sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Gentes de Cá

Cristina; Sr. Alfredo; Sra. Helena; Jéssica; Rodrigo; Samuel; Hélder; Cláudia

 

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Reditos

Em Portugal houve uma enorme distância que separou a cultura popular da cultura de elite- José Gil

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Gentes de Cá

Mauro; Tó; Pereira; Ricardo; Rafael; Gabriel

 

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Reditos

As coisas da natureza estão cheias de silêncio; estão ali como reservatórios cheios de silêncio- Max Picard

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Sugestão de leitura

O Silêncio, mais do que mera ausência de ruído... Visto como valor filosófico e visto na sua dimensão educativa...

terça-feira, 19 de agosto de 2025

sábado, 16 de agosto de 2025

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Reditos

O silêncio é a conquista suprema da linguagem e da consciência- Jean-Marie Le Clézio 

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

o gostar de não gostar (de odiar?)

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 31 de Julho)

A condição humana remete o Homem (recorrentemente) para o conflito… com os outros; com ele mesmo. E uma tristeza advém ao pensamento e apodera-se dele, e por ele se cometem as maiores atrocidades (as maiores virtudes, também). Esse pensamento que fica preso e represo em ruminações, remoendo a realidade; tantas vezes a irrealidade.
Um dispêndio de energia que nos esgota e não dá resposta às nossas conjecturas de conjecturas mais. Mas ainda assim, fatigados com esses pequenos e inúteis pensamentos, gostamos de não gostar de alguém. E se frequentemente esse não gostar se queda por meros pensares, outras vezes fazemos questão de o demonstrar através de palavras e acções e omissões.
O que é facto (senão porque seria?) obtemos um certo prazer de pensar, dizer ou fazer mal a alguém. Algo que está cá dentro, e como que um tormento não o conseguimos debelar completamente (conseguimos?), esse pulsar- latente- de ódio, até. No fundo, gostamos de fazer o mal, ou pelo menos um certo mal (seja lá o que isso for); censuramos o próximo, ciosos de o vigiar e inquisitorialmente questionamos os motivos dele e de todos os próximos (raramente os nossos).
Talvez busquemos motivos (fúteis e inúteis), razões de queixa e queixumes, todas as fontes de insatisfação, até sobre os amigos: para nos afastarmos deles, para nos justificarmos a nós próprios que (já) não os apreciamos e pouco queremos a sua companhia. Exemplos mais seriam incontáveis.
A repetição, o enfado, a rejeição tomam conta de nós a cada passo, e cercam-nos e cerceiam- nos ficando como que aprisionados nos pensamentos-acções que destilam indiferença (que se faz presença, notada) do outro.
Comunitariamente, o ódio lança sociedades contra sociedades, países contra países numa deriva autodestrutiva cujo fim se depreende e cuja finalidade se não entende. De facto, desfiando, e por tal deslindando, a teia da vida humana nas suas múltiplas e infindáveis meadas (entremeadas), damo-nos conta que- delas- fazem parte várias nuances de maldade: falta de empatia, falta de sentimento, compreensão, desprezo dos outros e ignorância de nós mesmos… em que os hábitos costumeiros se sobrepõem à excelência, e esta reiteradamente dá lugar à infâmia.
Entrincheirados numa espécie de frenesim-maldizente- de que as redes (in)sociais são eco último- passamos o tempo a congeminar, a vociferar contra o outro de forma destrutiva; nesse tempo que se torna destempo… Assim, fazemos o bem, mal; e fazemos o mal, bem! Exasperante contradição que nos arquitecta e imprime a marca indelével da condição humana.
Poderíamos mudar e transformar um pouco essa condição? Talvez! Mas talvez isso seja difícil, custoso e exija uma permanente e profunda reflexão individual que se torna quase insuportável: por estarmos, sem filtros, connosco próprios e darmos conta das nossas imensas e antagónicas fragilidades- defeitos constitutivos, portanto. Não muito diferentes dos outros. Preferindo a ilusão do faz-de-conta da nossa superioridade total, ao constatar real da nossa imperfeição substancial…
Gostamos de não gostar, e isso irrita-nos. E define-nos.
Nota: Nos próximos tempos de campanha autárquica na Guarda é provável que o seu objecto primeiro (e último?) seja a crítica maldizente. Infelizmente. Somos assim, e não sabemos se poderíamos ser de outra maneira!..

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

pequenas Notas soltas e avulsas e desconexas

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 03 de Julho)

1- As eleições autárquicas aproximam-se e será interessante analisar os programas. Serão- como de costume- retalhos descompassados de propostas e promessas de promessas? E isso constitui um, ou o descrédito da política (e da democracia)?
2- Para o ano, as eleições presidenciais são o corolário de um período de intenso bombardeio mediático (sempre imediato) desse sem fim de promessas; de análises de análises; de conjecturas conjecturadas mais. Teremos a paciência para tal?
3- Aguardamos para verificar (e saudar) se na Guarda os candidatos nos surpreendem com uma atitude de elevação em que o foco seja o bem-comum das nossas gentes (?!.). Muita esperança, ou mesmo fé?
4- E Vila Mendo, sempre aqui e sempre além; e sempre aquém do que lhe desejaríamos- a nós?
5- O calor está por aí, e antes mesmo da inclemência dos incêndios ser realidade as televisões já nos “massacram” com as suas possibilidades… e ficamos quase que incendiados.
6- As guerras seguem o seu curso inexorável desde o princípio da humanidade até hoje (provavelmente até ao futuro). Vários pensadores viram-lhes virtudes, ou pelo menos justificativas na perspectiva de fazer com que a letargia a que muitos (individual e colectivamente) estavam votados se transformasse em realidades risonhas, na perspectiva de exportar para outros povos as virtualidades próprias do seu, ou dos que consideravam… Já nós queríamos que acabassem, ontem. De qualquer modo, como país convém estarmos preparados para tudo.
7- Uma pausa no desporto, que é como quem diz no futebol, é sempre bom para reorganizar forças para as euforias e desilusões, para as alegrias e tristezas, os festejos e desmandos que nos esperam na próxima época… Uma boa alternativa, a Volta à França em bicicleta com o inefável Tadej Pogacar.
8- Pausas. Tão necessárias para nos pensarmos e pensarmos os outros. Para nos pensarmos com os outros.
9- Estas notas são dignas de pouca nota, mas estamos quase a chegar às férias e o português (como o Guardense) entra em modo relaxado e expectante; depois cansa-se durante o recesso, porque o idealizado raramente é concretizado; recupera no retomar do trabalho; remói a má sorte dos seus afazeres monótonos, mal pagos e da sua vida complexa e complicada; exaspera-se por tudo e pelo seu nada, e pela longura do próximo descanso; e… depois a mesmice… Somos assim e não sabemos se poderíamos ser de outra maneira.
10- Não há. Mas podia haver. E muitas.
Pequenas notas soltas, avulsas, desconexas; ou não.


quarta-feira, 30 de julho de 2025

terça-feira, 29 de julho de 2025

Motoclube

O Motoclube da Guarda, um dia destes em Vila Mendo na Associação.

 

domingo, 27 de julho de 2025

Incêndios

O incêndio da pretérita Quinta-feira à noite, na zona das Fontainhas.


 

quarta-feira, 23 de julho de 2025

segunda-feira, 21 de julho de 2025

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Ausência




(5 anos sem o Amigo Tiago...) 

quinta-feira, 17 de julho de 2025

Reditos

A nossa fatalidade é a nossa História- Antero de Quental

terça-feira, 15 de julho de 2025

Sugestão de leitura

Algumas figuras bíblicas revisitadas e humanizadas. As virtudes e as fraquezas da condição humana neles presentes para poder dar resposta(s) à crueldade humana...

 

sexta-feira, 11 de julho de 2025

quarta-feira, 9 de julho de 2025

Reditos

Eu, que simbolicamente morro várias vezes só para experimentar a ressurreição- Clarice Lispector

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Gentes de Cá

Graça; São; Joana; Andreia; Mariana

 

quinta-feira, 3 de julho de 2025

o Homem e o Competir

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 19 de Junho)

Desde sempre (e talvez para sempre) o Homem está em permanente competição. Com o outro. Consigo mesmo. Uma força interior (inata?) que o empurra a querer ser melhor que os outros. Melhor do que ele mesmo. Nem sempre conseguido, isso. Esse isso que é aquilo que muitos aqueles (que somos todos, ou quase) teimam em demonstrar ao mundo: a sua excelsidade; a sua superioridade, a sua singularidade (real) face ao próximo e a todos os próximos.
De facto, queremos pensar melhor; dizer melhor; fazer melhor; sonhar melhor: do que toda a gente. E às vezes conseguimos; muitas vezes pensamos que conseguimos; outras tantas nem por sombras. E às vezes até achamos que o mundo gira à nossa volta e somos a sua força vital… E até no erro queremos ser diferenciados, porque únicos (que também somos). Queremos tudo e o seu contrário, ou o contrário e o seu tudo. Queremos ganhar, sempre. Queremos perder, nunca. Queremos, ou pelo menos somos fortemente compelidos a triunfar do fracasso do outro. Todas as dinâmicas sociais estão visceralmente ancoradas numa lógica marcadamente competitiva: todos querem ter mais do que os outros, ser (?) muito mais do que os outros. Desempenhos, façanhas superlativas deixam de o ser (no campo das percepções) se alguém alcançar um pouco mais: um estudante que tire dezoito, pode ficar decepcionado se um outro tirar um dezanove; um clube de futebol que no campeonato inteiro perca um único jogo, considera um fracasso a época se um outro os ganhar todos e ficar em primeiro; os países querem ter o PIB maior, crescimento económico maior, ser mais poderosos e desenvolvidos e fortes que os vizinhos. As guerras surgem sempre num afã de competitividade extrema. E os exemplos infindáveis e em todas as áreas (mais pessoais, ou mais colectivas).
Se parece ser verdade que o ser humano, desde os primórdios, avançou e evoluiu à custa da competição entre humanos, com a natureza, contra si próprio e os deuses… não será menos verdade que isso trouxe e traz desgraças recorrentes (literária e mitologicamente, o relato bíblico de Abel e Caim torna-se o primeiro acto de competição da humanidade, por ele o desfecho é trágico e impele o Homem ao constante e inconstante competir com, ao permanente desafio e atrofio da existência como tal… As criaturas multiplicam a palavra- ou a palavra multiplica as criaturas?- e competem entre si, e são destinadas, condenadas à presença das outras, à relação frequentemente desafiadora com as outras. O ser humano, no mundo, é a criatura que universaliza o conflito: na Criação, será o Homem um seu excesso?).
Se calhar- no estado civilizacional, e portanto cultural, em que nos encontramos (ou onde nos deveríamos encontrar)- o competir poderia ser olhado numa perspectiva de… coincidir: de fazer acontecer com o outro; não à custa do outro. De ultrapassar obstáculos sem deixar ninguém para trás. De ver e olhar, ouvir e escutar, entender e compreender que o outro posso ser eu, que eu posso ser outro. Será que algum dia iremos competir para coincidir? Esperança real, ou ingénua? Talvez. Mas o que importa (se é que importa) é fazermos caminho. Todos.

Nota: Aproveitemos o sossego de ainda não se saber (à data, dia 13) dos candidatos às autárquicas: que depois o frenesim competitivo será interessante e pouco dignificante (provavelmente). E como se preparam umas eleições destas características (com um sem fim de freguesias) em três meses?!.


quarta-feira, 2 de julho de 2025

Reditos

A linguagem situa os humanos em posição assimétrica no tempo: o pretérito e o futuro propõem-lhes espaços de indecifração e inquietude- António Vieira em O tempo e o sagrado

domingo, 22 de junho de 2025

o pensamento do Pensamento IV- o Silêncio

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 29 de Maio)

(continuação)
Mas… e de que silêncio falamos? Falamos do silêncio interior. Do silêncio estrutural- pedra basilar, eixo central do Ser- no mundo, com o mundo. Um silêncio que não é um simples adorno, que não é superficial, muito menos supérfluo. Que contrapõe ao silêncio exterior, e ainda que possam correlacionar-se são completamente distintos, uma vez que o exterior é aleatório e, não raras vezes pouco acrescenta, já o silêncio interior é bem intencional abre toda uma perspectiva de uma realidade nova para a própria realidade de nós próprios e da nossa existência. Este silêncio que não é fim em si mesmo; que é elevação, mas que também é acção e, por essa via, mudança podendo operar actos verdadeiramente transformativos na sociedade; que não é mudo, não é cego, não fica enclausurado dentro de si próprio nem nos limites de um qualquer espaço físico; que não é só mera ausência de ruído, prudente, ou só circunstancial (que também é).
Esse silêncio interior, profundamente reflexivo e, se calhar, radicalmente reflexivo, que, de alguma maneira, podemos aprender, ou pelo menos aprimorar e desenvolver para nos escutarmos a nós mesmos e assim olhar o Outro com a paciência, a atenção, a humildade, a misericórdia, o perdão, a disciplina… enfim, com uma esperança na humanidade. O silêncio que é feito de paragem: para perceber e assimilar o mundo que nos rodeia; de escuta: para entender os anseios e às vezes os devaneios do próximo; que é feito de olhar: para ver verdadeiramente e ir ao encontro das necessidades do outro (e de nós mesmos). O silêncio que precisamos trabalhar, apurar e depurar, certamente predispõe-nos a ouvir todo o tipo de silêncios que irão ajudar também e assim a escutar melhor o nosso próprio silêncio interior, e reorientá-lo para a vida prática; e a ligar-nos à essência do Ser e a religar-nos à Vida e ao Mundo como tal. Portanto, o silêncio a cultivar é um silêncio actuante, pleno de presença de sentido, de uma presença humana de sentido, que nos pode conferir um humanismo integral.
Esse silêncio que, por certo, causa receio por estarmos sem filtros connosco próprios; talvez mesmo um medo que sopra e insufla angústias e interrogações e dúvidas sobre o Ser, o Mundo, o futuro e o Destino nosso e dos nossos. Mas que temos de persistir- interpelando, perguntando, ultrapassando desafios e colocando novos desafios: solucionando-os e confiando… nos outros; obviamente em nós próprios; quiçá na transcendência… Um silêncio que é pensar reflexivo que dá as ferramentas necessárias ao pensamento crítico e estruturado, capaz de fazer pontes neste tempo polarizado no Nós e Eles, nos bons e maus. Que nos permita encontrar o destino, ou pelo menos o caminho. Mesmo no diálogo, que se estabelece nas mais diversas situações, formais ou informais, só ganha em profundidade quando pontuado pelo silêncio - enquanto ausência de ruído e depois, claro está, pelo silêncio que é escuta, que é respeito, que é confiança, sinceridade e empatia; e não silenciamento, refira-se e sublinhe-se.
Podemos até afirmar que o silêncio como que delineia a acção, e esta por conseguinte delineia o silêncio numa interacção profundamente dinâmica, simbiótica, visceral, inseparável, contínua; numa interacção plena de possibilidades, e por essa via de impossibilidades que podemos voltar a transmudar em possibilidades e em oportunidades pela insistência e persistência em teimar; em teimar encontrar soluções, ou pelo menos caminhos… de mudança… E precisamos também ensinar às novas gerações o valor e o valor do sentido- do silêncio interior- porque é dele que germina, que deriva a Palavra que será ouvida, problematizada, seguida, concretizada e dará frutos.
O silêncio que nos permite a prudência pensada, reflectida, planeada, agida e fecunda.
O silêncio pode ser pensamento; o pensamento é silêncio.


sexta-feira, 20 de junho de 2025

Sugestão de Leitura

A partir do clássico de Marck Twain "As aventuras de Huckleberry Finn", o autor Percival Everett reinventa essa(s) história(s) e coloca o foco da acção num outro ponto de vista; e da perspectiva do escravo Jim. Recomenda-se.

 

terça-feira, 17 de junho de 2025

segunda-feira, 16 de junho de 2025

Reditos

Mas não permitirei que essa condição me defina. Não permitirei que eu e a minha mente nos afoguemos no medo e na indignidade. Eu é que me indignarei- Percival Everett- no livro James- com a personagem Jim

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Gentes de Cá

Sara; Sr. Ismael; Santiago 
(Avô e netos)

 

terça-feira, 3 de junho de 2025

Reditos

 Consigo resistir a tudo, menos à tentação- Oscar Wilde

sexta-feira, 30 de maio de 2025

o pensamento do Pensamento- III

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 15 de Maio)
(continuação)

Às perguntas: será que todo o ser humano é um “verdadeiro” pensador? Com capacidade para pensar pensamentos que valham a pena ser pensados? As respostas podem ser, de alguma forma, simples. De facto todo o ser humano é pensador: do menos inteligente ao génio; do que tem défice cognitivo até ao comum das pessoas; do mais maldoso ao bondoso… todos somos pensadores. Provavelmente, toda a gente sem excepção pode vir a ter (ou já teve) pensamentos primordiais, criativos, potencialmente originais. E provavelmente, foram perdidos, porque não lhes foram dados a atenção, nem a forma, e muito menos a expressão necessárias. Perdem-se no emaranhado dos constantes e inconstantes pensares improdutivos, que se perdem a eles próprios. Desperdício? Talvez uma forma de o cérebro se não sobrecarregar com inutilidades costumeiras.
Mas se todos podemos ter capacidade embrionária, potencial para pensar pensamentos profundos (que valham a pena ser pensados), são pouquíssimos aqueles que os têm de facto- na perspectiva de chegarem à consciência; e de serem expressos e preservados. Pouquíssimos são aqueles que conseguem uma finalidade orientada, exigente para produzir pensamentos transformativos e originais: impactantes nas comunidades e humanidade. E aqui há- com bastante probabilidade- uma componente inata, genética de relevância ímpar. Ainda que através de exercícios e treino mental ou meditação ou oração se possam atingir níveis de abstracção formidáveis, o pensar inovador e transformador, a própria criatividade, a originalidade e as configurações de sentido escapam muito a esta lógica. A verdade é que não conhecemos todos os mecanismos do pensamento; que se esquivam claramente à nossa compreensão; e vontade, até…
Dando um salto na análise, o pensamento da humanidade está muito condicionado, ou pelo menos fortemente sujeito às indagações de três preocupações primordiais: o ser (portanto a existência como tal); a morte (os limites e o fim); Deus (o divino). Três preocupações embrenhadas, inseparáveis, visceralmente unas, claramente unívocas, por demais completas e complexas, que o pensamento atinge nelas e por elas os seus limites, e impasses que esses limites lhe impõem a ele mesmo: e que lhe são necessários para a continuação do infindável questionar; porque infindáveis as insuficientes ou inexistentes respostas…
Voltaremos a essas preocupações, até porque elas só podem ser reflectidas no silêncio. No silêncio do pensamento (diametralmente diferente do pensamento silencioso). Nesse silêncio que expressa o que se é, e retira o Homem da superficialidade de si mesmo. Diferenciado da estridência do acto que demonstra o que se quer parecer. E nem sempre coincidentes. Uma luta titânica de autenticidade, de coerência interna com que todos (?) somos assolados.
Mas… e de que silêncio falamos?

(continua)

Notas: Aproximam-se as eleições legislativas. E emerge um cansaço da política. Um desencanto com as políticas. Um desacreditar dos políticos. Espera-se que não da Democracia. E depois ainda temos o martírio das autárquicas. Antes das presidenciais. Num ano. É obra.
A eleição do papa Leão XIV (não ligando ao nome numa vertente futebolística, até porque equipa de vermelho!) faz-nos pensar da importância de ele ser um referente ético e moral, e um sinal e uma voz- actuante- de esperança (real) para humanidade; demasiadas vezes inumana. Precisamos disso. Precisamos dele. Crentes. Não crentes.

quarta-feira, 28 de maio de 2025

terça-feira, 27 de maio de 2025

sexta-feira, 23 de maio de 2025

Respiros

Janela. 
intervalo da 
presença,
aqui. ou ali.
espera 
desespera
o fado, o
ocaso?

 

quarta-feira, 21 de maio de 2025

Reditos

 Detém-te, instante, és tão formoso- Goethe

quinta-feira, 15 de maio de 2025

Gentes de Cá

Cruz; Sra. Laurentina; Stephanie; Angelina; Alexi; Cristóvão 


 

terça-feira, 13 de maio de 2025

Reditos

Quanto à eternidade, recusar que ela existe de uma forma ou de outra é cair na perigosa grosseria de glorificar o efémero- Natália Correia

sábado, 10 de maio de 2025

o pensamento do Pensamento- II

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 17 de Abril)

(continuação)

Numa outra (!) perspectiva, o pensamento do outro é sempre indesvendável; uma cortina impenetrável, intransponível separa cada ser humano a este nível. Nunca conseguimos, de forma objectivamente verificável, perceber que pensamentos dominam (ou predominam) o seu ser. Às vezes, quase que sim; maioritariamente não. Nenhuma técnica psicológica, psicanalítica; nenhuma proximidade com o outro, ou mesmo nenhuma tortura pode “arrancar-lhe” os seus pensamentos de forma objectivamente demonstrável: se aquele ou aqueles pensares são de facto- esses- que outrem pensou mesmo. Os juramentos mais sentidos, as proclamações mais entusiásticas nunca nos dão a absolutidade de uma certeza quanto à sinceridade delas: poderão ser sinceras. Ou não.
Os constantes e variadíssimos “afirmares de”, podem ser actos completamente falsos e perfeitamente conscientes; podem ser autoenganos; ou uma mistura de ambos (e, às vezes, também verdadeiros): a mentira tem infinitas matizes que se tornam difíceis, ou mesmo impossíveis, de distinguir claramente, de ter a certeza absoluta que o que é dito corresponde ao que é pensado (ao que é consciência). À pergunta feita incontáveis vezes por todos nós: “Em que estás a pensar?”, a resposta vem envolta em tantas camadas, passando por diversas filtragens (imperceptíveis), que a veracidade fica tantas e tantas vezes comprometida.
De facto, passamos o tempo em permanentes actos de tradução, por assim dizer. Estamos constantemente e efectivamente a traduzir-nos uns aos outros (e uns para os outros), em todas as áreas e momentos da vida. Querendo e ansiando descortinar e alcançar o que está antes do que é dito (do não dito), antes do escrito, do feito. Às vezes acertamos, ou quase; outras falhamos estrondosamente.
Mesmo no amor, mesmo com as pessoas que são mais próximas e queridas e honestas, o outro- esse outro- é, de algum modo, estranho. O amor, a paixão é também representação. Até no êxtase, os apaixonados conseguem tocar-se, sentir-se; conseguem abraçar-se, mas não conseguem abraçar (ainda que parcialmente) os pensamentos do outro… Talvez no sentimento oposto a este: o ódio (e o medo), os pensamentos sejam mais facilmente genuínos, sem as tais camadas que enevoam a sua decifração. Talvez no riso espontâneo (de uma qualquer situação ou piada), portanto não preparado e diametralmente díspar do sorriso costumeiro (mais elaborado), se encontrem também os pensamentos mais autênticos na sua revelação, que é, ou que tem muito de involuntária.
Na caverna da interioridade (das “identerioridades”) do outro, nunca descobrimos (pelo menos totalmente, ou substancialmente) a luz-final-reveladora do seu ser. Talvez…
E talvez por tudo isso (mas não só por isso) aqui resida a falta de confiança que, individualmente e colectivamente, sentimos uns pelos outros, pela sociedade, pelo mundo (por nós mesmos). Por, enquanto humanidade, cometermos as maiores atrocidades, relegando o outro, o diferente a uns seres desconsideráveis e inumanos. Será?
E será que todo o ser humano é um “verdadeiro” pensador? Com capacidade para pensar pensamentos que valham a pena ser pensados?

(Continua)

 


sexta-feira, 9 de maio de 2025

Novo Papa

Importa que Leão XIV seja um referente ético e moral, e um sinal e uma voz- actuante- de esperança (real) para a humanidade; demasiadas vezes inumana. Precisamos disso. Precisamos dele. Crentes. Não crentes.


 

terça-feira, 6 de maio de 2025

Respiros

Acobertada pela neblina, Vila Mendo há-de assomar- luzente.

 

sexta-feira, 2 de maio de 2025

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Reditos

Gosto de brincar com os deuses, têm uma vivacidade literária- António Vieira

terça-feira, 29 de abril de 2025

Sugestão de leitura

Do papa Francisco, sobre a Família e como ela é (ou pode ser) primordial na busca incessante da felicidade individual; da harmonia colectiva enquanto comunidade e sociedade... enquanto humanidade...
Para crentes e não crentes.

 

sábado, 26 de abril de 2025

o pensamento do Pensamento- I

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 03 de Abril)

No inconsciente da humanidade ecoa como que uma tristeza (primordial) do pensamento que advém (?) do início dos inícios fundacionais do universo: daquele instante- ruidoso- que originou (?) tudo. Aquele ruído de fundo, antes do ruído de fundo da Queda do Homem do Jardim do Éden, que se incrustou no mais íntimo do ser. E que está sempre lá. E sempre connosco. Esse ruído que empresta uma tristeza ao nosso pensar e dela não nos podemos livrar; ainda que o quiséssemos. Uma tristeza inescapável.
Uma tristeza que, apesar de tudo e quase que paradoxalmente, pode ser geradora dos melhores pensares, criativos, profundamente transformativos. E uma tristeza que pode ser geradora dos piores olhares, descriativos, profundamente destrutivos.
A maior parte das vezes, o pensamento é povoado, atolado, bombardeado por uma miríade de pequenos pensamentos que afloram ininterruptamente à consciência. Uma torrente constante, mas inconstante que só cessa no fim da vida.
Espontânea e aleatoriamente (supõe-se), somos aturdidos pelos mais diversos pensares de toda a tipologia que surgem tal e qual como vão. A quase totalidade perde-se nas teias do esquecimento. Discipliná-los é tarefa árdua e poucas vezes conseguida. A concentração focada e absoluta ou o alcance do vazio, do nada (que já é algo!) está ao alcance de uns muito poucos (e por pouco tempo). É desgastante, enormemente e (se calhar) irreversivelmente esgotante. Talvez os pequenos e estranhos e inúteis pensamentos com que convivemos sistematicamente, a todo o momento e em todos os momentos sejam preponderantes para não entrarmos em fadiga e colapso mental (logo físico). Se estivéssemos permanentemente focados e alheados de todos esses pequenos pensares, essa concentração total seria exaustão fatal.
Respirar e pensar, dois processos que o ser humano não pode fazer parar. Quando acontece, é a morte (única certeza?). Ainda assim, podemos suster a respiração. Não é certo que consigamos fazer parar o pensar. E nesta perspectiva tornamo-nos como que escravos dele: uma relação déspota. Carregamos o seu peso, o peso do pensamento, até ao fim.
De facto, o existir no mundo, o habitar do mundo é feito pela via do pensar, que possibilita a acção: embora não seja de todo verificável haver um continuum entre pensamento e acto; muito menos entre o que se pensa, projecta e idealiza e o que na prática se consubstancia; e ainda muito menos haver uma tradução dos sentimentos, das intuições, das sensações, de qualquer ideia intelectual e psicológica superior pela linguagem em vista a uma expressão completa e total- o tal “não consigo dizer, colocar em palavras…”.
As nossas expectativas, as consequências das nossas expectativas saem recorrentemente frustradas pelo não conseguido. O antecipar de, o esperar de, o fantasiar de, o imaginar de, tantas vezes não corresponde em nada (ou em pouco) à realização efectiva. Raras vezes a experiência suplanta a expectativa. Demasiadas vezes, não existe relação, ou pelo menos correlação, entre pensamento e concretização. Talvez por isso, demasiadas vezes, a realização (o pós-realização) das nossas aspirações, dos nossos quereres enviam-nos para um vazio de tristeza (é aqui que tem de entrar a esperança que nos permita voltar a desejar e a querer…).
Por outro lado, o recepcionar, o perceber do mundo não é nu. Há sempre conceitos, pré-conceitos, preconceitos derivados de interferências de vária natureza: culturais, dogmáticas, religiosas, psicológicas… Portanto, não há recepção inocente, pura (por muito espontânea que pareça) do mundo, do “lá fora”, pela consciência (ou haverá?): as teorias do conhecimento bem tentam encontrar esse ponto “zero” livre das tais pressuposições e predisposições, sem ingerência alguma (Husserl, kant, Descartes e outros), mas… A experiência fica como que comprometida (sempre) no filtro do pensamento. A Queda do Homem é a queda do pensamento?
(continua)

quinta-feira, 24 de abril de 2025

segunda-feira, 21 de abril de 2025

quarta-feira, 16 de abril de 2025

Reditos

 Uma imagem que é mais do que nós mesmos- George Steiner

segunda-feira, 14 de abril de 2025

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Gentes de Cá

São Gonçalves; Sra. Emília Antunes Vicente; Quim Corte Gonçalves

 

terça-feira, 8 de abril de 2025