sexta-feira, 20 de agosto de 2021

A Freguesia de Vila Fernando no séc. XVIII

Graça Sousa- professora

Casamentos Parte 3

        l Os noivos


l De 1701 a 1800, encontramos noivos solteiros (820) e viúvos (261), assim como noivas solteiras (992) e viúvas (89). Após a morte dos respetivos cônjuges, geralmente, os viúvos e as viúvas não demoravam muito a casar de novo, tentando refazer a sua vida e/ou encontrar alguém que cuidasse deles (delas) e de filhos pequenos. No caso dos homens, há quem se tenha casado três e quatro vezes (42).

 

l Nos 1085 casamentos ocorridos no séc. XVIII, 678 dos noivos pertenciam à freguesia de Vila Fernando e 382 eram “de fora”. No caso das noivas, 1040 eram da freguesia e 40 vieram de outros lugares. De lado ficam alguns casos sobre os quais não há informação.

 

l Algumas quintas da freguesia tiveram um número muito reduzido de noivos e de noivas (Quinta da Nave Derradeira, Quinta das Pousadas, Quinta de João Lopes, Quinta de Vale Longo, Quinta dos Pombais, Monte Cimeiro); outras parecem ter desaparecido porque, ao longo destes cem anos, não lhe é feita qualquer referência (Quinta da Queimada ou Quinta de Afonso Fernandes, por exemplo). A designação de “Quinta de Baixo” não aparece em lado algum mas, em contrapartida, continua a surgir o nome da Quinta de João Dias.

Há ainda referências ao Adão “piqueno”(ex: 7-11-1791) e a Moinhos dos Barrocais (ex: 28-4-1748), ambos pertencentes à freguesia de Vila Frenando.

 

Freguesia de VF

Noivos

Noivas

Adão

143

219

Albardo

134

196

Monte Carreto

36

62

Pousafoles “ó” Roto

71

123

Quinta da Caravela

3

14

Quinta de Cima

42

71

Quinta de João Dias

26

50

Quinta de Vale dos Carros

11

12

Quinta do Meio

41

63

Vila Fernando

96

114

Vila Mendo

70

90

 

l Tal como no século anterior, os 382 noivos e as 40 noivas que não pertenciam à freguesia de Vila Fernando eram maioritariamente provenientes de quintas e lugares das freguesias próximas: Vila Garcia, Jarmelo, Rochoso, Casal de Cinza, Carvalhal Meão, Santa Ana da Serra da Azinha, Marmeleiro, Pega, Pousafoles do Bispo, Gonçalo Bocas, Castanheira, Arrifana, Benespera, Panoias, Bendada, Guarda… Alguns noivos e noivas eram de origem mais longínqua, pois vinham de locais abrangidos pelos bispados de Lamego, Viseu, Coimbra, Braga e Elvas.

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

sábado, 14 de agosto de 2021

Mercado

Mercado de Vila Fernando.
(Vila Mendo em Vila Fernando)

 

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Panelas de ferro

com os Chichorros e mais um abundoso repasto...

 

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

A Freguesia de Vila Fernando no séc. XVIII

Graça Sousa- professora

Casamentos Parte 2

lCerimónia 

l Ao longo do séc. XVIII, foram registados 1085 casamentos nos livros paroquiais da freguesia de Vila Fernando, o que corresponde a uma média aproximada de 11 casamentos por ano. No entanto, houve alturas em que o número foi largamente excedido (1702 – 22; 1706 – 24; 1709 – 22; 1750 – 25; 1763 – 21) e outras em que os matrimónios quase desapareceram (1734 – 2; 1769 – 2; 1770 – 3; 1778 – 1).

 

l Se compararmos os valores do séc. XVII com os do séc. XVIII, percebemos que se manteve a tendência crescente de casamentos até 1725, altura em que houve uma pequena quebra.

Casamentos no séc. XVIII

1701-1725

326

1726-1750

266

1751-1775

221

1776-1800

272

Total

    1085

Casamentos no séc. XVII

1601-1625

79

1626-1650

168

1651-1675

218

1676-1700

311

Total

      776

 

 

 


 


l As cerimónias eram normalmente realizadas na Igreja Matriz de Vila Fernando mas houve exceções. Os noivos pediam uma autorização especial ao Bispo e conseguiam que os seus casamentos tivessem lugar nas Capelas de S. Bartolomeu do lugar do Adão (ex: 1766), do Divino Espírito Santo do lugar de Albardo (ex: 1779) ou de Santa Maria Madalena do lugar do Roto (ex: 1783). (Ex: “… em a Capela de Santa Maria Madalena do lugar do Roto desta mesma freguesia por licença do Sr. Bispo foram recebidos em face da Igreja…” – 23-9-1783)

 

l Um casamento era um momento preparado com antecedência e que obedecia a requisitos e regras. Nada era feito ao acaso e tanto o estado civil como o grau de parentesco dos noivos eram esmiuçados com todo o rigor. Se os laços de parentesco fossem próximos, era preciso pedir autorização e pagar bula. (Ex: “Foram dispensados pelo Exmo Senhor Núncio destes Reinos em terceiro e quarto grau de consanguinidade de que apresentaram Certidão de dispensa que fica no cartório desta Igreja para em todo tempo constar…” – 9-8-1773)

 

l Aparentemente, os noivos podiam contrair matrimónio quando fosse conveniente. Por exemplo, em junho de 1782, houve cerimónias nos dias 5, 12, 18 e 28, que corresponderam a quarta, quarta, terça e sexta, respetivamente, e, em junho de 1791, foram registados casamentos nos dias 10, 12, 13, 23 e 24, equivalentes a sexta, domingo, segunda, quinta e sexta. Por vezes, o Vigário acrescentava algumas informações sobre a data: “sendo Domingo do Santíssimo Nome de Jesus” (15-1-1758), “sendo em véspera do dia de Entrudo” (6-2-1758), “sendo dia de Nossa Senhora da Anunciação” (3-4-1758).

Durante este século, os meses mais escolhidos para a cerimónia do casamento foram fevereiro (180), maio (122) e janeiro (117) e os meses com menos procura, agosto (65), julho (59) e março (45).

 

l Percebemos que o Vigário pedia aos noivos algum tipo de pagamento pela cerimónia porque encontramos, diversas vezes, a informação “deve a galinha” (ex: 20-9-1763) rabiscada na margem dos assentos. Numa outra ocasião, num registo de casamento realizado, com licença do Sr. Bispo, na Capela do Divino Espírito do lugar de Albardo, o Vigário escreveu “e me pagaram o que me ajustei com eles pelo trabalho de la os ir receber” (2-10-1775). Nota: receber = casar

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

A Freguesia de Vila Fernando no séc. XVIII

Graça Maria Garcia Soares Calçada Sousa- professora

Casamentos – Parte 1 

l A freguesia (1701 – 1800)

l Quando, em 1758, o Vigário Policarpo da Cruz, respondeu ao inquérito sobre a sua paróquia, enviado pelo Secretário de Estado dos Negócios do Reino, escreveu que a freguesia de Vila Fernando era composta por “oito lugares e algumas quintas” e que apresentava 406 (408?) fogos, ou seja, 406 casas de família. Acrescentou que esse número era o somatório de 48 fogos de Vila Fernando, 23 do Monte Carreto, 29 da Quinta de Cima, 24 da Quinta do Meio, 74 de Albardo, 16 da Quinta de João Dias, 47 de Vila Mendo, 98 do Adão e 49 de Pousafoles o Roto. Disse também que, nesse ano, tinha a “ freguesia (…) pessoas de confissão e comunhão 1009 e de confissão somente 210…”.
      Nota:
- “pessoas de confissão e comunhão” – Habitualmente, pessoas com mais de 12 ou 14 anos.
- “pessoas de confis­são somente” – Todas as que tivessem entre 7 e 12/14 anos.)

l Através das informações escritas nessas Memórias Paroquiais, sabemos ainda que, nessa altura, além da Igreja Matriz em Vila Fernando, existiam também várias capelas espalhadas pela freguesia: a Capela de S. Bartolomeu no lugar do Adão, a Capela do Divino Espírito Santo no lugar de Albardo, a Capela (também denominada Ermida) de Santa Maria Madalena no lugar do Roto, a Capela de Santo André no lugar de Vila Mendo, a Capela de S. Francisco na Quinta do Meio e a Capela (também designada por Igreja) de S. Sebastião em Vila Fernando. No Adão, em Albardo e no Roto, viviam os respetivos capelães que tinham autorização de aí dizer missa nos domingos e dias santos. Os moradores, embora podendo assistir à cerimónia, deveriam enviar uma pessoa de cada casa à Igreja de Vila Fernando. Na Capela de Vila Mendo dizia-se missa “para administração dos sacramentos”. Os ofícios da Capela da Quinta do Meio eram feitos na Igreja Matriz.

l E a Capela de S. Sebastião de Vila Fernando? Nos anos de 1747 e 1748, substituiu a Igreja Matriz que, por ser demasiado pequena, teve de ser reconstruída e aumentada, segundo explica o Vig. Policarpo da Cruz, nas Memórias Paroquiais, “à custa da freguesia, com algumas esmolas, e principalmente a do Exmo Prelado deste Bispado, e do mesmo donatário”. (Nota: O donatário era o “Reverendo Tesoureiro-mor da Sé da cidade da Guarda”.)
No Livro de Registos de Casamento – 1729-1754, encontramos algumas referências a essas obras:
“Aos treze dias do mês de Fevereiro de mil e sete centos e quarenta e sete anos, nesta Igreja de S. Sebastião, aonde e que por ora serve de Igreja Matriz por impedimento dela e estar no chão…”
“Aos dezoito dias do mês de Agosto de mil e sete centos e quarenta e oito anos nesta Igreja de S. Sebastião que ao presente serve de Matriz por estar a Matriz incapaz…”)

sábado, 31 de julho de 2021

Investigação

Segunda-feira, publicarei mais uma excelente investigação de Graça Sousa: "A Freguesia de Vila Fernando no séc. XVIII- Casamentos"

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Fardo(s)

Manhã avançada. Sol abrasador. Os fardos do feno têm de se arrecadar. Custosa labuta...
 Aqui, as grandes máquinas não cabem. Esta é a solução para tal lide. Não são muitos. É o que vale! 
O basto suor é indicativo de um cansaço superlativo... e a dor de costas, da idade que já não consente grandes façanhas!..

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Eleições autárquicas

Agora que se aproximam as eleições autárquicas, conto entrevistar os candidatos à Freguesia de Vila Fernando bem como os candidatos à Câmara da Guarda (à semelhança de há 4 anos). Altura certa para um pequeno ensaio- Pessoas: políticos e políticas- um dia destes...

sábado, 24 de julho de 2021

Melhoramentos

A estrada de Vila Mendo a Vila Fernando, finalmente, alvo de atenção.

terça-feira, 20 de julho de 2021

A Ti, Amigo... Tiago Gonçalves

Trezentos e mais uns dias

desnovelados- (n)um ano.

 Partiste? Deveras?

Tormento contínuo…

Não te queremos reflectir

para não assentir

o teu fim (corpóreo).

Oh fado desdito…

era este o teu desenredo?

Rememoramos-te nas histórias e estórias

contadas…

como se estivesses aqui.

E rimos.

E silenciamos;

por entre uma ou várias

goladas…

Indagamos pelo nosso porvir,

desassossegados

e, apressurados,

sentenciamos para memória futura

(numa espécie de aforismo

de algibeira):

«Fazer o bem, sempre! O resto?

O resto que se “foda”»...

 (A tua homenagem- já pensada e estruturada- será uma realidade no ano próximo; à medida que os ciscos e a poeira que embaciam a nossa mente se dissipem. Tiago: contigo, NUNC ET SEMPER)  

quinta-feira, 15 de julho de 2021

segunda-feira, 5 de julho de 2021

quarta-feira, 30 de junho de 2021

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Vida e(m) pandemia

Vida e(m) pandemia

espécie de ensaio- 3ª parte dos textos publicados nos dias 5 de fevereiro e 2 de Abril

Esse salto de mentalidade (que denominei de modernidade-operante) pressupõe uma confiança no Eu, nas suas virtudes e potencialidades; uma confiança que nos permita arriscar para criar, sentir para agir derrotando o medo que paralisa a acção e inibe a transformação enquanto comunidade, enquanto sociedade.
Resquícios, provavelmente, do Estado Novo (e indo mais atrás, da Inquisição) parece haver um medo quase que inconsciente, mas latente, bem enraizado na mente e memória profunda dos portugueses que nos inibe de sonhar… grande, de desejar… muito, de nos tornarmos maiores (individual e colectivamente) como que não suportando o “pecado” de ousar mais. Habituámo-nos a um certo estilo de vida confortável (por comparação com o pré 25 de Abril) e daqui não queremos sair. E ao fardo que é pensar (pensar em sonhar), junta-se o fardo de não sonhar (mesmo). Uma dupla mágoa que nos aprisiona, esmaga e nos impede de arriscar, de ir mais além; almejamos pouco, desejamos pouco, fantasiamos pouco: contentamo-nos com pequenos prazeres, pequenas alegrias, pequenas coisas e tantas coisas que dá a ideia (aparente) de grandes acontecimentos realizados, de grandes façanhas concretizadas… A esta culpabilidade quase que “original” (como o pecado) não será completamente alheia a religião (Católica) que em muitas fases (que não esta, felizmente) nos inculcou o medo… de pensar, de questionar, de criar, de agir…
Enquanto povo, esta não-acção impede-nos de evoluir na modernidade (estamos e não estamos), permanentemente na cauda do progresso, com os mesmos problemas crónicos desde a revolução Liberal (que foi o cortar com o Antigo regime e o entrar na era moderna, se calhar sem entrarmos verdadeiramente…). Talvez por isto, olhamos para o que é nosso com desconfiança e adoramos tudo o que vem de fora. Elogiamos os outros (estrangeiros) e somos criticamente penalizadores com os nossos numa lógica de “bota abaixo” castrante e altamente penalizadora para a evolução do próprio país, numa perspectiva de subserviência que tolhe a tal ideia de modernidade-operante; queremos absorver tudo “dos de fora” e desprezamos os “de dentro”; o que nos leva a perceber que, além do queixume (de que falei na 2ªparte), a inveja é um problema que atravessa transversalmente toda a sociedade portuguesa e que mina por completo as tentativas de reformas progressistas e estruturantes que o país há tanto e desesperadamente precisa. E chega mesmo a destruir carreiras, projectos, pessoas: aquilo que o Outro faz nunca é suficientemente bom, porque isso também Eu fazia (mas não fiz) e melhor. O elogio é raro e quando acontece, por vezes, vem num tom que o desmascara… Incapazes de reconhecer o mérito no outro, tornamo-nos azedos, frustrados; não fazemos e inibimos (às vezes, num silêncio ensurdecedor) quem faz e cria de forma, tantas vezes, irreversível. Neste ciclo de inveja, mais observável ou mais sub-reptício, perdem-se oportunidades e caminhos de futuro.
Temos assim que o queixume e a inveja, a par de outros “atributos”, são o caldo de cultura da inoperância que perpassa em Portugal. E só com uma aposta forte, clara, objectiva, arrojada, pensada e estruturada na Educação, podemos começar a antever que estes dois constrangimentos (e outros) vão paulatinamente desaparecendo do Fazer dos Portugueses. Dar às crianças e jovens ferramentas e oportunidades para pensar, questionar, criticar (construtivamente), arriscar-criar, agir, valorizar-se a si e aos outros será uma das formas e meios para sermos um país de e com Futuro que nos permita não só viver, mas Existir com tal…

terça-feira, 22 de junho de 2021

Terra das 7 Vozes


No âmbito da residência artística do músico Ricardo Coelho (e da sua equipa) em Vila Fernando, foi apresentado no final da tarde da passada sexta-feira (18 de junho), no grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda, o espetáculo “Terra das 7 vozes”. Trata-se de uma iniciativa no âmbito do programa Incentivarte, do Município da Guarda, que apoia novos projetos artísticos com criadores e coletivos artísticos locais.(Município- TMG)

O Clube dos Amigos da Freguesia de Vila Fernando, através do seu Grupo de Cantares 7Vozes e no âmbito acima mencionado, apresentou o projecto “Terra das 7 Vozes” numa alusão às 7 aldeias que constituem a freguesia (Vila Mendo, Vila Fernando, Quinta de Cima, Quinta de Baixo, Quinta de Meio, Monte Carreto e Aldeia de Santa Madalena). Ainda que pudesse fazer uma análise crítica pura e dura (construtiva) ao dito espectáculo (bastante bem conseguido, adianto já), nomeadamente à linha condutora, coerência estética, elementos cénicos ou até mesmo à selecção de algumas músicas do cancioneiro, entre outros pormenores que, na minha óptica e vale o que vale, deveriam ser aprimorados; não é isso que importa tanto: importa todo o processo, não tanto o resultado final. E se os processos não tivessem sido excelentes, não teríamos um bom espectáculo. De facto, questões cénicas, musicais, até dramatúrgicas à parte, aquilo que me impressionou mais foi (e face à pouca experiência de palco das pessoas) a alegria, a vivacidade, o prazer e a simplicidade com que nos brindaram. Sentia-se que estavam a desfrutar e isso passou claramente para o público e não há maior elogio a um artista do que quando consegue passar esse sentir aos espectadores: e as 7Vozes (grupo bastante heterogéneo) foram uns verdadeiros Artistas. Mérito, muito mérito também ao Grupo da residência artística que em menos de 3 semanas ouviu, viu, sentiu, adaptou, criou, e operacionalizou o “Terra das 7 Vozes”.
Atrevo-me a afirmar que o conjunto desta iniciativa selou um destino promissor e duradouro ao grupo de cantares e à própria associação que a suporta. Porquê? Porque este projecto artístico teve algo… (daquilo que tenho escrito aqui na espécie de ensaio: Vida e(m) pandemia…) algo de transformativo; algo que não se esgota na acção, no acontecimento em si; algo que terá um efeito gerador multiplicativo de vontades, de energias e sinergias… com reflexos profundos e profícuos na individualidade de cada qual e na própria comunidade.
Numa entrevista ao jornal a Guarda há ano e meio sensivelmente, afirmava que a Guarda Capital Europeia da Cultura só tinha a ganhar com o envolvimento efectivo das colectividades concelhias de modo a valorizar aquilo que de melhor temos: a ruralidade enquanto marca identitária- com memória, com verdade e projectada no amanhã. Cada vez mais, acho que é este o caminho para que, pelo menos, entre na “shortlist” que decidirá a cidade vencedora. Com este exemplo, verificou-se que a Guarda e as suas Associações têm tanto potencial… têm o saber, o saber-fazer e o saber-ser… é só acarinhá-las e dar-lhes meios…
Uma nota; para algumas pessoas da freguesia com algum tipo de responsabilidade em vários domínios: deveriam ter estado presentes… este espectáculo e respectivos frutos (deduzo eu) também foram e serão para vós…
Da ACR Vila Mendo espera-se que esteja disponível para cooperar com o Cube dos Amigos da Freguesia de Vila Fernando, sempre que possível.
Bem-hajam.

sexta-feira, 18 de junho de 2021

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Retalhos da Vida

Sara; Sr. Ismael; Santiago
Avô e netos caminham juntos. Entrelaçam assuntos no andamento próprio dos seus desvelos e deveres.
Interpelam, replicam; gracejam, saltitam; advertem e presenciam-se.
E... continuam, buscando a água no Chafariz abeirado.
Retalhos da Vida... em Vila Mendo!
 

segunda-feira, 14 de junho de 2021

Campo

André; Santiago
De menino, se abraçam novas vivências, renovados conhecimentos causadores de enriquecimento pessoal e social... futuros Homens.

quinta-feira, 10 de junho de 2021

terça-feira, 8 de junho de 2021

Prémio Literário Aquilo Teatro

"Percebendo a importância de criar espaços de divulgação da obra de artistas portugueses fora dos grandes centros culturais, promovendo o estabelecimento de estruturas no interior do país que promovam e apoiem a profissionalização de artistas e cativem para a criação cultural, dando ênfase aos guionistas contemporâneos que, numa abordagem atual da sociedade consigam trazer para o teatro temáticas e perspetivas capazes de mobilizar novos públicos, apostando em novas formas de comunicação através da dramaturgia, abrindo portas à criatividade, ao sentido crítico, à construção de um pensamento inclusivo e cosmopolita que encontre em cada expressão um caminho para a pluralidade ideológica capaz de construir uma sociedade mais justa e mais envolvida, o Aquilo Teatro, institui o Prémio Literário Aquilo Teatro, na modalidade de texto dramático (guião de teatro), destinado a incentivar a produção de obras originais de jovens dramaturgos, escritas em língua portuguesa, premiando uma obra inédita, que não tenha tido qualquer apresentação pública e que não tenha sido premiada ou apresentada em nenhum outro concurso cujo resultado esteja por divulgar."

O regulamento pode ser consultado AQUI

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Retalhos da Vida

Nevoenta a primavera. Desanimado o dia; mas não o desassombrado bezerro que, ao ver gente montada e alheia, sonda- altivo, desafiador e por entre uns quantos pinotes- a natureza de tal visitação. Consumada a cena (ronceiro e indolente), volve ao resguardo de quem lhe quer bem.
Retalhos da Vida... em Vila Mendo.



segunda-feira, 31 de maio de 2021

quinta-feira, 27 de maio de 2021

Tempos

Festa do Chichorro- Janeiro 2020
 

terça-feira, 25 de maio de 2021

Estrada

Uma parte da estrada de Vila Mendo até Vila Fernando está muito mal arranjada e perigosa, até...

 

sexta-feira, 21 de maio de 2021

Retalhos da Vida

Sra. Teresinha; Sr. Ismael
É tempo de "semear" as batatas. 06h30 da manhã e já o Sr. Ismael lá anda, sozinho, no terreno atrás da Capela (Chão d`Vicente) nessa lide tão custosa quanto morosa. A Sra. Teresinha dá conta dele e oferece a sua ajuda; bem-vinda por sinal. 
- Oh Sr. Ismael, tão cedo que vem para aqui?!
- Pelo fresco é que se anda bem.
- E sozinho?
- Tem-me valido aqui a Sra. Teresinha. Ajuda-me a semeá-las e a arrancá-las.... Tenho de lhe dar metade da produção!
- Bostá- responde prontamente a Sra. Teresinha- Eu não quero cá nada. Vá; vamos, vamos...
- E os filhos?
-  Ui.. até calhar um dia que dê jeito aos três... 
- E semeá-las à enxada? 
- Custa um bocadito, é verdade, mas o trabalho assim fica bem feito. E a regar depois é uma maravilha.
O filho chega com mais umas gentes, e muito admirado e pouco preparado para tais lides, limita-se a tirar umas fotografias!..
- Tanta gente e ninguém ajuda- declara mordaz a Sra. Teresinha.
- Não trazem roupa de trabalho...- defende ele.
E lá continuam, manhã fora- trabalhando, parando, falando e contando histórias e estórias.
O filho, esse, vai-se embora...
O pior... o pior serão as dores nas costas que, inevitavelmente, o atacarão.
Retalhos da Vida... em Vila Mendo 


 

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Delegação na Miuzela

Uma Delegação de Vila Mendo esteve na Miuzela onde foi recebida superiormente pelo anfitrião Zeca, bem como pelo José Falcão, António Tanassa, João Sanches... Muito obrigado pela cortesia e arte de bem acolher.

segunda-feira, 17 de maio de 2021

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Retalhos da Vida

Cristina; Maria dos Anjos
Domingo entardecido. Palradoras, galgam a rua morosamente. Dois dedos de faladura com os viandantes e retomam ao seu destino: alindar a capela; que é mês de Maria...
Retalhos da Vida... em Vila Mendo.
 

terça-feira, 11 de maio de 2021

Reunião

Beatriz, Vanessa, Élio, Rodrigo, Inês
Reunião com a Direcção da Associação

 

domingo, 9 de maio de 2021

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Retalhos da Vida

Manhã encoberta. Maria, como de costume, guia as suas cabrinhas para o pasto. Onde o houver! Sorridente, dá a salva, mas pouca conversa aos intrometidos- que as suas "meninas" têm fome e são o seu mais que tudo...
Retalhos da Vida... em Vila Mendo.
 

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Retalhos da Vida

Ali para os lados da Barroca, Luís Pereira- desacompanhado (de gente)-  remedeia o pai na vigia do gado enquanto os cãezitos se mostram mais devotos à distração do que à guarda; até porque os lobos já não abundam por estas bandas... e, bem vistas as coisas, face ao porte, a sorte de tal empenho seria modesta.
Retalhos da Vida... em Vila Mendo
 

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Retalhos da Vida

Malgrado a cruz inestética e o altifalante inenarrável, a Capela ainda aguça uma certa aura de mistério e assombro que as crianças aproveitam para recrear; moldando a sua personalidade na tenção de serem adultos conscienciosos...
Retalhos da Vida... em Vila Mendo! 
 

quinta-feira, 22 de abril de 2021

segunda-feira, 19 de abril de 2021

Tempos

As crianças servem-se do tempo  para se desenfadarem, neste... tempo atreito a desligamentos... Tempos...  
 

sábado, 17 de abril de 2021

Melhoramentos

A nova direcção colocou portas novas na Associação.

quinta-feira, 15 de abril de 2021

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Retalhos da Vida

Manuel Marques
Pressuroso, nunca quedo, Manuel da "Auzenda" orienta as cabras até à corte- que ainda  vai zelar pelas vacas, pela horta ou por qualquer outra lide que assome casualmente...
Retalhos da Vida... em Vila Mendo.

sexta-feira, 9 de abril de 2021

terça-feira, 6 de abril de 2021

Gentes da Terra

Sr. Ismael
A preparar a horta com todo o cuidado e parcimónia.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Vida e(m) pandemia

Vida e(m) pandemia
espécie de ensaio- 2ª parte do texto publicado no pretérito dia 5 de Fevereiro

“Como começar a alterar isso: valorizando, reconhecendo e assumindo o ontem; pensando e fazendo o hoje; antecipando o amanhã…”
Obviamente que este processo não é algo repentino que mude por artes mágicas. Contudo este é o caminho, difícil por certo. É um processo individual, antes de mais, que começa nos pequenos “quês” do dia-a-dia, mas que ancora em elites formadas e informadas que sejam farol e guia nestes tempos conturbados.
Se analisarmos bem (numa escala macro), e não querendo ser injusto perante diversos actores ao longo da história de Portugal, quem é que valorizou, reconheceu e assumiu o ontem, pensou e fez o hoje e antecipou o amanhã? Parece claro! D. João I, Infante D. Henrique e companhia como o início dos Descobrimentos (ainda se pode chamar tal?!.). De resto, e sem querer ser simplista, parece que foi, e passe a expressão, “pontapé na bola, xuto para a frente e fé na providência.”
E estamos onde sempre estivemos, dependentes de um qualquer milagre: o comércio das Índias, o ouro do Brasil, as colónias africanas, os fundos europeus… sobrevivemos sempre à espera que algo aconteça: não porque se tenha capacidade de prever e planear em conveniência, mas numa lógica de desenrascanço (onde somos realmente bons, diga-se) que chega para sobreviver mas não (talvez) para Viver.
Como País, existiremos por muitos mais séculos, sem dúvida- que o milagre do nosso surgimento já será eterno- de desenrascanço em desenrascanço iremos perdurar; importa saber a que custo e com que dificuldades e sofrimentos nos iremos deparar “para que fosses nosso oh mar”…
De qualquer modo, as elites que nos governam e governaram emanam aquilo que somos enquanto povo, mas primeiramente enquanto indivíduos e ao responsabilizá-los- por si só- estaremos a fazer aquilo que é uma das características (quase que inatas) dos portugueses: os “queixumes” combinados com uma pitada de intriga e mesclados com uma boa dose de inveja. De facto, esta “nobre” arte de nos queixarmos (por tudo e por nada) poderia ser (e é também muitas vezes) uma forma de crescimento enquanto nação, na perspectiva de conhecermos e lutarmos pelos direitos que nos assistem, na perspectiva de podermos alterar para melhor a comunidade, a sociedade, o mundo em que vivemos.
Todavia, este lado profícuo dá lugar a um queixume maldizente em que se diz mal de tudo e todos numa lógica de oposição- Eu contra o Outro- Eu que sei e tenho solução para tudo, contra o Outro que nada sabe e tudo faz mal; são as conversas de café, de rua, de tantos e tantos momentos, contínuas e corriqueiras e, não raras vezes, mal intencionadas. Paradoxalmente, estas queixinhas são alimento de coesão entre pessoas, entre grupos, entre comunidades, entre o próprio país e a sua identidade: aquilo que poderia ser visto como negativo e nefasto (que é), torna-se um elo, uma afinidade entre indivíduos. Convertemo-nos em arautos da desgraça e nessa desgraça mantemo-nos unidos numa identidade- a de Portugal. Naturalmente que uma identidade forjada em tais princípios (outros há, por demais superlativos) não pode trazer grandes benefícios (a não ser a existência dela mesmo) porque essas queixas, esse desfilar e destilar de problemas (culpa dos outros, claro) não pressupõem nenhuma acção transformativa para se corrigirem e alterarem: diz-se por dizer, não para fazer, porque quem tem de fazer e mudar é o Outro. E quando misturamos as queixas e o maldizer a um certo poder de decisão obtemos aquilo a que vulgarmente se chama de burocracia: tudo é bloqueado nuns quaisquer níveis de definição, provocando a exasperação daqueles que querem resolver situações da sua vida. Assim, é recorrente a inacção dos serviços (públicos) que numa aparência de grande azáfama e volume de trabalho acabam por suspender decisões de forma rápida e útil por pequenas questiúnculas que só servem para atestar o ego (narcisista e invejoso, por vezes) da suposta importância de quem decide; os pequenos poderes instalados na hierarquia da administração (pública, maioritariamente) são profundamente paralisantes e castradores de uma verdadeira simplificação de procedimentos e consequente transformação de mentalidades que permitam um salto daquilo a que denominaria de modernidade-operante que nos permita (enquanto povo) Viver e não sobreviver nos solavancos da história…