sexta-feira, 15 de maio de 2020

Entrevista a Paulo Gonçalves Marcos

Paulo Gonçalves Marcos
Presidente da Direção do SNQTB – Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários 
Presidente do Conselho Directivo do SAMS Quadros
Presidente do Conselho de Administração da FSB – Fundação Social Bancária 
Presidente do Conselho Directivo da União dos Sindicatos Independentes (USI) – Central Sindical 
Vice-Presidente dos Conselho Económico e Social (CES) da Região Autónoma da Madeira (RAM) 
Vice-Presidente da Comissão Permanente de Concertação Social do CES da RAM 
Membro do Conselho Económico da Região Autónoma dos Açores (CESA) 
Vice-Presidente da FECEC – Federação Europeia dos Quadros das Instituições de Crédito 
Board Member da CEC European Managers – Confederação Europeia de Quadros 
Colunista no Jornal Económico 
1. Quase trinta anos de experiência no sector financeiro, do qual é quadro superior. Experiência e projectos em área de Marketing, Planeamento Estratégico, Banco de Retalho, Banca Telefónica, Crédito, Compliance, Recursos Humanos, Gestão de Activos e Passivos, Negociação. Com responsabilidades de gestão e liderança em vários continentes. 
2. Professor universitário (1991-2016) na Universidade Católica Portuguesa. Marketing, Business Policy, Estratégia, Marketing Planning, Marketing Research, Thesis Seminar. Programas de Licenciatura, Mestrados, Pós-Graduações e Formação de Executivos. 
3. AMBA – Associação dos Antigos Alunos do MBA da Nova 
a. Presidente da Direção (2013-2016) 
b. Vice-Presidente (2008-2011) 
4. The Lisbon MBA Alumni Club – President (2015-2017) 
5. Autor e co-autor de três livros de cariz técnico (Universidade Católica Editora; Bertrand/Pergaminho) 
6. Licenciatura em Economia (Catolica Lisbon School of Business and Economics), MBA e Mestre em Gestão de Empresas (Nova School of Business and Economics), Programa Doutoral em Ciência Política (IEP UCP) 
7. Prémios e bolsas académicas 
a. Bolseiro Fulbright 
b. Bolseiro de Investigação NOVA SBE/American Appraisal/MAC Group 
c. Prémo Alexis de Tocqueville para o melhor aluno do programa doutoral 
8. Outros interesses 
a. Corri uma maratona, plantei duas árvores, escrevi três livros e tive quatro filhos 
Sócio do Sport Lisboa e Benfica, Clube Desportivo de Paço de Arcos, Clube Desportivo Novo Banco

Como Presidente do Sindicato dos Bancários, como avalias o papel e a acção dos bancos na situação complexa do presente? 
Sou presidente do Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB), um dos seis sindicatos bancários. De qualquer forma, o SNQTB é o maior sindicato português. 
Os bancos e os bancários estão a ser vitais nesta crise, sanitária primeiro, económica depois. A capacidade de fazer chegar liquidez á Economia (famílias e empresas), de elaborar moratórias, entre outras, só são susceptíveis de serem feitas com um sistema bancário robusto, tecnologicamente apetrechado e com pessoas qualificadas. 

Normalmente os sindicatos são vistos como organizações ligadas (pelo menos, ideologicamente) à Esquerda; é o caso do SNQTB? Ou esta é uma visão demasiado simplista e redutora?
Muito simplista, se me permitem. O SNQTB é um sindicato de matriz independente, de qualquer partido político ou organização. E é fundador da União dos Sindicatos Independentes (USI), a terceira central sindical. 
A maior parte dos sindicatos em Portugal são de matriz independente, de qualquer partido ou ideologia. 
Por tudo aquilo que vimos na Alameda, neste primeiro de Maio, organizações há que se comportam como “donas disto tudo”, em termos sindicais. Mas a realidade, no terreno, desmente-as. 
Será, porventura, a altura ideal para os bancos e o sistema bancário recuperarem algum Crédito perdido na crise pretérita? 
Os bancários pagaram de forma cruel os desmandos de alguns, na pretérita crise. São e foram as vítimas inocentes de banqueiros laxistas, auditores coniventes, incentivos enviesados, etc. Foram das classes mais afectadas pelo desemprego (cerca de 25% dos bancários perderam o emprego) e pela redução das remunerações. 
A confusão entre banqueiros e bancários foi de todo em todo prejudicial aos trabalhadores bancários. 

A banca precisa de banqueiros? 
Os bancos e qualquer empresa precisam de gestores com elevados padrões éticos, profissionais, dedicados e experientes. E envolvidos com a sociedade. 
A gestão de empresas bancárias pode ser desempenhada pelos accionistas (banqueiros) ou por gestores profissionais. Conquanto os banqueiros sejam uma classe em desaparição, é de realçar o comportamento dos bancos cuja sede ou centro de decisão está em Portugal: a retenção e não distribuição de dividendos, relativos ao ano de 2019, como forma de capitalizar os bancos e melhor ajudar a Economia portuguesa neste período complexo de pandemia. 

Que desafios prementes enfrentam os bancos (tradicionais)? 
A crise económica, que se avizinha, e que tudo aponta que será a mais profunda desde o final da segunda grande guerra, será o facto mais marcante dos próximos anos. Economias débeis ou enfraquecidas introduzem pressão no sistema financeiro. 
Mas esta crise veio mostrar quem são as instituições financeiras que estiveram sempre de portas abertas, com bancários, a processarem as moratórias e as linhas de apoio às empresas, senhorios, inquilinos e famílias: os bancos de retalho! 
Não foram as fintechs, nem os bancos sedeados em paraísos fiscais que pouco empregam criam e nenhuns impostos pagam em Portugal…. 

Tens 3 livros editados na área do marketing; como os resumirias? 
Foram todos editados pela Universidade Católica Editora. Resultaram de minhas aulas (licenciaturas, mestrados, pós-graduações), formações, consultoria e posições de gestão que desempenhei ao longo de 30 anos de carreira profissional, em 4 continentes. E tive o privilégio de ter sido, em todos os livros, acompanhado de colegas de grande valia profissional e académica. 
São livros para os alunos mas também para os profissionais da gestão e do marketing. 

Colaboras com vários jornais. Como vês a imprensa e a comunicação social em geral? Independente, como devia? 
Sou colunista do Jornal Económico, mas tenho tido artigos de opinião e entrevistas em canais televisivos nacionais, jornais nacionais e regionais e rádios. Sou um consumidor e um produtor de conteúdos, e por isso sigo com especial pertinência a evolução do sector. 
É absolutamente vital para uma democracia a existência de comunicação social independente, séria e profissional. A decadência dos jornais e da comunicação social, devorada por um online onde a desinformação e boatos proliferam, é uma ameaça a uma sociedade que ser quer livre, exigente e desenvolvida. 
Uma das maneiras que podemos ajudar é comprar em banca ou assinar os jornais e revistas de que gostamos. Nada as pode substituir em termos de fiabilidade de informação, opinião abalizada, verificação de factos, entre tantas funções da comunicação social. 

É tempo de a economia se reinventar ou, passado o cabo das tormentas, continuará tudo como dantes? 
Os milenaristas encaram cada crise, como um momento de ruptura. Sinceramente, não creio que vá acontecer nada de profundamente diferente. Agora, certos fenómenos aceleraram: a digitalização, o tele-trabalho, um provável reforço de hábitos de higiene pessoal. 
Falta saber qual o impacto sobre os comportamentos sociais e de convívio. O que para uma sociedade e um país tão dependente do turismo e das actividades de acolhimento, é tudo menos que despiciendo. 

Dás aulas na Universidade Católica; o ensino continua a ser central no teu percurso profissional? 
Desde meados de 2016 suspendi as minhas aulas na Catolica Lisbon School of Business and Economics. Foi com pena, mas não estava a conseguir conciliar todos os compromissos. Mas dizer-vos que foi algo muito gratificante, que me incentivou a aprender, investigar, divulgar e ensinar. Muito do que sou hoje, como profissional, gestor, economista e sindicalista, devo-o aos mais de 4.000 alunos que tive. 
Espero poder recomeçar, numa nova etapa da minha vida profissional. 
Faz parte da minha filosofia de vida de tentar devolver um pouco do muito que recebi da sociedade. 

Tens origens no Adão e em Vila do Touro- Sabugal. Como vês o Interior? Terá futuro? Que futuro? 
Vejo uma oportunidade e uma ameaça. 
Oportunidade: a economia do conhecimento, as tecnologias de tele-trabalho e trabalho cooperativo, tornam possível que franjas crescentes de profissionais muito qualificados estejam a trabalhar a partir de geografias do Interior, de pequenas comunidades locais. Penso que é a maior oportunidade, em vários séculos, para o bem-estar de nossas comunidades locais que se situam no dito interior. 
Ameaça: para aproveitar a oportunidade que se nos abre, alguns dos benefícios das aglomerações urbanas têm que estar presentes: escolas e ATLs, habitação de qualidade a preços módicos, escritórios modulares que permitam aos tele-trabalhadores, de quando em quando, terem um sentimento de comunidade no trabalho. Cidades como Fundão, Portalegre, Covilhã, Cerveira, Angra do Heroísmo, etc, têm conseguido diferenciar-se. Para o Interior este é o desafio para atrair investimento e emprego qualificado: qualidade de vida sobre a forma de serviços e necessidades essenciais preenchidas. 

Vives em Lisboa desde sempre; que imagem tens da Guarda?
Vila do Touro. Adão. Sabugal. Belmonte. Guarda. São os locais de minhas férias de Verão, com meus pais e meus primos e tios. São recordações de tempos muito felizes, quase idílicos. 
Vejo a cidade da Guarda, onde volto frequentemente, como um local que fez um imenso progresso ao nível cultural, infraestruturas de educação e saúde, rodoviárias, entre outras. Devido ao grande salto das cidades médias do Interior, penso que qualquer habitante de Lisboa ou do Porto não desdenharia de na Guarda habitar e trabalhar. 

Uma pessoa que te tenha marcado na juventude?
Meu pai. Exemplo de trabalho. Disciplina. Abnegação e humildade. Um capitão de Abril, num golpe de estado, primeiro, revolução mais tarde, que democratizou e devolveu o poder à sociedade civil. Caso quase único na história política. 

Uma memória de infância? 
O Verão de 1975, no Adão, sem electricidade mas com meu avô Varandas, primos e muita alegria!

Que te diz Vila Mendo? 
Recordo com carinho meus primos e tios de Vila Mendo, e as tardes e serões que passámos juntos na minha meninice. 
Mais recentemente tive a surpresa de descobrir o entusiasmo da Capeia Arraiana num grupo de rapazes e homens de Vila Mendo! 
A existência deste blogue e dum conjunto de tradições comunitárias e de gentes da terra, ilustra bem o espírito e o orgulho dos Mendes (literalmente, os filhos de Mendo)! 

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Terra

A terra... aprontada a receber as sementes... que darão fruto... e alimento... a tantos...

terça-feira, 12 de maio de 2020

Coisas... pessoais e...

Beatriz Terras- estudante de Design de Equipamento

Coisas... pessoais e (des)conexas

Uma pergunta: quando é que tudo voltará ao normal?
Um sonho: ter o meu próprio atelier de Design
Uma pessoa: a minha irmã
Uma alegria: saber que sou uma pessoa feliz
Um pensamento: acabar o meu curso
Uma preocupação: a sociedade de hoje em dia
Uma paixão: passear/viajar
Um lugar: Sete Cidades- S. Miguel, Açores
Uma irritação: pessoas alcoviteiras
Uma saudade: da minha infância

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Momentos

Forte de Peniche- Museu da Resistência e Liberdade
Vila Mendo On Tour- 2019

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Entrevista a Nuno Graça

Nuno Graça- Nasceu há 45 anos em Lisboa e vive há 15 na Guarda. Licenciado em Gestão e 24 anos de experiência na Banca. Leitor crónico de História.

Como bancário, que papel têm os bancos na ajuda às empresas e às pessoas reais, no meio desta crise? 
Desde o inicio da crise que a Banca procurou apresentar aos seus clientes soluções que permitissem mitigar as dificuldades que se afiguravam: lay-off, eventuais atrasos nos salários. 
Assim aos particulares abriu-se a possibilidade de aderir a moratórias para a maioria dos créditos, que permitiram a suspensão do pagamento da totalidade ou de parte das prestações por um período de 6 a 12 meses (conforme o caso) e respectivo prolongamento dos créditos por igual período. Isto dá ás famílias a possibilidade de 1º fazer face à nova realidade de confinamento com as despesas normais de um agregado familiar e em 2º lugar não se sentirem sobrecarregadas com responsabilidades financeiras…deu-se prioridade ás necessidades das pessoas num contexto em que muitos viram os seus rendimentos reduzidos. 
Às empresas procurou-se assegurar que numa conjuntura em que a actividade reduziu ou cessou, não estarem asfixiadas por responsabilidades assumidas para este período, seja responsabilidades perante fornecedores e banca, como também e talvez sobretudo, garantir que terminada esta fase estariam em condições de voltar a laborar de forma normal seja de imediato seja gradualmente, preferencialmente com todos os seus recursos humanos. 
A disponibilização pelo estado de garantias através das Sociedades de Garantia Mutua, para linhas de crédito ás empresas era algo indispensável para apoiar as empresas enquanto empregadoras e enquanto geradoras de riqueza na Economia Nacional. 
Os Bancos, todos, desde a 1ª hora entenderam o seu papel… TODOS (Cidadãos, Empresas, Estado, Banca) são interdependentes, todos têm de se ajustar e ajudar num presente de insegurança e num futuro de incerteza. 

Os bancos tradicionais terão futuro (que futuro?), depois destes tempos conturbados? 
A Banca sempre foi uma área em que as novas tecnologias tiveram grande aceitação e rápida implementação. 
Estes quase 2 meses de confinamento trouxeram um enorme aumento na utilização dos canais complementares de acesso e comunicação com os Bancos: internet, telefone, Apps…tudo isto existia, todos estes canais eram crescentemente utilizados. Se anteriormente os utilizadores eram de certos segmentos e grupos etários, hoje o espectro de utilizadores é extremamente variado e muito abrangente. 
Houve soluções digitais que viram a sua implementação acelerada, houve produtos e serviços mais direcionados para estes canais que foram disponibilizados, procurou-se rapidamente assegurar que tudo ou quase tudo poderia ser tratado via esses canais reduzindo ao mínimo excepcional uma deslocação física do cliente ao Banco. 
É cada vez menor o numero de clientes que se dirige a um Balcão de um Banco, mas continua a haver e haverá sempre a necessidade de atendimento pessoal, do contacto humano…a Banca é um negócio essencialmente de confiança. 
O Banco tradicional de ontem é o mesmo de hoje, procura transmitir confiança, tenta satisfazer as necessidades dos seus clientes, e se alicerçado num passado e numa história de rigor, melhor. A forma como comunica, como chega ao cliente e como permite que o cliente chegue até ele é que tem evoluído e tem sido reinventada. As novas tecnologias permitem uma utilização imediata, segura e confortável dos serviços e produtos bancários. Em qualquer hora, em qualquer lugar o cliente vai ao Banco. 

Que medidas (económicas e financeiras) urgentes, práticas e pragmáticas deviam ser implementadas para atenuarmos os tempos adversos que… já são? 
Essas medidas foram entendidas no logo no 1º momento: apoiar as famílias que veriam os seus rendimentos decrescer e assegurar que o tecido empresarial não chegaria a um ponto de não retorno. 
As famílias puderam recolher-se com o seu agregado não havendo falta dos bens e serviços indispensáveis, e sem se sentirem asfixiadas com as responsabilidades de crédito que poderiam ter, daí as moratórias. 
As empresas asseguraram a liquidez que é indispensável para manter a capacidade de voltarem a estar no mercado…empresas a laborar são postos de trabalho que se mantêm e é riqueza que se gera. 
Valerá a pena pensar na capacidade que o tecido empresarial nacional tinha/tem para acudir a estes tempos… perceber da existência de capacidade nacional de conceção e produção de bens que se tornaram de primeiríssima necessidade: máscaras, álcool, gel, batas, ventiladores e outro equipamento médico, medicamentos, alimentos…. 

Apaixonado pela História, como achas que ela nos pode auxiliar a ultrapassar esta crise inesperada (ou nem tanto)? 
As crises vêm sobretudo sob a forma de guerras e catástrofes naturais, estas crises são infelizmente mais recorrentes e temos mais facilmente memória delas. Lembramos do tsunami de 2004, do terramoto e tsunami de 2011 no Japão que também originou o acidente nuclear de Fukushima, o acidente nuclear de Chernobyl em 1986, as cheias na europa que em 2011 e 2013 tiraram inúmeras vidas, a tragédia do furacão Katrina em 2005, os incêndios de Pedrogão de 2017. Estes acontecimentos são recentes, mais ou menos presentes na memória de milhões, tendo muitas entidades tirado as elações devidas, assim o esperamos 
Não se controla a Natureza nem se evita vitimas, mas a capacidade de resposta que o Japão demonstrou reduziu as consequências de algumas das situações acima descritas. Estava preparado porque conhecia a realidade em que estava inserido, havia planeamento, havia estruturas e havia recursos humanos, materiais e financeiros. 
Um cenário de Pandemia só temos memória de filmes…de uma pandemia global tivemos em 1918 a Gripe Espanhola, depois muitos casos pontuais e localizados de várias formas de Gripe sobretudo na Ásia…não esquecendo as epidemias de febres hemorrágicas virais como o Ébola cujo alastramento seria sim de dimensões catastróficas. Nestes casos os Estados e Organizações Internacionais têm tido capacidade de resposta, restringindo a sua expansão e lidando com as vitimas. 
A História mostra que os Estados com pensamento estratégico, estruturas adequadas e funcionais e recursos lidam melhor com cenários (mais ou menos prováveis) que se tornam realidades. 
Pensar a médio-longo prazo, além das datas dos calendários políticos, pensar na posição geográfica, politica-internacional e económica em que um País se encontra e de que forma essas variáveis criam cenários, geram consequências e exigem uma resposta. 
Ter estruturas que possam avaliar, pensar e responder, com as pessoas e meios suficientes e adequados. 
Mas sem dinheiro nada se faz…e a forma como o Estado distribui o seu Orçamento é sobretudo uma decisão política. 
Portugal está inserido na União Europeia e que a meu ver demorou a dar uma resposta. Cada país agiu por si numa fase inicial, tratou de assegurar os recursos indispensáveis para fazer face ás necessidades nacionais, enquanto isso a UE demorava a coordenar esforços. O mesmo filme que vimos na crise financeira de 2008. O processo de tomada de decisão é moroso, burocrático e muito politizado. É suposto ser cada um por si? Queremos dar razão àqueles que se opõem à UE? Podemos contar de facto com o apoio dos outros países membros? 
É tentador concluir que o sucesso na forma como certos países lidaram com esta pandemia se deveu ao facto de serem estados autocráticos…a maior crise que se viveu no século XX, a 2ª Guerra Mundial, foi resolvida por democracias. 
Exige-se do Estado (Estado Democrático) que seja sábio e justo no uso dos seus poderes e recursos, pois será sempre escrutinado pelos seus cidadãos. 

Nascido, criado, estudado em Lisboa, há muitos anos na Guarda; profissionalmente satisfeito com a mudança? Voltarias a Lisboa? 
A mudança profissional resultou de uma necessidade pessoal e familiar. O desafio profissional é o mesmo, pese embora realidades e mercados diferentes. 
Um regresso a Lisboa teria de se alicerçado num projeto profissional aliciante e ponderado o impacto no ambiente familiar, mas 1º a família. 

A Guarda já é a tua cidade, como vês o seu futuro e o do seu território? 
A Guarda é a minha casa. 
É nela que escolhi viver, criar e educar os meus filhos. 
Guarda e este território terá o futuro que for possível construir assim que se perceba qual o papel que pode ter quer no contexto Nacional e no contexto Ibérico/transfronteiriço. Ou será que tal pensamento estratégico já não é possível, ou é ultrapassado ou simplesmente desnecessário? Eu acho que o devíamos ter, e não só para a Guarda. 
E a definição desse tal papel, como aparentemente os vários governos não o conseguiram fazer, deve ser deixado aos Municípios em “cumplicidade” com os empresários e empreendedores. 
A consolidação do tecido empresarial local é a meu ver a base essencial para a partir daí se desenvolver outras oportunidades. 
Temos acessibilidades, temos gente em qualidade, mas uma demografia que nos desfavorece, temos de nos diferenciar e especializar. Conhecemos bons exemplos de quem na Agricultura, Industria, Serviços conseguiu bons resultados. 
Temos de cuidar e valorizar o que temos e promover quem quer realizar. Ganhamos todos. 
Sejamos também enquanto residentes e cidadãos elementos activos na valorização e determinação do nosso futuro. 

Uma pessoa que tenha sido referência, na tua juventude? 
A família sempre, mas em especial um grupo pequeníssimo de amigos que crescemos juntos desde o inicio da adolescência e cuja amizade se mantém passados mais de 30 anos… 

Uma memória de infância? 
De Lisboa, das idas à praia na Costa da Caparica. Viagens naqueles anos 80 que demoravam e tínhamos de mudar de transporte pelo menos uma vez…de Cacilheiro pelo rio ou de autocarro pela ponte a paisagem das margens e o largo rio…para onde olharia uma criança?

Que te diz Vila Mendo? 
Vila Mendo foi uma das mais belas surpresas que tive quando cheguei à Guarda. 
Um local super-hospitaleiro. É um íman, um exemplo de dinamismo, teimosia sadia e persistência. 
E a culpa é de um grupo de verdadeiros filhos-da-terra que construíram memórias e que continuam a querer construir memórias para si e para a geração seguinte…e para quem visita Vila Mendo. 
Também eu tenho boas memórias e acolho sempre com alegria todas as oportunidades de vos visitar. 






quinta-feira, 7 de maio de 2020

Coisas... pessoais e...

Daniel Lucas- Psicoterapeuta- @pp.daniel.lucas

Coisas... pessoais e (des)conexas

Uma pergunta: como e quando a vida tem sentido?
Um sonho: mundo mais justo
Uma pessoa: o meu avô Maximino Lucas
Uma alegria: Viver
Um pensamento: não interessa quem tu amas, onde é que amas, porque amas, quando ou como é que amas, o que interessa é que amas
Uma preocupação: o futuro das minhas filhas
Uma paixão: a música
Um lugar: Paris
Uma irritação: hipocrisia
Uma saudade: tempo de de estudante no IPG


quarta-feira, 6 de maio de 2020

terça-feira, 5 de maio de 2020

Coisas... pessoais e...

José Dionísio- Padre

Coisas... pessoais e (des)conexas

Uma Pergunta: Quando acabará a fase mais constrangedora do ‘bicho-corona’?
Um Sonho: Que homens e mulheres deste tempo [especialmente em Portugal] aprendessem a dar passos decisivos no caminho da comunhão fraterna, a partir deste sinal poderoso que nos sacudiu a todos… 
Uma Pessoa: Jesus Cristo! 
Uma Alegria: percebeu-se desde o início desta pandemia do Covid 19 que, AFINAL, o valor primeiro que devemos defender é mesmo a Vida. A liberdade é muito importante. Mas, se não defendermos a Vida de todos e cada um, a liberdade pode ser mal percebida e utilizada. 
Um Pensamento: parafraseando o fundador do comunismo chinês (!): "A derrota aparente perante o inimigo actual há-de ser a mãe da vitória futura! A vitória da humanidade mais unida." 
Uma Preocupação: que muitos governantes teimem em não perceber que nem só de finanças vivem os povos, e que bastantes pessoas não queiram quebrar o gelo do seu egoísmo perante a necessidade alheia. 
Uma Paixão: o empenho em fazer bem a quem precise. 
Um Lugar: Orjais city, capital do pêssego, onde vou às fundas raízes da origem e da infância. 
Uma Irritação: os espertos que ofuscam com o seu oportunismo a inteligência dos mais tímidos. 
Uma Saudade: de uma noite de convívio, no Inverno, na Associação de Vila Mendo!!

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Ruas

 (Fotografias de Beatriz Pereira)
Ruas... vazias, desprovidas de gente e dos animais que, no antanho, lhe davam um movimento visceral, vivencial, vital. Novos tempos... conturbados, inusitados... 

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Entrevista com Hélder Pires

António Hélder Lucas Pires, natural de Ílhavo, casado em Pousade, onde actualmente passa grande parte do tempo. 63 anos, dois filhos e três netos. Tem o ensino complementar e profissionalmente sempre trabalhou numa financeira, onde foi coordenador das áreas de análise, controlo e concessão de crédito e por último no desenvolvimento de scoring. Actualmente está reformado.

1. Na actual situação, há receitas económicas (fiscais, financeiras…) para atenuar a crise que se adivinha?
A situação que vivemos foi causada por uma doença da qual ainda pouco se conhece e cujas consequências são, nesta altura, incertas o que origina que a retoma económica seja também uma incógnita. Certo é que estamos a viver uma forte contração em Portugal que, de uma forma ou de outra, irá acontecer em quase todo o mundo.

2. Será um imperativo moral os bancos e empresas financeiras concederem créditos (facilitados), mas do ponto de vista comercial dessas entidades é um risco, ou não? Implicações futuras?
Os bancos pautam a sua atuação mais por imperativos legais e de negócio do que morais. E parece-me certo, já que a concessão de crédito fácil é mais um problema do que uma solução, basta recordar o que aconteceu entre 2009 e 2018 e o que daí resultou.
Antigamente os bancos rentabilizavam os depósitos beneficiando mais os clientes e o país, investindo em grandes empresas industriais que criavam ou acrescentavam valor. Mas, aí, o retorno não era imediato. Hoje, vive-se uma cultura bancária mais virada para o lucro rápido, olhando principalmente para a margem financeira onde os encargos constituem uma boa fatia. Agora os empréstimos são mais para o consumo, para o comércio e serviços, bem como a compra de casas e de automóveis.
Quase se poderia dizer que, antes, os bancos ajudavam a exportar, hoje ajudam a importar importando também eles dinheiro, muito dinheiro.

3. Vive em Pousade; como vê o futuro das nossas comunidades rurais?
Na qualidade de cidadão que vive numa aldeia, Pousade, que atualmente tem cerca de 80 habitantes e que há 100 anos tinha 542, ou seja, perdeu mais de 80% da população, não posso ficar indiferente ao terrível abandono a que as aldeias foram deixadas, pelo que me vou alongar neste tema.
As abordagens que nos chegam sobre o despovoamento do interior, são feitas essencialmente, como não poderia deixar de ser, por líderes políticos. São eles que clamam contra a dita desertificação (como se nada tivessem a ver ela). 
Quando falo em líderes políticos, refiro-me aqueles que têm acesso aos meios de comunicação, ou seja, líderes partidários e presidentes das maiores câmaras municipais, pois a opinião dos presidentes das juntas de freguesia ou dos municípios mais pequenas não têm expressão.
Com efeito, ao contrário do que é habitual ouvir-se, o problema não é o despovoamento do interior e a sua consequente desertificação, mas o despovoamento das aldeias, das vilas e das pequenas cidades do interior, pois são essas que estão efetivamente a perder pessoas.
Os tais fazedores de opinião apontam invariavelmente o poder central como causa do problema mas, das suas politicas governativas, resultam ações que, na generalidade, são tão ao mais centralistas do que as do poder central.
O que constato é que existe uma completa disparidade de procedimentos entre o que se faz pelas aldeias e o que se faz nas principais cidades. Nas primeiras, como bem sabe, se os poucos habitantes querem fazer uma festa anual, têm que a pagar, sabe Deus de que forma. Nas cidades, que, da mesma forma são constituídas por freguesias, existem espetáculos e até festivais pagos em grande parte, ou mesmo pela totalidade, pelas câmaras municipais. Basta consultar o portal http://www.base.gov.pt para se verem milhões (sim, são milhões) de Euros de faturas pagas anualmente pelos municípios a artistas que atuam nas cidades.
As escolas fecham porque não têm alunos, os tribunais, hospitais, creches, bancos, postos de polícia, ou GNR, finanças e outros serviços públicos e empresas, saíram das terras pequenas para as grandes, por falta de gente. Pergunto se não poderiam estes serviços distribuídos também pelas aldeias?
Paradoxalmente, dizer que o interior está a ficar despovoado, é uma falácia. Na verdade, não é o interior que está a despovoar-se, são as aldeias! Vejamos alguns exemplos, comparando a população de quatro cidades do interior nos últimos 100 anos:
- a Guarda tem basicamente as mesmas pessoas que tinha há 100 anos,
- a Covilhã, tem mais 7%,
- Castelo Branco tem mais 32%
- a cidade de Viseu, capital do interior que é a Beira Alta, em 100 anos viu o número de habitantes aumentar 76%.
1911      2011      Variaç
Guarda                   44 010   42 541   -3,30%
Castelo Branco       42 547   56 109   31,90%
Viseu                       56 186   99 274   76,70%
Covilhã                    48 400   51 797   7,00%
Já os concelhos mais pequenos diminuíram, em média, mais de 50% e, nas aldeias, a diminuição de habitantes anda entre os 65 e os 85%.
1911      2011      Variaç.
Sabugal                   35 409   12 544   -64,6%
Idanha a Velha        27 298     9 716   -64,4%
Moimenta Beira      14 565    10 212   -29,9%
Penamacor              14 999     5 682   -62,1%

Ou seja, os locais onde se criaram condições para as pessoas viverem e trabalhar não têm perdido pessoas. Já nas aldeias, pese toda a demagogia que agora se ouve, nada é feito objetivamente para trazer pessoas, havendo mesmo políticas que parece funcionarem ao contrário, se não vejamos:
As aldeias estão cheias de casas em ruínas, mas continua-se a deixar construir habitações em locais ermos. Por questões de segurança e de preservação das aldeias e mesmo da sua identidade, só deveria ser possível construir fora das populações quando estas não tivessem capacidade para mais.
Há casas em tal estado de degradação que põem em perigo quem por ali passa, mas estão assim há anos sem que ninguém se preocupe, mas, se se manifesta vontade de reconstruir uma dessas casas e se começam a colocar andaimes, é certo que rapidamente aparecem fiscais e, ao invés do que deveria ser, não vêm para facilitar e muito menos para ajudar.
As casas construídas ou recuperadas nas aldeias do interior de Portugal, deveriam ter redução do IMI, para fomentar as recuperações. Já as casas degradadas, enquanto tal, deveriam ter um IMI alto. Isso, por um lado seria uma fonte de receita para as autarquias e, por outro, levaria muitos proprietários a reconstruir, até pela diminuição significativa do imposto, ou a vender.
Atrás das pessoas viriam os serviços e as empresas, mas: 
as aldeias do interior deixaram de ter comércio e como as pessoas necessitam de fazer compras fazem-nos nas cidades próximas. Quem frequenta as cidades percebe a importância que os habitantes das aldeias próximas têm no comércio destas cidades o que poderá também trazer alguma hipocrisia para o processo.
Assim, sem comércio, serviços, agricultura, sem pessoas, com fogos e, principalmente sem políticas, as aldeias dos nossos avós deixarão de existir muito rapidamente.

4. Que urgências para a Guarda e seu território?
A Guarda é, quanto a mim, uma cidade onde se vive bem, onde existe uma boa oferta cultural, com bons serviços e acessos. Obviamente que fazem falta algumas coisas, mas não me atrevo a dizer que são prementes. Já no que toca ás suas aldeias elas padecem do que referi há pouco.

5. É administrador de um blogue (que vale a pena ler); o porquê do nome (curioso) e o que se propõe?
O nome “As couves do vizinho” surgiu-me precisamente das couves de um vizinho e está relacionado com a partilha que existe nas aldeias. Assim, da mesma forma, poderia ser os ovos, morangos, batatas ou salsa do vizinho. A partilha é uma coisa notável que existe nas nossas aldeias e que faz com que se possa dizer que, nelas, ninguém passa fome. No mundo em que vivemos, isto é admirável, repare que até nas aldeias mais pobres isso acontece.
O Blogue incide muito nas nossas aldeias, suas pessoas, seu passado, cultura e tradições.

6. Porque escolheu residir em Pousade?
Por três razões. A primeira, porque a minha mulher é de Pousade. A segunda, porque gosto da terra e das pessoas e a terceira, porque fica relativamente perto do Sabugal, concelho onde tenho as raízes, tanto maternas como paternas.

7. Quem o marcou na sua mocidade?
A minha mocidade foi marcada pelos amigos. Quando fui para o liceu, em Aveiro, não era bom aluno e o meu pai soube que havia um bom colégio em Coimbra e mandou-me para lá. Era efetivamente bom, tão bom que até ao nono ano não se chumbava… depois comia-se bem e a liberdade era muita. Só que eu tinha apenas 10 anos e nessa idade a família faz muita falta e acho que foram os amigos que me ajudaram a suprir essa falta.

8. Que lhe diz Vila Mendo?
Conheci Castelo Mendo antes de Vila Mendo, acontece que, sempre que falo em Castelo Mendo, sai-me Vila Mendo e não sei explicar porquê.
Não conheço suficientemente Vila Mendo para fazer grandes considerandos e aquilo que conheço é muito pelo vosso blogue, mas aquela do Presidente Marcelo ir à Festa do Chichorro, foi divinal. Divinal! De tal forma que eu, não só acreditei, como andei a divulgar...

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Coisas... pessoais e...

Paula Patrício Pereira- Vila Mendo

Coisas... pessoais e (des)conexas

Uma pergunta: porque as pessoas são egoístas e egocêntricas?
Um sonho: voltar a ser mãe
Uma pessoa: a minha bisavó Purificação
Uma alegria: ser mãe de um menino lindo e encantador, meu filho muito amado e desejado, o meu Salvador
Um pensamento: "posso esquecer quem me deixou triste, mas não esqueço jamais quem me fez feliz"
Uma preocupação: o fim esta pandemia que nos roubou a liberdade e a tranquilidade
Uma paixão: ajudar o próximo
Um lugar: pôr do sol à beira mar, de preferência com o mar agitado. O barulho das ondas é um tranquilizante natural
Uma irritação: a mentira
Uma saudade: José Pereira Cairrão, meu bisavô, meu ídolo para sempre

terça-feira, 28 de abril de 2020

Ciclo de Entrevistas

Brevemente, mais um ciclo de entrevistas. Pessoas... com algo para dizer...

sábado, 25 de abril de 2020

25 de Abril e a Guerra Colonial

A Companhia de Caçadores 129, em 1961, a caminho de Quizalala- Angola; uma das primeiras a ir para a Guerra de África. Ismael Soares (em pé, 5° a contar da esquerda) fez parte desta companhia.
Em baixo, um encontro entre este e Alípio Tomé Pinto (e a esposa Maria Lucília)- um dos heróis da guerra, 56 anos depois.
A primeira fotografia foi retirada do livro biográfico: "Ten. General Alípio Tomé Pinto- O Capitão do Quadrado", da autoria do próprio e de Sarah Adamapoulos com a edição  da "Ler Devagar". Livro de que se recomenda vivamente a leitura.
Nestes tempos conturbados e inusitados, vale a pena recordar aqueles que anónima ou publicamente lutaram por todo um povo à custa, não raras vezes, de sacrifícios hercúleos  que as gerações mais imberbes, não imaginam nem (infelizmente) pensam.




quarta-feira, 22 de abril de 2020

domingo, 19 de abril de 2020

Plataforma- jantarada.pt

O nosso conterrâneo e amigo, João Gonçalves, criou uma plataforma para restaurantes que pode ser algo com capacidade de mitigar a crise que assola o sector da restauração. A caracterização desta iniciativa inovadora nas palavras do próprio:
"O Jantarada.pt é um projecto de listagem de restaurantes (e outros negócios ligados à área da hospitalidade) que se encontram fechados ou com operações drasticamente alteradas devido ao combate ao covid-19 e foi criado pelo vila mendense João Gonçalves em conjunto com as empresas Bloco e RedLight Software.
jantarada.pt é um site de livre acesso onde qualquer utilizador pode procurar por espaços que estejam a fazer entregas, take-away ou venda de vouchers para a sua cidade. Inicialmente, o projecto estava limitado a Coimbra, Lisboa e Porto e recentemente foram adicionadas as cidades de Aveiro e Leiria.
Para os empresários da restauração, o jantarada.pt também um um serviço gratuito, sendo muito fácil ter um restaurante listado. Basta entrar no site e pesquisar a secção "Para Restaurantes" e encontrar a opção "Submeter". Lá são perguntados dados sobre o restaurante em questão e mais tarde aparecerá na listagem do jantarada.pt, que pode ser vista tanto em forma de mapa como em forma de lista.
Apesar de não ser uma ideia nova, o jantarada.pt teve bastante adesão. O seu percursor foi um projecto chamado DINE CPH - dinecph.dk, que apresenta também restaurantes fechados no contexto do covid-19 mas apenas para a capital da Dinamarca, Copenhaga. 
Poucos dias depois de ter conhecido este projecto, o João reparou que o site também já tinha sido replicado para Berlim, dando-lhe automaticamente a ideia de o copiar para Portugal.
Com a ajuda dos estúdios de software Bloco e RedLight o João desenvolveu e criou o jantarada.pt onde agora mais de 100 restaurantes mostram o que estão a fazer para dar a volta à situação de transtorno enorme pela falta de clientela.
O João não tem qualquer benefício financeiro com este projecto, existindo unicamente com o objectivo de ajudar os empresários da restauração a sairem com menos estragos desta crise sanitária. Para o João, vencer esta crise é garantir que poucos, ou nenhuns projectos de restauração, fecham portas para sempre.
O João Gonçalves tem actualmente 29 anos, trabalha em Coimbra na RedLight Software como Gestor de Projecto de software. Apesar de não estar ligado à área da restauração, é um frequentador ávido de restaurantes. Podem seguir as aventuras gastronómicas do João no seu Instagram em http://instagram.com/oinstagramdojoao/."

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Vidas

Cristina; Sra. Rosária
A melancolia que assoma lá das bandas da Guarda (espelhada no negrume do céu) não inquieta as gentes que, fugindo ao aconchego da lareira, acorrem a guarnecer-se de víveres para aquietar a barriga nas longas horas de escuridão que se avizinham.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

sábado, 11 de abril de 2020

Páscoa feliz

A todos os Vilamendenses, amigos e aos que nos lêem uma Feliz Páscoa, apesar dos tempos, inusitados e conturbados, em que vivemos.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Gentes de Cá

Jorge Cavaleiro; António de Albuquerque

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Retrospectivas

O tempo passa,
as lembranças permanecem
esbroadas no frenesim do presente.
Olhamos e, atónitos, reconhecemos
o eu, o outro, as circunstâncias…
Agora, mais entendidos nas coisas da Vida,
matutamos o ontem e, assoberbados pelo existente, presumimos o amanhã, desassossegados…
O tempo, esse… pula e avança.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Coisas da Vida

Filomena Barbeira Afonso, natural do Marmeleiro, 92 anos, faleceu num lar na zona de Lisboa vítima de Covid19: um alerta para aqueles que pensam que as coisas só acontecem aos outros.
Era mãe da Augusta, sogra do Jorge e avó do Élio, da Vanessa e do Fábio, nossos conterrâneos. A eles e restante família os nossos sentidos pêsames. O funeral é amanhã, dia 7, no Marmeleiro pelas 11h30 e só é aberto aos familiares directos conforme as normas que decorrem do estado de emergência.
Tenhamos todos muito cuidado e mantenhamos a distância social.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

A Freguesia de Vila Fernando- registos primeiros- 1575

Graça Maria Garcia Soares Calçada Sousa


Primeiros registos
Estas são as primeiras páginas dos assentos de baptismo, casamento e óbito escritas em 1575, referentes à freguesia de Vila Fernando.



Baptismos
O primeiro assento diz respeito a uma criança do Adão e parece ter sido escrito por duas pessoas diferentes.

(Aos vinte dias do mês de março de mil quinhentos e setenta e cinco anos batizei eu Manuel Tavares cura em Vila Fernando Francisco filho de António Gonçalves e sua mulher Catarina Gonçalves do Adão padrinhos Francisco Gonçalves do Monte de S. Pedro e Catarina Gonçalves mulher de Francisco Luís do dito Adão e assinei Manuel Tavares)

Casados
O primeiro assento refere-se a um casamento entre um noivo de Vila Mendo e uma noiva do Monte de S. Pedro.

(Aos dezoito dias do mês de setembro de 1575 Diogo Lopes de Vila Mendo e Isabel Gonçalves do Monte de S. Pedro desta freguesia perante Gaspar Jorge, Álvaro Pires, Diogo Gonçalves Preto, Diogo Gonçalves de Cima e outros muitos que na Igreja estavam contraíram o sacramento do matrimónio e assinei Manuel Tavares)

Óbitos
Era de Albardo o primeiro defunto registado no livro de assentos.

(Aos vinte e sete dias do mês de Setembro de mil quinhentos e setenta e cinco anos finou Fernão ?? morador em Albardo jaz dentro da igreja fez verbal manda e testamenteiro seu filho Sebastião Fernandes deste lugar e assinei Manuel Tavares)

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Investigação

Amanhã, sexta-feira, mais uma investigação de Graça Sousa.

terça-feira, 31 de março de 2020

domingo, 29 de março de 2020

Adiamentos- XVI Encontro Motard

Pelos motivos óbvios, adiaremos a realização do XVI Encontro Motard para data oportuna. De igual modo, um passeio que tínhamos agendado para o dia 1 de Maio. 

quarta-feira, 25 de março de 2020

Cozer do Pão

Enquanto o pão nosso se faz na crença de bem cozido, palavreia-se um pouco, fala-se deste e daquela, proferem-se uns gracejos e polemizam-se questões proveitosas, com certeza(s)... 

segunda-feira, 23 de março de 2020

O Essencial

por Berta Carreira

"O essencial é invisível aos olhos" e nós queremo-lo visível e palpável e imediato.
A vida, até neste estado de calamidade, a nada nos obriga - sugestiona e pisca-nos o olho
"é hora de estares contigo".
...
E há Homens que menosprezam e, até, se riem…
Outros não entendem…
Uns fingem não entender…
E muitos fingem tudo compreender e saber...
Humanos perdidos a tentar ver, ler, analisar e aprender...
Quando esta guerra terminar
- esta batalha que nos faz discriminar a quem tanto queremos (oh, canhão horrendo e maldoso) -
quem restará?
que pedaço restará de cada Um?
que tipo de sangue correrá nas veias?
que células revitalizaremos?
que músculos acionaremos?
que língua falaremos?
que contas faremos?
que pensamentos nos inundarão?
O Covid não matará o sonho! No sofrimento, no isolamento ou, no limite, na solidão,
o sonho será sonhado, mesmo que não comamos tanto,
e alimentar-nos-á.
Enquanto o coração bater
deverá bater com esperança,
fé,
resiliência,
amistosa e pausadamente:
a um ritmo saudável - como nos dias ansiados.
Ouçamos o silêncio da Guerra mais silenciosa de todas: curiosa peculiaridade!
"Da janela do nosso quarto" podemos ainda ver o mundo (como sempre)
que belo prazer ouvir os pássaros
observar alguns transeuntes
admirar a chuva
e estar na melhor das companhias:
conceber oportunidades maravilhosas é um atrevimento (perdoem-me).
Mas
"das trevas nasce a luz"
-a história o comprova.
O Mundo continuará (demasiado) imperfeito e desigual,
como cada um de Nós,
os sobreviventes - atentos e sofridos-
poderão viver de outra maneira
reinventar-se
e contribuir ocultamente
com gestos
olhares
e
manifestos
e
ações
de paz (preservá-la é uma emergência).
E que amanhã,
ao acordar,
saibamos agradecer por mais um dia
e nos deixemos inundar pelo Amor:
única força capaz de vencer
um inimigo invisível, tão real como os sentimentos.
Este confronto (anunciado) abalará qualquer um
(de bilionários a mendigos)
todavia não estremecerá o essencial:
o sentir.
Abraço altruísta (por aqui não corremos qualquer risco).

                                               Berta Carreira

sábado, 21 de março de 2020

quinta-feira, 19 de março de 2020

segunda-feira, 16 de março de 2020

quinta-feira, 12 de março de 2020

Casas

( a fotografia foi tirada por Júlio Pissarra)

A luz ténue e fusca parece rejuvenescer a casa velha e bafienta esventrada de vida, mas pejada de lautos e ensurdecedores silêncios... as pedras, escurecidas pela mão inexorável do tempo, anseiam por quem lhes devolva a brancura granítica de outrora. O telhado, curvado e magoado, resiste uma e outra vez aos humores dos elementos nada meigos. As janelas, violadas na sua inteireza, deixam cair lágrimas à triste sorte. Lá dentro... lá dentro as memórias de muitos... apenas.
Ao lado, outra casa chora o mesmo fado.

segunda-feira, 9 de março de 2020

Gentes de Cá

Paulo Vicente, Zé Albino, Manuel Joaquim, Zé Vicente

sexta-feira, 6 de março de 2020

quarta-feira, 4 de março de 2020

segunda-feira, 2 de março de 2020

Momentos- Tabernas do Entrudo

 Costa, Maria, Cristina, Eufrásia
Júlio, Graça, Augusta 

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Momentos- Tabernas do Entrudo

 Executivo camarário 
Membros da oposição (em baixo)