sexta-feira, 3 de maio de 2013

estórias da Terra- Júlio Antunes Pissarra

Três horas... sentados à mesa
 Durante aqueles maravilhosos anos 80 o Fim-de-semana de Agosto era preenchido a percorrer todas as Festas da região e com Matinés e Soirés na Discoteca de Pêga. Um determinado Domingo o Vitinho, o Zé e o Víctor, depois de passarem a tarde na “Night&Day”, palmearam as Festas que por ali existiam. A última a ser visitada foi a de Pêga. Chegaram a esta Aldeia por volta das 22:30 horas. O dia tinha sido “cansativo”. Alegre convívio, muita brincadeira, alguma cerveja, mas comer, nada! A última refeição tinha sido o almoço. Como o dinheiro já escasseava os três amigos viviam na esperança de que alguém os convidasse para comer/beber algo que é comum, nos dias de Festa, em algumas Aldeias da nossa região. Mas esse convite não aparecia, o que os estava a deixar preocupados. Então o Vitinho, “envergonhado” como é, descobriu alguém que lhes podia resolver o problema. É assim que se dirige a um rapaz emigrante em França, que por acaso tem família na nossa freguesia, e lhe pergunta:
- Então pá?! Tens Festa na terra e não ofereces um “copo” em casa?!
A referida pessoa, querendo ser simpática, acedeu à proposta.
- “Há oui!” Sim…, ainda é cedo…, “s`etu queres”…, o baile ainda não começou…! … podemos “lá`ir” beber umas “bières”!
Mas a “malta” de Vila Mendo estava “cheia” de cerveja! O que ela queria, mesmo, era comer!!! Então, novamente, o Vitinho assumiu as rédeas da situação.
- Não há por aí nada que se coma? – perguntou.
- Sim! “Bá`oui”! Claro! – respondeu o anfitrião.
O Vitinho não esteve com “meias-medidas”, levantou-se e dirigiu-se ao frigorífico onde encontrou carnes frias, bolos, sobremesas, enfim, de tudo um pouco o que é normal existir nos dias de Festa na Aldeia. Desde esse momento os três amigos de Vila Mendo não quiseram mais conversa! O tempo passava, passava, o dono da casa estava cada vez mais desesperado (mais à frente veremos porquê), olhava impacientemente para o relógio, mas os “mosqueteiros” da nossa Terra não arredavam pé.
- Já “s`ouve” o “Cunjunto”! O Baile “já`stá à`ndar” e deve “d`haver” “beaucoup” de pessoas! – afirmava.
- Já vamos! Temos tempo! Senta-te e come connosco! – respondeu um dos “nossos”.
Uma da manhã, uma e meia, mas nada! Ninguém se levantava. O anfitrião, sem saber o que fazer, tentava, subtilmente, que os “ilustres” convidados terminassem a refeição mas, estes, não estavam pelos ajustes. Só passadas as 2:00 horas, e já convenientemente saciados, o grupo de Vila Mendo terminou o Banquete!!!
Quando os quatro chegaram ao recinto do Baile já este estava praticamente concluído. Aí, quem ofertou o Jantar, mais incomodado ficou, já que a pessoa que o esperava já não se encontrava no lugar combinado e já partira para a Discoteca! Enquanto isso, os três amigos, lá foram concluir a noite numa outra Festa!
Nesses tempos eu, meu Pai e minha Mãe, no Domingo e/ou Segunda-feira da Festa de Pêga, almoçava-mos sempre na casa que, meus tios [David e Clara], possuíam na referida aldeia. Nessa Segunda-feira quando lá cheguei, minha prima Paula, logo me informou do sucedido na noite anterior com os nossos amigos de Vila Mendo. A pessoa, que no Baile esperava o anfitrião, era minha prima Paula!!! Foi ela quem em primeira mão me descreveu o que tinha acontecido! Quando ela, já na Discoteca, ouviu, do amigo, o relato do porquê de tanto atraso, exclamou:
- Tinham que ser os de Vila Mendo! Tu não os conheces?! Não sabes como eles são?!
- “Oui!” mas…, …nunca pensei que estivessem TRÊS HORAS a comer!!! De Vila Mendo NUNCA mais convido ninguém para lá ir a casa!!!
P.S. – Os pormenores desta estória foram-me relatados pela minha prima Paula e pelos Três protagonistas principais.
                                                                       Júlio Antunes Pissarra


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