Carlos; Zé Gil; Manuel; Virgílio
quarta-feira, 31 de maio de 2023
quarta-feira, 24 de maio de 2023
Razão? Fé?
(Publicado originariamente no jornal A Guarda na edição do dia 18 de Maio)
Na cruz, Cristo profere: “Meu Deus porque me abandonaste?”. Um momento, um instante, um lampejo de dúvida, quase que inaudível, abre toda uma novidade na relação do divino com o humano.
A ordem, que a divindade impôs (pelo Cristianismo) ao mundo, assume nesta interpelação uma tensão que impele a humanidade a questionar; a duvidar; a colocar em causa o poder e a querer poder; a afirmar a singularidade do Homem enquanto Homem; a confrontar a autoridade celeste. Incita-a a submeter o universo a uma lei humana negando o mistério da existência como tal.
Durante toda a história do Cristianismo, este não deixou margem para dúvidas, para questionar Deus- a missa que assume forma de teatro continuamente repetido, lembra-nos disso.
As palavras de Jesus são por si só dúbias e por tal situam-se numa espécie de ambiguidade trágica, revestindo-se assim de particular importância na forma como a nossa civilização (ocidental) se compreendeu e compreende a si mesma.
O seu desabafo como que liberta o indivíduo da mão invisível da divindade, rejeitando-a e assumindo nele próprio as rédeas do seu amanhã, profundamente terreno e não mais, não menos do que isso. É a emancipação da humanidade a acontecer no hoje- desafiando, negando, contrapondo, fustigando a ordem, a autoridade e a disciplina por um lado e o aconchego e a protecção do divino, por outro.
Este conflito com Deus e com o que ele representa, leva-nos a perguntar: para onde caminhamos enquanto humanidade? Surgindo novas questões, novas inquietações; não fáceis, não resolvidas. A ausência do divino, e portanto de toda a sua ordem, limites e contenções, anunciam todo um mundo novo, que de tão novo pode ser velho: com renovado e aprimorado sofrimento, dor e o mal com que nos temos brindado ao longo da história.
Bastará a razão para perceber, para nos percebermos? Queremos que baste mesmo? Estaremos preparados para esta avalanche de indagações, cogitações e soluções? Estaremos conceptualmente preparados para nos chegarmos a nós próprios? Estaremos aptos para a torrente de pensamentos (que podem e são caos, tantas vezes), filtrá-los, caracterizá-los, arrumá-los e formar um pensamento-pensamento sobre a vida e a existência como tal? Queremos mesmo sair da zona de conforto, do regaço protector e justificador que a religiosidade nos oferece? Queremos ser abandonados?
Um sem número de interrogações originárias e primordiais nesta simples menção quase que imperceptível: “Meu Deus, porque me abandonaste?”
Mas estas palavras inquietas também podem indiciar que o divino se transcendeu em humano! Que Jesus aproxima a divindade à humanidade. Não é o pobre Homem que clama por Deus; é Ele que realiza o movimento contrário, que se aproxima, se humaniza e faz humanizar.
O divino deixa de ser autoritário para ser autoridade fraterna. Não castiga, não impõe; propõe. Assegura um diálogo esperançoso com o Homem. Impõe-lhe limites, mas não o limita. Traça uma Presença partilhada, um porvir comum envolvendo-o no seu próprio destino e fim.
A ambiguidade do alcance daquele dizer como que racionaliza a fé conferindo-lhe realidade; ao mesmo tempo, desobjectiva a razão aportando-lhe (razoável) subjectividade…
Mas bastará a fé para perceber, para nos percebermos? E um sem número de inquietações e desassossegos se desnovelam num vai-vem de possibilidades (contraditórias, às vezes complementares)…
Acreditar? Não acreditar? Conflito imanente! Eterno paradoxo-reflexo da nossa interioridade, das nossas… Identerioridades…
Razão? Fé?
Nenhuma! Ambas!!.
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segunda-feira, 22 de maio de 2023
sexta-feira, 19 de maio de 2023
terça-feira, 16 de maio de 2023
Retalhos da Vida
(Manuel Marques)
Os afazeres agrícolas não esmorecem. Todos os dias são recomeço, num ciclo infindo de princípio e fim; num ciclo de constância incansável...
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sexta-feira, 12 de maio de 2023
segunda-feira, 8 de maio de 2023
a Guarda e a Política e a Impolítica
(Publicado originariamente no jornal A Guarda na edição do dia 4 de Maio)
Falar de política é em si mesmo complexo; falar de política na Guarda é um exercício arriscado porque nos arriscamos a carecer de profundidade pela grande diversidade de temáticas, de pontos de análise e pontos de vista. Falemos ainda assim da política actual (ano e meio, desde as eleições autárquicas).
A maior votação do movimento independente surpreendeu muitos (talvez até muitos dos próprios), bem como estranhou (aos próprios e a muitos outros) os menos votos do partido no poder à data (não falamos de vitórias e derrotas, porque quem trabalha ou quer trabalhar para o serviço da causa pública pode-o fazer de diversas formas e maneiras sem o fatalismo massacrante da perda, nem a euforia vazia do triunfalismo; deixemos essa terminologia para o mundo à parte e de escape que é o futebol, no caso português).
O sucesso e o progresso da Pólis exige que os ditos “vencedores” e “vencidos” encontrem pontos de entendimento para uma estratégia futurante (e por isso mesmo, presente) de desenvolvimento harmonioso e sustentado das nossas comunidades (será isto fácil? Não. O ser humano é por demais competitivo- para o bem e demasiadas vezes para o mal…).
De facto, na guarda, vive-se uma certa política de entrincheiramento, na lógica do todos contra um, um contra todos- e ao fim e ao cabo, do todos contra todos. Esta ilogicidade (quase que, se não mesmo, irracionalidade) não gera os tais entendimentos que conduzam a acontecimentos, a acções estruturantes verdadeiramente transformativos da e para a comunidade e seu bem-estar.
De notar que os partidos políticos tradicionais parecem como que melindrados pelo surgimento de um movimento desta natureza (facto este a precisar de análise), denotando um certo menosprezo institucional (quase que intelectual), como que a sua própria existência fosse pecado primordial. Não admira assim que qualquer estratégia apresentada seja menorizada, quando não ridicularizada, de forma que quase tudo o que se faz é mau e deveria ser de outra maneira: antes o bom, agora o mau; e esta percepção vai penetrando nalguns sectores da comunidade…
O intuito das críticas deixa de ser (porque devia ser) alertar para melhorar, para o alertar para desqualificar; esperando com tal obter vantagem nas eleições seguintes; as eleições deixam de ser um meio para se estar ao serviço da causa pública para ser um fim (que não é).
E este é um problema estrutural dos partidos (toldados de ideologia) - connosco a sabedoria e a razão, nos outros a ignorância e a escuridão - como se as (boas) ideias precisassem de um selo, de um cunho férreo para existirem; como se precisassem do amparo organizativo para ganharem substância em si mesmas: a eterna dicotomia esquerda/direita que, se é verdade, nos conduziu à democracia como tal, teme-se agora nos leve a conflitos permanentes, já por demais evidentes, e resultem no cercear das nossas liberdades e garantias, direitos e deveres. Esta dialéctica fomenta a divisão inultrapassável promovendo o confronto baseado em sentimentos e não o racional dos consensos. A haver ideologia, só uma: o Bem-Comum.
Mas o que seria dos partidos sem ideologia? A resposta é simples: o seu fim! Estaríamos preparados para isso, como sociedade? Teríamos maturidade civilizacional para tal? O que se seguiria no plano da práxis política? Reformas profundas e profusas, uma verdadeira (r)evolução de mentalidades na forma como se encara o serviço público que, enquanto país, talvez nunca estejemos preparados (muito menos os partidos)…
Deste modo, os movimentos independentes (e com eles pessoas competentes, desinteressadas mas interessadas na Causa Pública) poderão ter a sua oportunidade de aportar algo mais ao espectro público - que nasçam, cresçam, cumpram a sua função e sejam substituídos, ou pelo menos se renovem em ideias e pessoas.
O caso do movimento Pela Guarda é paradigmático: surgido de impulso(s), rapidamente teve eco na comunidade e, contra todas as expectativas e num curto espaço de tempo, ganhou as eleições. Se a sua acção global (e implementação duradoura) ainda não pode ser analisada definitivamente pelo pouco tempo de vida, já a sua sobrevivência e independência pode-o ser e também é simples: nas próximas eleições concorre sozinho? Se sim, está garantida a independência - a sobrevivência dependente do tipo de resultado. Concorre coligado - a independência será afectada e quiçá o existir. Por absurdo, não concorre sequer – sinal de que a sua aparição e existência tinha sido… uma inconsequência…
Quanto à acção concreta do executivo municipal torna-se difícil proceder a uma avaliação geral, imparcial e distanciada, objectiva e real: só poderá ser feita no términus do mandato (mandatos únicos, mais longos de 6/7 anos e sem possibilidade de reeleição seria tempo para se delinear e desenvolver um projecto digno desse nome); em ano e meio não se pode (justa e verdadeiramente) aquilatar da qualidade e quantidade do trabalho efectuado e das suas implicações futuras.
Pese embora tal, há sinais e dinâmicas interessantes que por certo darão frutos. Mas também existem sinais de alguma apreensão: excesso de eventos, sem um fio condutor (pelo menos perceptível); prioridade de alguns investimentos; alguma indefinição (pelo menos aparente) na cultura; funcionários (alguns) desmotivados; mas talvez e sobretudo um excesso de presença: não se pode estar em tudo, em todo o lado e ao mesmo tempo. Um certo recato é producente e a gestão do(s) silêncio(s) fundamental. Numa época onde o ruído é constante, a comunidade só tem a ganhar se quem os governa souber ter um espaço de reserva, um espaço de paciência para enfrentar os inúmeros desafios coma serenidade e a efectividade necessárias. Doutro modo, parece que as eleições são sempre o fim de qualquer motivação…
Além disso, é por demais crítico que o executivo fale, mas dialogue; ouça, mas escute e valorize a oposição e decida no superior interesse da cidade.
À oposição pede-se que não enverede pela lógica-ilógica do dizer mal de tudo, na linha de: se fez é porque fez, se não fez é porque não fez; se assim, melhor doutra maneira; se doutra maneira, melhor assim; se isto, melhor aquilo; se aquilo, melhor isto… Esta forma de actuar e ver a política, numa óptica do quanto pior melhor, lesa a cultura democrática e produz dois efeitos ao intoxicar (ainda mais) a agenda mediática: por um lado, faz com que o cidadão comum se refugie nos extremos políticos ajudando a fortalecê-los e com isso a minar a democracia; por outro gera indiferença, o que, em última instância, vai produzir o mesmo.
O movimento independente não será per si salvação de nada, mas com certeza não será o abismo de tudo. Talvez (e quando muito) uma outra visão, que precisa de uma oposição pensante, que acrescente e não se deixe enredar nas teias ideológicas e no tribalismo dos partidos que a sustentam. É o Bem-Comum que nos deve nortear a todos. Só. Contribuamos cada um de nós de forma positiva para que este executivo faça mais, faça melhor. E quando for outro o executivo façamos o mesmo, marcando diferenças e pontos de vista e sem perdermos as nossas próprias concepções e preocupações, é claro. Opiniões diferentes e divergentes não têm de originar conflitos imanentes. Os executivos (e os governos) vêm e vão e os anseios e desafios das pessoas permanecem, e com elas espera-se que a democraticidade. Utopia? Talvez. Mas delas resultam saltos de modernidade.
Nesta perspectiva, saliente-se que o pensamento humano é, tantas vezes e por assim dizer, primitivo; entra em modo de sobrevivência competitiva ( o tal eu contra o outro; o nós contra o vós). É um pensamento funcionalizado em resultado das experiências passadas - pessoais e da humanidade como tal. E se nos permitiu sobreviver na evolução como espécie, torna-se por demais importante, no hoje, viver, existir verdadeiramente numa relação valorativa entre o Eu e o Outro.
Para isso, temos de desfuncionalizar o pensamento, a imaginação (se se puder, ou se quisermos dissociar estes dois conceitos); precisamos de uma certa exterioridade face à realidade (e aos problemas que ela encerra); temos de sair da “caverna”, pensar fora, sairmos do nosso mundo para lá voltarmos depois e transformá-lo substantiva e substancialmente, e para tal temos de fazer uma descomunicação por forma a percebermos como comunicamos e como nos relacionamos; para vermos o que é realmente o mundo e o que ele poderia e deveria ser, no intuito de encontrar soluções que conduzam ao bem-estar da sociedade como um todo.
A todos, e em especial aos que estão na vida pública, fazia bem este trabalho quase que eremítico de profunda exegese pessoal e colectiva… se bem que que é difícil, às vezes penoso, entrar na nossa morada interior… pode ser prisão, pode ser caos…
As opiniões e as análises valem o que valem. São baseadas naquilo que será realidade como tal, mas também naquilo que serão as percepções (muitas delas contraditórias, diga-se) que podem ser erradas e erróneas: é um risco que corre quem quer ler, interpretar a(s) realidade(s) múltipla(s) e conferir-lhe (algum) sentido… E uma pergunta legítima poderia surgir: que sentido?!.
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quinta-feira, 4 de maio de 2023
Sugestão de leitura
No seguimento de "Se isto é um Homem" e "A Trégua", Primo Levi tenta que a Memória da inumanidade, do mal como acção e substância que foi o Holocausto, não caia no esquecimento. Um ensaio soberbo.
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terça-feira, 2 de maio de 2023
quarta-feira, 26 de abril de 2023
Retalhos da Vida
João e João
É tempo de semear e plantar, num eterno ciclo de surgimento e desaparecimento. Manualmente, as lides do campo são, por certo, mais laboriosas, mas o apuro conseguido deslembra as canseiras de tal...
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domingo, 23 de abril de 2023
quarta-feira, 19 de abril de 2023
domingo, 16 de abril de 2023
Coisas da Vida
Joaquim Pereira Gomes faleceu aos 74 anos em Bondoufle- França- onde ficará para a eternidade. Filho de Vila Mendo, emigrou desde cedo.
À esposa Graziela, às filhas Alexandra e Alexia, aos irmãos: Pereira, Jorge, Julieta, Armando, Zé, Helena, Fernando, Prazeres; aos sobrinhos e restante família os nossos sentidos pêsames.
Vila Mendo fica mais pobre.
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quarta-feira, 12 de abril de 2023
Retalhos da Vida
Sra. Ana Maria; Sr. Ismael
A primavera tornou. O tempo ameno com ela; e a rua oferece agora o aconchego
necessário para assuntos de circunstância, caldeados com alguns de substância…
Retalhos da Vida… em Vila Mendo.
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segunda-feira, 10 de abril de 2023
sábado, 8 de abril de 2023
quinta-feira, 6 de abril de 2023
segunda-feira, 3 de abril de 2023
sábado, 1 de abril de 2023
quinta-feira, 30 de março de 2023
Sugestão de leitura
Na continuação de "Se Isto é Um Homem", Primo Levi relata os meses da viagem desde a libertação do campo de concentração até à chegada a Itália, ao seu lar, e à humanidade reencontrada...
segunda-feira, 27 de março de 2023
sábado, 25 de março de 2023
sexta-feira, 24 de março de 2023
quarta-feira, 22 de março de 2023
Identerioridades- TMG
(Fotografia de Arménio Bernardo)
O espectáculo teatral de Vila Mendo, no pretérito dia 3 de Dezembro.
segunda-feira, 20 de março de 2023
quinta-feira, 16 de março de 2023
Sugestão de leitura
Quando mais do que a própria vida, o que está em jogo e ameaçado é a personalidade como tal: aquilo que nos define como seres humanos; o Homem completamente desumanizado e coisificado... e aconteceu há 80 anos... no nosso "mundo civilizado".
terça-feira, 14 de março de 2023
Guerra(s)
Neste momento tão complexo da humanidade com a guerra na Ucrânia (e não só), não esqueçamos que, também não há muito, estivemos em guerra e nela muitos morreram- como o nosso conterrâneo José Lopes Pereira.
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sexta-feira, 10 de março de 2023
terça-feira, 7 de março de 2023
sexta-feira, 3 de março de 2023
o Homem e o Bem e o Mal
(Publicado no jornal A Guarda na edição do dia 23 de Fevereiro)
O pensamento da humanidade (ou pelo menos da civilização europeia e ocidental) é profundamente marcado pelas narrativas (alegorias) da queda (pecado) do Homem causadas pelo conhecimento: a Árvore do Jardim do éden, a Tragédia Prometaica e o Pacto Fáustico. A primeira incita a humanidade à transgressão, a um exílio e a uma miséria constantes. Prometeu é condenado a uma tortura interminável por ter ousado roubar aos deuses a sabedoria. O esforço de inteligência em Fausto excede-se e leva a sua alma ao inferno. Através delas, há como que um crime (pecado) que define o espírito humano (de sempre; para sempre?), que ecoa seminalmente e que não pode ser apagado. Este desejo, este impulso transcendente por conhecer, por querer saber do Ser e da Substância não se pode extinguir, é incontrolável: para o bem e para o mal- os benefícios para o mundo têm sido incontáveis por tal, mas as atrocidades não lhes ficam atrás.
De facto, é o nosso passado inconsciente colectivo (e individual) que opera (n)o nosso pensamento e nos faz desejar, querer e agir… e um dilema inultrapassável, como que uma incapacidade decisiva se nos afigura: a maior luta- O Bem e o Mal- lado a lado, desde o início ao fim dos tempos. A história da humanidade resumida neste antagonismo. A história individual plasmada na concretude das acções quotidianas: boas ou más (e respectivas consequências).
Efectivamente, o Homem desde os primórdios sobreviveu, viveu, evoluiu à custa de sacrifícios individuais e comunitários. À custa do seu semelhante. Prosperou na senda do conflito e da violência.
Assim, também nós passamos a existência a fazer ou a evitar o mal. É-nos (quase?) intrínseco: o Mal que provoca a rejeição do próximo, que o desumaniza, que o elimina. O mal que denigre, que afasta, que retira, que atrasa. O mal que discrimina, que vilipendia, que difama, que corrompe. O mal que corrói os pensamentos, as emoções e até as orações. O mal que nos agride e reprime, que inveja o outro e que o condiciona se para tal houver algum tipo de poder, por mínimo que seja. Esse poder que tolda e nos faz pensar que “para além de nós o caos”, como se fôssemos especiais (que também somos). O poder que impõe e não propõe, que dita e não ensina, que humilha e não partilha, que negativiza e não tolera nem valoriza.
O mal que impede o elogio sincero, o abraço terno, o sorriso por inteiro.
Com efeito, às vezes damos por nós a tentar destruir a felicidade dos outros (por acção ou omissão) e com isso estamos a destruir a nossa; e sem que nos apercebamos tornamo-nos azedos pessoalmente e revoltados colectivamente; sem que nos apercebamos que a felicidade (ainda que inalcançável) reside no Bem-comum. O bem pelo bem- somente- sem intencionalidades, interesses e interacções dúbias. É por Ele que a humanidade poderá ser, ainda… Humana!
É difícil? É. Até porque somos culturalmente e em certa medida herdeiros da morte (logo do sofrimento, do mal); da morte de Sócrates e de Cristo…
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quarta-feira, 1 de março de 2023
Programa na Rádio Altitude
O Presidente da ACR Vila Mendo, Rodrigo Costa, e Júlio Pissarra estiveram na Rádio Altitude- no programa Chafariz da Alameda conduzido por Albino Bárbara- a falar sobre a Associação e Vila Mendo. Para ouvir AQUI em https://www.altitude.fm/
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reportagem Rádio Altitude
terça-feira, 28 de fevereiro de 2023
sábado, 25 de fevereiro de 2023
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023
domingo, 19 de fevereiro de 2023
sábado, 18 de fevereiro de 2023
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023
Tabernas do Entrudo
Vila Mendo com a Taberna do Chichorro: de 17 a 20 de Fevereiro na Guarda- Largo de S. Francisco.
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Actividades
terça-feira, 14 de fevereiro de 2023
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023
o Mundo: Aqui
Vila Mendo
O olhar irrompe as paisagens deslumbrantesescutando um tentear de profundidade
e uma música do pensamento ressoa na alma
e é só nossa!
Às gentes de rosto trabalhados
entra-lhes pela lucidez a solidão do tempo
e as mãos rugadas agarram… a Vida
e a morte.
o Mundo: Aqui
entra-lhes pela lucidez a solidão do tempo
e as mãos rugadas agarram… a Vida
e a morte.
o Mundo: Aqui
Calam as palavras- simples alfaias do silêncio.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2023
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023
Guarda- Cultura: fim ou princípio?
(Publicado no jornal A Guarda- edição do dia 19 de Janeiro)
Estamos num tempo de um mediatismo assoberbado em que o imediatismo orienta o compasso da actuação política… Tudo é para ontem; o hoje já é passado e o amanhã quase (embora na realidade, no ontem nada ou pouco se tenha feito; o hoje já é quase amanhã e o amanhã ainda não é hoje!), gerando-se assim percepções de grande dinamismo que de transformação real pouco têm, imperando a lógica de que “o meu lado faz quase tudo bem, o teu lado quase tudo mal”!
É nesta lógica-ilógica que também vive a Guarda (politicamente): o Eu contra o Outro; os Outros contra Nós. O caso recente da Cultura torna-se revelador disso mesmo: “antes é que era boa e a partir de agora vai ser má”- dizem uns tantos; “agora é que vai ser boa, antes era má”- referem outros. Para uns o fim, para outros o princípio. Estas simplificações tendem a ser estreitas conceptualmente e é nisto que as tribos partidárias garantem a “legitimidade a existir”: o confronto numa perspectiva de conflito…
Tenta-se uma análise (muito sintética, mas esperando-se de alguma profundidade) à contenda.
A cultura na Guarda, ao longo dos últimos anos, tem sido referência e é justo que se reconheça e se diga (o que não quer dizer que não tenha reparos, porque os tem). Este escrutínio já pode começar a ser feito; não devemos (talvez) fazê-lo ao que ainda não foi implementado. Objectivamente, temos de aguardar pelo novo (se é que vai ser novo) posicionamento cultural da Guarda para se retirarem conclusões balizadas. Tudo isto a propósito do cancelamento do apoio da DGArtes.
Importa aqui lançar um conjunto de questões que nos podem ajudar a enquadrar a questão geral (fora de quezílias partidárias, ou até ideológicas):
1- A cultura na Guarda, ao longo do tempo, tem acontecido com o apoio da DGArtes?
2- Que encargos (cumpríveis) esse apoio exigia em si mesmo?
3- Que grau de dependência/independência acarretava no âmbito da programação (TMG)?
4- Porquê de tanto tempo para se assumir uma posição quanto à candidatura?
5- A cultura na Guarda resume-se ao TMG?
Tentando responder (escrutinar) estas perguntas poderemos ficar esclarecidos e sossegados (talvez).
Interessa, ainda assim, afirmar dois pontos: Analiticamente, era possível assumir-se a candidatura à DGArtes? Era; e seria um caminho- válido. É possível não a ter concretizado? É; e é (será) outro caminho- válido.
As opções políticas assumem-se, bem como as suas consequências (cientes de que se poderão perder oportunidades e possibilidades…).
Importa, sim, ter uma estratégia global na área que envolva uma dinâmica sinergética e condutora entre os vários espaços culturais (com as escolas, IPG, instituições sociais, associativas, empresariais…) a que até os diversos eventos (demasiados) obedeçam.
Importa, sim, (e afunilando a perspectiva) que o TMG não se torne um salão de festas onde tudo e todos possam acorrer sem critério(s).
Este deve ser um espaço referenciador onde várias linguagens artísticas (diferenciadoras) tenham lugar (com os bons de cá, com os bons de fora); onde acrescentem valor intrínseco às nossas vivências, à nossa Vida, ajudando-nos a interiorizar, a lidar, a projectar a realidade para que de modo profundamente transformativo possamos ajudar a aproximar- nos de uma sociedade mais democrática e plural, mais justa e fraterna, mais de acordo com aquilo que é o bem-comum e na ânsia de alcançarmos a inalcançabilidade da felicidade. É isto que se espera da cultura e da arte como tal: que nos ajude criticamente a reflexionar o nosso mundo e o nosso próprio mundo-interior. No fundo, que nos ajude a pensar-o-pensar.
É por tudo isto que nem tudo cabe no TMG e nem se deve dar (falando neste domínio) às pessoas aquilo que elas querem. Como entidades públicas de público serviço, cabe às Câmaras uma função pedagógica de possibilitar conceitos artísticos (muitos deles comercialmente inviáveis), experiências (logo ferramentas) que nos ajudem a Entender e a entender-Nos. O número de espectadores (consequentemente as receitas) não deve por si só delinear uma estratégia na cultura; por maioria de razão neste espaço. Existem outros espaços e eventos onde isso contará, e bem!
Substanciando: não será o fim, não será o princípio da Cultura na Guarda. Espera-se uma continuidade… melhorada e aprimorada, como se espera tal em todas as outras áreas da vida da Pólis.
Não se rasguem as vestes!.. Nem se vista um manto dourado!..
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segunda-feira, 30 de janeiro de 2023
quarta-feira, 25 de janeiro de 2023
Festa do Chichorro
Grupo alentejano Rastolhice- Pedro Mestre (viola campaniça); Passeios de Burro; Performance Poética, Instalação Artística (Janela-para-o-Interior)...
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terça-feira, 24 de janeiro de 2023
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