sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Identerioridades- teatro

O espectáculo de teatro de Vila Mendo em Famalicão da Serra


 

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Momentos

Despretensiosos os momentos... como despretensiosas as gentes... de Vila Mendo.

 

terça-feira, 22 de agosto de 2023

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

domingo, 20 de agosto de 2023

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

quarta-feira, 16 de agosto de 2023

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Actividades

 Amanhã dia 15, haverá caminhada, almoço e jogo de futebol com as Velhas Guardas na Associação.

domingo, 13 de agosto de 2023

Identerioridades- teatro

Próxima apresentação, dia 26 de Agosto...

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

o Homem e a Ausência

(Publicado originariamente no jornal A Guarda na edição do dia 20 de Julho)

A vida é princípio do fim. Fim que é princípio para aqueles que acreditam na eternidade da existência.
A vida é viagem. É destino. Mas importa a viagem se não há (ou não se vislumbra) destino? Importa o destino se a viagem é incerta, dura, trágica, tantas vezes?
A vida é presença. É ausência. De facto, a humanidade anseia por presença (física- agora também virtual). Num tempo em que há um afã assoberbado e acrítico pela novidade (suposta), o homem quer estar em todo o lado, a todo o momento com todos e quer que todos, a todo o momento estejam em todo o lado com ele; num excesso de presença que se impacienta, que não se reserva nem se silencia: uma presença de sucessivos presentes… eternos.
A cultura moderna quer sondar, desvelar e revelar intimamente todos os mistérios e submetê-los; agrilhoá-los por meio do conhecimento …total, por meio de uma racionalidade… total- optimista. Uma cultura de Presença, do revelado por oposição à Ausência e ao velado. Como o modelo de racionalidade absoluta não conseguiu (consegue) resolver os principais problemas da humanidade, nem muitos dos seus mistérios, estaremos agora numa cultura de pós-modernidade- pessimista. Sem saber onde se deve ou pode respaldar. E esta mesma cultura que celebra a presença e aquilo que é manifesto coloca de novo a hipótese do invisível, do mistério, do intocável, do insondável, do não revelado … mas não necessariamente Deus nem a cosmovisão que Ele propõe (e a religião impõe); antes microvisões, pequenas narrativas locais, fortemente identitárias, incoerentes e inconsequentes, não raras vezes. Por tal vivemos debaixo destas duas realidades concomitantes: a Presença e a Ausência (complementares e antagónicas ao mesmo tempo).
A própria religião (cristianismo) está fortemente ancorada na Presença- divina (são disso exemplos os sacramentos) e tem dificuldade em falar da ausência e do seu sentido; até porque Deus é, ou pelo menos também é, Ausência. Num tempo em que há uma ausência de sentido e nada faz sentido (o que ajuda e justifica- racionalmente- ao cometimento das maiores atrocidades e desumanidades) era importante que a religião (pese embora tenha sido e seja uma, ou mesmo a maior fonte de sentido existencial nas sociedades), propusesse um sentido para a Ausência.
A ausência, e particularizando nas nossas experiências vivenciais e entendida aqui e agora como a falta de; desaparição de; separação de… revela-se algo custoso, sofrido… sem sentido! Somos seres profundamente relacionais. O desaparecimento de alguém importante que connosco comungou de tantos momentos e de todos os momentos (bons e nem tanto), congrega em si mesmo um acto de profunda reflexão, de uma funda inquietação que nos leva a uma terrível, quase que terrorífica pergunta: Porquê? De resposta nenhuma. E fazemos outra: Para quê? De vislumbre nenhum. E acabam as perguntas… sem acabarem, nunca.
Também aqui precisamos do sentido para a ausência. O que nos leva a mais perguntas: Onde? Quem? Como?.. De resposta sumida. E acabam as perguntas… sem acabarem, nunca.
Ficam as memórias vivas! Vividas!
Ao Amigo TIAGO GONÇALVES.
À minha querida MÃE.
Às contínuas gerações de Vilamendenses que fizeram VILA MENDO e nos fazem (ainda agora) a nós.
A todos os que se amargam e se consomem com a(s) ausência(s)…
Ausência: presença sofrida!

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Identerioridades

O registo fotográfico e de vídeo do nosso espectáculo teatral em Muxagata e Cedovim, feito pelo município de Foz Côa, pode ser visto AQUIAQUI e AQUI


segunda-feira, 31 de julho de 2023

Castanheira

O passeio de motas 50cc na passagem por Vila Mendo


 

quinta-feira, 27 de julho de 2023

segunda-feira, 24 de julho de 2023

quinta-feira, 20 de julho de 2023

segunda-feira, 17 de julho de 2023

sexta-feira, 14 de julho de 2023

o Homem e a Verdade

(Publicado originariamente no jornal A Guarda na edição do dia 6 de Julho)

Estamos num tempo em que as sociedades se caracterizam por um excesso de comunicação, de presença e até de expressão; paradoxalmente estes excessos restringem a nossa liberdade (convictos nós do contrário): porque embebidos e embrenhados numa espécie de estridência-existencial em que de tudo queremos saber, em tudo aparecer, de tudo opinar- que não se satisfaz, e muito menos se apraz em descortinar, reflectir e só depois proferir. Este estado de permanente aceleramento emocionaliza-nos e assim ficamos mais susceptíveis a sermos altamente manipulados e enviesados, controlados e vigiados pelas esferas e estruturas do poder (político, económico…) e sem que nos apercebamos ficamos cegos da razão, da sensibilidade (logo da humanidade), da verdade como tal.
De facto, nesta cegueira não existe liberdade; existe (pelo acesso e arquivo dos nossos dados) previsão de comportamentos e respectivo condicionamento ao nível do subconsciente; como que uma liberdade-pavloviana...
Com a liberdade limitada, a verdade torna-se relativa e, por inerência ou consequência (ou até antecedência), a realidade deixa de ser… real: não importa muito o que aconteceu de facto, o que fizemos de facto; importa o que se diz e o que dizemos sobre esse facto. Criam-se assim narrativas dentro da narrativa que desvirtuam a verdade, uma vez que deixa de ser feita qualquer tentativa para a ver como qualidade objectiva. A nossa experiência, baseada num relativismo assoberbado, em referentes e pontos de vista (do real) díspares e contraditórios (como nós próprios), tornam-na complexa (e nunca completa), fragmentada (e nunca unitária) e não menos ilusória. Assim, a mudança ocorrida (e a ocorrer) na nossa experiência afecta profundamente a realidade e a sua percepção, a verdade e a sua dignificação.
Como sociedade, ficamos num mundo de inúmeras aparências, de múltiplos pareceres e dizeres e com isso extremamente divididos, entrincheirados em crenças, em conhecimento pouco fiável, em ideologias e utopias que conduzem a verdades ficcionadas ou a ficções verdadeiras que actuam em diversos níveis (principalmente na linguagem e comunicação) e que influenciam toda a vida contemporânea, uma vez que os factos objectivos contam menos que a emoção e a crença que se tem à partida (e à chegada) sobre eles.
Como indivíduos, a verdade e sua constante (e inconstante) procura é algo custoso, exige uma… exigente honestidade, uma profunda sinceridade, um profuso e contínuo esforço reflexivo para distinguir a boa-fé da má-fé das nossas acções e das nossas justificações. Árduo trabalho intelectual e moral. Sermos verdadeiros connosco mesmos não é coisa pouca, pois é recorrente mentirmos a nós próprios, fazendo uma passagem quase que imperceptível para o autoengano, e fazemo-lo quase que naturalmente: quem mente em boa-fé mente melhor e é mais convincente. Quando negamos a evidência de algo e quando rejeitamos a sinceridade reflexiva sobre ela, negamos a sua existência e a realidade do acontecido expurgando a recordação dura e dolorosa que nos faz sofrer e que queremos combater, impiedosamente. Torna-se uma negação útil, uma realidade alterada e distorcida, portanto falseada. Ainda que seja difícil negar que se fez uma dada acção visível aos demais, é muito simples modificar as motivações, as emoções que nos levaram a praticá-la. Assim o lembrado, quase que silenciosamente, passa a deslembrado e o (ainda) recordado, desvirtuado.
O Homem e a Verdade. Tão próximos! Tão distantes!! Na caminhada da Vida; labiríntica.

quarta-feira, 12 de julho de 2023

segunda-feira, 10 de julho de 2023

Gentes de Cá

Catarina; Júlio; César; Luís Filipe; Telmo

quinta-feira, 6 de julho de 2023

Aurora

(fotografia de Júlio Pissarra)
desponta o dia. num eterno ciclo de princípio e fim. como a Vida. como Nós.

 

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Homenagem

Homenagem do José Eduardo ao seu pai (José Domingos) e às contínuas gerações de Vilamendenses. Obrigado.

"Vilamendenses:
Pelo meu falecido pai e por mim, não pude deixar de pedir ao Luís Filipe que postasse no blogue de Vila Mendo uma mensagem de agradecimento a todos os que nos acompanharam neste fim de semana.
Órfão de pai e mãe desde tenra idade (12/13 anos) cedo se fez homem para o trabalho e para a vida imbuído de princípios e valores éticos e cristãos, até então transmitidos pelos seus pais e daí em diante pelos irmãos mais velhos, também eles muito novos, e adultos da família alargada e da comunidade vilamendense.
Não vou regatear predicados, virtudes ou defeitos, pois que não sou julgador de tais causas, e jamais o faria por ser meu pai.
No que me diz respeito: “Foi um excelente pai”.
E no que vos diz respeito, a vós e aos vossos antepassados que com ele conviveram e que o antecederam na viagem que agora iniciou, assevero-vos que era uma pessoa grata.
Se, nas palavras do pensador Francisco José Gregório de Andrade é: “[O] pior defeito do ser humano é não reconhecer quem o ajudou. A ingratidão maltrata, ofende e torna a pessoa sem sentimento e sem amor pelo próximo”, o meu pai era uma pessoa muito, muito grata.
Habituei-me desde tenra idade a ouvir da sua boca a expressão “devemos muitos favores a este ou àquele”, seja pela prática de simples factos como uma ajuda em trabalhos agrícolas, permissão de passagem a pé, com animais, alfaias e outros bens em terrenos, conserto de uma alfaia agrícola, de um eletrodoméstico, por uma “boleia” no caminho de Vila Fernando ou por uma mão amiga que o ajudou a levantar quando prostrado por terra e as forças e a saúde já não lhe permitiam que se levantasse por si só, mas também pelas intenções de quem se prontificava a ajudá-lo com manifestações de vontade de alguns de vós ou dos vossos antepassados, como:
“Oh t’Zé Domingos! Se precisar de alguma coisa, é só dizer!”, ou
“Zé Eduardo, se quiseres estudar e o teu pai não puder pagar os estudos, diz-lhe que eu os pagarei”.
É esse sentido de gratidão que o meu pai tinha por vós e/ou pelos vossos antepassados, e em cujo dever nos englobava atento o pronome pessoal utilizado, que eu aqui quero reafirmar e expressar a todos os nos presentearam com a sua presença e/ou sábias e reconfortantes palavras de carinho e conforto que nos endereçaram.
Na vossa presença, no vosso abraço, com ou sem palavras, revi os vossos antepassados que já partiram e a todos presto tributo pelo apoio abnegado e amizade que em vida concederam ao meu pai.
A todos estamos muito gratos.
A todos o nosso bem-haja.
A Deus a gratidão de ter concedido a graça de beneficiarmos da relação filioparental física, que a outra é eterna, até perfazer os seus 98 anos de idade."
José Eduardo

sábado, 1 de julho de 2023

Coisas da Vida


Aos filhos Joaquina, Tó, Manuel, Ismael, Zé Eduardo, Guida, à esposa Sra. Adoração, netos, sobrinhos e restantes familiares os nossos pêsames. 
Mais conhecido por Zé Domingos, era um  homem sereno, pacato, amigo, avesso a questiúnculas e dotado de um humor fino; deixará saudades.
Em poucos dias, duas pessoas de Vila Mendo morreram e com isso ficámos mais pobres... 

 

terça-feira, 27 de junho de 2023

Coisas da Vida

Adeus querida Mãe. Adeus "Lula".

 

sexta-feira, 23 de junho de 2023

A cultura de cancelamento ou o cancelamento da Cultura

(Publicado originariamente no jornal A Guarda na edição do dia 15 de Junho)

Estranhos estes tempos em que não há tempo para parar. Pensar. Reflectir.
O tempo… que passa (ou não passa) reforça em nós um sentimento de uma certa impresença, pelo que não fizemos, pelo que fazemos, pelo que desejamos fazer.
De facto, passamos o tempo enredados no passado, preocupados no futuro, e o presente deixamo-lo ir na esperança (não real) de um Amanhã salvífico que acabe com todos os males do Ontem. Nos entretantos, o Hoje, já não é!..
Estranhos estes tempos… em que se perde tempo (que não se tem- algumas vezes; não se quer ter- muitas vezes; ou não se sabe ter- imensas vezes) com questões que não deviam (?) sequer alcançar o limiar de uma questão no nosso pensamento, muito menos na linguagem, expressa como temática de discussão pública: a denominada cultura de cancelamento. Nomeadamente nos livros, na literatura (mas nas restantes artes em geral).
Esta não-questão, transformada em confrontação, parece estar para durar. Aqui chegados, e infelizmente aqui situados, há razões para se analisarem.
Esta moda do politicamente correcto (que de correcto só na incorrecção) nasce da clivagem ideológica e do excesso de identidade. Paradoxalmente, num mundo altamente globalizado o medo de perdermos referentes identificativos com um grupo, uma comunidade, um povo… leva a extremismos tanto ideológicos como identitários em que ambos se acabam por fundir e confundir: o eterno Eu contra o Outro, num plano onde simples palavras, expressões, conceitos… se tornam armas de arremesso no reforço de um lado, pretensamente desrespeitado.
Numa cegueira de se querer apagar qualquer tipo de suposta discriminação (presente, passada ou futura!) tenta-se que nos livros palavras, frases, textos, temáticas sejam apagados, substituídos … reescritos. E um sem número de questões se levantam: qual o direito e quem tem o direito de alterar a letra de um autor? Se ele escreveu aquilo, é aquilo que tem de constar (bem basta o trabalho meticuloso e melindroso da Tradução).
Qual o direito e quem tem o direito de decidir que autores e que temáticas são alvo de revisão? Que critérios? Terreno pantanoso.
Qual o direito de sermos nós hoje a decidir o que as pessoas do futuro podem ler? Que direito temos nós, hoje, de os privar, e de os privar de decidir sobre o que ler e conhecer?
Quem são os ofendidos sobre determinadas palavras, textos, temas..? Aleatório exemplo particularizado: se um conjunto de cidadãos negros consideram um texto que evoca, que fala da colonização e da escravatura de uma perspectiva em que se sentem desconfortáveis, serão eles representativos de todas as pessoas negras e do seu sentir? E ainda mais interrogações se desnovelam ou enovelam numa novela de apreciações e considerações por demais importantes e não menos angustiantes.
Com certeza que há livros muito bons e muito maus (e no permeio ainda mais). Mas daí a querer expurgar os que supostamente não prestam, vai um limite muito grande. Cada qual lê o que entende, não que lhe impõem (quando muito, o que lhe propõem). Por isso mesmo vivemos em democracia e temos capacidade de escolha. Querer que uns escolham pelos outros tem um nome: Censura! Qualquer reescrita de livros enquadra-se nisso mesmo, pelo que este assunto deveria ser, à partida e não à chegada; um não-assunto.
O caminho de cancelar, alterar, reescrever palavras, temas, textos (e seus contextos) levaria a que em cada época se pudesse rever sistematicamente essa literatura, o que conduziria a uma desvirtuação complexa (e completa) da mesma. A literatura tem um tempo e um lugar e um pensar que deve ser respeitado e nunca alterado. E se o for, só pelo autor… e em última instância poderíamos mesmo questionar: o criador tem ele próprio “legitimidade” para o acto de reescrita substantiva da sua própria criação?!.
Estranhos estes tempos!..

sexta-feira, 16 de junho de 2023

quarta-feira, 14 de junho de 2023

Sugestão de leitura

Uma biografia bastante interessante, de uma figura irreverente tal como a sua escrita e o seu pensamento (feminino); profundamente contraditório e... coerente. Para se ir lendo.

 

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Gentes de Cá

Sr. Ismael; Maria dos Anjos; Mauro; Vanessa; Mariana

quarta-feira, 7 de junho de 2023

Felicidade. Utopia ou simplicidade?

(Publicado originariamente no jornal A Guarda na edição do dia 1 de Junho)

Almejo inquietante este! Busca incessante. Prenhe de contradições, dúvidas e interrogações. Nunca alcançada. Jamais desistida!
Enquanto seres humanos procuramo-la como exigência primeira; sentida (desde sempre) por todos; mais, ou menos consciente. Esbarra (desde sempre) na fatalidade histórica (do mal) e como tal vivemos num mundo não de felicidade, não de desgraça: existimos na ambiguidade que permeia ambas. E é nela que temos de aprender a viver, às vezes a sobreviver.
Perante as diversas crises circunstanciais de que a civilização é fértil e dentro da crise global da humanidade, alcançar a felicidade vai para além da condição humana. Contudo, e conhecendo (melhor) essa nossa própria condição, temos de estar cientes que existimos na contradição, constante e inconstante; e por tal devemos recusá-la, tentar atenuar os seus efeitos, através de um profundo trabalho de compreensão individual e colectiva, encontrando formas e fórmulas que nos permitam diminui-la, amenizar a dor da existência (livre).
O crescente esvaziamento ou mesmo substituição dos valores humanos pelos valores do êxito puro e duro e palpável sem olhar a meios, conduz a uma sociedade de desprezo, de desprezo pelo Outro, de desprezo de uns quantos sobre muitos, de muitos sobre uns quantos. O poder e o dinheiro, a força e as armas assumem papel reverencial e principal em que se impõe o medo e o terror de uns poucos a tantos, causando sofrimento e miséria desde os primórdios numa inumanidade cíclica, de que o holocausto foi exemplo máximo (de que a guerra na Ucrânia nos lembra, hoje).
A ausência e a decadência dos valores humanos leva a que as pessoas acreditem que nada tem sentido (ou só o seu próprio sentido, parcial, profundamente narcísico), e quando assim é tudo se justifica numa pretensa superioridade de quem é mais forte e tem poder, e tudo pode, e nada deve, e nada teme.
É dever de todos nós lutar esta luta interminável (algum dia será?), de combater e contrariar a lógica de que a razão está nos mais fortes, nos que têm poder (logo êxito) e não na justiça.
O excesso de realismo e pragmatismo conduz inevitavelmente o Homem a caminhos de desconsideração e opressão (o eu contra o outro, o nós contra vós), de desconfiança e rejeição (últimas). Quando o que conta é a eficácia como tal, a eficácia do poder e da força torna-se difícil aspirar a algum tipo de felicidade, uma vez que isto origina as mais ignominiosas desigualdades. Cada um de nós, na mais modesta das existências, pode lutar (expondo, alertando, denunciando) contra as injustiças, contra os abusos tais, contra as intolerâncias mais…
A indiferença do não querer ver, não querer ouvir, do não querer saber (que origina a não acção e a não condenação veemente) faz-nos cúmplices do mal e das maledicências do Homem. Temos a missão (porque temos as forças interiores necessárias) de combatermos a Força (e as forças exteriores) que desumanizam e fazem desumanizar o homem numa contínua queda: a “Queda do Homem”!
Ainda assim, temos uma força (natural? divina? ambas?) substancial e substanciada: a força da Vontade. do Querer. do Ser. melhores!
A vontade que emana e se consubstancia na Esperança e na Justiça. Na esperança (que não pode deixar de ser… real) de que o ser humano se transcenderá em… humanidade fraterna. Onde o Bem-Comum será o alfa e o ómega do Existir.
Na esperança de que o Homem continue a progredir na consciência do papel que ele próprio desempenha no seu destino e fim- em que eventualmente a fé (moderada? racional? racionada?) pode ajudar sem que o limite…
Na esperança de que essa progressão de consciência gere uma riqueza de experiência que nos ampare no Caminho… da Vida… da Felicidade!
Utopia ou simplicidade?!.

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Juvenis NDS

Cerimónia de entrega de faixas de campeão à equipa de Juvenis referente à conquista do Campeonato Distrital de sub-17 e consequente subida ao Campeonato Nacional de Juvenis, no pretérito sábado no campo de jogos do Zambito.


 

quarta-feira, 31 de maio de 2023

Gentes de Cá

Carlos; Zé Gil; Manuel; Virgílio

 

terça-feira, 30 de maio de 2023

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Razão? Fé?

(Publicado originariamente no jornal A Guarda na edição do dia 18 de Maio)

Na cruz, Cristo profere: “Meu Deus porque me abandonaste?”. Um momento, um instante, um lampejo de dúvida, quase que inaudível, abre toda uma novidade na relação do divino com o humano.
A ordem, que a divindade impôs (pelo Cristianismo) ao mundo, assume nesta interpelação uma tensão que impele a humanidade a questionar; a duvidar; a colocar em causa o poder e a querer poder; a afirmar a singularidade do Homem enquanto Homem; a confrontar a autoridade celeste. Incita-a a submeter o universo a uma lei humana negando o mistério da existência como tal.
Durante toda a história do Cristianismo, este não deixou margem para dúvidas, para questionar Deus- a missa que assume forma de teatro continuamente repetido, lembra-nos disso.
As palavras de Jesus são por si só dúbias e por tal situam-se numa espécie de ambiguidade trágica, revestindo-se assim de particular importância na forma como a nossa civilização (ocidental) se compreendeu e compreende a si mesma.
O seu desabafo como que liberta o indivíduo da mão invisível da divindade, rejeitando-a e assumindo nele próprio as rédeas do seu amanhã, profundamente terreno e não mais, não menos do que isso. É a emancipação da humanidade a acontecer no hoje- desafiando, negando, contrapondo, fustigando a ordem, a autoridade e a disciplina por um lado e o aconchego e a protecção do divino, por outro.
Este conflito com Deus e com o que ele representa, leva-nos a perguntar: para onde caminhamos enquanto humanidade? Surgindo novas questões, novas inquietações; não fáceis, não resolvidas. A ausência do divino, e portanto de toda a sua ordem, limites e contenções, anunciam todo um mundo novo, que de tão novo pode ser velho: com renovado e aprimorado sofrimento, dor e o mal com que nos temos brindado ao longo da história.
Bastará a razão para perceber, para nos percebermos? Queremos que baste mesmo? Estaremos preparados para esta avalanche de indagações, cogitações e soluções? Estaremos conceptualmente preparados para nos chegarmos a nós próprios? Estaremos aptos para a torrente de pensamentos (que podem e são caos, tantas vezes), filtrá-los, caracterizá-los, arrumá-los e formar um pensamento-pensamento sobre a vida e a existência como tal? Queremos mesmo sair da zona de conforto, do regaço protector e justificador que a religiosidade nos oferece? Queremos ser abandonados?
Um sem número de interrogações originárias e primordiais nesta simples menção quase que imperceptível: “Meu Deus, porque me abandonaste?”
Mas estas palavras inquietas também podem indiciar que o divino se transcendeu em humano! Que Jesus aproxima a divindade à humanidade. Não é o pobre Homem que clama por Deus; é Ele que realiza o movimento contrário, que se aproxima, se humaniza e faz humanizar.
O divino deixa de ser autoritário para ser autoridade fraterna. Não castiga, não impõe; propõe. Assegura um diálogo esperançoso com o Homem. Impõe-lhe limites, mas não o limita. Traça uma Presença partilhada, um porvir comum envolvendo-o no seu próprio destino e fim.
A ambiguidade do alcance daquele dizer como que racionaliza a fé conferindo-lhe realidade; ao mesmo tempo, desobjectiva a razão aportando-lhe (razoável) subjectividade…
Mas bastará a fé para perceber, para nos percebermos? E um sem número de inquietações e desassossegos se desnovelam num vai-vem de possibilidades (contraditórias, às vezes complementares)…
Acreditar? Não acreditar? Conflito imanente! Eterno paradoxo-reflexo da nossa interioridade, das nossas… Identerioridades…
Razão? Fé?
Nenhuma! Ambas!!.

segunda-feira, 22 de maio de 2023

sexta-feira, 19 de maio de 2023

Identerioridades- teatro

(fotografia de Arménio Bernardo)
O nosso espectáculo no pretérito dia 5 de Agosto.
 

terça-feira, 16 de maio de 2023

Retalhos da Vida

(Manuel Marques)
Os afazeres agrícolas não esmorecem. Todos os dias são recomeço, num ciclo infindo de princípio e fim; num ciclo de constância incansável...
Retalhos da Vida... em Vila Mendo!

 

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Gentes de Cá

António Júlio; Jorge Cavaleiro; Júlio Pissarra 

 

quinta-feira, 11 de maio de 2023

segunda-feira, 8 de maio de 2023

a Guarda e a Política e a Impolítica

(Publicado originariamente no jornal A Guarda na edição do dia 4 de Maio)

Falar de política é em si mesmo complexo; falar de política na Guarda é um exercício arriscado porque nos arriscamos a carecer de profundidade pela grande diversidade de temáticas, de pontos de análise e pontos de vista. Falemos ainda assim da política actual (ano e meio, desde as eleições autárquicas).
A maior votação do movimento independente surpreendeu muitos (talvez até muitos dos próprios), bem como estranhou (aos próprios e a muitos outros) os menos votos do partido no poder à data (não falamos de vitórias e derrotas, porque quem trabalha ou quer trabalhar para o serviço da causa pública pode-o fazer de diversas formas e maneiras sem o fatalismo massacrante da perda, nem a euforia vazia do triunfalismo; deixemos essa terminologia para o mundo à parte e de escape que é o futebol, no caso português).
O sucesso e o progresso da Pólis exige que os ditos “vencedores” e “vencidos” encontrem pontos de entendimento para uma estratégia futurante (e por isso mesmo, presente) de desenvolvimento harmonioso e sustentado das nossas comunidades (será isto fácil? Não. O ser humano é por demais competitivo- para o bem e demasiadas vezes para o mal…).
De facto, na guarda, vive-se uma certa política de entrincheiramento, na lógica do todos contra um, um contra todos- e ao fim e ao cabo, do todos contra todos. Esta ilogicidade (quase que, se não mesmo, irracionalidade) não gera os tais entendimentos que conduzam a acontecimentos, a acções estruturantes verdadeiramente transformativos da e para a comunidade e seu bem-estar.
De notar que os partidos políticos tradicionais parecem como que melindrados pelo surgimento de um movimento desta natureza (facto este a precisar de análise), denotando um certo menosprezo institucional (quase que intelectual), como que a sua própria existência fosse pecado primordial. Não admira assim que qualquer estratégia apresentada seja menorizada, quando não ridicularizada, de forma que quase tudo o que se faz é mau e deveria ser de outra maneira: antes o bom, agora o mau; e esta percepção vai penetrando nalguns sectores da comunidade…
O intuito das críticas deixa de ser (porque devia ser) alertar para melhorar, para o alertar para desqualificar; esperando com tal obter vantagem nas eleições seguintes; as eleições deixam de ser um meio para se estar ao serviço da causa pública para ser um fim (que não é).
E este é um problema estrutural dos partidos (toldados de ideologia) - connosco a sabedoria e a razão, nos outros a ignorância e a escuridão - como se as (boas) ideias precisassem de um selo, de um cunho férreo para existirem; como se precisassem do amparo organizativo para ganharem substância em si mesmas: a eterna dicotomia esquerda/direita que, se é verdade, nos conduziu à democracia como tal, teme-se agora nos leve a conflitos permanentes, já por demais evidentes, e resultem no cercear das nossas liberdades e garantias, direitos e deveres. Esta dialéctica fomenta a divisão inultrapassável promovendo o confronto baseado em sentimentos e não o racional dos consensos. A haver ideologia, só uma: o Bem-Comum.
Mas o que seria dos partidos sem ideologia? A resposta é simples: o seu fim! Estaríamos preparados para isso, como sociedade? Teríamos maturidade civilizacional para tal? O que se seguiria no plano da práxis política? Reformas profundas e profusas, uma verdadeira (r)evolução de mentalidades na forma como se encara o serviço público que, enquanto país, talvez nunca estejemos preparados (muito menos os partidos)…
Deste modo, os movimentos independentes (e com eles pessoas competentes, desinteressadas mas interessadas na Causa Pública) poderão ter a sua oportunidade de aportar algo mais ao espectro público - que nasçam, cresçam, cumpram a sua função e sejam substituídos, ou pelo menos se renovem em ideias e pessoas.
O caso do movimento Pela Guarda é paradigmático: surgido de impulso(s), rapidamente teve eco na comunidade e, contra todas as expectativas e num curto espaço de tempo, ganhou as eleições. Se a sua acção global (e implementação duradoura) ainda não pode ser analisada definitivamente pelo pouco tempo de vida, já a sua sobrevivência e independência pode-o ser e também é simples: nas próximas eleições concorre sozinho? Se sim, está garantida a independência - a sobrevivência dependente do tipo de resultado. Concorre coligado - a independência será afectada e quiçá o existir. Por absurdo, não concorre sequer – sinal de que a sua aparição e existência tinha sido… uma inconsequência…
Quanto à acção concreta do executivo municipal torna-se difícil proceder a uma avaliação geral, imparcial e distanciada, objectiva e real: só poderá ser feita no términus do mandato (mandatos únicos, mais longos de 6/7 anos e sem possibilidade de reeleição seria tempo para se delinear e desenvolver um projecto digno desse nome); em ano e meio não se pode (justa e verdadeiramente) aquilatar da qualidade e quantidade do trabalho efectuado e das suas implicações futuras.
Pese embora tal, há sinais e dinâmicas interessantes que por certo darão frutos. Mas também existem sinais de alguma apreensão: excesso de eventos, sem um fio condutor (pelo menos perceptível); prioridade de alguns investimentos; alguma indefinição (pelo menos aparente) na cultura; funcionários (alguns) desmotivados; mas talvez e sobretudo um excesso de presença: não se pode estar em tudo, em todo o lado e ao mesmo tempo. Um certo recato é producente e a gestão do(s) silêncio(s) fundamental. Numa época onde o ruído é constante, a comunidade só tem a ganhar se quem os governa souber ter um espaço de reserva, um espaço de paciência para enfrentar os inúmeros desafios coma serenidade e a efectividade necessárias. Doutro modo, parece que as eleições são sempre o fim de qualquer motivação…
Além disso, é por demais crítico que o executivo fale, mas dialogue; ouça, mas escute e valorize a oposição e decida no superior interesse da cidade.
À oposição pede-se que não enverede pela lógica-ilógica do dizer mal de tudo, na linha de: se fez é porque fez, se não fez é porque não fez; se assim, melhor doutra maneira; se doutra maneira, melhor assim; se isto, melhor aquilo; se aquilo, melhor isto… Esta forma de actuar e ver a política, numa óptica do quanto pior melhor, lesa a cultura democrática e produz dois efeitos ao intoxicar (ainda mais) a agenda mediática: por um lado, faz com que o cidadão comum se refugie nos extremos políticos ajudando a fortalecê-los e com isso a minar a democracia; por outro gera indiferença, o que, em última instância, vai produzir o mesmo.
O movimento independente não será per si salvação de nada, mas com certeza não será o abismo de tudo. Talvez (e quando muito) uma outra visão, que precisa de uma oposição pensante, que acrescente e não se deixe enredar nas teias ideológicas e no tribalismo dos partidos que a sustentam. É o Bem-Comum que nos deve nortear a todos. Só. Contribuamos cada um de nós de forma positiva para que este executivo faça mais, faça melhor. E quando for outro o executivo façamos o mesmo, marcando diferenças e pontos de vista e sem perdermos as nossas próprias concepções e preocupações, é claro. Opiniões diferentes e divergentes não têm de originar conflitos imanentes. Os executivos (e os governos) vêm e vão e os anseios e desafios das pessoas permanecem, e com elas espera-se que a democraticidade. Utopia? Talvez. Mas delas resultam saltos de modernidade.
Nesta perspectiva, saliente-se que o pensamento humano é, tantas vezes e por assim dizer, primitivo; entra em modo de sobrevivência competitiva ( o tal eu contra o outro; o nós contra o vós). É um pensamento funcionalizado em resultado das experiências passadas - pessoais e da humanidade como tal. E se nos permitiu sobreviver na evolução como espécie, torna-se por demais importante, no hoje, viver, existir verdadeiramente numa relação valorativa entre o Eu e o Outro.
Para isso, temos de desfuncionalizar o pensamento, a imaginação (se se puder, ou se quisermos dissociar estes dois conceitos); precisamos de uma certa exterioridade face à realidade (e aos problemas que ela encerra); temos de sair da “caverna”, pensar fora, sairmos do nosso mundo para lá voltarmos depois e transformá-lo substantiva e substancialmente, e para tal temos de fazer uma descomunicação por forma a percebermos como comunicamos e como nos relacionamos; para vermos o que é realmente o mundo e o que ele poderia e deveria ser, no intuito de encontrar soluções que conduzam ao bem-estar da sociedade como um todo.
A todos, e em especial aos que estão na vida pública, fazia bem este trabalho quase que eremítico de profunda exegese pessoal e colectiva… se bem que que é difícil, às vezes penoso, entrar na nossa morada interior… pode ser prisão, pode ser caos…
As opiniões e as análises valem o que valem. São baseadas naquilo que será realidade como tal, mas também naquilo que serão as percepções (muitas delas contraditórias, diga-se) que podem ser erradas e erróneas: é um risco que corre quem quer ler, interpretar a(s) realidade(s) múltipla(s) e conferir-lhe (algum) sentido… E uma pergunta legítima poderia surgir: que sentido?!.

quinta-feira, 4 de maio de 2023

Sugestão de leitura

No seguimento de "Se isto é um Homem" e "A Trégua", Primo Levi tenta que a Memória da inumanidade, do mal como acção e substância que foi o Holocausto, não caia no esquecimento. Um ensaio soberbo. 

 

terça-feira, 2 de maio de 2023