sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

o Homem e o(s) Hábito(s)

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 21 de Dezembro.)

O Homem é um ser profundamente relacional. Existe em relação. Não poderia Existir se assim não fosse. E as relações são ralações constantes: podem ser profícuas ou improdutivas ou ambas; podem ser sinónimas ou antagónicas ou ambas; podem ser boas ou más ou ambas. Estar em relação é um compromisso pessoal e social, social e pessoal. É nesses compromissos que criamos Hábito e hábitos.
Criamos (o) Hábito (aqui entendido com o nosso modo de Ser, o estado desse nosso ser) quando nesses compromissos nos damos ao outro, recebemos do outro, quando recebemos de nós próprios. O Hábito que criamos e recriamos numa eterna (re)definição do Ser e da Substância). Na infinitude da teia de relações (nem todas produtivas, muito menos superlativas) afirmamo-nos como somos (ou pelo menos como queríamos ser), estabelecemos o modo como estamos e reorientamos o estado do nosso estado interior. Definimo-nos. E nessa definição ajudamos (contribuímos) para que o outro se defina (para melhor ou nem tanto!). As relações criam Hábito; o Hábito cria relações numa reciprocidade permanente, consequente, tantas vezes pungente.
Já a criação de hábitos (mais ou menos corriqueiros, mais ou menos estruturantes) é como que um vício que começa desde a nascença até ao último suspiro. Criamo-los por tudo e por quase nada. Criamo-los para nos sentirmos seguros, porque queremos previsibilidade (num tempo altamente imprevisível); porque queremos ter controlo e até controlar; porque o desconhecido nos afecta e nos afasta e é reconfortante pisarmos terrenos óbvios, sem as agruras do enfrentamento do velado.
Habituamo-nos aos hábitos de tal forma que até os hábitos se habituam a nós! Depois de criados como que ganham asas próprias e o criador (Eu) quase que pode deixar de ter mão na criação: a criação empodera-se e pode subjugar o criador. Não admira pois a errância que vemos em sectores vastos da sociedade, enredados que estão em hábitos pouco conducentes, que se replicam e implicam uma e outra vez (a política e os políticos são pródigos).
De facto (e decerto a outro nível), todos temos os nossos hábitos, transversais e universais. Basta pensarmos no dia-a-dia: dos mais assertivos e unitivos até aos mais inusitados e desinteressados- são as rotinas e as regras que lhe subjazem, elementais na estruturação da personalidade. Per si, os hábitos ajudam as relações e as relações ajudam os hábitos. O problema residirá na altura em que nos tornamos excessivamente dependente deles, o que terá impacto tremendamente nefasto nos relacionamentos e no relacionamento connosco mesmos: problematização idêntica àqueles que não têm hábitos quase nenhuns!
Se todos temos os nossos hábitos, pessoas há que querem, persistem em fugir deles, das rotinas; e passam a vida nisso, a inventar formas e fórmulas (consubstanciadas ou só mentais) de lhes resistir: no fundo como que uma fuga à realidade e seus ditames, pensando que ao se mudar recorrentemente de espaço e de eventos se muda de tempo- do tempo real e suas contradições, que não serão mais do que as contradições próprias. Não se apercebendo que estão a criar o hábito de mudar, de fugir dos… hábitos. E isso pode constituir a criação de um Hábito complexo!..
Os hábitos. Quem os não tem?
O hábito dos hábitos, sem habituação excessiva, sublima o Hábito!


quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

à Guarda

brame 
a luz esperançada. 
resiste 
a névoa calada,
que não queremos
do Amanhã e
Vila Mendo. há-
de luzir. à 
Guarda



 

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

aGuarda-te

e um alvo manto envolve e 
aconchega-
nos 
numa lisura pura. 
Altaneira, 
a Guarda 
lança a sua vetustez aos 
confins. 
Vila Mendo. aguarda- te

 

sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Alvor

Alvoreja o dia e um silêncio enevoado atravessa as cercanias da nossa cidade alva. Vila Mendo, acobertada, aguarda pelo luzir que a Guarda lhe há- de prover.

 

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Sugestão de leitura

Uma escrita muito própria; diferente; não fácil.
Vale a pena ler.

 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

sábado, 9 de dezembro de 2023

a Ti, Amigo Tiago Gonçalves

(40 anos)

o silêncio 

da imorredoura 
Amizade.

abraço
Tiago. 


 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

o Homem e a(s) Memória(s)

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 30 de Novembro.)

A nossa identidade está plasmada na nossa memória. A nossa memória é a nossa identidade, a nossa personalidade. Somos o que somos pelo que fomos! Seremos o que somos: quando lá chegarmos, iremos ser da forma como lá chegarmos, numa continuidade ad aeternum…
De facto, só uma pequeníssima parte do nosso passado opera no nosso pensamento- pequenos fogachos e às vezes espartilhados- mas é com todo o nosso passado inteiro, indizível que desejamos, queremos e agimos. A memória define-nos e a forma como memoriamos define-nos ainda mais.
As memórias podem ser distorcidas na nossa mente, podem ser acrescentados pontos, retirados outros, alterados, misturados de forma que o lembrado pode não ter tanto que ver com o acontecido.
Amiúde, a memória lembrada corresponde às percepções (não sempre completamente objectivas) sobre a realidade dos factos, sobre como víamos o mundo nessa altura e como ele nos via a nós; corresponde, tantas vezes, à interpretação que fazemos, agora, sobre essas mesmas percepções. Como resultado, as memórias sobre os mesmos acontecimentos podem ser bastante diferentes entre várias pessoas. Conseguimos como que apagar o que não nos interessa e ressaltar o que nos convém.
Importa então sermos, ou tentarmos ser imparciais perante a nossa própria memória fazendo uma análise profunda às nossas percepções e interpretação delas mesmas. Doutro modo, pode acontecer que toda uma experiência possa ser recordada partindo de um ou poucos simples factos e submeter e subjugar todas as vivências a ele(s): afirmativa ou negativamente!
Realmente, sem as memórias e sem as histórias e sem as estórias que elas nos contam e recontam, um sem fim de vezes, seríamos uns meros viventes, ausentes da vida e quase que de vida.
Elas carregam-nos! Levam-nos e abandonam-nos. Sustêm-nos! Frustram-nos e surpreendem-nos. Orientam-nos! Dizem-nos e calam-nos. Estruturam-nos! Reprimem-nos e motivam-nos. Esperançam-nos! Desiludem-nos e alegram-nos. Vivem em nós e nós vivemos nelas.
A existência- esperançada, mas real- caminha nesta linha ténue estreita mas escorreita de perceber se são as memórias que vivem mais em nós, se somos nós que vivemos mais nas memórias; se somos nós que construímos mais (e a todo o momento) as memórias, se são elas que nos constroem mais (e a cada passo) a nós: e por tal só capazes de viver o vivido, de modo que o vivido não nos deixa viver o agora; só capazes na incapacidade de nos livrarmos das memórias- sem delas nunca nos podermos livrar completamente.
Como que uma sina, ou uma graça, as memórias revisitam-nos uma e outra e outra vez. A forma como nos condicionam depende de nós… e depende delas e… de nós (como se pudéssemos dissociar o Eu da Memória!).
Aliás ou talvez, o processo de pensamento inicia-se nas memórias; funde-as, infunde-as, projecta-as, e todo um mundo de possibilidades (reais ou surreais) se nos afigura... O pensamento será memória. A memória é pensamento.
Memória: quem a não valoriza, vive somente. A quem lhe importa, existe verdadeiramente.
Memoriemos- sem nos desmemoriar!

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

EDAJ- Vila Mendo

Rita; Élio; Ricardo; Marina; Rodrigo; Beatriz; Vanessa; Júlio; Joana; Guilherme; Inês; Afonso
A presença Vilamendense no Encontro Distrital de Associações Juvenis, e cuja Federação comemorou 25 anos de existência.

 

sábado, 2 de dezembro de 2023

Momentos

Festa de Santo André- Agosto 23