domingo, 1 de novembro de 2026

o Valor certo da Guarda. (a Guarda em contra-sonho) I

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 10 de Setembro)

No penúltimo artigo terminámos com a pergunta “qual o valor certo da Guarda?”. A pergunta vinha no seguimento de outra: “qual o valor certo da vida?”, constatando-se (em dois artigos) não haver uma resposta imediata e muito menos resposta concisa e precisa. Transpondo de um plano individual (ainda que seja geral- no valor certo da vida) para um plano mais concreto (ainda que comunitário- no valor certo da guarda), este exercício arriscado e quiçá inglório porque nunca objectivo, mas necessário- (aliás, a ânsia de objectividade que domina quase todas, ou todas, as áreas da sociedade e da vida como tal e nos converte em autómatos; como se a subjectividade não fosse característica primordial do Ser)- faz com que estas e outras reflexões tendam a ser inconclusivas, mas ainda assim possibilitando outras perguntas e outras e outras mais, num processo infindo de descoberta de nós mesmos (enquanto indivíduos e enquanto comunidade)…
Para descortinar (ainda que as cortinas da compreensão permaneçam semicerradas) o valor certo da Guarda não nos vamos ater em especificidades (embora importantes e até prementes) que configuram uma certa superficialidade no pensamento, logo no entendimento da nossa cidade. Antes, atemo-nos numa espécie de análise em questões fundas, anteriores (abstractas até) que podem possibilitar o amparo primeiro (filosófico, passe a pretensão), o substracto com que as necessidades mais objetivas e reais, as idiossincrasias e fantasias, as contradições e imperfeições, até as errâncias e arrogâncias sejam mais facilmente apreendidas, e talvez compreendidas… se melhoradas, se resoltas num qualquer futuro é toda uma outra e intrincada questão.
A Guarda (como Vila Mendo ou qualquer outro lugar) são pessoas-em-território; isto é, não são só pessoas que estão no território; são pessoas que estão no território em relação: as pessoas são o território em dinâmica-viva, em inter-relação umas com as outras (e consigo próprias!) e com o ambiente que lhes dá guarida. Portanto, a grande problemática (que é um anseio) é encontrar, esmiuçar, ponderar (e esta será a palavra chave, se a houver) os valores que podem aportar e que poderão (ou não) constituir o tal valor (certo) da Guarda; e sendo dado quase que adquirido que o todo é mais do que a soma das partes, o que é certo também é que as partes concorrem e muito para que o tal todo seja harmonioso e proveitoso; ou o seu contrário. Comecemos pelo mais óbvio e fácil (se existe facilidade na análise), o Território: vamos só focalizar naquilo que parece senso comum no que respeita a este factor para a cidade; zona de montanha, não especialmente férteis as suas terras; clima de extremos (muito frio, muito calor) serão as condições naturais que escapam à tentativa sistemática e sistémica do Homem para controlar o meio ambiente; longínquo- face ao tamanho de Portugal- da capital do país; perto da vizinha Espanha. Escolha clara dos nossos antepassados pelos motivos que parecem evidentes: a defesa.
(Continua)
(E- parece que- a Guarda pula; e avança (?!.) para capital portuguesa da cultura…)