sexta-feira, 18 de outubro de 2019

A Freguesia de Vila Fernando no séc. XVII (1601 – 1700)- Óbitos

Graça Maria Garcia Soares Calçada Sousa

A Freguesia de Vila Fernando no séc. XVII (1601 – 1700)

Parte 3 – Óbitos (4)

l Apontamentos curiosos
1624 – João Gonçalves, de Albardo, “indo a feira de Sam Bertolameu a Trancoso faleceu lá [e] está sepultado no Convento dos frades”.
          
1624 – Afonso Pires, de Vila Fernando, “passava de cem anos” quando morreu.

1638 – Apolónia Gonçalves, ama do Vig. Manuel Gouveia, pediu que dessem, no dia da sua morte, doze pães em honra dos doze Apóstolos.

1648 – Faleceu Francisco Fernandes “Sigano” que foi casado com Joana Fernandes “neste lugar de Villa fernando”. Segundo o Vigário, “o defunto era homem preto, basto do corpo, barba negra, reprezentava idade de quarenta anos pouquo mais ou menos”. Foi sepultado dentro da igreja.
           
1648 – Faleceu Catarina Gonçalves de Vila Fernando. Fez testamento mas o Vigário manifestou alguma estranheza, dizendo que “não assinou nem foi assinado, e não sei se neste testamto [h]ouve alguma malicia porq me não foi mostrado mais q meia folha de papel escrito, e fazia menção de não acabar na meia folha, escrito deixava dous officios e humas missas…”.

            1658 – Neste ano, o Vig. Francisco Carvalho redigiu este estranho assento.
        “Ao primeiro dia do mes de Maio do anno de 1658 indo Franco Antunes o piquam1 de Villa Mendo passando pela ponte de Villa Gracia cahio della pª baixo, e se afogou, e não apareceo mais seu corpo sendo buscado pella justiça até hoje vinte do mês de Julho por verdade fiz este assento q assinei, e não apareceo mais.
        Mais tarde acrescentou novas informações. “Aos vinte de 7bro apareceo seu corpo inteiro, vestido e calçado e o sepultei nesta Igja sem ter ainda fedor, e só lhe faltava os dedos de huma mão, e apareceo com huma grande trovoada, e enchente de augoa q veio neste dia no lugar da ribeira ____(?)”.                                    (1picão=valentão?)

           1658 – “Aos vinte e cinco de 9bro acharam morto a Dos Afonso do Adão junto das vinhas do ditto lugar, esta sepultado dentro desta Igja e o juiz da vara do concelho do Adão fez sua diligência em avisar a justiça da Gda (= Guarda) e por verdade fiz este assento”.

1680 – Faleceu, em Vila Fernando, Sebastiana Cabral que era mãe do Vigário António Tenreiro Cabral. Embora não fossem da freguesia, ela foi aí sepultada e o filho redigiu o assento de óbito. Na margem, o Vigário registou o seguinte: “fiz lhe logo hum offº (=ofício) de nove lições de corpo prezente e despois 2 de canto de órgão a dous choros”.

1684 – Isabel Fernandes, do Monte Carreto, faleceu. O Vigário escreveu que ela “tinha feito seu testamto” mas que este não apareceu. Por isso, explicaram ao Reverendo Visitador que um irmão dela, Matheus Fernandes, o queimara porq lhe devia de amargar” e o Vigário registou que o “Rdo Vizitador mandou fazer hum Rol q tenho em meu poder que fizeram as testemunhas” e que incluía “o bem dalma e hum offº que deixou por seu pai e mai como mais legados no qual se obrigou o ditto Mattheus Frz’ a dar cumprimento a tudo o que contem o Rol…”. (Estes Reverendos Visitadores deslocavam-se regularmente da Guarda a Vila Fernando para inspecionarem o trabalho desenvolvido na igreja e na freguesia).

1687 – “… falleceo hum Pobre q me disseram se chamava Mel Roiz’ (=Rodrigues) e q era do termo da Covilham, o qual falleceo em caza de Xisto Gonçalves de Vila Mendo, e sem Sacramtos por me não chamarem , nem eu ter noticia de q ele estava em tal povo, está sepultado no adro desta Igja junto à porta travessa, não se achou testamto e por verdade fiz este assento q assinei [h]oje dia mes era ut supra”.
            O Vigário acrescentou uma informação curiosa (e, infelizmente, incompleta porque a folha está rasgada): “Condenei o ditto Xisto Glz em 500rs pella omissão q teve de não chamar…”

1688 – Domingos era um moço solteiro e órfão, do Adão. Faleceu “nas partes do Alentejo”. O Vigário fez “mº bem dalma” por ele, em setembro, quando soube da notícia.

1690 – Neste ano, “foi achado morto no ____(?) da fonte dademouro junto deste lugar (V. Fern.) Antº Glz da Qta da Ramalhosa fregª do Richozo”. Foi sepultado dentro da igreja.

1698 – Em 23 de abril, o Vigário escreveu “tive noticia q fallecera nas partes do Alentejo Dos Frz’ de Val dos carros, não me consta q fizesse testamto ”.
                   
1698 – António Fernandes do Remédio, de Pousafoles “oRotto, “ellegeo sepultura na hermida de S. Bmeu do lugar do Adão aonde está sepultado com licença do Rdo Provizor não me prejudicando nos meus direitos parochiais” – escreveu o Vigário.

            1700 – Uma defunta deixou pedido em testamento “q seu corpo fosse amortalhado em hábito de S. Frco”.

l Assinaturas dos Vigários

Vig. Manuel de Gouveia

Vig. Francisco Carvalho                 





Vig. António Tenreiro (Cabral)

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Vila Mendo On Tour

 Domingo- na Pousada da Lourinhã antes e durante o almoço.

 No Castelo de Almourol
 No Centro de Interpretação Templário de Almourol em Vila Nova da Barquinha

 Em Abrantes e a chegada a Vila Mendo

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Vila Mendo On Tour- fotos

 Sábado à tarde- Forte de Peniche/ Museu da Resistência e Liberdade- vale a pena esta visita, ainda para mais quando abrirem as celas prisionais do Estado Novo.
(faltam os registos do Museu de Rendas de Bilros que é interessante)

 Na Adega Cooperativa da Lourinhã- excelente a aguardente produzida e boa a explicação.

 Jantar na Pousada da Juventude da Lourinhã

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Vila Mendo On Tour

 A partida
O reforço em Vila Velha de Ródão 

 No Buddha Eden
Almoço

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Resultados eleições na freguesia de Vila Fernando

PARTIDOS%VOT.DEPT.
PPD/PSD
 
41.36% de Votos
41,36%790
PS
 
32.98% de Votos
32,98%630
B.E.
 
7.33% de Votos
7,33%140
CDS-PP
 
6.28% de Votos
6,28%120
R.I.R.
 
2.09% de Votos
2,09%40
PCP-PEV
 
2.09% de Votos
2,09%40
PURP
 
1.05% de Votos
1,05%20
PDR
 
0.52% de Votos
0,52%10
PTP
 
0.52% de Votos
0,52%10
PAN
 
0.52% de Votos
0,52%10
CH
 
0.52% de Votos
0,52%10
L
 
0.52% de Votos
0,52%10
PNR
 
0.00% de Votos
0,00%00
IL
 
0.00% de Votos
0,00%00
MPT
 
0.00% de Votos
0,00%00
NC
 
0.00% de Votos
0,00%00
PPM
 
0.00% de Votos
0,00%00
PCTP/MRPP
 
0.00% de Votos
0,00%00
A
 
0.00% de Votos
0,00%00

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Vidas

Sr. Ismael Soares
Esta semana fez 80 anos. E ainda em forma.

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

A Freguesia de Vila Fernando no séc. XVII- Óbitos


Graça Maria Garcia Soares Calçada Sousa

A Freguesia de Vila Fernando no séc. XVII (1601 – 1700)
Parte 3 – Óbitos (3)

  •  Testamentos e mandas
Antes de morrerem, algumas pessoas manifestavam as suas últimas vontades sob a forma de mandas verbais, mandas escritas ou testamentos. Os padres anotavam nos respetivos assentos aquilo que dissesse respeito à realização de missas e de outras cerimónias religiosas e também a doações à Igreja. Dos 1689 defuntos, 587 deixaram expressas essas vontades. Eis alguns exemplos.

Isabel Gonçalves, de “poisafoles orroto”, deixou diversas missas e cerimónias. Deixou “a saia verde, gibão [e] touca à sua irmã Maria Gonçalves, à filha de Diogo Alverez os fatos da somana (=de semana, de trabalho) seja manteo e gibão e faixa e touca e camisa [e] sapatos, mais deixa ao Santissimo Sacramento hũ alqueire de trigo, a nossa Snra do Rosairo hũ alqueire de trº (=trigo), ao nome de Jesus hũ alqueire de trigo, a nossa Snra da Cõcepcão hũ alqueire de centeio, a Madanela hũ alqueire de centeio, a Isabel Antunes hũ alqueire de centeio…” (1627)

Francisco Gonçalves o frade, de Vila Fernando, “deixa lhe façam pella sua alma tres offose hum mais pelas almas de seu pai e mai e o ofereçam hum anno, deixa hum alqre de trº e outro mº de centeio a Nª Sª do Rosairo, ao nome de Jesus hum mº de centeio, a Sam Sebastião hum mº de cº , e às almas hum mº , a Sam Bertholameu do Adão hum alqre de centeo, ao Spirito Sancto de Albardo hum mº de cº, deixa à filha de Pero João a metade do cham do freixo e a metade da vinha dos castanheiros . Deixa à sua mulher tudo o q se achar dentro desta casa e a corte para sempre, deixa por sua obradadeira1 a sua mer e por seu testamentro a seu irmão Niculao Glz do Adão a quem deixa capa, roupeta e calças, o vestido (=fato) mais novo e a Pascoal o vestido mais usado, o seu chapeu a seu cunhado Pero João, deixa por seus [h]erdeiros a seus irmãos q partam igualmte tudo o q consta [da] manda…” (1665)
   1 Nome que antigamente se dava à mulher que apresentava na igreja as ofertas deixadas por algum testador.

Catarina Pires, da Quinta de João Dias, “deixou duas fanegas de pam à confraria do Sor, meia fanega a Nª Sª do Rozairo, hum alqre à Snra da Conceição, ao nome de Jesus hum alqre, a Sta Luzia hum mº, a S. Bertholameu hum mº, ao Spirito Santo hum mº, huã missa na Snra do Monte, outra à Snra da Lapa, e outra à Snra das Necessidades, aos filhos do Ramos de Albardo tres alqres de pam, e meia fanega a Das Lça, a Bento Franco meia fagª, a Maria Pires sua irmam tres alqueires de cº e hum de trº, a Frco da Cunha meia fanega, e huma saya à ditta sua irmam Mª Pires e hum vestido da semana com touqua (=touca) nova e baetilha(?) nova, e hum bacaro(?) e os mais fatos que lhe ficavam fossem de sua fª (=filha) e o manto e huma toalha, e esta informação me deu seu fº Dos João q sua mai dissera de palavra…” (1670)

Maria Francisca, de Vila Mendo, além das missas e esmolas habituais, deixou “hum vestido da semana à mer de Xistre Glz, hum gibam novo e meia fanega de pam a Das filha de DosPires, hum alqueire a Das Martins, outro alqueire a Das machinha, e outro a Mel Lopes, a Clara fª de Franco Frz hua fagª de pam, e tres quartas de linhaça no cham dos campos a seu marido Antº Glz deixou o quinhão do cham de val de moinho (…) deixou lhe outro cham q _____?”. “Deixou mais um manteo pardo à filha de Frco Frz pello serviço q lhe fez em tempo do prº marido” (1672)

Beatriz Fernandes, de Vila Mendo, “deixou por sua alma o Costume da Igreja e hum offº mais por si e outro por seu pai e mai, q a ofereçam hum anno com oferta singela, deixou q se lhe digam nesta Igreja (=V.F.) quatro missas perpetuas enqt o mundo durar (…) pª o q deixou obrigada a metade da sua tapada q está ao pé do dito lugar de Villa Mdo junto da tapada das freiras q ___? com a tapada de Franco Antunes e com a vinha de Bastião Frz ambos do dito lugar, deixou mais q enqt seu marido fosse vivo desse aos mordomos da festa(?) de devoção à Snra da Conceição em maio duztos e cinqta rs, por morte do dito seu marido acabaria esta sua devoção, deixou à Confraria do Sor deste lugar hum alqueire de cto e às mais confrarias a cada huã seu mº e outras esmolas pias...” (1691)

Maria Saraiva, de Vila Fernando, “deixou por sua alma o costume da Igreja e offerecimto do anno, deixou a Dos João de Porcas1 a sorte q tinha na vinha dalem da Ribrª com a obrigação de lhe mandar dizer outenta missas pella sua alma q qdo elle a não queira venderseha (= vender-se-á) pª/por(?) ella, deixou a sua sorte do cham da Ribrª junto ao moinho com suas arvores a sua obradadeira Mª Pires com obrigação de lhe mandar dizer sincoenta e quatro missas pella sua alma e qdo ella as não queira mandar dizer se venderá a sorte por/para(?) ella, deixou mais q lhe digam sinco missas pella alma de seu marido Dos Luís; deixou mais sinco missas pella alma de sua mai mais sinco missas pella alma de seu pai; deixou mais tres missas por sua tia Mª, mais duas missas do Anjo da Gda estas duas de esmola de tres vintens e todas as outras que ficam atrás serão de esmola de mº tostão cada hua; deixou mais hua missa de tostão, deixou hua missa na Igreja de nossa Sra dos Anjos; deixou esmolas às Confrarias com consta de sua manda; deixou a caza em q vivia a seu testamtrº Anto Glz Valente em preço de dez mil rs e se elle a não quiser a deixou a Pero João do forno no mesmo preço pª dahi se pagar o seu bem de alma e offrecimtos e cera q se gastar na sepultura e deixou a sua obradadeira a toalha da sepultura, pichel de quartilho, cesta e toalha e quinhentos rs q sahirão do preço da casa; e também sahirá deste preço o Registro da manda e tudo o mais q ficar dos dez mil rs se lhe dirão em missas e pella sua alma, e qdo nenhum deles a queira na forma em q fica nomeada a venderão a quem mais der por ella pª este efeito; deixou q da ametade de um anel q tinha de ouro q a sua parte lhe digam em missas pelas almas q era obrigada; deixou mais alguns legados como consta de seu testamtoq dei a seu testamentro…” (1692)
1Porcas = Vale de Estrela (desde 1928)



      Assento de óbito – 11-4-1601 – Vila Mendo – Pe Fonseca


       Assento de óbito – 24-10-1651 – Qta do Meio – Vig. Francisco Carvalho

terça-feira, 24 de setembro de 2019

A Freguesia de Vila Fernando no séc. XVII- Óbitos- 2ª parte


Graça Maria Garcia Soares Calçada Sousa

A Freguesia de Vila Fernando no séc. XVII (1601 – 1700)
Parte 3 – Óbitos (2)

  •  Cerimónias fúnebres
Segundo os Vigários, “o costume da Igreja” de Vila Fernando, para alguém que morria, era constituído por “três ofícios de três lições”, com ofertas aos domingos durante um mês. A isto se juntava a “missa de presente”.
Certas pessoas pagavam para terem um maior número de cerimónias fúnebres ou para que estas se prolongassem no tempo, durante alguns anos ou perpetuamente. Mas havia outras pessoas tão pobres que não tinham com que pagar fosse o que fosse. Nestes casos, os Vigários faziam-lhes apenas uma pequena cerimónia. Por isso, encontramos apontamentos como estes com alguma frequência: “deixou [que] lhe dissessẽ sete missas, era mto pobre”; “deixou [que] lhe gastassẽ por sua alma três cruzados, era pobre”; “não fez testamento por ser pobre”; “não havia de que fazer testamento”.

- Missas
Os defuntos deixavam dinheiro ou bens para pagar as missas pretendidas, pelas suas almas, pelas almas de familiares ou por outras intenções. Essas missas podiam ser ditas na igreja de Vila Fernando, nas ermidas da freguesia, em locais de culto nos arredores ou nas igrejas da Guarda. Esses lugares, por vezes só são referidos pelo nome do santo padroeiro:
- Igreja de Vila Fernando – Ermida de Sta. Maria Madalena de Pousafoles – Ermida do Espírito Santo de Albardo – Ermida de S. Bartolomeu do Adão – Ermida de Nª Sra da Alagoa / da Lagoa – Ermida de Nª Sra da Consolação da raia de Castela – Igreja de Nª Sra dos Anjos – Nª Sra do Monte – Nª Sra da Lapa – Nª Sra das Necessidades – Nª Sra da Teixeira – Sto. António da Guarda – S. Francisco da Guarda – S. Pedro da Guarda – Sé da Guarda – S. Brás – Santa Ana – Sta. Catarina – Sto. Ildefonso – Sto. Antão

- Esmolas
As esmolas eram deixadas à Igreja, aos Santos, às Confrarias ou a particulares, sobretudo sob a forma de medidas de trigo e centeio (alqueires, meios, fanegas), de propriedades, de pequenos objetos ou de dinheiro (tostões, meios tostões, vinténs, reis, cruzados). Eis alguns dos destinatários dessas esmolas: Almas; Espírito Santo (Albardo); Nome de Jesus (VF); Nossa Senhora da Conceição (VF); Nossa Senhora do Rosário (VF); Santa Luzia; Santíssimo Sacramento (VF); Senhor (VF); S. Bartolomeu (Adão); S. Pedro (Guarda); S. Sebastião (Albardo); S. Sebastião (VF).

- Local do enterramento
Segundo as anotações dos Vigários, os defuntos podiam ser sepultados dentro da igreja ou no adro de Vila Fernando. A partir de 1678, os defuntos do Adão passaram a ser enterrados na ermida de S. Bartolomeu do Adão. (Mais tarde, nos primeiros anos do séc. XVIII, os defuntos de Pousafoles “ó/do” Roto passaram a ficar na ermida de Sta Maria Madalena.)



Dentro da
Igreja
Adro
Fora de
VF
Sem
informação
1601-1625
158
18
5
52
1626-1650
312
11
1
96
1651-1675
457
7
1
19
1676-1700
453
2
   80 (1)
17
Total
1380
38
87
184

                                                                 (1) Inclui os defuntos sepultados na ermida de S. Bartolomeu, no Adão, a partir de 1678.

Há algumas referências aos espaços onde, dentro da igreja, as pessoas eram enterradas: defronte do altar de Nossa Senhora; ao pé de Nossa Senhora do Rosário; junto ao caixão do Santíssimo Sacramento; debaixo do caixão do Senhor; junto ao altar de Santa Luzia; junto ao altar de Jesus; à porta do batistério; junto da porta principal; junto à pia de água benta da porta principal; defronte / por cima / por baixo da porta travessa; junto ao arco do cruzeiro debaixo da sepultura de pedra (pai do Vig. F. C.); dentro da capela-mor (Vig. Francisco Carvalho).

  • Causas de morte
O que matou todas essas pessoas? Não sabemos. Poderiam ser situações de acidentes, doenças, epidemias, violência, guerra, fome, pobreza extrema… Por vezes, damos conta de famílias inteiras desaparecerem no espaço de algumas semanas ou, até, de alguns dias.
Infelizmente, os Vigários e os outros padres só referiam as causas da morte quando se tratava de situações invulgares. Temos aqui diversos exemplos:

1629 – Francisco Fernandes, do Monte Sardinha, “que mataram no lugar do Cume, foi sepultado nesta Igreja (Vila Fernando) dia dos Reis seis dias Janeiro”.

1636 – O Manuel, filho de António João, tinha 11 anos e era da Quinta do Meio. Afogou-se no “ribeiro dos picotos” (ou das picotas?).

1647 – O António era um moço solteiro e pobre, cujo pai morava no Monte Margarida – “achou se morto e o juiz de fora veio fazer seu exame”. Foi sepultado no adro.

1652 – A 13 de dezembro, “mataram a Franco Frz’ (=Fernandes) Cabeça natural e morador no Adão desta freguesia, e sepultou se nesta Igja aos quinze do ditto mes, porq a justiça fez vistoria das feridas que lhe deram”.

1654 – Jorge Martins, da Quinta de Cima faleceu “de hum acidente repentino”. (A palavra acidente aparece habitualmente com o significado de ataque ou doença súbita)

1662 – O falecimento de Isabel Miguel, de Albardo, “foi cauzado de hum raio q lhe caiu em caza”.

1678– Pedro Gonçalves, da Vila de Vilar Maior, “o qual vindo por este lugar de passagem, estando em caza do Veiga lhe deu hum acidente e morreu supitamte e qd me chamaram fui logo e não pude fazer mais q absolvelo sub conditione ”.

1678 – Na Quinta de Cima, a 3 de agosto, “ falleceo da vida prezente Domingas Frz’ soltrª de morte apressada, estando assentada na sua escada lhe deu um acidente e a foram achar morta e aos 4 do mesmo mes a sepultaram dentro desta Igja …”

1681 – Na Quinta do Meio, faleceu Ana João “sem sacramto porqindo hua sua fª (=filha) para caza a achou na outra vida”.

1682 – Faleceu João Martins, do Adão, “ao qual deram hua estocada na Qta de S. Dos (=Domingos) na feyra dascensão da qual falleceo repentinamte sem Sacramto”. Na margem, o Vig. acrescentou “Não fes nada porq tudo eram dividas”. Isto significa, provavelmente, que tinha tantas dívidas, em vida, que não deixou nada com que pagar as cerimónias fúnebres.

1690 – Neste ano, “foi achado morto no ____(?) da fonte dademouro junto deste lugar (V. Fern.) Antº Glz’ (=Gonçalves) da Qta da Ramalhosa fregª do Richozo”. Foi sepultado dentro da igreja.

1694 – Domingos, filho de Afonso Martins do Adão, “ao qual mordeo hua osga e vindo se curar a este lugar (V. .Fern.) falleceo nelle”. Foi sepultado na igreja de Vila Fernando.

1697 – Neste ano, “se achou afogada a Cnª Frz’____(?) de Bertholameu Miguel da Qta do mº (=Meio) no _____ (?) das aveleiras, a qual andava varia (=perturbada)”.

O ano de 1696 parece ter sido um ano particularmente difícil, apresentando o valor mais alto de óbitos de todo o século – 45. Desses 45 defuntos, 32 eram mulheres: 8 viúvas, 13 casadas e 11 solteiras ainda jovens. Havia laços familiares entre várias pessoas. Por exemplo, no Mte Carreto, morreram uma mãe (30 jun), a filha (22 jul) e o pai (31 jul); no Adão, morreram uma mãe já viúva (18 ag) e a filha (28 ag); em Vila Fernando, morreram um pai (24 jul) e a filha (31 jul).

                                                                                       Continua...