domingo, 26 de julho de 2026

Gentes de Cá

Fernanda- neta; Patrícia- filha; Andreia- filha; Sra. Eugénia- mãe 
A Sra. Eugénia do Nascimento Dias, de 83 anos regressou a a Portugal depois de ter saído de Vila Mendo em 1958, numa viagem de 14 dias até ao Brasil. Foi com o pai José Joaquim do Nascimento (conhecido em Vila Mendo como Zé Parada por ser da aldeia de Parada), a mãe Maria de Lourdes Marques Martins (que este ano completa 100 anos) e os irmãos José Luis, Amílcar, Irene e Fernando; já no Brasil nasceram o Júlio, o Eduardo e a Cecília: formando uma extensa família no Brasil e que levam com certeza, Vila Mendo no coração e na vida como tal. 
Em 2019, regressou pela primeira vez a Portugal e visitou Vila Mendo numa terça-feira em que a quietude do dia e das gentes só foi quebrada pelo apito do merceeiro na esperança de vender alguns víveres. Desta vez, esteve cá no dia do Vila coMendo e por tal a experiência do regresso foi diferente.
(Talvez um dia possamos aprofundar a história de vida da Sra. Eugénia...)



 

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Sugestão de leitura

Todos os livros de George Steiner são de uma profundidade reflexiva assinalável. Crítico literário de excelência, deixa-nos aqui uma reflexão sobre as interacções e as relações tremendamente complexas, difíceis, inusitadas até entre mestres e discípulos (professores e alunos) que caracterizam as formas mais fundas de pedagogia.

 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

(vida-e-morte)- o Valor certo da Vida II

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 16 de Julho)

No pretérito artigo “vida-e-morte” terminámos com a proposição de uma questão: ”qual o valor certo da vida”? A resposta não é evidente, muito menos imediata; até porque no limite não há resposta. Quando muito há um sem fim de possibilidades que nos poderão aproximar (nunca chegar, talvez) a esse tal valor, ainda por cima, certo! Como humanos, gostamos de valores exactos; quantificamos tudo; o mundo de consumo rege-se por valores (entenda-se números) precisos; e se isso sim é uma evidência- porque no modelo de sociedade tudo ou quase é economia (se bem, se mal é todo um outro intrincado assunto) com as vicissitudes que isso nos traz (e nos leva!)- na reflexão que aqui se produz (pretensão) não é desse valor que nos importa… importando.
De facto não se pretende elencar, hierarquizar um conjunto de atitudes boas como de uma receita se tratasse; antes, e no máximo, ponderar (e o verbo aqui pode também não ser o a mais adequado) esse tal valor. E provavelmente nunca conseguiremos passar de uma insuficiente ponderação, quanto mais chegar à certeza desse valor. É… que a vida é… muitas vidas! A Vida são muitas pequenas vidas com que a vivemos e a surpreendemos como tal. São experiências, vivências, relações, emoções, sensações, realidades, percepções, partilhas variadas, ilusões, desilusões… Encontrar aqui um termo médio, um continuum produtivo e producente que, de alguma maneira, nos permita conciliar a quantidade (boa ou nem tanto) de estímulos e desafios com que somos assoberbados ao longo da existência e nos conduzem a contradições, tantas vezes insanáveis, comigo mesmo, e descobrir essa “media res”, e antes disso ter noção (ainda que esquiva) do meio termo de mim mesmo… seria chegar algo perto (na lonjura) do valor certo da Vida. Mas como a mente humana está, desde o início dos tempos, como que formatada para uma lógica competitiva dentro duma lógica de sobrevivência agimos (e reagimos ainda mais) de forma automática e insensata, camuflada por vezes naquilo que se designa por pragmatismo (e que é necessário em muitas situações, sem dúvida); porém quando sistematicamente e sistemicamente experienciamos a vida em binómios: bom ou mau; tudo ou nada; muito ou pouco; forte ou fraco; alegre ou triste, etc. ficamos reduzidos a eternos combates férreos que colectivamente conduzem quase que inevitavelmente a desgraças bastantes.
O valor certo da vida será portanto essa ponderação daquilo que são as múltiplas relações fixadas e multiplicativas ralações associadas que estabelecemos constantemente num processo infindo até ao fim (que é princípio para aqueles que acreditam na eternidade). É na perspectiva (e até na justificativa) de como encaramos os outros (e os outros nos encaram), como nos pomos no seu lugar e nos posicionamos nas interacções surgidas- e idealmente num processo simbiótico, levariam a benefício de todos- que poderemos alcançar um vislumbre fugidio desse valor. Deste modo, não haverá propriamente O valor certo da vida, mas poderá haver caminho… de possibilidades que nos irão (distantemente) aprochegar dele… e nos permitirão amenizar o medo imoderado da morte.
E, numa reviravolta um tanto ou quanto assombrosa na análise, qual o valor certo da Guarda (ou de Portugal ou de Vila Mendo ou…)?

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Caminhada

Guarda (Misericórdia)- Vila Mendo (27 de Junho)

 

terça-feira, 21 de julho de 2026

Respiros

a porta. aberta. imóvel. Ninguém entra. Ninguém sai. vislumbra-se somente um Tempo que já não é...

 

domingo, 19 de julho de 2026

Ausência

6 anos; Ontem.
apetece dizer.
nada. e
apetece dizer. 
tudo. e
 fica o silêncio, 
da tua ausência:
 presença-viva-vivida.
abraço. Nosso
Tiago.

 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Momentos

Este sentido (que é uma sensibilidade) de comunidade-fraterna que nos impele a ir mais além; nos exorta a ser mais alguém... e nos dá a Vida: Vila Mendo.


 

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Reditos

Despertar noutro ser humano poderes e sonhos além dos seus; induzir nos outros um amor por aquilo que amamos; fazer do seu presente interior o seu futuro: eis uma tripla aventura como nenhuma outra- George Steiner em "As Lições dos Mestres" (a propósito da vocação do professor)

sábado, 11 de julho de 2026

Respiros

Desponta o dia. Gélido. Os animais buscam uma réstia de aconchego sob os auspícios do sol. Mas nem assim. O vento cortante e penetrante convida ao sossego, possível. O calor abrasador ainda é uma memória distante. Há-de vir. Implacável. Para nos recordar que a natureza nos sujeita impiedosamente...

 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

vida-e-morte

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 25 de Junho)

Aquilo que temos de mais certo (se de alguma coisa deriva certeza) é a de que quando nascemos já estamos a morrer. Aquando da juventude não pensamos, não queremos ou não sabemos pensar sobre a morte; e pressupõe-se natural: quando estamos no auge físico, inundados de sonhos, ávidos de descobertas até ela parece vencível. Talvez no inconsciente da humanidade ecoe um desejo, que é mais do que isso; uma esperança, e que não é só isso; quiçá uma vontade pura e dura e férrea de querermos ser imortais. Nessa aspiração (que tem pouco de inspirada) encontramos facilmente os predicados (os bons, claro!) que sustentariam a nossa ansiada e merecida imortalidade!.. Se quisermos ser frios, pragmáticos, racionais (?) antes de nascermos não fazíamos falta a ninguém na “terrinitude”; surgimos e fazemos falta a alguns- e às vezes só a espaços- e depois da morte faremos falta a uns quantos e só por algum tempo: posteriormente, o esquecimento perpétuo para a maioria da humanidade.
A religião (cristianismo-catolicismo) emerge muito deste querer ser imortal, deste querer ser lembrado; e oferece-nos a imortalidade-da-alma e a recordação (e já agora a salvação) eternas. E acreditando mais, ou nem tanto, ou não acreditando sequer o que importa é o (re)conforto- quando pensamos seriamente nestas questões existenciais- de podermos ter essa possibilidade de eternidade (ainda que não física) que preencherá o vazio do nada que carregamos desde o início dos tempos (simétrico à predisposição de plenitude do divino?). 
De facto a ideia de futuridade está incrustada na nossa mente (mitológica)- e se tal não constituirá a priori algo de negativo, pelo contrário, se e bem entremeada com a ideia de presente (alicerçada no passado)- o que pode de algum modo levar a desvalorizarmos sobejamente o agora, na esperança suposta de um tempo novo, de coisas boas e só boas. Ainda assim, são muitos aqueles para quem só o hoje conta, pouco o passado, e o depois da vida não é. Como seres humanos somos muito assim: o tudo ou o nada. E na questão da morte será muito isso: para uns a certeza da sua ultrapassagem, para outros a certeza de que tudo termina com ela (e para tantos, depende dos dias e das disposições). Contudo, nos dois (três) casos o que poderá ser comum é o medo. O medo de a enfrentar. A dor em nós. A dor no outro. Temos medo de morrer. Temos medo daqueles que nos são próximos morram. Temos um medo imoderado da morte. E talvez para o ultrapassar, ou pelo menos para o suavizar, para o suportar só com o encontrar (provavelmente “encontrar” não seja aqui o termo, o verbo certo) o valor certo da Vida: trabalho de uma vida, portanto! Consequentemente (ou não!) a pergunta que se impõe, e que aqui somente se propõe é: e qual o valor certo da vida?


sábado, 4 de julho de 2026

Preparativos

Preparativos para o VILA coMENDO, amanhã dia 5





 

terça-feira, 30 de junho de 2026

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Vila Mendo no mundo

O nosso grande amigo Vilamendense César Gonçalves (à esquerda) aqui numa reportagem do jornal O Interior a propósito de ser um dos fisioterapeutas da selecção de Cabo Verde no Mundial. 
Vila Mendo no mundo...

 

sexta-feira, 26 de junho de 2026

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Juventude

Pedro; Sara; Mariana; Maria Rita; Mariana

 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Reditos

Só a busca partilhada da verdade factual, assumida como bem comum, pode dar origem a uma correcta comunicação- Leão XIV,  Magnifica Humanitas- carta encíclica

segunda-feira, 15 de junho de 2026

sábado, 13 de junho de 2026

Seminário- Fundão (Guarda)- Encontro Antigos alunos- I

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 28 de Maio)

A entrada da Casa grande é imponente. Continua imponente. Passado todo este tempo e à cadência de uma vez por ano (mais para uns, menos para outros) a Casa agiganta-se assim que o portão é transposto: fica maior, maior; como as memórias que acorrem em torrente ao pensamento, e paramos. E não param as lembranças, ainda que às vezes pouco claras: como quando, por exemplo, os espaços são entremeados com os da outra… da outra Casa. da Guarda. A quietude, que aquela porta aporta, importa. muito. É o silêncio que aprendemos; Aqui. Não o silêncio imposto como ausência de ruído, mas o silêncio interior, o silêncio-estrutura producente e conducente à reflexão, capaz de ser transformativo e que estruturará a vida, a nossa vida como tal: como vida viva (em alegrias e não alegrias)!.. Entramos e esperamos… o cheiro! Queríamos aquele cheiro tão característico dos corredores infindos que nunca acabam, porque sempre ligados, religados por uma e outra gente que ali descobriu mundo; o mundo; e o mundo de si próprio. O cheiro, o cheiro já não está; já não é! Mas está. cá dentro. E sentimo-lo agora! Como se fosse ontem!.. E o som… o som é o mesmo. Esse sim ouvimo-lo. do silêncio. Ouvimo-lo na natureza à volta, nas laranjeiras do claustro (de tantas brincadeiras), no ranger da madeira que range igual, nas grades do chão das portas laterais que dão para a rua e que à passagem (agora mais encorpada) produzem aquela sonoridade de então. As mesmas grades que suportaram todos aqueles, todos estes pés que hoje são diferentes, mas iguais a mim mesmo, porventura. E o som… já não é o mesmo. Faltam todos aqueles rapazes, todos estes rapazes (que ainda o são e nunca deixarão de o ser). Falto eu, faltam tantos eus que ao longo de décadas e décadas se fizeram ali ouvir. Falta essa sonoridade de gente presente. Resta só (que é muito) a voz de todos nós que, espalhados por tantos lugares, a damos a ouvir: essa, esta voz Seminário!.. E tocamos em tudo, como que esperando que o tocado nos devolva o toque e me reconheça como ser único (no todo) e me diga a mim (Luís, João, Manel, Zé…): lembro-me de Ti. Daqui. Lembro-me do teu toque, das tuas correrias e alegrias e sobrancerias; dos amuos, das tristezas, das incertezas; das tuas sabedorias e algumas pequenas aleivosias próprias da idade, dos teus dons vários. Conheço-te. Já não somos nós que falamos com a Casa, é ela que fala connosco e nos conhece melhor do que nós próprios. Ali. Sempre ali. Reencontro-me comigo próprio e escuto: és tu agora, porque foste Aqui, ontem. O amanhã? Há-de vir. Como sempre vem!.. E paramos de novo, e vemos e ouvimos e cheiramos e tocamos tudo; e tudo com o pensamento que não se aquieta, numa espécie de inquietude boa. E sentimos… um sentimento que é mais do que isso (porque os sentimentos esfumam-se tantas vezes, demasiadas vezes, se calhar). Não é um bem um sentimento… é um acrescento ao sentimento, é… uma sensibilidade. É isso, uma sensibilidade-serena, e terrena; não mais não menos do que isso (se divina, seríamos santos!). A Casa grande (para tantos) grande Casa ofereceu-nos essa sensibilidade: se a aceitámos, se a quisemos aceitar, se a soubemos aceitar, se a recusámos aceitar é toda uma outra e intrincada questão. Eventualmente, talvez possamos ainda agora resgatá-la, voltando à Casa e experienciando todas estas sensações, que são emoções, e são realidade: e são realidades dentro da realidade de mim. E esse voltar, esse regresso não é um recesso, muito menos um retrocesso; pelo contrário, é um progresso no conhecimento de nós mesmos, no conhecimento dos muitos eus que me povoam (do estranho em mim) e me fazem a cada passo entrar em contradição comigo e com o mundo. Uma contradição insanável que caracteriza todo o ser humano e que não pode ser reparada, quiçá, mas que pode ser melhorada. Conhece-te a ti mesmo. Tremendamente complexo. Trabalho de uma vida.
No pretérito dia 23 de Maio realizou-se o já habitual encontro dos antigos alunos dos seminários do Fundão e da Guarda e pudemos regressar a um tempo de nós mesmos: só nosso e só… de todos. Agradecer às contínuas direcções e demais órgãos da Associação dos Antigos Alunos na pessoa do Presidente actual (Jorge Simão), por manterem a chama viva e vivida, e consecutivamente organizarem este momento marcante e actuante de partilha fraterna. Este ano, um grupo de gerações mais recentes estiveram presentes. Espera-se que no próximo mais se juntem. O Seminário está. cá. dentro. sempre. Sejamos-lhe sensíveis. Porque dessa sensibilidade seremos pessoas melhores.
Nota: Ainda que um pouco a despropósito (ou não), dar conta que o nosso Bispo não esteve presente, nem no ano passado! Um aparte, que faz parte. Tão só.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

terça-feira, 9 de junho de 2026

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Coisas da Vida

Apesar de ter nascido na Quinta de Cima, as suas origens paternas são de Vila Mendo com quem foi mantendo alguma ligação e relação, pelo que ficamos um pouco mais pobres. Homem de bom trato e cordato, parte também cedo demais.
Ao filho Valter, à irmã Estela e demais familiares os nossos sentidos pêsames.


 

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Coisas da Vida

Faleceu terça-feira, aos 61 anos, o Zé Eduardo. As cerimónias/exéquias (primeiro em Lisboa) decorrerão no próximo Domingo pelas 15h30, na capela em Vila Mendo- que tanto amava.
Coisas da Vida? A morte será uma coisa da vida, ou a vida uma coisa da morte? Sem nos entremearmos em questões de pensamento filosófico (ficará para um próximo artigo no jornal A Guarda, em jeito de homenagem ao Zé Eduardo e ao Tiago... e às contínuas gerações de Vilamendenses), a morte de quem gostamos apanha-nos e enreda-nos e enerva-nos numa roda-viva-sofrida de emoções, sentimentos (até ressentimentos); numa sensibilidade de mim... com o mundo, no mundo: porquê? para quê? E as respostas, as respostas… somem-se, porque nunca (?) se assomam. Mas a dor essa sim, aflora e uma outra vez; e está, e é... cá dentro.
Uma perda grande, a do nosso amigo grande. Todos ficámos mais aquém de chegarmos mais além na caminhada da Vida.
Trabalhador por natureza, fez uma carreira a pulso (até juiz), e há quem o recorde, por exemplo e entre muitas outras coisas, aquando da sua juventude nas malhas, da sua resistência, persistência- e mormente a sua marcada e notada educação e boa disposição- a “carranjar” a palha da malhadeira até ao palheiro... Recordo-o, na infância, ao chafariz a brincar comigo às “lutas”: referia-lhe que era um mestre do karaté e ele, paciente e pedagogicamente, entrava na brincadeira (estaria por essa altura na judiciária, talvez)… Não temos sequer a ideia de alguém alguma vez ter falado depreciativamente dele, o que diz muito acerca da consideração e amizade nutrida por todos aqueles que com ele privavam.
Colaborou nos 2 Cadernos de Memórias da ACR Vila Mendo. “Vila Mendo nos anos 60/70” e “Gentes da nossa Terra”. Deixamos a ligação do seu contributo no primeiro AQUI, e do testemunho aquando da morte do seu pai, José Domingos, AQUI
À sua esposa Alice; aos seus filhos Bernardo, Diogo e João; à sua mãe a Sra. Adoração que conta com quase 94 anos; aos irmãos Joaquina, Tó, Manuel, Ismael, Guida; aos primos de Vila Mendo e à demais família: as nossas condolências mais sentidas.
Foi-se uma parte de Vila Mendo. E ficámos incomensuravelmente mais pobres. Um homem bom.
A vida da Vida… 

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Sugestão de leitura

Um conjunto de crónicas (1998-2013) que abordam temas muito diversos, patenteando o talento e a versatilidade de um autor maior. 
Recomenda-se.

 

quarta-feira, 27 de maio de 2026

segunda-feira, 25 de maio de 2026

sexta-feira, 22 de maio de 2026

da Ignorância. do Conhecimento. da Felicidade- V

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 14 de Maio)

(continuação)
À pergunta: ”E qual é essa visão e quem a viveu?” a propósito de possibilidades de mudança frutuosas na jornada da vida; a resposta (esta) é decididamente mais simples, ainda que não fechada. De facto, se São Paulo parece, nalgumas das suas enunciações, dar respaldo ao esvaziamento, à fuga do eu para me tornar outro- o tal Homem novo livre do passado, desobrigado do presente, amarrado ao futuro- também no Cristianismo, Santo Agostinho introduz e induz uma nova visão (que será a dominante!) para um melhor conhecimento de nós mesmos, para a tão almejada felicidade (possível). Propõe uma confrontação do eu, que se sujeita ao próprio escrutínio de si. Não acena nem encena o surgimento de alguém completamente transformado e renovado (o que não quer dizer que não aconteça de alguma forma; talvez não de forma radical). Diz que essa confrontação é dolorosa no seu começar, no seu desenrolar e no seu terminar (porque nunca termina); que é absorvente e esgotante, por vezes, mas possivelmente será a forma mais capaz, mais duradoura de fazermos caminho de felicidade: porque não nos escondemos de nós próprios, não nos escondemos dos outros, não nos escondemos do mundo (que sou eu também). Nessa confrontação do eu, nessa auto-confrontação, Deus teve (tem) um papel: simplesmente (?!) revela a Santo Agostinho o lado (o estranho em mim) que ele não consegue ver, que está nele e lhe causa o sofrimento que o atira para uma espiral de comportamentos e pensamentos erráticos e vazios. Não consegue descortinar esse seu lado de miséria e é por Deus, pelo cristianismo, que lhe é dado a conhecer e a reconhecer tal através dos seus, agora, olhos conscientes; e passa a ver esse seu lado escuro, obscuro que vai posteriormente aceitar e integrar e melhorar: Conhece-te a ti mesmo. Uma espécie de epifania-humana. Só isso. Tudo isso. Não há raios luminosos, quedas de cavalo, visões do que há-de vir. Não há Homem novo de um momento para o outro (como em São Paulo). Uma visão diferente; mais custosa; mas potencialmente mais producente a longo prazo.
Depois de 5 artigos sobre o conhecimento e o não conhecimento no alcançar da felicidade como tal, aquilo que podemos dar como certo é o de que na caminhada da vida ela- a felicidade- não será um fim; antes um processo longo. Duro. Para que esse processo tenha laivos constitutivos de alegria substanciais e substantivas, talvez só com um autoconhecimento superior de nós próprios: e sabendo que esse autoconhecimento é ele mesmo também e muito um processo… infindo. Se a ignorância é de matizes várias, a ignorância-do-eu é marcadamente a maior de todas.
Quem não se quer Conhecer a si mesmo para Conhecer o mundo e assim Conhecer vislumbres de felicidade? Quase toda a gente. Quem o faz de facto, de maneira constante, sem desistências várias e variadas? Muito poucos, talvez!.. Se podemos ser felizes? Sim, às vezes!..

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Gentes de Cá

Inês; Rodrigo; Rui; Vanessa; Costa; Júlio; Xavier

 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Reditos

Consciente da minha celebridade e do meu talento pareceu-me injusto não sair para a rua de pé, em carro descoberto, cercado por guarda-costas de óculos ray ban, a mostrar-me e a abençoar- António Lobo Antunes- As Crónicas ( o grande homem)

sexta-feira, 15 de maio de 2026

da Ignorância. do Conhecimento. da Felicidade- IV

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 30 de Abril )

(continuação)
À pergunta: e quais as soluções-imposições que amiúde procuramos? A resposta (esta) é, de certo modo, objectivamente mais evidente. As soluções (que são sempre imposições que colocamos a nós mesmos antes de as colocarmos aos outros para nos solucionarem as angústias e os tormentos que nos acompanham a cada passo) procuradas (e que às vezes nos procuram!) tendem a ser de cariz e de matriz do instantâneo, do milagroso, do mágico; que resolvam. E não importa se deslindam, ou sequer se me aproximam (ainda que longinquamente) das origens da dor: das condições e das contradições insanáveis (?) que a alimentam.
As igrejas evangélicas, movimentos pentecostais, seitas mais, outras organizações que tais, superstições várias e de variada natureza; terapias diversas, coaching, mindfulness, etc. (a ordem é aleatória e pode ser injusto, até incorrecto, fazer referência a estas últimas neste contexto…) prometem, da noite para o dia, um novo Eu; um novo mundo interior; sem se importarem com o conhecer dos muitos eus a que nos sujeitamos e que espreitam a todo o tempo (tantas vezes a destempo): uma espécie de fast-food-feliz de conhecimento (diferente Do conhecimento), uma espécie de versão light-luminosa da conversão Cristã. Onde a nível psicológico se faz tábua rasa do passado, do que aconteceu, do que foi; onde se coloca no armário, bem no fundo do armário tudo aquilo que fizemos e que fomos para começar tudo de novo; para ser outro, para ser outra pessoa-nova. É nesta ilusão de soluções mágicas que tantas e tantas pessoas se embrenham até à desilusão (ou não!) de verificarem mais tarde da fantasia de que escondermo-nos de nós próprios não será o mais producente: é que acabamos sempre por nos encontrar a nós mesmos… naquilo que somos com o que fomos; naquilo que fazemos com o que fizemos. Fugir psicologicamente pode resultar e beneficiar por algum tempo. A longo prazo a história (de mim mesmo) será outra: a minha! Sempre a minha!..
Mas no atrás referido (e uma vez que falamos também de algum tipo de religião) São Paulo não terá, digamos que… alguma responsabilidade (!)? Não foi ele que disse, e cita-se “Por isso, se alguém está em Cristo, é uma nova criação. O que era antigo passou; eis que tudo se faz de novo.”? Ora numa análise ainda que pouco fina (e se quisermos um tanto ou quanto descontextualizada), esta frase dá aso a uma justificativa para uma fuga do eu: há uma conversão, esquece-se o passado, e há todo um mundo, todo um futuro promissor sem as amarras e as agruras do acontecido- um Homem novo, portanto. O próprio Cristianismo- catolicismo- (de quem São Paulo foi preponderante para a sua implementação e aceitação) preconiza e adopta outra visão como forma de viver e estar e ser Vida em contínuo crescimento pessoal e social; que nos indica um caminho diferente para uma mudança sustentada, maturada de vida: não-fácil, mas possível. De facto, na história da humanidade são poucos aqueles mudaram radicalmente (verdadeiramente) a sua existência através de circunstâncias epifânicas. E qual é essa visão e quem a viveu?
(continua)

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Sugestão de leitura

Uma novela gráfica (Banda Desenhada) superlativa. O seu autor (Gianni De Luca) tem um traço a preto e branco claro, límpido. Conjuga exemplarmente a luz/sombra, o claro/escuro. A história é conduzida visualmente de forma magistral.
Quanto a Shakespeare, é uma boa forma de introdução à sua obra: a subjectividade, o conflito interior, a ambiguidade trágica do ser humano sempre presentes...

 

segunda-feira, 11 de maio de 2026

sexta-feira, 8 de maio de 2026

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Momentos

Passeio de motas (50cc)- Póvoa de S. Domingos, no pretérito dia 26 de Abril.

 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Reditos

Amigos, lembrai-vos: podemos cobrir as nossas piores acções com toda a terra do mundo, mas elas sempre reaparecerão, bem claras, à luz do sol- (Hamlet) Shakespeare

segunda-feira, 4 de maio de 2026