Idade Média, nos deixaram?
Quando tiveram o seu início? Durante quanto tempo duraram? Quando terminaram? Não é fácil responder, mas baseado em alguns sinais e fortes indícios, estou convicto de que a minha amada Vila Mendo teve a sua Feira Medieval.
Abraço a todos especialmente ao Zé Domingos que, através do seu Artigo, proporcionou a existência deste dinâmico, acalorado e, acima de tudo, enriquecedor debate.   

                                                                     Júlio Manuel Antunes Pissarra

terça-feira, 5 de março de 2013

Momentos

Fábio Alves; Rodrigo Costa; Andreia Corte Soares; Inês Costa

sexta-feira, 1 de março de 2013

estórias da Terra- Manuel da Silva Gonçalves

Depois da intervenção dos militares na casa da escola, ou casa da professora, após o 25 de Abril de 1974, criámos o Clube da Juventude nesse espaço. Esta experiência foi mal sucedida porque nessa época não se conseguiu reunir as condições e apoios para que o projeto tivesse pernas para andar.
No entanto, passaram-se ali alguns serões agradáveis e recordo, particularmente, mais dois episódios: 
A galinha decepada que caminhava
Recordo-me de uma noite em que, depois de um jogo de “lerpa”, o Adérito para pagar as dívidas foi buscar uma galinha à capoeira dos pais para fazermos uma patuscada. Eu e o Jorge Pereira ficámos com a tarefa de matar a pobre da galinha. Saímos do salão e fomos matá-la num dos terrenos que ladeiam o largo. Segurei-a com as duas mãos, enquanto o Jorge lhe agarrou na cabeça e cortou o pescoço. Para não me sujar com o sangue larguei-a e, para espanto nosso, o animal começou a andar… parecia fugir ao destino. Claro que nós fugimos para o lado contrário e fomos para o salão relatar o insólito acontecimento.
Só a fomos buscar depois de uma grande galhofa e a pobre da galinha acabou por ser cozinhada mas de tão rija, estava verdadeiramente intragável. Devia ser a mais desdentada da capoeira!
Patifaria
Noutra noite, depois do fecho, decidimos colocar todos os carros de bois e carroças que estivessem na via pública virados de lado, isto é com uma das rodas no ar. Para disfarçarmos a autoria da brincadeira nem os dos nossos familiares escaparam.
Na manhã seguinte a pacata aldeia acordou em verdadeiro alvoroço. Só podia ser coisa de gente estranha à aldeia diziam.
A sra. Maria afirmava “os nossos não foram pois até nos colocaram o arado de madeira em cima do portão”; a minha mãe retorquia “ai os meus também não porque os nossos carros também estão virados”.
A estratégia resultou!
Devo acrescentar que fomos cuidadosos e, para além do incómodo, não causámos prejuízo a ninguém.

                                                                             Manuel da Silva Gonçalves

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Neve na Guarda

Nevou com alguma intensidade, pela manhã, na Guarda e logo vários serviços encerraram, nomeadamente as escolas. Fim da manhã e circula-se normalmente. Continuo sem perceber esta peculiariedade da nossa cidade que quase pára quando neva, mesmo que pouco... Que seria das cidades e dos países nórdicos...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Vozes da Terra- Zé Domingos

Feiras em Vila Mendo...
Este dilema surge quando se analisa o facto do grande Alexandre Herculano (que se saiba não se deslocou a Vila Mendo e a sua afirmação baseia-se em leitura de documentos manuscritos) mencionar a nossa terra como um importante entreposto comercial nos primórdios da nacionalidade portuguesa, e se analisa os espaços físico-geográfico de Vila Mendo.
Tendo em conta o empirismo, a geografia e algumas leituras de opiniões de recentes historiadores, leva-me a opinar que o Herculano terá confundido o nosso Vila Mendo com a vila de Castelo Mendo.
Depois de visitar, mais de uma vez, a antiga vila de Castelo Mendo, vi (para mágoa de um vilamendense) não só nas suas condições físico-geológicas, como também o casario da povoação testemunha a sua antiga grandeza, demonstrando que ali estão reunidas as condições logísticas tão necessárias à organização e à segurança das ditas feiras francas.
A “nossa” feira foi criada por Carta de Foral (doada à vila de Castelo Mendo), passada pelo rei Sancho II quando estava em Vila do Touro, a 15 de Março de 1229, com indicação de que será realizada por oito dias, três vezes por ano: na Páscoa, no São João e no São Miguel. Privilegiava todos os que a ela concorressem, tanto nacionais como estrangeiros, teriam segurança contra qualquer responsabilidade civil ou criminal que pesasse sobre eles.
Hoje para os estudiosos, não restam dúvidas de que o Grande Herculano terá confundido a pequena e pobre aldeia camponesa de Vila Mendo do concelho da Guarda, com a vila enobrecida de Castelo Mendo, do concelho de Almeida.
A minha discordância com o dito historiador é baseada nos seguintes aspetos:
A favor da realização das feiras francas em Vila Mendo:
a) O enorme baldio de que hoje resta a “Balça”. É um vale pouco acentuado que começa no Espinhal e termina no rio Noéme que se foi emparcelando. As duas últimas parcelas do seu desmembramento foram, na década de cinquenta, vendidas para angariar dinheiro para a construção da nossa escola.
b) As muitas nascentes que se podem encontrar no vale permitiriam matar a sede aos animais e aos feirantes. Os principais negócios das feiras, na altura, não passavam de trocas de produtos agrícolas e de animais (sobretudo ovinos e caprinos) e de algum artesanato.
c) A localização geoestratégica de Vila Mendo, ponto de encontro de muitos caminhos que seguem de sul e de sudoeste para a cidade de Guarda e de oeste para o Jarmelo, Trancoso (praças muito importantes de antanho. A via que vem de sul e que segue o serpenteado da margem direita do rio Noéme. O caminho que vem do Sabugal- Marmeleiro- Monte Carreto. O caminho vem do Adão e que segue em direção a Jarmelo,Trancoso...
d) A tradição oral que nos foi chegando. Neste aspeto, que me recorde, só após um trabalho de investigação realizado em 1978 pelo meu tio padre António, aquando da sua licenciatura em História, se começou, em Vila Mendo, a dar voz ao assunto.
Aspetos que põem em causa ser Vila Mendo um entreposto comercial.
a) A planta da própria povoação (desculpem-me pelos nomes topológicos que vou utilizar… mas não sei as novas denominações dadas às nossas ruas). Se tivermos em conta que:
. As casas da rua da Capela, a seguir à rua do Zé Velho, não terão mais de 120 anos. As casas dos “cristinas” e dos “cortes” são bem recentes. A casa da senhora Augusta ainda é mais recente. Penso que a nossa capela, durante muito tempo, esteve isolada do casario.
. Na rua de Baixo, a casa dos “marques”, abaixo da casa do Sr. Joaquim Pereira, terá a mesma idade.
. O mesmo acontece para a rua do “Pessigo”, a última casa era, até há bem pouco tempo, a do Sr. Armindo, antiga casa dos “dias”.
. Já me lembro de ver construir a casa que agora é do Sr. José Bragança (antiga casa do Sr. Acácio).
Pelo que, para a antiga povoação e tendo por centro a Moreira, o perímetro exterior do casario passaria num raio aproximado de 50 metros pelo Beco do Forno, “Pessigo”, Beco da casa do António Bragança, rua do Zé Velho, estendendo-se pela rua de Baixo até à casa do Sr. Manuel André, passando depois pela casa do meu pai (Joaquim Domingos), pela casa dos meus tios que estão no Alentejo e fechando-se o círculo do casario na casa da “ti Ana Corte” onde se une ao Beco do Forno. Este seria o perímetro no início do século XX.
(Se pensarmos que a nossa terra terá sido uma pequena quinta, “vila”, romana, pelo que terá pelo menos uns 1800 anos) logo, o espaço urbano pouco se desenvolveu. Penso mesmo que a primitiva aldeia foi constituída por pequenos aglomerados de casas que aos pouco se foram ligando. Esta hipótese parece-me razoável, uma vez que, ainda hoje, podemos, empiricamente, constituir alguns conjuntos de casas, tendo por base as portadas, no alçado frontal existem e estão viradas para o interior do casario, no alçado posterior, (parte de trás das casas), janelas inexistentes ou pequenas frestas. Uma forma de evitar assaltos pela retaguarda.
Não vislumbro, na nossa terra, estruturas para colmatar as necessidades logísticas de eventos que duravam mais de 24 dias por feira. Saliento, entre outras necessidades, espaços cobertos/fortificados para guarida dos organizadores/responsáveis pela feira, fiscais/cobradores de impostos, lugar para aprisionar os criminosos da feira (pelourinho)… e porque não, locais para as práticas religiosas “obrigatórias” nessa altura. A nossa capela, mesmo com o aumento da década de setenta, não daria resposta às necessidades de tantos feirantes.
Podemos alvitrar que se armavam tendas como nos acampamentos militares, mas se nos lembrarmos que eram três feiras por ano, bem calendarizadas no tempo e que se mantiveram por mais de cinquenta anos… a solução das tendas fica desmontada.
b) Não há qualquer vestígio de pedra artisticamente trabalhada nem de casas senhoriais. Se percorrermos as nossas velhas ruas não vemos vestígios de pedra embelezada que a identifiquem como pertencente a construções senhoriais. As portadas da casa da família do Sr. Manuel Domingos, situada no cruzamento das ruas do Zé Velho com a Rua da Capela, não passam de uma habilidade de um pedreiro e nada mais.
A hipótese das casas solarengas terem sido desmanchadas para, com as suas pedras, se construírem, na cidade da Guarda, novas habitações, não é descabida. Este tipo de pedra artisticamente trabalhada também não se encontra nas aldeias mais próximas, situadas a sul da cidade da Guarda. No entanto, encontram-se facilmente pedras trabalhadas nas aldeias localizadas a norte e a leste da cidade.
Será matéria para se pensar…
A primitiva casa vilamendense era térrea, muito baixa, com minúscula ou mesmo inexistente chaminé, casa com pouca luz natural (porta da rua, janelas inexistente ou uma/duas no alçado frontal). No seu interior, uma sala (recebia a luz natural da porta da rua), com ligação para a cozinha com uma pequena fresta (quando havia) e para dois ou três cubículos escuros para as enxergas cheios de palha de centeio. Tinha um pequeno curral, um cabanal, um pátio para o porco e uma corte para os animais. Ainda se encontram exemplares no Beco do António Bragança, a antiga casa do Sr. Zé Monteiro e Zé Pereira, no Beco do Forno.
c) Não há vestígios de fontenários nem de nascentes, dentro do perímetro da aldeia, capazes de garantirem água para matar a sede às centenas de visitantes. O chafariz e a fonte ao fundo da aldeia, não seriam suficientes, nem teriam depósito para garantir o abastecimento contínuo de água. Se me recordo, o chafariz é recente, pois ouvi o Sr. José Bragança, “velho”, falar da sua construção e da canalização das águas em tubagem cerâmica. Pelo que, no interior da planta do antigo casario, não há vestígios de nascentes e nem haveria lugar para as represas. E, sendo assim, só teremos a fonte, junto à casa de meus pais, para abastecer toda a aldeia. Possivelmente, haveria algumas picotas em volta das casas, como o testemunham os poços nos quintais dos “cortes” “gregórios” “tia augusta”, no “chão da fonte”...
d) O próprio local para a feira não apresenta condições físico-naturais ideais para estadas tão prolongadas. É um espaço aberto. Não há abrigos naturais capazes de defenderem os feirantes e os animais das intempéries e muito menos de assaltantes (apesar de estarem protegidos pela Lei real). Lembro que as feiras se realizavam na Páscoa, (no frio de março/abril), S. João (fins de junho) e pelo S. Miguel (29 de setembro).
A povoação de Vila Mendo não passaria, pois, de uma pequena e pobre aldeia que abrigava pobres camponeses e pastores com habitações a condizer.
Isto não significa que não tenhamos orgulho nos nossos antepassados. Nós somos filhos/herdeiros de homens que resistiram, pela sua capacidade de labuta, às intempéries, às fomes, às pestes e às guerras. Que foram capaz de rasgar a terra com a sua força bruta, para tirar o alimento. Plantaram árvores, de que os centenários castanheiros são ainda testemunhos vivos. Construíram paredes, rebentaram barrocos usando apenas simples picos e pequenos ferros. À força do braço, arroteando terrenos incultos, tornando-os em campos férteis. Não há conhecimento de crimes violentos, antes pelo contrário, os exemplos que chegaram aos nossos dias mostraram-nos que cultivaram a comunhão de esforços, a cooperação e a interajuda.
Não será, pois, o engano do grande historiador que nos irá tirar o prestígio angariado ao longo dos 2000 anos de existência. A força e o dinamismo da associação são prova disso mesmo. Mas... como pessoas de bem, devemos dar o seu ao seu dono...
                                                                                    Zé Domingos

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Exposição fotográfica

Está a decorrer no café "Oh da Guarda" (em frente aos correios) uma exposição de fotografia, sobre a Guarda, da autoria de Júlio Pissarra. Visite-a.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

estórias da Terra- Manuel da Silva Gonçalves

"O diabo que tocava o sino"
Era tradição no sábado de aleluia tocar-se o sino depois da meia-noite, mais propriamente no domingo de páscoa, até de madrugada ou até que os moradores mais próximos da capela  esgotassem  a paciência e nos solicitassem para pararmos pois precisavam de descansar. Esta é uma manifestação de regozijo para os crentes na ressurreição de Jesus Cristo e é tradição em toda a região beirã.
 Numa dessas noites, depois de termos jogado uma partida de futebol no largo da escola ao luar, pois energia elétrica ainda não havia, resolvemos ir tocar o sino ao Monte Carreto.
Claro que esta ousadia não passava de uma provocaçãozita para com os habitantes daquela aldeia vizinha!
Mas a coisa tinha de ser bem engendrada…
Devíamos ser para uns quinze malandros. Alguém arranjou uns metros de cordel de atar os fardos do feno e pelas duas ou três da manhã aí vamos nós a pé pelos trilhos e caminhos rurais. Quando nos aproximámos da capela da aldeia vizinha, vimos que havia meia dúzia de jovens locais à volta de uma pequena fogueira. Sem que nos tenham visto, escondemo-nos num terreno próximo e, pacientemente, esperámos que o grupo dispersasse e recolhesse às suas residências. Assim aconteceu. Quando se afastaram o suficiente para não darem pela nossa presença, passámos à ação. Acompanhado por dois ou três companheiros subimos a escadaria exterior que nos levava até ao sino e atámos o cordel ao badalo. Depois foi só desenrolar o cordel até passar o muro do quintal mais próximo onde tinha ficado o resto da equipa escondida no meio do centeio. Antes de regressarmos ao grupo, um de nós deu uma valente “carreirinha” do género “tocar a rebate” e depois, de forma mais espaçada e com adequada cadência, o sino tilintava o dlim-dlão cada vez que o cordel era puxado.
Aconteceu aquilo que prevíramos…
Os jovens residentes que momentos antes tinham estado à volta da fogueira começaram a regressar à capela, assim como outros residentes, para tentar perceber o que se estava a passar.
Dizia uma das raparigas:  “ Isto é o diabo! Então o sino toca sozinho, é o diabo!”
Imaginam o gozo que esta cena nos deu.
Quando os pasmados moradores se aproximaram o suficiente, nós, os diabretes, largámos o cordel e fugimos para não sermos reconhecidos.
                                                                              Manuel da Silva Gonçalves

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Neve em Vila Mendo

Boneco construido pelo Fábio, pelo Ricardo e pelo Telmo
(Fotografia do Fábio)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Momentos

Alfredo Gonçalves; Luís Pereira; Manuel Joaquim; Carlos Soares

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Momentos

Momentos... regados!.
Fotografia de Júlio Pissarra

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Momentos

 Os "velhos mordomos do porco" ao centro- Telmo Conde e Zé Gonçalves- ladeados pelos "novos mordomos do porco"- Paulo Soares e Júlio Pissarra
Entre outros, César Gonçalves; José Igreja; Tiago Gonçalves

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Matança do Porco

 A Equipa
 O almoço
 A tarde
O jantar

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Vozes da Terra- Manuel Corte

Vendedores Ambulantes e outros Viandantes (anos sessenta)
Com os produtos transportados à cabeça, em mulas, carros de mão, burros e outros, vinham até nós a peixeira do Adão que vendia à dúzia ou ao quarteirão (25 unidades) as deliciosas sardinhas e três chicharros, com 25 a 30 centímetros de comprimento, pelo preço de 2H50 (dois escudos e cinquenta centavos), valor equivalente, hoje, a um cêntimo e vinte e cinco!
O azeiteiro que vinha do Mondego (Lageosa, Faia ou Aldeia Viçosa) fazia-se transportar na sua mula e oferecia-nos o delicioso produto (azeite) que comportava em “odres” (pele de animal, devidamente limpa e com a parte inferior da mesma volta para dentro fazendo lembrar sacos do tipo alforges que caiam cada uma para seu lado da mula).
Surgiu também o "petroleiro" (ou azeiteiro) com a sua carroça puxada por mulas vendendo entre outros bens : açúcar, massas, bacalhau, arroz e muitos outros congéneres, dando o seu sinal de chegada com a corneta de latão.
Dos lados do Sabugal, mais propriamente da Nave, vinha o Sr. Manuel Portas e do Toito vinha o seu irmão, o Sr. Zé Portas que capavam (castravam) os suínos (gorrilhos), porcos de raça preta oriundos do Alentejo. O seu anúncio era feito por uma gaita-de-beiços.
Não queria descurar o tão conhecido Carlitos das Facas e Foices que coxeava perante a presença de alguém e corria como desalmado quando se apercebia que não estava a ser visto!
O Sr. Chico das Bananas, nome por que era vulgarmente conhecido, irmão da Senhora Zulmira de Vila Fernando, vinha da Covilhã com cestos de Verga e trazia-nos as laranjas, as bananas, os figos, os pêssegos e outros frutos que trocava por batatas, ovos, ou galinhas.
Também semanalmente, ao Domingo pela manhã, vinham, o Sr. Manuel Barbeiro e o seu filho Sr. José Barbeiro, cortar o cabelo e barba aos seus clientes num espaço anexo à casa do S. Elísio da Fonte, no lugar da Amoreira, onde se juntavam vários homens, para gracejar e falar da vida rural. O Barbeiro era, na falta do médico, o curandeiro/enfermeiro que administrava injecções. Como o dinheiro era escasso, cobrava o seu trabalho em géneros: centeio, milho, feijão, batatas… e este contributo era feito anualmente.
A “Ti” Leopoldina do Monte Carreto, e avó da Cristina do Zé Albino, ia com frequência à Espanha(Fuentes de Oñoro) trazendo consigo entre outras coisas: trigo espanhol, óleo de fígado de bacalhau, alpergatas e o doce “Ceregumil” que a minha saudosa mãe nos dava para abrir o apetite. Esta pequena actividade era denominada por contrabando, pois tudo o que se levasse para além fronteira ou se trouxesse estava sujeito a coima ou a ficar sem o produto.
Radicado no Adão, mas descendente do Dominguiso, Covilhã, vinha o Luís Moco acompanhado do filho oferecendo vários tecidos, entre eles o conhecido “Serrubeco”, tecido quente que também era usado na confeção de calças e usado na feitura do capote tradicionalmente engalanado com a gola de raposa.
O “Ti” Domingos de Argomil também era visita obrigatória todos os meses: pedia esmola para sua subsistência e pernoitava com frequência em casa da Senhora Professora, Dona Noémia (Antónia) de Vila Garcia.
Os Latoeiros ou caldeireiros também eram presenças habituais na nossa aldeia. Consertavam pequenos orifícios em tachos, panelas de ferro, caldeiros, baldes de extrair água dos poços ( “ógar” os poços), entre outros trabalhos. Faziam, a pedido do cliente, caldeiros de zinco, copos de nora, assadores de castanhas, etc… Um destes “funileiros” fazendo-se acompanhar por uma das suas filhas, que aleijada de uma das mãos pelo próprio pai, batia com o martelo duas vezes no objecto e uma na mão da pequena cantando ao mesmo tempo a seguinte quadra:

O pintor pintou Santa Ana
Também pintou Santa Leonor
Pintou a Senhora de Fátima
Com tinta da mesma cor

Como recordar é viver, voltarei a este espaço de memórias com mais relatos e factos das minhas vivências de meninice.
                                               Manuel Corte


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Neve na Guarda

Ontem, por volta das 21h 
Hoje, por volta das 9h

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Neve na Guarda

Às 9 da manhã. Nevou um pouco e a cidade quase parou!.. Se com tal quantidade de neve os serviços fechassem em alguns países, estes paralisavam meio ano!..

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

estórias da Terra- Júlio Pissarra


        Júlio Pissarra                  Paulo Soares               Zé Gonçalves


A Guita
Nesses tempos Vila Mendo possuía, propriedade da Lurdes e do Filipe Barbeira, um Mini-Mercado.
Era nesse local que eu e o meu amigo Paulo Soares iniciávamos muitas tardes de Verão. Depois do almoço nada melhor, para sobremesa, que um delicioso gelado. Certo dia, enquanto saboreávamos o referido refresco, surge, de carro, o meu primo Zé Gonçalves. Eu e o Paulo fizemos logo sinal para ele parar. Assim fez! Mas logo avisou que “… só ia a casa do Carlos das “Ínsuas” buscar a Guita que ele tinha trazido da Guarda, para ir enfardar feno”. Mesmo assim fizemos questão de ir, mas de seguida, o Zé, sentenciou:
- Hoje não vai haver “Festa!!!”... há muito que fazer..!
Em casa, o Carlos, não estava.
- Deve estar no “Beto” - Disse o Paulo.
Mas não estava.
- De certeza que está no “Boteco” da Quinta de Cima - Disse eu.
- Já sei o que quereis, mas não estais com sorte! …muito que fazer!!! …buscar a Guita e “vou-me b´ora”!!! - exclamou o Zé.
Voltamos a parar no “Beto”, mas só para bebermos mais uma cerveja, visto que do Carlos das “Ínsuas” nem rasto.
- Deve andar para a Estação. - Comentou o Paulo.
Na tasca da “Mariazinha”, nada!
- Sr. Costa, esteve aqui o Carlos das “Ínsuas”? - Não! - Respondeu.
No “Zeca Lucas” ninguém o tinha visto. Quem sabe no café do Sr. Carlos Alberto?! Mas também não se encontrava.
- Onde andará o Carlos? E logo hoje que preciso tanto da Guita! – exclamou, desanimado, o Zé…
No fundo, este Roteiro, apenas estava a servir para se saborearem umas frescas “Minis”! Mas como a esperança é a última a perder …
De repente o Paulo dá com a solução.
- Já sei onde está!
- Onde?! - Questionámos eu e o Zé.
- Está no Albardo. É lá Festa!Na viagem par o Albardo o Zé foi peremptório ao afirmar que se não encontrassemos o Carlos regressaríamos a Vila Mendo ou então deixar-nos-ia, a mim e ao Paulo, em Vila Fernando. Mas do Carlos nem sinal. Quanto mais da Guita..! Bebidas mais algumas cervejas o Zé avisou:
- Bebemos mais uma e “vaz´ebora”! Tenho muito que fazer!!! Tal…! … ver do Carlos “da Quinta”… tem lá a Guita… Tal..! … enfardar o Feno…
Quando saíamos desta localidade encontrámos os Mordomos da Festa munidos de alguns foguetes.
- “Oh amigo” posso deitar um foguete? - Perguntou o Zé.
- Claro que sim. - Respondeu o Mordomo.
Depois de deitar o foguete e já resignado, o Zé, vira-se para os dois amigos e diz:
- “Quereis Festa. Não é?! Já não enfardo o feno, hoje não faço mais nada, mas já estais *Lixados comigo!!!
Mais uma ronda por todos os Cafés da nossa Freguesia, mas só para beber cerveja, porque pelo Carlos já nem perguntávamos…
Com a tarde a avançar, a fome começou a chegar. Então, eu e o Paulo, começámos a pedir ao Zé para regressarmos a Vila Mendo. Mas o Zé não esteve pelos ajustes.
- Até aqui andei ao vosso mando, agora quem manda sou eu. Vamos ao “Beto”!
Aí “estacionámos” e muito tarde de lá saímos. Bem suplicávamos, ao Zé, para irmos comer. Mas o Zé respondia:
- Agora aguentais! Beto, põe aí mais umas “Minis”!!!
O que nos salvou foi o facto do Sr. António Pires ter oferecido um queijo para o pessoal petiscar. Foi como uma dádiva de Deus! Vá lá, ainda serviu para “enganar” o estômago… Nessa altura, até, já o Carlos das “Ínsuas” confraternizava connosco…!
Entretanto a minha Tia Lídia, mãe do Zé, ligava regularmente para o café do Beto e perguntava pelo filho. O meu primo fazia então sinal, ao Beto, para ele dizer que já tinhamos saído… Mas como as chamadas não paravam o Zé teve que atender.
- Mãezinha, mãezinha do coração! Vou já, vou já! - Exclamava o Zé.
Já ultrapassadas as 22h regressámos, finalmente, a Vila Mendo!
No Largo da Amoreira um grupo de Senhoras esperava pelo nosso regresso. A expressão facial da minha Avó Purificação, da Tia Lídia e da Sra. Lurdes mostrava a preocupação e mal-estar que sentiam.
- Louvado seja Deus! – Disseram em uníssono a Avó Purificação e a Tia Lídia.
- Andai cá que já levais!!! - Sentenciou a Sra. Lurdes.
- Fala tu com elas. - Disse o Paulo.
Então o Zé sai do “Golf” e numa atitude de quem dá uma ordem e quer vê-la imediatamente cumprida esclarece:
- Vá! Vá! Pouco barulho! Pouco barulho! As três já para casa e caladas! Porque se não voltamos já atrás!
Resignadas e menos preocupadas, as três ilustres Senhoras, lá regressaram a casa. Então eu, o Paulo e o Zé fomos “deitar de comer ao gado” do Zé, que já desesperava por uma retemperadora refeição…
E assim conclui a estória de uma tarde de Agosto que, ainda hoje, os seus protagonistas recordam com humor e alguma nostalgia.
Ah! Já me esquecia! A muito procurada e desejada Guita nunca chegou a Vila Mendo!!!
O Feno?! Bem… o Feno… apenas foi enfardado passado dois meses!!!
Abraço e até à próxima Estória da minha amada Vila Mendo!



quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Momentos

João Gonçalves, José Eduardo; Manuel Joaquim
Jantar de Natal

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Vozes da Terra- Padre Carlos Fonte

Sou um cidadão de Vila Mendo. Nasci 5 de setembro de 1959, filho de Joaquim Gonçalves da Fonte e de Prazeres da Silva Terras. Tenho dois irmãos: o José Domingos e o António Terras e duas irmãs: Maria dos Anjos e Joaquina Clara.
Os meus pais sempre nos educaram no respeito, na delicadeza para com os outros e a saber conviver condignamente com as crianças da nossa idade. Quem levou a nossa educação mais a sério foi a minha mãe, já que o meu pai foi para a França quando eu tinha dois anos, de onde regressou quando tinha 11. Depois fui para o seminário de Vila Viçosa e mais tarde para Évora. Ordenei-me sacerdote a 14 de dezembro de 1985.
Da minha infância recordo-me de uma Sra. Augusta. Um dia ao pôr-do-sol eu e outras crianças andávamos a brincar, nisto sentimos um carro a passar, coisa muito rara nesse tempo. Fomos todos a ver quem era. Era o Sr. Doutor, o médico de Vila Fernando, que vinha consultar a Dª Augusta. Eu, como lareto que era, metia a cabeça e os olhos em tudo para ver. Passados uns momentos vejo duas mulheres, (não digo o nome com respeito às pessoas) com um candeeiro a petróleo a irem à sala de estar. Abriram uma gaveta onde vi tanto dinheiro, coisa que nunca tinha visto até aqui. Eram vários molhos de notas. Pegaram numas notas e pagaram ao médico. Com esta admiração, falei disto à minha mãe.
A Sª Augusta morreu e dizia-se por todo o lado que o sobrinho Valdemar tinha roubado a tia, pois não havia dinheiro nos bancos nem em casa. Eu penso que a minha mãe teria contado a alguém o que se tinha passado comigo. Certo dia, vinha com as vacas uma dessas mulheres, que tomavam conta da D. Augusta, esperavam-me a mim mais a minha mãe. Ela perguntou-me se era verdade ter visto tanto dinheiro na casa da Sª Augusta. Eu respondi que sim, que era verdade. Parti rapidamente para o largo da escola já que os meus colegas andavam a jogar a bola.
À noite veio a outra mulher à nossa casa, enquanto a minha mãe fazia a ceia, a fazer a mesma pergunta à qual respondi que sim. Essa pessoa disse à minha mãe que eu estava a mentir com quantos dentes tinha na boca e pediu-lhe para me bater, ao que minha mãe disse não, se dizia a verdade, porque havia de bater no filho.
Passados uns longos anos zangaram-se entre elas, e veio-se a saber que era verdade. Pois uma ao chegar a casa disse para o marido: "J” trago aqui 20 mil escudos da tia Augusta". Ora, isto multiplicado por quatro, era uma grande soma naquele tempo.
Isto só serve para dizer e acentuar a forma como a nossa mãe nos educava e como era e é importante  a Verdade.
Recordo o jogo do "Fito". Duas pedras na mesma direção, e outras duas no lado oposto. Jogava-se com duas equipas dois de cada lado, quem derrubasse primeiro tinha o prémio de ser levado às cavalitas para o outro lado oposto e continuava assim o jogo.
Recordo o jogo "aí vai alho", eram 4 ou 5 de cada equipa, um encostava-se a uma parede e os 4 “amochavam”, enquanto os outros pulavam para cima até se contar uma certa quantia de números, senão se conseguia começava-se tudo de novo, se aguentavam trocavam-se as posições.
Aos domingos depois da missa ou jogávamos à bola com outra terra vizinha ou entre nós. Também íamos para a ribeira aos peixes ou simplesmente nadar, na ribeira ou nos tanques do Dr. Crespo.
Vila Mendo deve orgulhar-se de si mesma: é muito solidária, a entreajuda era constante entre todos principalmente na tira das batatas, nas malhas do centeio ou no recolher do feno. É uma terra pequena do concelho da Guarda mas onde existem pessoas formadas em vários serviços: só falta haver um Primeiro-Ministro e um Presidente da República!
Tenho muito orgulho de pertencer a esta terra.
Agradeço a todos pelo que têm feito por ela. A todos o meu muito obrigado.

                                                                P. Carlos Fonte

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Tradições

Matança do porco em Vila Mendo (família do Sr.José Soares e da Sra. Ana Maria)
Fotografia de Henrique Nascimento

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Crónica Diária- Rádio Altitude

Amanhã, mais uma crónica minha na Rádio Altitude. Às 09h15 e depois às 17h15 sensivelmente. Ou então em www.altitude.fm

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Vozes da Terra- Manuel da Silva Gonçalves

Vila Mendo nos anos sessenta
Preâmbulo
Ao aceitar o desafio de escrever um artigo sobre Vila Mendo surgiram vários temas passíveis de abordar mas, atendendo à carreira profissional que abracei um deles, naturalmente, impôs-se a todos os outros - A Escola.
Evidentemente, que nesta abordagem sobre a importância da escola primária numa pequena aldeia do interior do país na segunda metade do séc. XX, não deixarei de referir alguns aspetos sociológicos que, do meu ponto de vista, ajudam a contextualizar e a melhor compreender o dia a dia desta comunidade.
Num artigo desta natureza onde o narrador não tem distanciamento temporal e afetivo pode inevitavelmente incorrer em alguns detalhes de análise que importa nesta nota prévia ter em consideração:
- A interpretação das vivências que perduram no baú das minhas memórias poderá surpreender alguns dos leitores e, por razões óbvias, omitirei nomes quando a descrição de alguns factos for, de algum modo, incómoda para os próprios personagens ou familiares;
- O facto de residir longe da aldeia natal não me permitiu fazer a recolha rigorosa de informação como seria desejável, até para confirmar alguns dos relatos orais que suportaram alguns factos especialmente relacionados com a construção da escola.
A Escola
A construção da escola na aldeia tornou-se uma necessidade nos finais da década de quarenta porque a escola da sede de freguesia estava sobrelotada e, naturalmente, Vila Mendo como a anexa mais populosa e, portanto, com maior número de crianças e jovens em idade escolar, associada ainda ao facto de ser, depois da Aldeia de Stª Madalena, a mais distante da freguesia, teve prioridade perante as outras anexas.
Para o aumento da população terão contribuído, supostamente, alguma prosperidade local com a exploração do minério durante a segunda guerra mundial e com o comércio de ovinos e porcinos, feito pelas famílias mais abastadas. Às famílias numerosas dos naturais com destaque para os apelidos cortes, cristinas, bernardos, marques, gregórios, capelos, domingos, andrés, inácios, braganças, soares, ritas, maximinos, abreus,…juntaram-se novas famílias que vieram trabalhar de caseiros como os pereiras, os casonas, os patrícios, os espinhas, etc. De referir ainda que na época os agregados familiares tinham em média seis a sete filhos.
O analfabetismo era generalizado, poucos eram os residentes que tinham a 4ª classe, pois os três quilómetros que pela estrada antiga ligavam a aldeia à sede de freguesia onde se situava a escola, sem transportes privados ou públicos, levavam a que muitos desistissem da escolaridade. Ainda assim, predominavam no sexo masculino aqueles que tinham a terceira e a quarta classes porque o sentimento relativamente ao sexo feminino era discriminatório e comumente afirmava-se que as mulheres não precisavam de saber ler. As exceções, relativamente às mulheres que sabiam ler, pertenciam a famílias que tinham parentes em localidades com escola e temporariamente saíram da aldeia para adquirir instrução básica ou então outras que se fixaram aqui através do casamento.
O padre Júlio tomou a iniciativa de reunir a população, provavelmente após alguma missa por alma de algum defunto recente e sensibilizou os principais representantes da comunidade para que o projeto da construção da escola avançasse.
Pela informação que consegui recolher não houve quaisquer ajudas estatais, da câmara municipal, da junta de freguesia ou até da própria paróquia para a construção do edifício escola. Portanto, a comunidade teve de suportar os custos deste edifício e contribuiu essencialmente com o trabalho: transporte em carros de bois da pedra que foi cortada nos terrenos da moita longa e na quinta de vale de carros.
Para pagar outros materiais e a mão de obra especializada - os pedreiros e carpinteiros – venderam-se duas parcelas do baldio, mais de 50% da área, aos senhores Manuel Domingos e Manuel Gregório. Os pedreiros pertenciam à família Marta de Vila Fernando, enquanto que os carpinteiros vieram das Pousadinhas e Monte Carreto.
A família corte cedeu os terrenos não só da implantação do edifício mas, também, o próprio recreio ou largo da escola e ainda uma pequena área que ficava nas traseiras da escola e que de forma abusiva, mais tarde, veio a ser vendida pela junta de freguesia.
O edifício não respeita a tipologia utilizada então, o designado “Plano dos Centenários” que foram edificados por todo o país depois de 1935, esta é uma arquitetura simples, de linhas direitas com duas águas, orientado poente/nascente, só de rés do chão, com 17m de comprimento por 8m de largura, aproximadamente; no alçado principal duas portas altas e 5 janelas rasgam os blocos de granito da fachada principal; no alçado tardoz, 3 janelas grandes e uma pequena que dá para os arrumos que ficavam a seguir ao hall de entrada. O espaço interior dividia-se, essencialmente, em dois espaços – a sala de aulas e a casa da professora.
O acesso à sala de aulas fazia-se pela porta poente que dava para um hall onde havia uma zona com bengaleiros e ao fundo uma pequena divisão para arrumos onde mais tarde fizeram uma casa de banho. Sim, porque no projeto inicial não havia casa de banho a exemplo de todas as restantes casas da aldeia. Evidentemente que não havendo saneamento básico nem eletricidade como poderia ser feita a limpeza diária dos sanitários? Por outro lado esta necessidade certamente não foi considerada uma prioridade para os mentores do projeto. Saberiam eles o que era uma casa de banho? Havia uma bacia numa estrutura metálica que servia de lavatório no hall que dava para a sala de aula. Relatarei mais adiante como foi encontrada a solução para este problema no tempo em que frequentei a escola.
A sala de aulas de forma retangular com 7m x 7,40 m, o que perfaz 51,8m2, com soalho e teto em madeira, com 3 janelas para o pátio e duas para as traseiras. Nas paredes um quadro de ardósia ao fundo, um crucifixo na parede e os quadros dos governantes Salazar e Tomás. Três filas com 4/5 carteiras com dois lugares cada, uma secretária com a respetiva cadeira, uma salamandra ao fundo à esquerda amenizava o ambiente nos dias frios de outono e inverno, equipavam o espaço.
O material didático resumia-se ao Mapa de Portugal e das Regiões Ultramarinas, um globo e uma caixa métrica.
A casa da professora, hoje o bar da Associação, tinha divisões em madeira e, se a memória não me trai porque com o 25 de abril este espaço foi modificado, tinha à entrada um espaço tipo sala de estar, com uma janela e uma porta que permitia o acesso interior à sala de aula, à direita a cozinha com lareira e uma janela para o pátio, ao fundo à direita uma sala contígua à cozinha com uma janela para as traseiras e do lado oposto um quarto sem luz exterior.
Foi neste espaço escolar, numa aldeia beirã, com menos de duzentos residentes, que ao longo de mais de meio século as crianças tiveram oportunidade de fazer os primeiros anos de escolaridade, de abrir horizontes que só o conhecimento permite .
Por aqui passaram professoras regentes e professoras diplomadas como se dizia na época. Vieram de localidades próximas e poucas ficaram a residir na casa da escola. Os apelidos da maior parte das docentes não consegui apurar, por isso indico a localidade a que pertenciam: Capitolina - de Pousade, Clara - da Gata, Aida Maria e Irene - de Albardo, Alcina – de Monte Carreto, Aida – de Malcata, Ana Calçada – do Penedo da Sé, Olinda e Arlete Pissarra – de Vila Garcia. A última professora a lecionar na aldeia foi a Arlete Pissarra no ano lectivo 2004/05 ou 2005/06.
Este rebuscar de memórias ficaria incompleto se não expressasse o que foram os meus primeiros quatro anos de escola primária, alguns episódios marcantes e reveladores da ausência de qualidade pedagógica, da impreparação para ensinar, da selvajaria praticada pela I. sobre alguns dos meus condiscípulos. Falo concretamente de factos ocorridos nos anos letivos entre 1964 e 1968. Devo acrescentar que o estilo de ensino que se denuncia não foi infelizmente um caso isolado mas fazia parte do sistema vigente, num tempo em que educar se confundia com maltratar. Não podemos esquecer que para o ditador Salazar qualquer “pastor”, sem desprimor para esta profissão, poderia ensinar a ler e a escrever. A autoridade do professor não se questionava como nos tempos que correm...
Quanto à “pedagogia” aplicada pela referida senhora vou deixar-vos alguns exemplos: agarrar os cabelos da H. P. e bater com a cabeça da aluna no quadro; colocar o aluno de joelhos virado para a parede; x reguadas por erro ou por problema mal resolvido, etc. Mas de todos os castigos aquele cuja imagem eu retenho e que não mais esquecerei, foi aplicado algumas vezes a duas alunas que tinham dificuldades de aprendizagem mais acentuadas que os restantes, refiro-me à H.M. e à P.P. – a professora entalava a cabeça destas alunas entre as suas pernas, levantava-lhes as saias e malhava naqueles rabos virados para a turma, com a régua que o carpinteiro senhor José André lhe havia feito (uma tira de madeira polida com mais ou menos 55cm x 8cm x 2cm), até se cansar. Era uma desumanidade! A pobre da H. tinha a particularidade de não soltar um gemido ou uma lágrima perante estes maus tratos e isso mais contribuía para que a docente se enfurecesse e a pancadaria continuasse.
Lembro-me que na sequência de um destes ”tratamentos” à P.P., a mãe da aluna foi pedir explicações à professora e durante a discussão a encarregada de educação, a senhora M.P. incentivou-nos a cantar o hino nacional e a turma não se fez rogada e desfiou por completo A Portuguesa, perante o ar incrédulo da regente. Solidarizámo-nos desta forma com os protestos.
Alguns anos mais tarde, compreendi que certamente fui poupado a alguns castigos físicos porque o meu avô que era da mesma terra da professora I., lhe havia feito uma espera e a avisou que tivesse cuidado com a forma como tratava os netos dele. Certamente que percebeu a dica!
Durante os anos que frequentei esta escola a solução encontrada para a inexistência das casas de banho foi utilizar os caminhos e terrenos adjacentes à escola para urinar e defecar. No entanto, isto fazia-se com separação de sexos, às meninas estavam reservadas a área das traseiras da escola e o acesso à tapada velha, aos rapazes estava destinado o caminho da barroca que dá acesso ao Monte Carreto.
Recordo que cada um de nós tinha o seu próprio urinol. Não era mais do que uma poça feita na terra junto à parede. Caprichávamos no arranjo da mesma e do seu escoamento, sempre com respeito pelas dos colegas, faziam-se alguns concursos sobre quem conseguia que o líquido percorresse maior distância.
Ainda hoje me interrogo, como resolveria a professora as suas necessidades fisiológicas?
Material Escolar
Os materiais escolares não tinham a diversidade que existe hoje: livro único, ardósia com ponteiro, sebenta para os deveres, caderno de duas linhas, lápis de cor, lápis de carvão, caneta de aparo e mata-borrão, sacola de tecido feita pela mãe, com uma alça comprida que permitia a colocação a tiracolo.
A caneta de aparo era formada por uma pega de madeira em forma cónica e na extremidade mais grossa tinha um aparo metálico rasgado no sentido longitudinal, do tipo das canetas de tinta permanente. Esta caneta era o verdadeiro terror dos alunos porque tínhamos de fazer as cópias e as provas com este utensílio.
As carteiras tinham um tinteiro ao meio onde nós molhávamos cuidadosamente o aparo e fazíamos então a cópia. Esta tarefa era muito delicada, exigia uma motricidade fina bem adquirida por parte do executante e era fundamental que a quantidade de tinta fosse bem calculada, pois à mínima distração caía um pingo na página e dava-se mais um pretexto para a régua aquecer as mãos. O mata-borrão minimizava os estragos porque servia para embeber a tinta.
A ardósia era o nosso quadro em ponto pequeno, era o nosso magalhães/tablet sem software.
De formato retangular um pedaço de xisto polido com, aproximadamente, 25cmx18cm, com caixilho de madeira de pinho. Um ponteiro igualmente de ardósia com o qual riscávamos a pedra, completava o conjunto.
Aqui podíamos corrigir aquilo que não estava em conformidade, uma pequena esponja ou um pedaço de tecido molhado, qual tecla DEL, apagava tudo.
Um verdadeiro quadro mágico!
Ai que saudades ai, ai!
O Recreio
As nossas brincadeiras limitavam-se a jogos de pequena organização e com recurso a materiais que nós próprios produzíamos ou recolhíamos da natureza: a apanhada (agarrar como dizíamos), o jogo do bugalho, o saltivão da corrida (parecido com o salto ao eixo), o jogo do fito (tipo jogo da malha mas jogado com pedras), o jogo do lenço, o jogo do anel, o jogo do prego ou do espeta, a chona, etc.
O futebol não se jogava, simplesmente, porque não havia bola.
A Comunidade
A década de sessenta representou para a aldeia, do meu ponto de vista, um marco de viragem no modus vivendi da comunidade.
A população vivia essencialmente da agricultura de subsistência e da pastorícia. Para além destas ocupações havia, em part-time, um ferreiro, um carpinteiro, um alfaiate, um barbeiro e um aprendiz de sapateiro remendão, duas famílias de negociantes de gado e uma pequena taberna pertencente aos pissarras onde se faziam pequenos aviamentos.
Predominavam os rebanhos de ovelhas e cabras, a força do gado bovino, as vacas amarelas, era utilizada para amanhar as terras e fazer o transporte das culturas. As pequenas cargas eram feitas às costas ou à cabeça. As tarefas que exigiam muita mão de obra (as ceifas, a debulha do centeio, as matanças, as sementeiras, a tira das batatas, os fenos, …) eram feitas com verdadeiro espírito comunitário, com muita entreajuda.
A generalidade das pessoas vivia com dificuldades. A alimentação baseava-se nos produtos cultivados e na criação de animais onde se inclui as aves de capoeira. O forno comunitário não tinha tempo para arrefecer, juntavam-se duas ou três famílias e cozia-se o pão que dava para duas semanas. Não se pode afirmar que havia ricos ou pobres no limiar da miséria, no entanto duas famílias distribuídas por vários agregados familiares destacavam-se pelo extenso património e rivalizavam entre si no domínio da aldeia – os cortes e os cristinas. Esta rivalidade terá raízes que desconheço e a sua importância sob o ponto de vista das relações na comunidade merecia uma análise mais detalhada que não é, de todo, objeto deste artigo. Talvez o facto de ambas as famílias se dedicarem ao negócio de gado tenha contribuído para essa rivalidade.
Lembro-me de um dia no regresso a casa vindo da escola, com sete ou oito anos, ainda presenciei perto da casa onde vivia as marcas de sangue daquele que terá sido o maior barulho de que há memória na aldeia e que envolveu os adultos das ditas famílias. Aquilo meteu sacholada, “estadulhada” e pedrada, entre pais e filhos das duas famílias rivais, tendo alguns deles ido para o hospital da Guarda receber tratamento. Valeu a intervenção de terceiros para parar a zaragata, nomeadamente a minha mãe e o senhor Manuel Gregório, pois se isso não tivesse acontecido alguns dos intervenientes teriam perecido e outros enfrentariam as consequências com alguns anos de prisão.
Dizia eu que a década de sessenta representa para a aldeia o epílogo de um medievalismo que perdurava devido ao isolamento da localidade. As trocas comerciais geralmente faziam-se com trabalho ou com a entrega de produtos agrícolas nos momentos das colheitas. Alguns exemplos:
• a possibilidade de cortar lenha que ajudava a limpar os terrenos ou um empréstimo de dinheiro ― dias de trabalho (nas sementeiras e na tira das batatas, nas recolhas dos fenos ou na debulha do centeio);
• corte de cabelo ao longo do ano ― um alqueire de centeio;
• côngrua ao pároco ― era em função do poder económico do agregado familiar (os meus pais pagavam 10 litros nos primeiros anos de casados) mas poderia ir até à ½ fanega;
• ao dono do boi de cobrição e ao barbeiro clínico pagava-se igualmente em alqueires de centeio ou em sacos de batatas.
A industrialização tinha dado os primeiros passos há duzentos anos em Inglaterra!!!
Os transportes praticamente não existiam, no início desta década havia duas ou três bicicletas pasteleiras, as pessoas deslocavam-se a pé ou a cavalo; na segunda metade da década chegavam entretanto os primeiros motores de rega, um ou dois tratores e três ou quatro motorizadas.
Mas a aldeia tinha vida, por todo o lado ouvia-se assobiar e cantar, as carroças chiavam pela calçada, os rebanhos desfilavam em procissão, nos campos as noras e as picotas davam vida ao renovo, do lanceiro chegava a espaços o pouca-terra-muita-terra do trama e o apito de aproximação à estação ou ao apeadeiro. Nos lavadouros públicos, as mulheres lavavam as roupas e gastavam a língua. Nas tardes soalheiras de inverno as matriarcas cosiam as meias nos alpendres ou nos recantos mais abrigados, desembrulhavam as cabeleiras e catavam os filhos.
Nesta década a emigração para a França dá os primeiros passos, antes já alguns agregados familiares tinham saído para o Brasil, depois muitos se juntaram aos pioneiros. Famílias inteiras abandonaram a aldeia na busca de melhores condições de vida, o estrangeiro ou as cidades do litoral foram os destinos de mais de 70% da população.
A canção Ei-los Que Partem, de Manuel Freire, ilustra o sentir de todos os que partiram, a chamada diáspora portuguesa.
A emigração e a mecanização da agricultura constituem os principais fatores de mudança que enunciava neste capítulo. Consequências: mais terrenos disponíveis para os que ficaram e a inevitável reconversão da agricultura tradicional com a substituição dos meios de produção pelas máquinas agrícolas; aumento das produções agrícolas que juntamente com a chegada das vacas leiteiras aumentou o rendimento para a generalidade das famílias.
A aldeia começou a sair do isolamento, enquanto o regime político no país caminhava para o colapso, a prosperidade e a qualidade de vida tornaram-se uma realidade para todos. A massificação do ensino dava os primeiros passos.
Estes sinais são, efectivamente, percursores de mudança, direi mesmo que a década de sessenta representa para a povoação um virar de página.
Hoje, a Escola deu o lugar à sede da coletividade, ponto de encontro dos que teimosamente resistiram à desertificação e daqueles que temporariamente matam saudades da terra natal.
Atualmente, vivem na aldeia cerca de cinquenta moradores e a esmagadora maioria tem mais de cinquenta anos. Nos últimos vinte anos nasceram na aldeia menos crianças do que nasceram em 1958, ano em que eu nasci.
Estaremos perante um fim anunciado?

Nota:
Não posso terminar este artigo sem expressar os sinceros agradecimentos a todos os que colaboraram nesta pesquisa, particularmente aos meus pais e tios que, apesar da provecta idade, me transmitiram informações preciosas relativamente à edificação da escola.

2012/12
Manuel da Silva Gonçalves

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Vozes da Terra- Manuel Corte

"Desenlaces do centeio"- (anos sessenta)
O centeio em grão, após a sua debulha, era armazenado em casa de cada um, em arcas de madeira que, por sua vez e nalguns casos, era dividida em dois ou três compartimentos a fim de também comportar em simultâneo o milho e algumas leguminosas, tais como o feijão, grão de bico (gravanços) e feijão frade ( Chícharo).
A farinha utilizada na confecção do pão era moída por mós de pedra, movimentada pela força motriz da água nos moinhos do Sr. Domingos Espinha, na Quinta do Moinho em Vila Garcia e do Sr. João Moleiro no sítio das Levadas ao pé do mercado de Vila Fernando. Apraz-me registar que este último moinho é pertença do Isidro silva e se prevê a sua recuperação.
Eram os moleiros atrás descritos que passavam na casa dos fregueses, com carroças de rodas altas puxadas por uma mula, a oferecer os seus préstimos. Levavam o centeio em grão em sacas de sarapilheira e, ao mesmo tempo, eram fornecidos pelos clientes os sacos brancos de linho denominados de “talegos” que devolviam com a farinha após cobrarem a “maquia” (valor equivalente à percentagem acordada). Neste período nenhum destes produtos era pesado. As medidas convencionais eram a “quarta” e o “alqueire”.
Na confecção do tão saboroso pão seguiam-se os seguintes passos: A farinha era peneirada por forma a extrair-lhe algum farelo, seguia-se a amassadura em maceiras de madeira conjuntamente com água, sal e levedura de fermento. Ficava a fermentar durante algumas horas coberto com um lençol de linho e um cobertor, em dias mais frios.
A tarefa de aquecer o forno cabia aos homens que, quando se tratava de o “desamuar”, levava um carro de bois de lenha. Este procedimento era rotativo porque logo que se iniciasse a cozedura do pão, de bolas de azeite e de bolas de carne toda a comunidade o fazia em dias seguidos, evitando assim mais lenha no seu aquecimento.
O forno estava quente e as mulheres dividiam a amassadura por porções a dar lugar a uma bola que punham no tabuleiro para ser transportado às costas para o referido local. Usavam o “varredouro” de trapos molhados para varrer e arrefecer o “lar” e, de seguida, mergulhavam-no na pia ali existente para que não ardesse.
Seguia-se o meter do pão no forno. Este levava na sua crosta sinais que indicavam o pão de cada um. Uma hora e meia a duas horas depois a sua cozedura estava pronta e o pão era para durar cerca de quinze dias. Enquanto alguém ficava por ali a tomar conta das operações, havia, por vezes, quem levasse batatas miúdas, as lavasse somente e, com a casca, as colocasse nas brasas sobrantes à entrada no forno, comendo-as logo que assadas “chamando-lhe um figo”!..
Voltarei a este espaço de memórias!..
                                                                                                      Manuel Corte

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Jantar de Natal

 Aproximadamente 70 pessoas estiveram presentes no Jantar

 Os cozinheiros
Um pouco de música com Victor Costa

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Coisas da Vida

A Sra. Prazeres Terras faleceu, hoje. Depois de algum tempo internada, não resistiu e partiu. Mais uma pessoa da nossa terra que nos deixa. Lenta e inexoravelmente Vila Mendo fica mais pobre. Recordo tantas tardes de menino e moço, sentado na rua ao pé de sua casa  e da Sra. Mercês, em que ouvia as histórias e as estórias dela e presenciava  a sua boa disposição constante. Sentiremos a sua falta. O funeral será amanhã, dia 21, ainda não sei a que horas. Aos filhos: Tó, Quinita, Maria dos Anjos; Zé Domingos; Padre Carlos e ao marido, o Sr. Joaquim Domingos,  o nosso mais sincero pesar. 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Mordomos antigos

Pedro/Bruno- Os mordomos da Festa do ano que passou- falta o Miguel que está na França.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Eleições- Novos Órgãos Sociais

Foram eleitos, no passado dia 9, os novos Órgãos Sociais para os próximos dois anos:
Direcção
Presidente: Luís Filipe Soares
Secretário: Tiago Gonçalves
Tesoureiro: João Gonçalves 
Vogal: Élio Alves
Vogal: Rodrigo Costa
Assembleia Geral
Presidente: Luís Costa
Vice-presidente: Jorge Dente
Secretário: Manuel Joaquim
Secretário: Victor Soares
Secretário: Quim Gonçalves
Conselho Fiscal
Presidente: Telmo Conde
Vice-presidente: Carlos Soares
Relator: Victor Silva
Relator: Fábio Alves
Relator: Ricardo Soares
            António Terras
         Júlio Pissarra

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Crónica Diária- Rádio Altitude

Amanhã, dia 12, mais uma crónica minha na Rádio Altitude. Às 9h15 e às 17h15 sensivelmente. Poderão ouvi-la também em www.altitude.fm

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Ida à lenha

 Gente de trabalho,
 de muito trabalho!..

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Eucaristia

Missa, celebrada pelo Padre Ângelo, em honra de Santo André- 30 de Novembro

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Filhos da Terra- Tiago Gonçalves

Amanhã dia 30, Tiago Gonçalves vai estar na Rádio Altitude no programa "Semana Cruzada". É um debate de actualidade essencialmente política. Pelas 18h30, sintonizem esta Rádio.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Crónica Diária- Rádio Altitude

Amanhã, dia 28, pelas 09h15 e depois pelas 17h15, podem ouvir mais uma crónica minha na Rádio Altitude. No site da referida rádio também a poderão ouvir.