Estamos num tempo atribulado. Não que as tribulações sejam mais do que antes (certamente não serão menos) talvez, e quando muito, um tanto ou quanto diferentes na aparência, já que quanto à sua natureza derivam da condição humana: agora e sempre (por todo o sempre?). O mundo gira e com ele giramos nós- indivíduos e humanidade na sua tremenda fragilidade. Uma fragilidade que nos humaniza por um lado- com os nossos defeitos e virtudes constitutivos- e nos desumaniza uma e outra vez com as atrocidades e maldades de todos os tempos e a todo o tempo. Queremos, achamos ser melhores que os outros; as comunidades, as sociedades, as nações, culturas e civilizações, todas, à sua maneira e sobremaneira, se acham superiores às outras numa lógica de competição-conflito permanente e pungente.
Se atentarmos na actual situação geopolítica mundial, verificamos essa tendência para a hegemonia de um ou mais blocos à boa maneira dos séculos XIX e XX. Uma corrida imperial-colonial pela supremacia económica, militar, social, cultural… total sobre os outros blocos e países, na tal lógica atrás. Sabemos o que aconteceu nesses tempos. Podemos presumir o que advirá (se bem que, em muitas partes do mundo, já adveio): conflitos contínuos, brutalidades várias. O mal como acção e substância.
Particularizando ainda mais, também em Portugal esse clima de conflitualidade está sempre latente e bem patente. Veja-se umas simples (complexas) eleições presidenciais em que o caldo de cultura ficou apurado na primeira volta; e agora teremos de o degustar na segunda. O confronto ardiloso sempre actuante na ânsia do poder dilacerante. Na arena-política (?) parece que tem de sobressair o “político animal”!
Na Guarda o mesmo (ou semelhante); os políticos, os pretensos políticos, os apolíticos e até os impolíticos (e os comentadores?!.) entram todos (ou quase) um pouco na lógica (pré)estabelecida… O que vale (vale?) é que bastantes guardenses passam ao lado disso (e de muitos “issos”!..).
Individualmente, passamos o tempo em tribulações. Muitas vezes com o mundo; tantas vezes com os próximos; sempre connosco próprios. E às vezes nem nos damos conta dessa conflitualidade intrínseca e imanente com que nos apresentamos a nós mesmos à humanidade. Talvez porque não nos reflictamos com a profundidade necessária; que nos permita ver, quiçá, as profusas contradições e imperfeições (nem sempre as contradições são imperfeições, mas as imperfeições são sempre contradições) que nos caracterizam (e incaracterizam) a cada passo, e que nos exasperam e desesperam, e nunca esperam o outro… porque não queremos, ou não sabemos esperar(-nos): o que nos permitiria perscrutar no Outro um Eu; e no Eu um Outro… aliviando assim (nunca cessando) os conflitos interiores; aliviando (nunca cessando, porventura) os conflitos exteriores… Se calhar, por tudo isso (ou por nada disso!) amiúde, parecemos escombros andantes do nosso interior.
Somos assim, e não sabemos se poderíamos ser de outra maneira; mas certamente (ou eventualmente) desta maneira, podemos. ser. melhores. um pouco.
Entretanto, o Mundo. tribulado pula e avança… para a FESTA do CHICHORRO em VILA MENDO.
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