quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Coisas da Vida

Faleceu o Sr. Manuel Ribeiro (mais conhecido por Manuel Tróia) aos 92 anos. Natural da Póvoa de S. Domingos, veio para Vila Mendo há volta de 40 anos. Nos últimos tempos já não estava por cá, e por isso quase ninguém soube do seu falecimento. O funeral foi no pretérito Sábado nas Panoias de Cima.
Homem alegre e simpático, era pródigo em histórias e estórias!.. Uma frase, que referia várias vezes, define-o: "Agora já não posso, mas a ideia, a ideia ninguém ma tira"!
Aos familiares os nossos sentidos pêsames.

 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

domingo, 8 de fevereiro de 2026

o Mundo. tribulado: e Portugal e a Guarda e Nós

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 29 de Janeiro)

Estamos num tempo atribulado. Não que as tribulações sejam mais do que antes (certamente não serão menos) talvez, e quando muito, um tanto ou quanto diferentes na aparência, já que quanto à sua natureza derivam da condição humana: agora e sempre (por todo o sempre?). O mundo gira e com ele giramos nós- indivíduos e humanidade na sua tremenda fragilidade. Uma fragilidade que nos humaniza por um lado- com os nossos defeitos e virtudes constitutivos- e nos desumaniza uma e outra vez com as atrocidades e maldades de todos os tempos e a todo o tempo. Queremos, achamos ser melhores que os outros; as comunidades, as sociedades, as nações, culturas e civilizações, todas, à sua maneira e sobremaneira, se acham superiores às outras numa lógica de competição-conflito permanente e pungente.
Se atentarmos na actual situação geopolítica mundial, verificamos essa tendência para a hegemonia de um ou mais blocos à boa maneira dos séculos XIX e XX. Uma corrida imperial-colonial pela supremacia económica, militar, social, cultural… total sobre os outros blocos e países, na tal lógica atrás. Sabemos o que aconteceu nesses tempos. Podemos presumir o que advirá (se bem que, em muitas partes do mundo, já adveio): conflitos contínuos, brutalidades várias. O mal como acção e substância.
Particularizando ainda mais, também em Portugal esse clima de conflitualidade está sempre latente e bem patente. Veja-se umas simples (complexas) eleições presidenciais em que o caldo de cultura ficou apurado na primeira volta; e agora teremos de o degustar na segunda. O confronto ardiloso sempre actuante na ânsia do poder dilacerante. Na arena-política (?) parece que tem de sobressair o “político animal”!
Na Guarda o mesmo (ou semelhante); os políticos, os pretensos políticos, os apolíticos e até os impolíticos (e os comentadores?!.) entram todos (ou quase) um pouco na lógica (pré)estabelecida… O que vale (vale?) é que bastantes guardenses passam ao lado disso (e de muitos “issos”!..).
Individualmente, passamos o tempo em tribulações. Muitas vezes com o mundo; tantas vezes com os próximos; sempre connosco próprios. E às vezes nem nos damos conta dessa conflitualidade intrínseca e imanente com que nos apresentamos a nós mesmos à humanidade. Talvez porque não nos reflictamos com a profundidade necessária; que nos permita ver, quiçá, as profusas contradições e imperfeições (nem sempre as contradições são imperfeições, mas as imperfeições são sempre contradições) que nos caracterizam (e incaracterizam) a cada passo, e que nos exasperam e desesperam, e nunca esperam o outro… porque não queremos, ou não sabemos esperar(-nos): o que nos permitiria perscrutar no Outro um Eu; e no Eu um Outro… aliviando assim (nunca cessando) os conflitos interiores; aliviando (nunca cessando, porventura) os conflitos exteriores… Se calhar, por tudo isso (ou por nada disso!) amiúde, parecemos escombros andantes do nosso interior.
Somos assim, e não sabemos se poderíamos ser de outra maneira; mas certamente (ou eventualmente) desta maneira, podemos. ser. melhores. um pouco.
Entretanto, o Mundo. tribulado pula e avança… para a FESTA do CHICHORRO em VILA MENDO.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

sábado, 31 de janeiro de 2026

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Coisa da Vida

Aos 56 anos, faleceu na França (Bondoufle- Paris) o Virgílio do Nascimento Lopes, mais conhecido em Vila Mendo pelo "Vergil". Filho do José Lopes e neto da Sra. Etelvina. O maior elogio que lhe podemos fazer é que, quando vinha de férias, todos gostavam dele e da sua companhia. Deixa muitas saudades. O funeral será lá.
A toda a família, os nossos sentidos pêsames.

 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

sábado, 24 de janeiro de 2026

Sugestão de leitura(s)

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 8 de Janeiro) AQUI

Começa um novo ano. Que de novidade (suposta) só as costumeiras desgraças do mundo; os infortúnios de um Portugal que se nos apresenta- desde quase sempre- embrenhado em crises de crises… E as constantes adversidades de uma Guarda cada vez mais interior, a necessitar e a (des)esperar do (seu) Interior!.. Nada melhor então do que nos darmos ao prazer da leitura e por essa via entregar-nos, não ao esquecimento, mas ao entendimento (se tal for possível!).
Ler é um acto profundamente nosso, profundamente solitário mas, e ao mesmo tempo, profundamente relacional e empático. Ler, leva-nos para dentro de nós e (paradoxalmente, ou não) orienta-nos para fora, para o mundo, para fora do mundo. Faz-nos imaginar. mais. Faz-nos pensar. melhor. Faz-nos imaginar o pensamento. Faz-nos pensar a imaginação. Ler, dá-nos Vida e dá-nos a vida que sonhamos (ainda que por instantes). Empodera-nos e torna-nos mais Eu… no Outro; com o Outro.
Os livros sugeridos não são os preferidos, ou os mais preferidos. São aqueles que têm mais sentido, hoje. Nem sequer ficam divididos por qualquer categoria. Apresentam-se na ordem que advêm ao pensamento, no agora; poderiam ser infinitamente outros. A excepção, o primeiro aqui apresentado, porque o primeiro lido (pelo menos na memória, de um livro lido na totalidade) em Vila Mendo, na escola primária:
Romance da Raposa, de Aquilino Ribeiro- para miúdos e graúdos: um Aquilino que escreve e nos reescreve com a sua dureza e crueza e pureza (pungente), como em Aldeia- Terra, Gente e Bichos. Tolentino Mendonça com, por exemplo, A Leitura Infinita, para nos compreendermos e a o mundo; a bíblia é aquele horizonte onde histórica e culturalmente nos inscrevemos. A História do Silêncio de Alain Corbain, o Silêncio, mais do que mera ausência de ruído... visto como valor filosófico e visto na sua dimensão educativa. Thomas Mann com José e os Seus Irmãos, algumas figuras bíblicas revisitadas e humanizadas; as virtudes e as fraquezas da condição humana neles presentes para poder dar resposta(s) à crueldade humana. James, a partir do clássico de Marck Twain As aventuras de Huckleberry Finn, o autor Percival Everett reinventa essa(s) história(s) e coloca o foco da acção num outro ponto de vista; e da perspectiva do escravo Jim. Luís de Sttau Monteiro e as Redacções da Guidinha, uma leitura humorística pelo olhar ingénuo, mas tremendamente perspicaz, de uma adolescente que nos delicia com um conjunto de crónicas de costumes fazendo-nos pensar das profundas e profusas contradições sociais e da condição humana. Fausto de J.W. Goethe, o pensamento da humanidade (ou pelo menos da civilização europeia e ocidental) é profundamente marcado pelas narrativas (alegorias) da queda (pecado) do Homem causadas pelo conhecimento: a Árvore do Jardim do Éden, a Tragédia Prometaica e o Pacto Fáustico: em Goethe este mito adquire novas possibilidades, novas potencialidades significativas. Moby Dick, um clássico adaptado para banda desenhada; o preto e branco muito bem dominado... fiel à história; a linha ténue entre a tenacidade e a loucura, ou a raiva ou ambas, aqui bem expressa. Trilogia- de Jon Fosse, leitura não-fácil mas depois de alguma estranheza, entranha-se. Paul Celan em Os Poemas, poesia de uma expressividade, de um minimalismo radical; profundamente hermética, quase (ou mesmo, por vezes) que imperscrutável e talvez, e por isso mesmo, de uma beleza... crua, pura e dura; um poeta marcado intimamente pelo holocausto: até ao fim; são poemas... do silêncio... do tempo; do silêncio das palavras; do silêncio entre as palavras. Qualquer livro de George Steiner, crítico literário, pensador de excelência, por exemplo As Artes do Sentido.
E agora mais apressadamente, mas não menos recomendáveis: Obra Completa de Arthur Rimbaud, poesia/prosa. De António Vieira O tempo e o sagrado- Deuses do deserto e deuses da floresta; e O perceber do Mundo- O Ser e o Saber. Nós, filhos de Eichmann de Gunther Anders. Tomás de Kempis com a Imitação de Cristo. Eduardo antes de ser Lourenço- textos de juventude. As sete últimas palavras de Timotthy Radcliffe OP. De Martim Puchner Cultura- uma nova história do mundo. Nuno Montemor com Rapazes e Moças da Estrela, Maria Mim, ou A Maior Glória. O Espaço Interior de José Gil. A Biografia de Hannah Arendt, por Thomas Meyer. Na Banda Desenhada, Paco Roca com O Farol, O Jogo Lúgrube ou Trilhos do Acaso. E os Astérix, nomeadamente o último, na Lusitânia… Os autores recentes da nossa cidade, ficarão (mais uma vez!) para outra momento quando forem lidos os seus últimos trabalhos.
Os jornais, todos (embora uns mais que outros…). Os da Guarda: Jornal A Guarda e O Interior, está claro. O Público com o seu suplemento Ípsilon, o Jornal de Letras, a revista Ler, a revista Electra são boas opções; e A Bola ou o Record também se podem assomar de quando em vez.
Enfim, um conjunto de sugestões que poderão interessar. Ou não. Leamos.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

o(s) Presente(s)

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 25 de Dezembro)

O pensamento do Homem (porventura, excessivamente funcionalizado) pensa, ou melhor, percepciona o tempo ou os tempos- passado, presente, futuro- como compartimentos estanques e bem delimitados e bem delineados. Mas o tempo define-se, caracteriza-se por tal? Segmentado nesses três momentos diferentes e que se consideram diferenciados e mais ou menos distantes? Porventura, tal não sucede. Quiçá, não haja divisão entre passado, presente e futuro: pois entrelaçam-se, mesclam-se, confundem-se e confundem-nos em percepções de percepções, tantas vezes erradas e erróneas. Talvez, o passado seja presente que já foi; o presente seja passado que já é; e o futuro… o futuro, talvez não seja, porque nunca foi! O futuro é (?) um presente-outro, são presentes outros.
E talvez seja aqui que nos devemos ou podemos situar como humanidade: no presente- sempre eterno. Passível de ser moldado, melhorado e explorado de maneira superlativa pelo ser humano: com uma vontade que nos interpela a agir no agora para que possamos ter outros agora- producentes, idealmente- mas diferentes da Vontade pura, chamemos-lhe assim, postulada nalgum pensamento filosófico que pressupõe que o mundo é no princípio e no fim somente vontade, traduzida no voluntarismo, no domínio avassalador e “vassalador” sobre o mundo; no fundo, no triunfo da vontade total como tal, cujos resultados últimos (senão primeiros) são as guerras, os confrontos e os conflitos permanentes, sempre latentes e sempre pungentes.
Muitas vezes, vivemos afincadamente numa espécie de passado, assoberbados com uma espécie de futuro, e o presente, esse, deixamo-lo ir… sem rumo ou destino que nos ampare e nos prepare para os tantos “quês”, nos inúmeros porquês, e sem vislumbre dos “para quês”. Vivemos como que numa realidade-ilusória do antes, que se projecta uma e outra vez para o depois em saltos “quânticos”, que nunca está no agora, no hoje; no que importa; se é que importa!.. E passamos o tempo importando formas e fórmulas que nos preparem para o que há-de ser (martirizados pelo que foi); e deixamos de ser; porque nos esquecemos de ser-agora…
Neste tempo de renascimento, de (re)união, de (re)esperança que é o Natal, talvez devamos tentar o Aqui. Deixar o ontem (sem o esquecer) e o amanhã (sem o perder!) e: parar. e esperar. e valorizar. o outro. que sou eu. também…
E no presente, o melhor presente é estarmos presentes na Vida; e na vida de todos aqueles que nos consideram. É estarmos presentes nas relações (e nas ralações) de todos os que gostamos. E de quem não gostamos tanto! Mas isso… é somente isso. Que é tudo, ou quase!..
Boas Festividades.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Sugestão de leitura

Anders reflexiona o seu tempo- intimamente ligado ao Holocausto- e como as monstruosidades do passado se podem repetir na ausência de respeito, compaixão e responsabilidade... 

 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Reditos

Numa sala onde as pessoas defendem, unânimes, uma conspiração de silêncio, uma palavra de verdade soa como um tiro de pistola- Czeslaw Milosz

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Coisas da Vida

Sra. Piedade
Depois do falecimento do seu marido Sr. José Bragança em Novembro, eis que parte a Sra. Piedade. Mulher simpática, afável e comunicativa. Vila Mendo cada vez mais pobre. Aos filhos Cristina e Joaquim, os nossos sentidos pêsames.



 

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

esperar o Esperar

(Publicado originariamente na edição do Jornal A Guarda do dia 4 de Dezembro)

O pensamento da humanidade (pelo menos o ocidental) está profundamente ancorado à morte de Cristo (e de Sócrates). No nosso inconsciente colectivo ecoa seminalmente esse momento, esses momentos de sofrimento do Criador- também ele criado- às mãos da criatura: o Homem. Considerando metaforicamente a jornada da humanidade balizada entre a Sexta-feira (da Paixão), o Sábado e o Domingo (da ressurreição), encontramo-nos na longa caminhada do dia de Sábado; aprisionados entre a dor, as desgraças, as ignomínias que ocorrem a todo o tempo e em todo o tempo- que é Sexta-feira- e a Utopia (?) do Domingo em que todas as nossas aspirações e preocupações, efabulações e manifestações de toda a índole já não terão lógica ou necessidade pela realização plena com Ele.
Esta tal longa caminhada de Sábado em que nos encontramos, é caracterizada por um longo esperar. Uma espera nesse Domingo que há-de vir (e com ele o sonho da libertação, do renascer, dum tempo de felicidade total), mas que nunca chega; e nos desespera e nos angustia e nos revolta. Um estado contínuo de desilusão com que somos assolados por não chegarmos… E uma paciência aflora, ou tem de aflorar para que o imenso Sábado se não eternize e se veja o vislumbre do Domingo. Todas as nossas apreensões, figurações, representações… no puzzle da imaginação (?) metafísica ganham (algum) sentido com essa paciência que emerge, talvez, a partir da arte e das artes como tal, que nos permite suportar o sofrimento, a solidão, a perda inexplicável ao longo de todos os tempos, como seres simplesmente humanos. E não mais; Mas, não menos do que isso…
E esta espera exige. Exige silêncio e atenção. Exige uma constante e dura luta mental: onde os pequenos pensares supérfluos e inúteis (?) dominam amiúde o pensamento e, não raras vezes, a acção. Talvez, tenhamos de esperar pela Palavra, por outra (?) Palavra (de Deus) que ainda não foi dita; ou se dita, ainda não escutada- muito menos compreendida: se calhar, porque a linguagem humana ainda a não consegue proferir… e esperá-la no silêncio do mundo, surgido a partir do silêncio de nós. Trabalho árduo e desgastante, portanto.
Num tempo de apressamento voraz que não se satisfaz, se impacienta e não se silencia com nada nem com tudo; teremos de querer compreender o todo (como se tal fosse possível!) para que o Sábado seja uma simples (complexa) passagem- que é (?). Teremos de voltar a colocar a espera no nosso querer. Teremos de esperar o Esperar: para que a Sexta-feira seja pretérito mais-que-perfeito; o Sábado pretérito; e o Domingo, presente eterno…

sábado, 3 de janeiro de 2026

Gentes de Cá

Júlio; Rodrigo; Telmo; Eduardo; Catarina