quarta-feira, 28 de março de 2018

D. António dos Santos- anterior Bispo da Guarda

Faleceu o anterior Bispo da Guarda, D. António dos Santos; Bispo desta diocese entre 1980 e 2005. A sua vinda trouxe, entre outras coisas, uma nova dinâmica pastoral à nossa grei que ainda hoje se repercute.
Marcou afirmativamente aqueles que mais de perto privaram com ele, nomeadamente as várias gerações de sacerdotes que formou e ordenou.
Tive o privilégio de ser seu amigo, desde os tempos do Seminário do Fundão (baptizou o meu filho), pelo que julgo ser uma perda significativa para a Guarda e a diocese a sua partida. Não podendo estar presente na Guarda nas cerimónias, estarei unido,  em pensamento e oração, a tantos que, por certo, o acompanharão até à última morada.
As cerimónias fúnebres realizam-se hoje na Sé da Guarda pelas 15h, seguindo depois para Vagos (Aveiro) onde será sepultado.

domingo, 25 de março de 2018

quinta-feira, 22 de março de 2018

A Forja

O que resta do sítio onde o Sr. Zé Monteiro, marido da Sra. Maria Ruas, tinha a forja onde forjava os mais diversos utensílios para as labutas agrícolas; num tempo em que as artes manuais eram preponderantes na dura peleja pela (sobre)vivência dos dias desapiedados, mas, talvez e por isso, quiçá... jucundos. 

terça-feira, 20 de março de 2018

Casas

Ainda assim, algumas casas estão a ser reconstruídas, nestas nossas terras cada vez mais cheias de nada...

sábado, 17 de março de 2018

Neve na Guarda


 Hoje, de madrugada, a Guarda acordava... mais bonita...

quinta-feira, 15 de março de 2018

Coisas da Vida- correcção

O funeral do Sr. António Bragança vai ser em Vila Mendo amanhã, dia 16, às 15h, ficando sepultado no cemitério da freguesia e não, como erradamente referi ontem, em França.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Coisas da Vida

Faleceu hoje, na França, o Sr. António Bragança. Emigrado desde há muito, será lá a sua última morada. Recordo o homem afável, simpático  e simples. Vila Mendo continua a ficar mais pobre. Aos filhos: Isabel, Adelaide, Alcina, Ilda, Arlete e Zé Manuel, à esposa Sra. Mariana, aos muitos netos, aos demais familiares (e ao Michel  e ao Chico) os nossos pêsames sentidos.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Momentos

Agradecemos mais uma vez a todos aqueles que nos ajudaram nas Tabernas. 

sexta-feira, 9 de março de 2018

O Chá do Noéme- por Zé Vieira

José Afonso Vieira filho das nossas terras (Vila Fernando) preocupado com a desgraça que se abateu sobre o nosso rio Noéme, escreveu (há 6 anos!) uma estória/história sobre ele. Faz-nos reflectir sobre como tratamos os recursos naturais e, mais grave ainda, como tratamos as pessoas a expensas de um pretenso desenvolvimento. Impõe-se a pergunta: e o rio, car****?.. 
O "Chá do Noéme" por Zé Vieira.


Zé Chibas.
Carrancudo, de cigarro de enrolar ao beiço, pau de amieiro entalado no antebraço, pastor de cabras, desde os 12. E já lá vão 40!
Ele por ali anda, com 7 bichos cabrinos, magros, sebentos, e com as caganitas prezas nas patas traseiras, que fazem a vez de badalos. Apenas não chocalham.
Há um moinho ao longe, podre, velho, sem telhado e sem roda. Em vez de pão e moleiro, tem como companhia pedras caídas, telhas partidas, e silvas.
É Janeiro, e um lençol branco percorre a veiga, rente ao verde acastanhado da erva.
Faz um frio seco.
As Silvas e as giestas fazem de raids a um caminho de terra batida, principal via da aldeia, no tempo do Rei D. Sancho. Que por aqui andou também. Não a guardar cabras, mas de mula, a delimitar o concelho da Guarda. Dizem. Não sei se é verdade.
O caminho, dado a antigas realezas, serve agora para as cabras, algumas vacas, ciclistas citadinos e teenagers endiabrados montados em mulas mecânicas.
Ainda serve.
Quem não serve são as águas do Noéme, que se colam e serpenteiam o caminho.
-  O Rio desta cor  só nas enxurradas.... desta cor só nas enxurradas ..e era quando as havia. – Vocifera o Zé Chibas, apagando a beata molhada com a ponta do pau de amieiro, na erva branca da geada.
- Anda cá,  só para veres.
Vou, mais obrigado, que por livre vontade.
Galgamos umas silvas, uns juncos, uma bosta de vaca a fumegar, e paramos ao pé da água, que corre branda, espumosa e gorda.
O Zé agacha-se e com a cova da mão e leva a água ao meu nariz. – Cheira, cheira, e depois diz-me se tenho, ou não, razão.
Cheiro. Viro a cara para o lado. O odor é intenso. Uma mistura de tripas podres, químicos, curtumes, vísceras, carne putrefacta. Tudo banhado numa água de cor castanha avermelhada.
- Os filhos dum c..... Deviam chafurdar aqui e obrigá-los  a beber este cházinho! -  remata o Zé guardador de cabras e não de sonhos.
-Pois…. digo eu.
O pastor afasta-se com passos longos e alavancados pelo cajado.
Olha o rio com um ar desafiador e impotente.
Junta-se ao rebanho.
Assobia.
Três cabritos e uma cabra com tetas ovais vão ter com ele.
Todos, olham-me como um estranho, apesar de já conhecer o Zé há muito tempo.
Do canto do olho vejo-o retirar uma garrafa de vinho do bolso do casaco e beber um trago, limpando os beiços à manga da camisa.
E, lá, ao longe, na neblina da veiga, enchendo os pulmões com bafo de cabra e de nevoeiro, elevando o cajado o Zé ainda grita:

- Eu ainda me amanho com o tintol, e as cabras, caralho?
Uma nuvem, amedrontada, afasta-se e deixa brilhar um sol ajaneirado, de cor de vaca jarmelista.
Desta vez, talvez por nojo, ou por respeito ao pastor, o sol não se amanhou com o Noéme. 

quinta-feira, 8 de março de 2018

quarta-feira, 7 de março de 2018

terça-feira, 6 de março de 2018

Almoço

Sábado, dia 10, vamos fazer um almoço como forma de agradecimento a todos aqueles que, directa e indirectamente, nos ajudaram a concretizar a participação nas Tabernas do Entrudo.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Quotidianos

É vê-la num afã quase que extasiante para refrear a impetuosidade dos dois cães (mais acostumados a lançar boca a uma lebre ou codorniz...) que providencialmente atados com duas guitas corriqueiras, se debatem para o livramento de tais amarras, até para eles incomuns. E grita com eles e ameaça-os que não volta a trazê-los à rua... para passado pouco se debruçar sobre eles e os festejar... para passado pouco voltar a vociferar alto e bom som, num ciclo que parece não findar. Atrás, as cabras e as ovelhas; seguem-na, quase que indiferentes, como se fossem espectadoras assíduas de um espectáculo costumeiro, já habituadas aos desmandes de tais artistas.
-Oh Maria, olha que as tuas cabras andaram outra vez no meu lameiro!
-Coitadinhas, estavam com tanta fome. - responde, lesta e com olhar tão cândido que inibe qualquer reacção mais intempestiva de quem quer que seja.
- E os cães Maria? Presos com esses baraços?
- ... Senão fogem-me. Psiu, quetos... - os cães, irrequietos, puxam-na uma e outra vez e lá vai ela, quase que arrastada...
- Cabras dum raio! Pr`a cá... olha que... - e afasta-se a praguejar, indecisa de deixar os cães para ir atrás das cabras que, fartas do alarde, trepam as paredes aventurando-se num terreno verdejante, certas de que, com o avanço tido, podem começar a matar a larica...
É a Maria "do Tróia".