sexta-feira, 14 de agosto de 2026

acabem-se as férias

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 6 de Agosto

No pretérito artigo “vida-e-morte- o valor certo da vida II” terminámos com a pergunta “Qual o valor certo da Guarda (ou de Portugal, ou de Vila Mendo, ou…)?” Deixamos a resposta (se a houver) a essa questão para depois das férias; e falemos aligeiradamente destas- as férias. Um dos grandes problemas da produtividade do país reside inequivocamente nas férias!!! Para além do que, na prática, não se trabalha nos dias de recesso, a questão maior é o que não se produz durante o ano laboral; e não tanto por incompetência ou má organização e gestão (o que acontece, não raras vezes!), mas talvez e sobretudo por passarmos metade do ano numa ânsia desmesurada para que elas cheguem, fazendo planos de planos, criando expectativas de expectativas, idealizando-as como se fossem a solução para todos os males e angústias que nos ensombram os dias (e as noites!). Depois passamos a outra metade em martírio por não termos feito tudo aquilo, ou nada daquilo que se programou. O que quer dizer, a bem ver, que passamos onze meses assim: com o pensamento imerso no que foi, e no que poderia ter sido, e no que vai ser da próxima vez. Claro, depois não será admiração que o trabalho sofra com o nosso sofrimento… e o país com isso! Sendo até caso para interrogar em forma de afirmação: Como é que o país pode andar para a frente?!. E ainda há uma nuance, toda uma outra nuance; é que mal entramos de férias começamos logo a remoer o seu términus: ai que já só faltam 10, 8, 3... dias para o fim. E pronto, lá passa o tempo sem ser aproveitado, ou melhor, sem nos aproveitar a nós mesmos! Portanto, estamos quase sempre na fase do “nunca mais chega”, “já está quase a acabar”, ou ainda do “nunca mais acaba”. De facto, parece que nunca estamos bem; e quando parece que estamos, arranjamos maneira de não estar! Somos assim. E não sabemos se poderíamos ser de outra maneira…
Já agora, e se for o caso, Boas Férias!

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