sábado, 31 de janeiro de 2026

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Coisa da Vida

Aos 56 anos, faleceu na França (Bondoufle- Paris) o Virgílio do Nascimento Lopes, mais conhecido em Vila Mendo pelo "Vergil". Filho do José Lopes e neto da Sra. Etelvina. O maior elogio que lhe podemos fazer é que, quando vinha de férias, todos gostavam dele e da sua companhia. Deixa muitas saudades. O funeral será lá.
A toda a família, os nossos sentidos pêsames.

 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

sábado, 24 de janeiro de 2026

Sugestão de leitura(s)

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 8 de Janeiro) AQUI

Começa um novo ano. Que de novidade (suposta) só as costumeiras desgraças do mundo; os infortúnios de um Portugal que se nos apresenta- desde quase sempre- embrenhado em crises de crises… E as constantes adversidades de uma Guarda cada vez mais interior, a necessitar e a (des)esperar do (seu) Interior!.. Nada melhor então do que nos darmos ao prazer da leitura e por essa via entregar-nos, não ao esquecimento, mas ao entendimento (se tal for possível!).
Ler é um acto profundamente nosso, profundamente solitário mas, e ao mesmo tempo, profundamente relacional e empático. Ler, leva-nos para dentro de nós e (paradoxalmente, ou não) orienta-nos para fora, para o mundo, para fora do mundo. Faz-nos imaginar. mais. Faz-nos pensar. melhor. Faz-nos imaginar o pensamento. Faz-nos pensar a imaginação. Ler, dá-nos Vida e dá-nos a vida que sonhamos (ainda que por instantes). Empodera-nos e torna-nos mais Eu… no Outro; com o Outro.
Os livros sugeridos não são os preferidos, ou os mais preferidos. São aqueles que têm mais sentido, hoje. Nem sequer ficam divididos por qualquer categoria. Apresentam-se na ordem que advêm ao pensamento, no agora; poderiam ser infinitamente outros. A excepção, o primeiro aqui apresentado, porque o primeiro lido (pelo menos na memória, de um livro lido na totalidade) em Vila Mendo, na escola primária:
Romance da Raposa, de Aquilino Ribeiro- para miúdos e graúdos: um Aquilino que escreve e nos reescreve com a sua dureza e crueza e pureza (pungente), como em Aldeia- Terra, Gente e Bichos. Tolentino Mendonça com, por exemplo, A Leitura Infinita, para nos compreendermos e a o mundo; a bíblia é aquele horizonte onde histórica e culturalmente nos inscrevemos. A História do Silêncio de Alain Corbain, o Silêncio, mais do que mera ausência de ruído... visto como valor filosófico e visto na sua dimensão educativa. Thomas Mann com José e os Seus Irmãos, algumas figuras bíblicas revisitadas e humanizadas; as virtudes e as fraquezas da condição humana neles presentes para poder dar resposta(s) à crueldade humana. James, a partir do clássico de Marck Twain As aventuras de Huckleberry Finn, o autor Percival Everett reinventa essa(s) história(s) e coloca o foco da acção num outro ponto de vista; e da perspectiva do escravo Jim. Luís de Sttau Monteiro e as Redacções da Guidinha, uma leitura humorística pelo olhar ingénuo, mas tremendamente perspicaz, de uma adolescente que nos delicia com um conjunto de crónicas de costumes fazendo-nos pensar das profundas e profusas contradições sociais e da condição humana. Fausto de J.W. Goethe, o pensamento da humanidade (ou pelo menos da civilização europeia e ocidental) é profundamente marcado pelas narrativas (alegorias) da queda (pecado) do Homem causadas pelo conhecimento: a Árvore do Jardim do Éden, a Tragédia Prometaica e o Pacto Fáustico: em Goethe este mito adquire novas possibilidades, novas potencialidades significativas. Moby Dick, um clássico adaptado para banda desenhada; o preto e branco muito bem dominado... fiel à história; a linha ténue entre a tenacidade e a loucura, ou a raiva ou ambas, aqui bem expressa. Trilogia- de Jon Fosse, leitura não-fácil mas depois de alguma estranheza, entranha-se. Paul Celan em Os Poemas, poesia de uma expressividade, de um minimalismo radical; profundamente hermética, quase (ou mesmo, por vezes) que imperscrutável e talvez, e por isso mesmo, de uma beleza... crua, pura e dura; um poeta marcado intimamente pelo holocausto: até ao fim; são poemas... do silêncio... do tempo; do silêncio das palavras; do silêncio entre as palavras. Qualquer livro de George Steiner, crítico literário, pensador de excelência, por exemplo As Artes do Sentido.
E agora mais apressadamente, mas não menos recomendáveis: Obra Completa de Arthur Rimbaud, poesia/prosa. De António Vieira O tempo e o sagrado- Deuses do deserto e deuses da floresta; e O perceber do Mundo- O Ser e o Saber. Nós, filhos de Eichmann de Gunther Anders. Tomás de Kempis com a Imitação de Cristo. Eduardo antes de ser Lourenço- textos de juventude. As sete últimas palavras de Timotthy Radcliffe OP. De Martim Puchner Cultura- uma nova história do mundo. Nuno Montemor com Rapazes e Moças da Estrela, Maria Mim, ou A Maior Glória. O Espaço Interior de José Gil. A Biografia de Hannah Arendt, por Thomas Meyer. Na Banda Desenhada, Paco Roca com O Farol, O Jogo Lúgrube ou Trilhos do Acaso. E os Astérix, nomeadamente o último, na Lusitânia… Os autores recentes da nossa cidade, ficarão (mais uma vez!) para outra momento quando forem lidos os seus últimos trabalhos.
Os jornais, todos (embora uns mais que outros…). Os da Guarda: Jornal A Guarda e O Interior, está claro. O Público com o seu suplemento Ípsilon, o Jornal de Letras, a revista Ler, a revista Electra são boas opções; e A Bola ou o Record também se podem assomar de quando em vez.
Enfim, um conjunto de sugestões que poderão interessar. Ou não. Leamos.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

o(s) Presente(s)

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 25 de Dezembro)

O pensamento do Homem (porventura, excessivamente funcionalizado) pensa, ou melhor, percepciona o tempo ou os tempos- passado, presente, futuro- como compartimentos estanques e bem delimitados e bem delineados. Mas o tempo define-se, caracteriza-se por tal? Segmentado nesses três momentos diferentes e que se consideram diferenciados e mais ou menos distantes? Porventura, tal não sucede. Quiçá, não haja divisão entre passado, presente e futuro: pois entrelaçam-se, mesclam-se, confundem-se e confundem-nos em percepções de percepções, tantas vezes erradas e erróneas. Talvez, o passado seja presente que já foi; o presente seja passado que já é; e o futuro… o futuro, talvez não seja, porque nunca foi! O futuro é (?) um presente-outro, são presentes outros.
E talvez seja aqui que nos devemos ou podemos situar como humanidade: no presente- sempre eterno. Passível de ser moldado, melhorado e explorado de maneira superlativa pelo ser humano: com uma vontade que nos interpela a agir no agora para que possamos ter outros agora- producentes, idealmente- mas diferentes da Vontade pura, chamemos-lhe assim, postulada nalgum pensamento filosófico que pressupõe que o mundo é no princípio e no fim somente vontade, traduzida no voluntarismo, no domínio avassalador e “vassalador” sobre o mundo; no fundo, no triunfo da vontade total como tal, cujos resultados últimos (senão primeiros) são as guerras, os confrontos e os conflitos permanentes, sempre latentes e sempre pungentes.
Muitas vezes, vivemos afincadamente numa espécie de passado, assoberbados com uma espécie de futuro, e o presente, esse, deixamo-lo ir… sem rumo ou destino que nos ampare e nos prepare para os tantos “quês”, nos inúmeros porquês, e sem vislumbre dos “para quês”. Vivemos como que numa realidade-ilusória do antes, que se projecta uma e outra vez para o depois em saltos “quânticos”, que nunca está no agora, no hoje; no que importa; se é que importa!.. E passamos o tempo importando formas e fórmulas que nos preparem para o que há-de ser (martirizados pelo que foi); e deixamos de ser; porque nos esquecemos de ser-agora…
Neste tempo de renascimento, de (re)união, de (re)esperança que é o Natal, talvez devamos tentar o Aqui. Deixar o ontem (sem o esquecer) e o amanhã (sem o perder!) e: parar. e esperar. e valorizar. o outro. que sou eu. também…
E no presente, o melhor presente é estarmos presentes na Vida; e na vida de todos aqueles que nos consideram. É estarmos presentes nas relações (e nas ralações) de todos os que gostamos. E de quem não gostamos tanto! Mas isso… é somente isso. Que é tudo, ou quase!..
Boas Festividades.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Sugestão de leitura

Anders reflexiona o seu tempo- intimamente ligado ao Holocausto- e como as monstruosidades do passado se podem repetir na ausência de respeito, compaixão e responsabilidade... 

 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Reditos

Numa sala onde as pessoas defendem, unânimes, uma conspiração de silêncio, uma palavra de verdade soa como um tiro de pistola- Czeslaw Milosz

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Coisas da Vida

Sra. Piedade
Depois do falecimento do seu marido Sr. José Bragança em Novembro, eis que parte a Sra. Piedade. Mulher simpática, afável e comunicativa. Vila Mendo cada vez mais pobre. Aos filhos Cristina e Joaquim, os nossos sentidos pêsames.



 

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

esperar o Esperar

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 4 de Dezembro)

O pensamento da humanidade (pelo menos o ocidental) está profundamente ancorado à morte de Cristo (e de Sócrates). No nosso inconsciente colectivo ecoa seminalmente esse momento, esses momentos de sofrimento do Criador- também ele criado- às mãos da criatura: o Homem. Considerando metaforicamente a jornada da humanidade balizada entre a Sexta-feira (da Paixão), o Sábado e o Domingo (da ressurreição), encontramo-nos na longa caminhada do dia de Sábado; aprisionados entre a dor, as desgraças, as ignomínias que ocorrem a todo o tempo e em todo o tempo- que é Sexta-feira- e a Utopia (?) do Domingo em que todas as nossas aspirações e preocupações, efabulações e manifestações de toda a índole já não terão lógica ou necessidade pela realização plena com Ele.
Esta tal longa caminhada de Sábado em que nos encontramos, é caracterizada por um longo esperar. Uma espera nesse Domingo que há-de vir (e com ele o sonho da libertação, do renascer, dum tempo de felicidade total), mas que nunca chega; e nos desespera e nos angustia e nos revolta. Um estado contínuo de desilusão com que somos assolados por não chegarmos… E uma paciência aflora, ou tem de aflorar para que o imenso Sábado se não eternize e se veja o vislumbre do Domingo. Todas as nossas apreensões, figurações, representações… no puzzle da imaginação (?) metafísica ganham (algum) sentido com essa paciência que emerge, talvez, a partir da arte e das artes como tal, que nos permite suportar o sofrimento, a solidão, a perda inexplicável ao longo de todos os tempos, como seres simplesmente humanos. E não mais; Mas, não menos do que isso…
E esta espera exige. Exige silêncio e atenção. Exige uma constante e dura luta mental: onde os pequenos pensares supérfluos e inúteis (?) dominam amiúde o pensamento e, não raras vezes, a acção. Talvez, tenhamos de esperar pela Palavra, por outra (?) Palavra (de Deus) que ainda não foi dita; ou se dita, ainda não escutada- muito menos compreendida: se calhar, porque a linguagem humana ainda a não consegue proferir… e esperá-la no silêncio do mundo, surgido a partir do silêncio de nós. Trabalho árduo e desgastante, portanto.
Num tempo de apressamento voraz que não se satisfaz, se impacienta e não se silencia com nada nem com tudo; teremos de querer compreender o todo (como se tal fosse possível!) para que o Sábado seja uma simples (complexa) passagem- que é (?). Teremos de voltar a colocar a espera no nosso querer. Teremos de esperar o Esperar: para que a Sexta-feira seja pretérito mais-que-perfeito; o Sábado pretérito; e o Domingo, presente eterno…

sábado, 3 de janeiro de 2026

Gentes de Cá

Júlio; Rodrigo; Telmo; Eduardo; Catarina