domingo, 29 de março de 2026
sexta-feira, 27 de março de 2026
da Ignorância. do Conhecimento. da Felicidade- I
(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 12 de Março)
Podemos ser felizes na ignorância? Podemos. E não podemos. Duas respostas. Contrárias; mas não antagónicas. Talvez até complementares (?)! Às vezes sim. A maior parte das vezes não. Como que um jogo de ping-pong assim somos nós com a mente, com o nosso pensamento a ir e a vir, a vaguear de um lado para o outro, para a frente e para trás; a querer conhecer e a querer não conhecer, a aspirar a verdade e a recusar a verdade… em intrincados movimentos titubeantes e não menos errantes; por vezes paralisantes que ensinam e recordam da nossa humanidade-humilde como tal.
Conhecer, saber implica entrar em problemas-outros (e dos outros), implica trazê-los para dentro de nós e juntá-los à catadupa dos que já existem no eu. Não admira portanto que muitas vezes não queiramos saber… para não sofrer; ou pelo menos para não termos o trabalho de aportar soluções e tempo que resultam em chatices várias e variadas que nos consomem sobremaneira e de toda a maneira… Não saber de, poupa-nos certamente a algumas dores de cabeça. Contudo o problema (que será um grande problema) reside quando continuadamente nos recusamos (consciente ou inconscientemente, ou ambas) a querer conhecer, a querer saber, a pretender a verdade; aquilo que será primeiramente um mecanismo de defesa saudável para a nossa mente e necessário pontualmente, passar a ser prática sistemática e sistémica.
Essa recusa torna-se então como que marca constitutiva, característica marcada e marcante do eu, que ao não querer conhecer muito do mundo exterior, conhece pouco do mundo interior. Ora se o mundo exterior é complexo, até caótico; o nosso interior, decerto, o não é menos. Assim, entramos num ciclo (que às vezes parece um circo) vicioso e viciante e asfixiante: recusando muito do conhecimento exterior, fechamos portas ao conhecimento do “cá dentro”, que por sua vez inibe a vontade de um melhor conhecimento “do lá fora”. Acrescendo a tudo isto, quanto menos nos conhecemos interiormente mais sofremos, e quanto mais sofremos menos queremos conhecer-nos internamente. Um problema; muitas questões, portanto.
Aceder primeiro, aceitar depois o conhecimento não dúbio das nossas profundas e profusas limitações e contradições, dos nossos desejos e devaneios é difícil, confuso. E, também com isso, sofremos. muito. Bem sabemos que o sofrimento faz parte da condição humana, mas a forma como o encaramos é que nos tolda, nos molda e tolhe, ou nem tanto…. podendo até definir-nos e à nossa existência. E não é só a forma como encaramos o sofrer, que por si só deveria ser uma ação segunda; antes teríamos de decifrar de onde (?) provém o sofrimento. E demasiadas vezes ele não advém de um qualquer estado externo das coisas (do mundo), mas antes de um estado interno, de desapropriamento em que falha claramente a harmonia connosco mesmos nos pensamentos e acções (e omissões!). E aqui atingimos um patamar crucial no conhecimento sobre nós próprios: qual a diferença entre o modo como eu e a sociedade achamos que nos devemos sentir e o modo como nos sentimos de facto?
(Continua)
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quinta-feira, 26 de março de 2026
Reditos
Tu nunca serás de novo/ Aquilo que nunca foste- Theodor Storm
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segunda-feira, 23 de março de 2026
sexta-feira, 20 de março de 2026
quarta-feira, 18 de março de 2026
Associação
Depois da intervenção ao telhado feita pelos militares em 1975, eis que a tão desejada e necessitada reparação acontece.
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Obras
Reditos
Deixarmos de ser inocentes, mas desejarmos sê-lo, é parte da definição de adulto- W. H. Auden
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sexta-feira, 13 de março de 2026
quarta-feira, 11 de março de 2026
domingo, 8 de março de 2026
Juventude em Vila Mendo
Bryan; Chloé; Maria; Pedro; Mariana; Mariana; Icília; M. Rita; Sara
(Na Festa do Chichorro- à descoberta de Vila Mendo)
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sexta-feira, 6 de março de 2026
quarta-feira, 4 de março de 2026
Retalhos da Vida
Sr. Ismael; Sra. Ana Maria
Terça-feira é dia de ir ao merceeiro. Compram-se uns produtos; trocam-se umas palavras; aventam-se umas possibilidades... e o dia transcorre como habitualmente.
Retalhos da vida... em Vila Mendo.
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segunda-feira, 2 de março de 2026
as Tempestades- de Nós
(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 19 de Fevereiro)
A natureza é como a nossa própria natureza: imprevisível, por vezes irrascível, quase sempre incognoscível. Diz-nos da nossa tremenda pequenez e ainda mais da nossa vasta idiotez de nos considerarmos (os humanos) os donos do mundo. De facto, o Homem comporta-se como Criador; como se ele próprio não fosse criatura criada- o que o atormentará e lhe dará o ímpeto para através da vontade pura (e não menos dura) se permitir pôr e dispor de tudo e todos à sua volta; de todo o meio ambiente portanto. Um domínio avassalador, transformador (no sentido nullus do termo), aplanador físico das paisagens e recursos; planador das (suas) ideias e devaneios utópicos. Sabota a biodiversidade não se apercebendo que se sabota a si mesmo enquanto ser vivo deste mundo natural e plural- nunca singular. Um ímpeto criador, como se fosse regenerador (que não é), que postula uma supremacia sobre todos os outros seres aos seus desígnios. Que pensa (ou não pensa!) a vida global como conjectural para seu benefício. Até quando? Até um dia. Em que a natureza nos dirá da sua força imensurável e implacável.
As tempestades que assolaram o nosso país fazem-nos constatar a incapacidade (que é também e muito uma descapacidade) de lidarmos com a natureza e seus impactos. Paradoxalmente, ou não, com a inovação tecnológica como que nos forçámos a desistir de nos… diluir no meio ambiente, e com isso desistimos de uma certa… desaparição- que seria uma certa harmonia com a vida global como tal. A nossa (pretensa) superioridade terá um fim. Como será? Não sabemos. Podemos intuir. Querermos cegamente ser maiores do que nós próprios é meio caminho andado para sermos menores que todos os outros.
Particularizando; o tempo que assolou Portugal lembra-nos que o tempo não tem o tempo que o Homem quer. Acontece no tempo próprio da natureza. A forma como reagimos num primeiro momento a estas intempéries mostra aquilo que parece ser uma constante-inconstância ao longo da história do país: desorganização prévia e inicial. Num segundo momento ficamos aturdidos e abalados e lamentados. Depois a desorganização organiza-se; muito à custa do desenrascanço tão típico; e as competências, a ajuda, a solidariedade assomam fazendo com que as coisas (e as soluções) comecem a acontecer mais ou menos bem, mais ou menos rápido…
Parece ser sina; um sinal; uma marca da identidade portuguesa: a improvisação persistente. E não é só a improvisação: é o improviso do improviso! Portugal, forjado a partir de um impulso (ou de impulsos) alicerçou-se- a partir da dúvida e do medo permanentes pelo conseguimento efectivo da independência- na improvisação sistemática, característica essa que se foi mimetizando na história e que ecoa seminalmente no inconsciente colectivo dos portugueses até hoje (até sempre?).
Criticar negativa e destrutivamente a actuação das organizações e organismos responsáveis pelas respostas (ou falta delas) é sempre fácil, e é o mais fácil (não se sabe se o mais producente). Se fôssemos cada um de nós a decidir, a coordenar, a fazer… faríamos diferente? É possível. Faríamos melhor? É possível, mas questionável. A nível de coordenação, simplificação, clareza, interajuda das diversas organizações criadas para tais efeitos, os defeitos podem ser corrigidos? Claramente.
Prevejamos. Planeemos. Executemos. Bem. De maneira funcional e em cooperação (e sonhemos e esperancemos). As tempestades… hão-de ser muitas; as bonanças dependem, também e muito ou alguma coisa… de nós.
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