quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

sábado, 9 de dezembro de 2023

a Ti, Amigo Tiago Gonçalves

(40 anos)

o silêncio 

da imorredoura 
Amizade.

abraço
Tiago. 


 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

o Homem e a(s) Memória(s)

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 30 de Novembro.)

A nossa identidade está plasmada na nossa memória. A nossa memória é a nossa identidade, a nossa personalidade. Somos o que somos pelo que fomos! Seremos o que somos: quando lá chegarmos, iremos ser da forma como lá chegarmos, numa continuidade ad aeternum…
De facto, só uma pequeníssima parte do nosso passado opera no nosso pensamento- pequenos fogachos e às vezes espartilhados- mas é com todo o nosso passado inteiro, indizível que desejamos, queremos e agimos. A memória define-nos e a forma como memoriamos define-nos ainda mais.
As memórias podem ser distorcidas na nossa mente, podem ser acrescentados pontos, retirados outros, alterados, misturados de forma que o lembrado pode não ter tanto que ver com o acontecido.
Amiúde, a memória lembrada corresponde às percepções (não sempre completamente objectivas) sobre a realidade dos factos, sobre como víamos o mundo nessa altura e como ele nos via a nós; corresponde, tantas vezes, à interpretação que fazemos, agora, sobre essas mesmas percepções. Como resultado, as memórias sobre os mesmos acontecimentos podem ser bastante diferentes entre várias pessoas. Conseguimos como que apagar o que não nos interessa e ressaltar o que nos convém.
Importa então sermos, ou tentarmos ser imparciais perante a nossa própria memória fazendo uma análise profunda às nossas percepções e interpretação delas mesmas. Doutro modo, pode acontecer que toda uma experiência possa ser recordada partindo de um ou poucos simples factos e submeter e subjugar todas as vivências a ele(s): afirmativa ou negativamente!
Realmente, sem as memórias e sem as histórias e sem as estórias que elas nos contam e recontam, um sem fim de vezes, seríamos uns meros viventes, ausentes da vida e quase que de vida.
Elas carregam-nos! Levam-nos e abandonam-nos. Sustêm-nos! Frustram-nos e surpreendem-nos. Orientam-nos! Dizem-nos e calam-nos. Estruturam-nos! Reprimem-nos e motivam-nos. Esperançam-nos! Desiludem-nos e alegram-nos. Vivem em nós e nós vivemos nelas.
A existência- esperançada, mas real- caminha nesta linha ténue estreita mas escorreita de perceber se são as memórias que vivem mais em nós, se somos nós que vivemos mais nas memórias; se somos nós que construímos mais (e a todo o momento) as memórias, se são elas que nos constroem mais (e a cada passo) a nós: e por tal só capazes de viver o vivido, de modo que o vivido não nos deixa viver o agora; só capazes na incapacidade de nos livrarmos das memórias- sem delas nunca nos podermos livrar completamente.
Como que uma sina, ou uma graça, as memórias revisitam-nos uma e outra e outra vez. A forma como nos condicionam depende de nós… e depende delas e… de nós (como se pudéssemos dissociar o Eu da Memória!).
Aliás ou talvez, o processo de pensamento inicia-se nas memórias; funde-as, infunde-as, projecta-as, e todo um mundo de possibilidades (reais ou surreais) se nos afigura... O pensamento será memória. A memória é pensamento.
Memória: quem a não valoriza, vive somente. A quem lhe importa, existe verdadeiramente.
Memoriemos- sem nos desmemoriar!

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

EDAJ- Vila Mendo

Rita; Élio; Ricardo; Marina; Rodrigo; Beatriz; Vanessa; Júlio; Joana; Guilherme; Inês; Afonso
A presença Vilamendense no Encontro Distrital de Associações Juvenis, e cuja Federação comemorou 25 anos de existência.

 

sábado, 2 de dezembro de 2023

Momentos

Festa de Santo André- Agosto 23

 

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

terça-feira, 28 de novembro de 2023

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Portugal e a Guarda e os Arreliados

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 16 de Novembro.)

O milagre do surgimento, da consolidação e continuação do nosso Portugal enquanto estado-nação, enquanto território identitário e unitário impregnou-nos de elementos constitutivos especiais (ou pelo menos exponenciais) como Povo: no seu sentir e (não) agir.
Um desses elementos, uma dessas características- não só nossas, mas muito nossas- revela-se na inconstância constante como nos apresentamos ao mundo (e como ele se nos apresenta): com trejeitos de sapiência e excepcionalidade ímpares na sua análise e enfrentamento; revela-se na “mundidisplicência” com que que nos perdemos em múltiplos falares e poucos dizeres; e em tanto e em tanto nada:
Somos um país de arreliados!
Arreliamo-nos por isto e por aquilo; com este e aquele, com o outro e o outro e… connosco próprios. Nunca estamos bem. Se assim melhor doutra maneira, se doutra maneira já sabemos que melhor assim.
As arrelias- infinitas; os zangados- todos.
Podemos até (e como que um exercício algo inócuo, refira-se e sublinhe-se) dividir os arreliados em dois tipos: os Arreliados-de-Ocasião e os Arreliados-de-Profissão. Os primeiros (talvez os mais comuns, mas não é certo) são aqueles que se zangam em determinados momentos (e não noutros) quando o ímpeto grupal os leva a entrar na onda da arreliadice, tornando-se zelosos e bastante competentes até em tal desiderato. Mas tal como o ímpeto chega, assim se vai e os arreliamentos de há instantes dão lugar a uma disposição boa e aprazível, como se nada tivesse sido. Os segundos, esses, são mais complexos na arte da arreliagem; não dão ares da mais mínima polaridade, numa continuidade de registo mesmo em contextos mais informais. Formais, sempre, na arreliadade; não vá alguém pensar que estão a amolecer nas observâncias à sociedade e à comunidade- que vão de mal a pior, está claro! Estão em permanente arrelio e por isso são os arreliadados.
Na Guarda não seremos excepção, ainda que o quiséssemos e desejássemos (será?). Encontraremos dos dois tipos e, escarafunchando bem, encontraríamos um terceiro tipo (malfadada singularidade; ou antes confirmação da peculiaridade- dentro do portuguesismo e sua identidade- do Ser Guardense?!. Haverá mesmo uma identidade Guardense, em comunhão, mas que vá além- ou aquém!- da de Portugal?!. Bom: foquemo-nos ): os irreliados. Portanto, os negacionistas; aqueles que juram a gargantas juntas (e audíveis de sobra) que nunca se arreliam e raramente se zangam!.. que isso de arreliar é múnus dos outros, não deles que têm uma clarividência e postura acima de quaisquer arreliagionagem ou arreliajuntamentos .
Na Guarda, somos assim! Ou o seu contrário, vá!
Até pelo que vemos no espaço mediático (e ainda e sempre imediato) da nossa urbe (e ainda mais no que concerne à política- seus actores, comentadores e encorajadores- esse espaço de excelência na aprendizagem da arte e do ofício de bem arreliar, com a pompa do costume e sempre em circunstância), os Arreliados, os Arreliadados, os Irreliados andam por aí… com o pensamento e a voz continuadamente à cata de uma arreliece! Mas quem? Eu? Eu, não! Tu, sim. Nós? Jamais; os Outros, pois está bem de ver!..
Somos assim! E não poderíamos ser de outra maneira (ou poderíamos?!.)!
Que arrelia!    


quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Céus

Ao te alcançar, o céu veste-se de cor. A cor da emoção... de te abeirarmos- Vila Mendo.

 

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Grentes de Cá

Mário Maria; António Júlio; João Pereira
Vila Mendo OnTour

 

sexta-feira, 17 de novembro de 2023

Magusto- Vila Fernando

Organizado pelos mordomos da Festa de S. Francisco- Vila Fernando

 

terça-feira, 14 de novembro de 2023

19º ENAJ

Beatriz; Júlio; Afonso; Rodrigo; Inês; Guilherme
O 19º ENAJ (Encontro Nacional de Associações Juvenis) em Ourem contou com a presença de uma delegação de Vila Mendo.
Comitiva da FAJDG (Federação de Associações Juvenis do Distrito da Guarda)

 

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Gentes de Cá

Cristina; Maria dos Anjos; Sra. Ana Maria

 

terça-feira, 7 de novembro de 2023

19º ENAJ

De Vila Mendo irá uma delegação!..

 

sábado, 4 de novembro de 2023

a Guarda e os Comentários e os Comentadores

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 26 de Outubro.)

Com certeza que a Guarda não é excepção; com certeza Portugal e todo o mundo democrático padecem duma espécie de degenerescência-informativa (e formativa) na sua essência. Se os media tradicionais e mormente as redes sociais nos permitem conhecer mais, conhecer melhor, alertar, opinar (ou pelo menos comentar) e portanto proporcionar toda uma participação activa em benefício da(s) comunidade(s); não é menos verdade que, paradoxalmente, afasta, isola e conduz a conflitos permanentes- ora inconsequentes, ora pungentes.
Tendo por base as redes sociais abertas (e suas caixas de comentários) dos jornais, rádios, blogues e etc., bem como a “opinião” de comentadores é visível um clima de crispação, de azedume, de queixinhas, de confronto, de má educação… O respeito, pedra basilar de qualquer relação- da individual à comunitária- é constantemente… desrespeitado: não há filtros, não há mediação (coisa que, pelo menos, os media tradicionais deviam fazer) e assim tudo é dito, tudo é partilhado, tudo é comentado, tudo é analisado (sem análise consistente ou coerente, tantas vezes)… mas desse tudo pouco é reflectido. Todos têm “opinião” sobre tudo e sobre todos, mas poucos se apercebem do quase nada que transmitem- a não ser um narcisismo ilimitado.
E achamos que a liberdade é (só) isto! Quando pensamos que tudo podemos dizer e tudo nos é permitido dizer e da forma que queiramos estamos a enfermar a Democracia. Estamos a cavar fossos, trincheiras, a alimentar extremismos que irão, paulatina e assertivamente, aniquilar o nosso mundo livre. É o que fazemos aos poucos com a verborreia nas redes sociais (insociais), com a saga (quase que praga) de tudo comentar e de tudo dar a conhecer sem conhecermos verdadeiramente aquilo sobre o que nos manifestamos.
Se aos anónimos tendemos a não valorá-los (até porque nem eles se valoram), aos comentadores dos diversos órgãos de comunicação pede-se que sejam isentos (não-fácil, é certo); pede-se que não caiam nos vieses cognitivos que inquinam até a análise mais lúcida; pede-se que utilizem um tom respeituoso, mesmo quando discordando em absolutidade: pensar diferente não significa conflito imanente- esses conflitos que atafulham o espaço mediático e imediato com uma enormidade de questiúnculas insanáveis pelos fartos orgulhos.
Na Guarda, pede-se aos comentadores também e isso mesmo: que não se deixem levar pela crítica desmesurada e porque sim, pelo dizer mal para a obtenção de alguma vantagem daqueles que se apoia. Pede-se que conheçam as matérias de que falam e tenham uma visão de conjunto que não esteja espartilhada em múltiplas situações isoladas. Pede-se que mantenham a contenção verbal na discordância e mesmo na concordância. Pede-se que ajudem a colocar os assuntos em contexto, que aportem soluções possíveis (pinceladas por idealismos impossíveis). Pede-se que que caminhem na esperança (real) sabendo que a adversidade espreita a cada passo. Pede-se que abracem ilusões pragmáticas num mundo de desilusões programáticas. Pede-se que se reflictam e assim nos ajudem a reflectir melhor a nós.
Pede-se tanto, que de tanto pouco importa. Sobra o resto. Que é muito!
Aos comentadores-faladores de ocasião (anónimos ou não) pede-se comedimento reflexivo e aproximativo (a vida não é a preto e branco; não tem de ser o Nós contra Vós). Aos media locais pede-se a simplicidade-complexa da informação e mediação. A todos nós, pede-se tolerância permanente e… tolerância exigente.
No fundo, e como que um desejo secreto ou aberto, como que uma “teleologia”, o que todos os comentadores quereriam era ser fazedores-de-opinião. Mas isso… está ao alcance de uns poucos eleitos (não-eleitos)!
A opinião deve andar de braço dado com o Bem-comum.
Simples. Complexo. Agora. Sempre.

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Vila Mendo, para onde Vamos?

(Vila Mendo On Tour- Viana do Castelo)
Vila Mendo
para onde Vais? 
Será o ocaso o teu fim certo?
Serão as terras 
e as pedras 
as eiras 
e as leiras 
os caminhos 
e os ermos 
o  tudo-nada que irá perdurar?
Ficarão
somente os silêncios
ruidosos e
desilusos e
pungentes 
das gentes que partiram?  
Porque partem 
não voltam, 
porque se afastam 
não se abeiram 
estes 
filhos teus 
agora?
Morrerás?
Se morreres 
morremos-te (Contigo).
Vila Mendo
para onde Vamos?


 

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

o Homem e o Escutar

(Publicado originariamente no jornal A Guarda na edição do dia 12 de Outubro)

Ouvir! Acto tão simples. De prática complexa! Se o fazemos amiúde em todos os momentos e contextos, a escuta- essa acção empática com o outro- não é algo que façamos recorrentemente.
De facto, isso implica atenção, esforço, valorização (até consideração) por quem e pelo que ouvimos. A passagem do ouvir à escuta é algo de profundamente respeitoso (independentemente da concordância). É o reconhecer que o outro existe, importa; que não é indiferente (mesmo que em discordância). Escutar, compromete-nos numa presença efectiva (e afectiva, também e às vezes) com o próximo.
Contudo, e per si, tal não se afigura fácil. É necessário todo um trabalho individual e predisposicional duro, exigente (quase que pungente) de aceitação do outro, das suas especificidades e “idiossincracidades”: pois gente há manifestamente desinteressante, irritante, maldizente e inconsistentemente incoerente. Tarefa árdua, portanto, o processo de ouvir por si só, quanto mais o da escuta.
Na verdade, todos queremos falar e falar, mostrar o nosso argumentário sobre tudo e sobre nada, despejar opiniões e inquietações: os outros devem ouvir e ouvir… mas escutar-nos-ão? Seremos, cada um de nós, também desinteressantes, irritantes e… ? Escutar-nos-emos a nós próprios? Teremos medo de o fazer e com isso falamos, falamos e comunicamos desalmadamente para não estarmos, não nos confrontarmos connosco mesmos?!.
Estamos, realmente, num tempo de uma comunicação descomunicativa, onde todos proseiam, todos ouvem e poucos escutam. Como tal o diálogo torna-se unidireccional, unipessoal, logo um não-diálogo; antes sucessivos monólogos, monocórdicos e adstritos à nossa (e só à nossa) lucidez, suposta.
Somos doutos em tudo e queremo-lo partilhar com o mundo (seja de que tamanho for esse mundo), porque eu (é que) sei e sei melhor!.. o tão esperançado diálogo torna-se… pleonástico!
Não admira assim que colectivamente vivamos permanentemente na senda dos conflitos, extravasados a toda a hora e momento na comunicação e redes socias (insociais?).
O diálogo só pode ser prenhe de possibilidades valorativas se o acto de escutar for verdadeiramente apurado na individualidade do nosso ser. O tempo do falar total, deve dar lugar a um semi-tempo do escutar! Sem esta tomada de consciência pessoal (e subsequentemente social) estaremos cada vez mais isolados numa bolha de entendimentos desentendidos prontos a rebentar num qualquer acto conflitivo, gerador de mais caos e desgraças com que nos assolamos (enquanto humanidade) dia por dia.
Escutemos: “observemos tudo; corrijamos um pouco; deixemos passar muita coisa”.
E… Escutemos! De novo! E de novo…

quinta-feira, 19 de outubro de 2023

Apresentação de Livro

Amanhã, dia 20 pelas 18h, na Biblioteca Eduardo Lourenço.

 

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Marmeleiro

Este fim-de-semana no Marmeleiro e inserido nos Festivais de Cultura Popular.

 

terça-feira, 17 de outubro de 2023

Caminhada

"Caminhada dos Campeões"- e respectivo almoço.

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Cicloturismo


O 4º Cicloturismo Folha Seca, organizado pela Associação de Alfarazes, passou por Vila Mendo e pela Associação neste Domingo.


 

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

Momentos

Vila Mendo On Tour- Viana do Castelo

 

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Vila Mendo On Tour

Dia 8- Centro de Interpretação e Promoção do Vinho Verde- Ponte de Lima (parte do grupo)
Almoço

Visita ao Navio-Museu Gil Eanes- Viana do Castelo



 

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Vila Mendo OnTour

Dia 7- Pequeno-almoço
Museu Municipal de Etnografia e História da Póvoa de Varzim

Almoço
Museu do Traje- Viana do Castelo

Santa Luzia- Viana do Castelo
Descanso...



 

terça-feira, 3 de outubro de 2023

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

o Homem e os Pontos-de-Vista

(Publicado originariamente no jornal A Guarda na edição do dia 21 de Setembro)

Uma das características (fascinantes a priori) do ser humano é a capacidade (ilimitada, ainda que tremendamente limitada, tantas vezes) de elaborar pontos de vista do mais leviano facto até questões altamente significativas. Pontos de vista de uma objectividade e racionalidade quase que desarmantes, e pontos de vista de uma subjectividade e incoerências perturbantes- no mínimo; no meio, todo um conjunto de cogitações, observações e um sem número de contradições.
Perante uma mesma realidade, é interessante observar as formas (completa e complexamente díspares) como cada qual a justifica. E o assunto pode ser o mais corriqueiro. O enquadramento e a concordância ou não sobre determinados factos, acontecimentos leva ao surgimento de todo um conjunto de argumentário e contra-argumentário que se repete uma e outra vez, até um dos oponentes ceder por… cansaço ou condescendência… ou por terceiros, que introduzem novas temáticas- sendo quase certo que novas contendas floresçam; e outras e outras… Normalmente, depois de tanta digladiação, cada um fica com o seu ponto de vista, com a sua razão!
Ora se, no dia-a-dia, estas disputas argumentativas são quase que irrelevantes (se não levarem, como levam tantas vezes, a amuos, zangas e até a forças medidas), nas grandes questões da nossa vida individual e colectiva, são de grande pertinência.
De facto, o pensar e o querer ter sempre razão é um problema em si mesmo. Se na vida pessoal isto gera desgostos duradouros, por vezes insanáveis; na vida profissional atritos permanentes; na vida política gera conflitos imanentes, nunca resolúveis, substituídos sistematicamente num ciclo interminável de confrontação.
Os partidos políticos aproveitam bem esta lógica latente (inata?) de conflitualidade que emana da individualidade de cada qual: arregimentam uns poucos, uns tantos, uns muitos e “cegam-nos” com a sua própria razão (e intolerância) não deixando espaço mental para ouvir verdadeiramente os outros: a eterna lógica do Eu contra o Outro, o Nós contra o Eles.
O espaço mediático e imediato (e aqui já nem se inclui o desvario das redes sociais) fica intoxicado nesta logicidade e a democracia mais débil. As boas ideias que existem estão enfermadas à partida: porque elas servem logo para manifestar a excelsa, única superioridade do “nosso lado”; porque querem desacreditar e ridicularizar o “lado deles”; porque querem com isso, a todo o custo, ganhar as próximas eleições e as que se seguem e as outras e as outras… Nos entretantos de tudo isto, talvez se encontre algo parecido com o Bem-comum. Isto, mina a confiança nas pessoas, nas instituições, nas organizações, no país, na humanidade.
E voltamos ao princípio: o meu ponto de vista, a minha razão é que é a verdade, a realidade como tal.
Conseguirmos perceber (e aceitar) que os nossos pontos de vista, em matérias diversas, podem não ser os mais acertados e que podemos (e às vezes temos) mudar de opinião sem que isso nos menorize, exige um profundo e profuso trabalho intelectual e moral… de análise, de honestidade para connosco próprios, que não se afigura fácil, que é dura, mas necessária para o equilíbrio individual e consequentemente colectivo.
Ouçamo-nos! Verdadeiramente.
Pontos de Vista!..

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

domingo, 24 de setembro de 2023

Sugestão de leitura

Para quem gosta de banda desenhada, uma novela gráfica muito boa de um ilustrador e autor de excelência: Paco Roca.
A ler.

 

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Retalhos da Vida

Élio; Afonso; Júlio; Santiago
Quatro pessoas. Três gerações. O presente. O futuro... que é presente.
Retalhos da Vida... em Vila Mendo.

 

terça-feira, 19 de setembro de 2023

Gentes de Cá

João; Guilherme; Cristina; Acácio Pereira; Amândio Marques

 

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

o Homem e o Bom-tempo

(Publicado originariamente no jornal A Guarda na edição do dia 7 de Setembro)

Estamos num tempo de apressamento. Sempre num afã por novidades (supostamente novas), por concretizações impossivelmente possíveis.
Rodopio de pensamentos, corrupio de acções e lamentos, quando não tormentos e padecimentos.Preocupados por tudo e com tudo, temos medo… medo do Nada!
Desse nada que é silêncio, que é solidão (não abandono, mas encontro); que é escuta e introspecção, logo descomunicação. Desse nada que se pacienta, mas não se tormenta. De um nada que é… Tudo!
Um tudo que não repele, acolhe; que não separa, congrega; que não negativiza, ampara; que não diz mal, orienta; que não impõe, propõe e dispõe.
De facto, temos medo de nós próprios; temos medo de estar connosco mesmos: medo de nos ouvir, de nos questionar e de não querermos saber (d)as respostas; (d)essas respostas… puras, profundamente duras. Esse não-querer-saber que nos aprisiona numa (ilusória) liberdade de acção, de comunicação, de presença; que mais não é do que uma ausência de nós mesmos… de um paradoxal apagamento de nós próprios, submergidos que estamos na “sociedade do cansaço” e que apesar disso não quer, não pode aquietar-se. Uma sociedade que quer estar sempre em relação, numa relação de expectativas (impositivas), de consumo, de dominação, de controle, de vigia… e sem que nos apercebamos que a proximidade que estabelecemos a todo o momento com o outro, nos afasta mais e mais… porque o não toleramos nem à sua diferença; porque o invejamos e, às vezes, imitamos; porque não conseguimos pôr-nos no seu lugar (talvez porque nem sequer saibamos o nosso lugar).
Sabemos tudo, opinamos sobre tudo, criticamos tudo (e todos) como se tivéssemos soluções instantâneas, eficazes, quase que mágicas, e o Outro soluções de inutilidade. Enclausurados em pontos de vista ilimitados (mas profusamente limitados), construímos a (nossa) realidade como verdade total. E a sociedade fica espartilhada em realidades díspares, em verdades ímpares.
Este espartilhamento conduz, por sistema, a uma conflitualidade latente, presente em todas as dinâmicas da sociedade- a razão assiste-me a mim e aos meus (quando os há); tu e os teus sois desprovidos dela (sempre, ou quase)!
Num tempo de excesso de informação, de comunicação, deixa de haver mediação (crucial) dos media tradicionais- não há filtros, não há ponderação; tudo se pode dizer, nada se pode dizer; tudo se pode ouvir, nada se pode ouvir. Esta cultura de confrontação criada, não deixa espaço para o bom-senso, para o bom-tempo. Um tempo de que todos necessitamos para suportarmos e configurarmos as agruras (e as virtudes) da existência individual e colectiva. Um tempo de paragem, de análise profunda de quem fomos, de quem somos, de quem queremos ser. De modo a que consigamos interagir com o Outro de forma produtiva e valorativa, sem o desprezar e menosprezar, para que a humanidade seja um… Nós- verdadeiramente transformativo.
Precisamos de silêncio. Precisamos do silêncio… verdadeiramente significante.
Precisamos do Bom-tempo!