sexta-feira, 15 de junho de 2018

Entrevista a Tiago Gonçalves

Tiago Gonçalves. 34 anos, vivi em Vila Mendo dos 2 aos 28 com uma pausa para ir estudar na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e desde então a residir e trabalhar na Guarda. 
Sou casado e pai de uma filha com 2 anos de idade. Filho de Manuel Corte Gonçalves e Maria do Carmo Mendes Monteiro Gonçalves, residentes em Vila Mendo.
Profissionalmente sou advogado desde os 23 anos e sócio da "Gonçalves, Micaelo Pinheiro & Associados - Sociedade de Advogados, R.L." com escritórios nas cidades da Guarda e do Sabugal.
Sou sócio e dirigente da A.C.R. Vila Mendo desde a sua fundação e além disso desempenhei diversos cargos em estruturas associativas, académicas e políticas. Atualmente sou o Coordenador dos Deputados eleitos pelo PSD à Assembleia Municipal da Guarda e Presidente da Comissão Política de Secção do PSD Guarda.

1- Porquê a advocacia?

A advocacia é uma das profissões mais exigentes e desafiantes que existem. Advogar é também tomar partido, escolher uma causa para defender e combater. Na maior parte dos casos é verdade que em vez de escolhermos a causa somos escolhidos por ela mas nem por isso se torna menos aliciante. Lidamos todos os dias com problemas importantes para as pessoas. Cabe ao advogado ser a voz da razão e pugnar por que ela prevaleça sobre a paixão que o cliente coloca nos assuntos que lhe dizem diretamente respeito.

2- O regresso à Guarda sempre esteve nos teus horizontes?
Nem sempre. Houve momentos em que pensei em exercer a minha carreira noutros locais e em que ponderei isso mesmo. Tive oportunidades nesse sentido que decidi recusar em função daquilo que a determinado momento quis e que foi construir uma carreira na advocacia. Voltei para a Guarda por razão e por coração. Não me arrependo pois as coisas têm corrido bastante bem do ponto de vista profissional e, sobretudo, do ponto de vista pessoal. Sinto que a Guarda é uma boa cidade para viver.

3- Como vês o estado da justiça?
A Justiça é muitas vezes vista com maus olhos mas do meu ponto de vista tem tido melhorias significativas desde que exerço a profissão. Mas, obviamente, é diferente olhar a justiça de dentro ou vê-la de fora. Compreendo muitos comentários negativos em relação à justiça mas não posso reconhecer razão a todos.

4- Tens um gosto especial pela política. Qual foi o “combate” mais desafiador até hoje?
Tenho, de facto. O combate mais desafiador e em que mais me empenhei na vida foi uma eleição para a Direção Geral da Associação Académica de Coimbra no ano de 2004 que redundou numa grande vitória e permitiu à lista que integrava exercer o mandato no ano de 2005. Para um jovem na altura com 21 anos foi um momento de grande aprendizagem e que marcou definitivamente a minha vida. A minha recente eleição para a Comissão Política de Secção do PSD ou o exercício das funções de Diretor da Campanha do Dr. Álvaro Amaro para a Câmara Municipal da Guarda foram outros momentos desafiantes e enriquecedores. Ao nível político tenho-me empenhado fortemente na discussão sobre políticas de coesão territorial e tenho pessoalmente procurado colocar na agenda política a questão da representatividade política do território. Entendo que, à semelhança do que acontece noutros países o território deve ser um fator relevante na distribuição da representatividade política dos eleitos sob pena de o fenómeno de despovoamento e crescente concentração da população nos grandes centros urbanos levar à total irrelevância política da maior parte do território português.

5- Tens algum propósito a alcançar em termos políticos?
Chegar ao fim dos meus dias e ter a consciência tranquila de ter lutado e feito algo para melhorar a vida dos que vivem à minha volta e dos que fiquem para me suceder. Sinto a política como um apelo cívico de fazer mais pela comunidade em que estamos inseridos, de renunciar a ficar em casa e permitir que outros o façam por mim.

6- Que medidas têm de ser tomadas para evitar o definhar do Interior?
Na minha opinião a pedra de toque está em conferir mais representatividade política ao Interior. A representatividade política levará por natureza a um outro olhar nacional dos partidos sobre o território e a sua importância. No momento atual as que se afiguram mais urgentes têm que ver com a mobilidade (eliminação ou diminuição acentuada do valor das portagens), saúde (necessidade de investimento em serviços de saúde e mobilização de recursos humanos especializados) e medidas de discriminação positiva ao nível fiscal, nos custos com bens de primeira necessidade (água, energia). Depois faltam políticas integradas de ordenamento do território. Infelizmente temos muito território abandonado e que não cria valor. É absolutamente necessário fazer um cadastro predial sério para se tomarem medidas com impacto direto no que pode ser a rentabilidade do território, nomeadamente através da política florestal e da agricultura. Há muito por fazer.

7- Que te diz Vila Mendo, que te diz o futuro de Vila Mendo (e a Associação)?
Vila Mendo é a minha terra, o local onde me sinto bem e onde gosto de levar todos os meus amigos. Julgo ser um bom embaixador de Vila Mendo, onde estou fala-se em Vila Mendo e isso é para mim motivo de orgulho. Sinto que Vila Mendo vai continuar a perder população, à semelhança do que acontece com quase todas as zonas rurais à nossa volta. Hoje há mais e melhores condições para as pessoas se fixarem mas infelizmente não vejo seriamente que tal venha a acontecer. Espero que as pessoas continuem pelo menos a ter brio na sua aldeia e a tentar recuperar o património familiar mantendo vivas a tradição e a história que nos foram legando até chegarmos ao dia de hoje. À Associação cabe-lhe ser o motor de tudo isto; ser o pólo aglutinador das vontades e o pretexto para regressar mais vezes. A Associação é a nossa casa comum. Não há uma pessoa de Vila Mendo que não tenha uma casa pois tem pelo menos a Associação que é a casa de todos nós.